O POVO DO RN CONTRA ROSALBA CIARLINI
postado por O Santo Ofício | maio 1, 2012
Protesto “Rosalba, vergonha do RN”, chega ao topo do Twitter
Por Carlos Santos em seu blog (hoje)
A hastag (palavra-chave) #RosalbaVergonhadoRN chegou há poucos minutos ao topo dos assuntos mais comentados no Brasil, dentro do Twitter, a rede social que mais cresce no mundo.
O movimento nascido em meio à comunidade acadêmica da Universidade do Estado do RN (UERN), que esteve por 106 dias em greve no ano passado – um recorde no serviço público do RN -, é um protesto pacífico, mas vigoroso.
O resultado é que o nome da governadora, como péssima gestora, ganha dimensão nacional e até mundial em face dessa mobilização.
A mobilização deixou outros temas e personagens teoricamente bem mais importantes, em posições secundárias. Assuntos como o “1º de maio”, “Dia do Trabalho”, “Aviões no programa Mais Você” da Rede Globo e “Ayrton Senna” (18 anos de morte) ficaram para trás.
CARLOS ROBERTO DE M. GOMES ESCREVE
postado por O Santo Ofício | maio 1, 2012
Situacao dos advogados apontados nos episódios do TJRN e despesas públicas irreguares
Mais uma vez a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio Grande do Norte se preocupa com a situação dos advogados apontados pela imprensa, como envolvidos com a questão dos precatórios, exploração de prestígio ou tráfico de influência junto ao Tribunal de Justiça do nosso Estado, para alterar a ordem de precatórios ou colaborando para acordos e cálculos não compatíveis com a realidade ou, ainda, se envolvendo em negócios ilícitos em processos de despesas públicas.
A respeito dessas situações, o Código de Ética e Disciplina da OAB, publicado no Diário da Justiça do dia 01.3.95, é explícito ao dispor em seu primeiro artigo: “O exercício da advocacia exige conduta compatível com os preceitos deste Código, do Estatuto, do Regulamento Geral, dos Provimentos e com os demais princípios da moral individual, social e profissional.
A parte destacada acima induz os leitores a compreender, que não é necessário que o advogado esteja diretamente ligado a algum caso ajuizado ou não, na condição de profissional da advocacia, para ser fiscalizado pela OAB quanto ao exercício do seu “múnus legal”. O Código de Ética exige que o advogado tenha uma conduta compatível, também, com os demais princípios da moral individual, social e profissional, pois tais predicados são condições de ingresso nos seus quadros.
Por isso, ainda é a norma legal quem determina como dever do advogado, preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade, como, igualmente, velar por sua reputação pessoal e profissional.
Em assim sendo, sem querer fazer juízo de valor em relação aos episódios em comento, entendo de bom alvitre que os profissionais citados como envolvidos com os recentes e lamentáveis casos do TJRN ou com atitudes ilícitas em processos de despesas públicas devem, voluntariamente, se afastar das suas funções, caso as exerçam junto ao Órgão de Classe e se licenciarem do exercício da advocacia até a apuração final de sua conduta, pois, do contrário, em razão do zelo que deve prevalecer em nome da respeitabilidade da Instituição dos Advogados, pode o Tribunal de Ética e Disciplina exercer a sua competência legal, instaurando, de ofício, processo competente sobre ato ou matéria que considere passível de configurar, em tese, infração a princípio ou norma ética profissional (art. 50, inciso I).
Ao cuidar do assunto, o Estatuto da Advocacia e da OAB – Lei nº 8.906, de julho de 1994, admite em seu art. 70, § 3º, que o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, resguardando-se a os mesmos o amplo direito de defesa e obedecido o devido processo legal.
Não estou aqui condenando ninguém senão com o mesmo intuito de que o assunto seja encarado com igual cautela e diretriz tomadas nos casos dos membros do Poder Judiciário local. Essa é a minha opinião pessoal, e o que a sociedade potiguar aguarda da Ordem dos Advogados.
.Carlos Roberto de Miranda Gomes é advogado e escritor
CHUVA DE SAL GROSSO
postado por O Santo Ofício | maio 1, 2012
Por Franklin Jorge
Depois de Micarla de Souza, prefeita de Natal, a governadora Rosaba Ciarlini Rosado transformou-se em inspiracao para um grande tuitaco sob a hashtag (palavra-chave) #RosalbaVergonhaDoRN, programado para ter inicio ás 10 horas desta manha de sol.
Amargando mais de 60% de impopularidade, em catorze meses de um governo que se notabilizou pela falta de projetos e mediocridade de sua equipe, Rosalba disputa o podium com Micarla, cujo governo já ultrapassou os 90% de impopularidade, agora agravados por seu suposto envolvimento com o escändalo dos precatórios que rebaixou ainda mais o nosso Tribunal de Justica, já desacreditadissimo perante a opiniáo pública do Rio Grande do Norte…
Creio ser desnecessário acrescentar mais nada a estas palavras. Todo o RN está conscio de que Rosalba nadou, nadou e morreu na praia.
RN ENFRENTA CRISE DE GOVERNABILIDADE
postado por O Santo Ofício | abril 30, 2012
Secretários desmentem Governadora e afirmam o não cumprimento do acordo
Em reunião realizada no final da manhã da última sexta-feira, 27, os auxiliares da Governadora Rosalba Ciarlini desmentiram-na e afirmaram que o Governo do Estado não irá cumprir o acordo firmado com a ADUERN, em setembro do ano passado, que pôs um fim à greve de 106 dias na UERN. No dia 17 de abril, a governadora afirmou em visita à Mossoró, que o acordo seria cumprido já que “quando eu firmo um acordo, eu cumpro”, disse ela na oportunidade e ainda complementou “Inclusive já é lei!” (veja aqui).
Tão logo foi iniciada a reunião, o secretário-chefe do Gabinete Civil, Anselmo Carvalho, que negociou com a categoria docente no ano passado, pediu desculpas e alegou que não poderia participar da reunião, pois teria outro compromisso. O fato gerou indignação nos presentes. “Foi uma falta de respeito o secretário que negociou conosco durante toda a greve do ano passado e que anda dizendo que não houve acordo, quando nós temos documentos assinados por ele, sair de uma reunião de negociação”, explica o professor Carlos Filgueira, diretor da ADUERN que participou da reunião.
Segundo o docente, na oportunidade, o secretário de Administração, Alber Nóbrega, e o Consultor Geral do Estado, José Marcelo Costa, somente utilizaram o mesmo discurso da “Terra Arrasada”, usado amplamente no ano passado. “Na época, o Governo do Estado havia assumido há pouco tempo, agora já faz mais de um ano e continuam com as mesmas desculpas”, afirma o professor.
Ao serem questionados sobre a palavra da Governadora e os documentos assinados pelo Governo do Estado, os secretários foram enfáticos. “Palavra e documentos não vogam, o que voga é o real”, alegando que o Governo está no limite prudencial e não pode conceder aumentos aos servidores. Com essa fala, os presentes perceberam a falta de sintonia entre a governadora e seus auxiliares. “Como a autoridade maior do estado afirma algo e seus subordinados a desmentem? Isso só indica a falta de rumo do Governo”, garante Carlos Filgueira.
Diante da situação, os professores da UERN irão se reunir em Assembleia nesta quarta-feira, 02, às 9h, na sede da entidade em Mossoró, para repassar os informes da negociação para a categoria, deliberação de greve por tempo indeterminado, instalação do comando de greve e encaminhamentos.
Tuitaço
Surge na web um movimento para denunciar a falta de compromisso do Governo do Estado com os acordos firmados com os servidores públicos, além do descaso com a UERN. O tuitaço com a hashtag (palavra-chave) #RosalbaVergonhaDoRN será promovido nesta terça-feira, 1º de maio, a partir das 10h. O objetivo é que o assunto se torne um dos mais comentados no país para ganhar repercussão nacional.
Convocação da assembleia
ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
C O N V O C A Ç Ã O
O Presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – ADUERN/Seção Sindical do ANDES/SN, no uso de suas atribuições legais e regimentais, CONVOCA todos os professores da UERN para Assembleia Geral Extraordinária, que se realizará na Área de Lazer Prof. FRANCISCO MORAIS FILHO, no dia 02 de maio de 2012, quarta-feira, em primeira convocação, com 20% do número de sindicalizados, às 08:30 horas, em segunda convocação com 10% do número de sindicalizados, às 08:45 horas, ou, em terceira e última convocação, com qualquer quorum, às 09:00 horas, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia:
1) Informes sobre (des)cumprimento do acordo salarial;
2) Deliberação sobre deflagração de greve por tempo indeterminado;
3) Instalação do comando de greve;
4) Encaminhamentos.
Mossoró (RN), 27 de abril de 2012.
Prof. Flaubert Fernandes Torquato Lopes
Presidente
ADUERN irá promover Noite do Trabalhador no dia 1º de maio
Nesta terça-feira, 1º de maio, a ADUERN irá promover a “Noite do Trabalhador” em alusão ao Dia do Trabalho. O evento será realizado na sede da entidade em Mossoró.
A programação terá início às 19h, com a reinauguração da Galeria dos Ex-Presidentes. Às 19h30, será realizado o lançamento do documentário “a ADUERN somos nós”, produzido por estudantes do 8º período de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, e orientado pela professora Márcia Pinto.
O documentário conta a história da ADUERN a partir de depoimentos de professores que participaram da fundação e de episódios marcantes da entidade, como a estadualização da UERN e da greve de 106 dias deflagrada no ano passado.
Às 20h, será realizada a III Noite de Queijos e Vinhos com música ao vivo de Elizabeth Freitas.
A HORA DO HERÓI
postado por O Santo Ofício | abril 30, 2012
Por Nivaldo Cordeiro em seu blog
Para um grande escritor é preciso haver um grande crítico. Quando saiu publicado o Sagarana, Antonio Cândido, em julho de 1946, publicou no então Diário de São Paulo: “[No conto "A hora e a vez de Augusto Matraga" o autor] entra em região quase épica de humanidade e cria um dos grandes tipos da nossa literatura, dentro do conto que será, daqui por diante, contado entre os dez ou doze mais perfeitos da língua”. Não foi pouca coisa para um autor estreante.
No último parágrafo o grande crítico não se conteve e escreveu que “Guimarães Rosa vai reto para a linha dos nossos grandes escritores”.
O que tanto encanta no Augusto Matraga? Ele mantém a estrutura das peças trágicas do século V da Magna Grécia, mantém a ideia de destino (melhor chamado aqui de Divina Providência, pois o autor é católico), trata do conflito entre dois tipos de leis não escritas que precisam ser cumpridas e exalta o valor da redenção, pela prática do bem, e do heroísmo. Guimarães Rosa reescreveu em termos cristãos a tragédia clássica.
Augusto Matraga é um homem arrogante e poderoso, que sofre uma sucessão de desgraças: perde seus capangas de confiança, perde a esposa e a filha “se perde”, empobrece e, por fim, toma uma surra memorável, que finda quando é ferrado em brasa, como uma rês. Na hora derradeira a Providência age e ele escapa vivo, pobre, machucado e maltrapilho. Dois anjos, na forma de um casal de velhos negros, o resgatam e, desde então, Augusto Matraga tenta expiar seus pecados todos os dias, mediante trabalho duro e altruísta e muitas orações. Vai para uma espécie de exílio em terras distantes, escondendo-se de tudo e de todos. Ele se converteu ao bem e se tornou um bom católico.
Certo dia aparecem por lá Joãozinho Bem Bem e seu bando, cangaceiros provados, uma versão pagã de força física e militar. O contato entre Joãozinho Bem Bem e Augusto Matraga revela uma afinidade imediata. O primeiro diz: “Nossos anjos da guarda se combinam”. Ficam amigos, Augusto Matraga torna-se seu anfitrião e, antes de partir, o cangaceiro chefe convida-o para fazer parte do bando. Augusto Matraga recusa e profere as palavras do título, que todo homem tem a sua hora e suas vez, mas a sua ainda não chegara.
O tempo passa e Augusto Matraga se sente novamente recuperado e forte e a passagem das aves migratórias é tida por ele como um sinal, o de que precisava procurar o seu destino. Monta num jumento e vai pelo mundo, guiado pelo próprio animal (equivalente a uma força inconsciente). Numa aldeia encontra Joãozinho Bem Bem, que estava ali para vingar um dos cangaceiros, assassinado pelas costas. Como o assassino fugiu, a lei não escrita era que um homem da família do assassino deveria ser sacrificado, para pagar. O desfecho trágico e surpreendente acontece. O bando invade a igreja, onde o pai do assassino tenta proteger os dois filho menores, um dos quais seria o sacrificado, e a figura máscula do padre se sobressai na defesa da família. Em vão. O bando é forte e grande e o chefe é impiedoso e determinado.
A chegada de Augusto Matraga dá uma pausa e Joãozinho Bem Bem reitera o convite para que ingresse no bando, oferecendo-lhe o cavalo e as armas do cangaceiro morto.
“Sou um pobre pecador, seu Joãozinho Bem Bem”, respondeu Augusto Matraga. “Que-o-quê! Essa mania de rezar é que está lhe perdendo… O senhor não é padre e nem frade, p’ra isso; é algum?… Cantoria de igreja, dando em cabeça fraca, desgoverna qualquer valente… Bobajada!…” A ética antagônica dos dois homem é explicitada.
Augusto Matraga toma a espingarda e então se dá conta do drama que se desenrola na igreja. Havia chegado a sua hora. Imediatamente ele diz ao chefe para parar, que aquilo não podia ser feito e o desafia. Luta sozinho contra o bando, mata vários, inclusive o chefe e é morto. O herói se fez pelo bem. Salvou as vítimas inocentes de uma ética torta, justiceira, maligna. Foi o sacrifício de um herói cristão no combate justo.
BRASIL Á BEIRA DE UM GOLPE DE ESTADO
postado por O Santo Ofício | abril 30, 2012
Por Aluizio Amorim em seu blog
Lula e seus asseclas já conseguiram calar a oposição. A CPI fajuta desviará a atenção da população não apenas com relação ao mensalão, mas também da PEC que liquida o Poder Judiciário e impõe uma fissura irreparável nos fundamentos da democracia, da segurança jurídica e, por fim, da liberdade.
Lula, o PT e seus sequazes nem sequer disfarçam. A CPI que é um recurso político da minoria, desta feita foi convocada pela maioria, isto é, pelo PT e seus asseclas, ou seja aquele bando de picaretas com assento no Congresso Nacional que atende pelo designativo de “base aliada”. O mentor da CPI é Lula que, segundo matéria do site de O Globo, avisou que vale a pena correr riscos para alcançar os resultados: massacrar a oposição.
Em resumo: a Nação calada consente que o parlamento brasileiro seja utilizado como palco de um embuste, uma pantomima diabólica engendrada pelo cérebro de Lula que, provavelemente, foi afetado pela quimioterapia. O futuro dirá se isso é uma simples ilação. Lula pode ser daqueles que acham que por estar com o pé na cova podem fazer o que bem entendem.
Ora, uma CPI é uma providência no âmbito parlamentar que demanda tempo, mobilização de parlamentares, funcionários, assessores, técnicos e o escambau. Isto custa dinheiro aos cofres públicos. Se for uma coisa séria para valer, que investigará a roubalheira e a propinagem institucionalizada, diga-se de passagem, pela bandalha do PT, tudo bem. Mas se for apenas uma jogada político-eleitoral e com a finalidade precípua de criar as condições para desviar a opinião pública do crime do mensalão e promover a procrastinação de seu julgamento a Nação não está apenas sendo iludida, mas à beira de um golpe de Estado mais à frente.
Notem por exemplo, que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite ao Congresso sustar decisões do Poder Judiciário. Atualmente, o Legislativo pode mudar somente decisões do Executivo. A proposta seguirá agora para uma comissão especial.
Essa proposta de emenda constitucional é mais um passo em consonância com as diretrizes do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada por Lula, Chávez et caterva. Quanto a isso não há dúvida nenhuma. Caso esses tarados ideológicos do PT consigam aprovar essa afronta ao Estado de Direito Democrático, consuma-se um Golpe de Estado puro e simples.
É que o Direito (dentro do Estado de Direito Democrático) tem sua funcionalidade e eficácia, ou seja, a segurança jurídica, dependente da estrita obediência às decisões judiciais. Essas decisões podem ser contestadas dentro dos parâmetros legais/processuais constitucionais, porém não podem sob nenhuma hipótese serem desobedecidas. Em outras palavras, a aprovação dessa PEC destrói o principal fundamento do Estado de Direito Democrático.
Em todos os países latino-americanos sob a direção do Foro de São Paulo, como a Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Argentina, Paraguai e Uruguai assiste-se ao desmonte das instituições democráticas. O método aplicado é que é diferente de país para país, embora o objetivo seja o mesmo. Assim, diferentes estratégicas são aplicadadas para atingir o mesmo objetivo, a comunização do continente latino-americano.
Essa CPI, por exemplo, criada pelo Lula, que é um dos principais articuladores do Foro de São Paulo, tem em mira abrir espaço para hegemonia política do PT. E isso acontece em todos esses países que mencionei, mas como disse, de forma diferente e adequada às situações locais.
Os comunistas do PT agem simultaneamente em várias frentes. Enquanto a CPI do Cachoeira é montada para esmagar lideranças oposicionistas, ao mesmo tempo corre silencioso pela Câmara a PEC – Proposta de Emenda Constitucional que emascula o Poder Judiciário.
As outras frentes de ataque do PT às instituições democráticas são levadas a efeito por um conjunto de novas regras de conduta social baseadas no pensamento politicamente correto. Estas podem parecer pontuais, estarem de acordo com um suposto avanço. Incluem-se aí coisas como o Kit Gay, a descriminalização do aborto, a liberalização dos entorpecentes, como a maconha e até mesmo a prosaica proibição de fumar em praça pública. Quanto ao uso do tabaco, essa campanha anti-fumo permite moldar as consciências de forma que o governo possa aumentar desmesuradamente os impostos do comércio de cigarros. Ninguém levanta a voz contra essa torrente de iniquidades que vem sendo transformada em lei. Até que não exista mais qualquer tipo de reação à intromissão do Estado na vida privada das pessoas.
Na atualidade ainda se vive um resquicio dessa guerra de valores. Mais adiante não háverá mais nenhum tipo de resistência e os cérebros dos cidadãos já estarão completamente abduzidos pela lavagem cerebral consumada pela canalha ideológica que se adonou da Nação brasileira.
Ninguém reflete sobre tudo isso. Tanto é que Lula e seus sequazes continuam dando as cartas e conseguem, até mesmo, criar um CPI fajuta para a realização de suas ambições de poder absoluto, enquanto a massa de orelhudos fala à boca pequena que o PT não sai mais do poder. Ora, com essa atitude bovinamente alienada, oportunista e acrítica será isto mesmo que irá acontecer.
A rigor, Lula e seus asseclas já conseguiram calar a oposição. A CPI fajuta desviará a atenção da população não apenas com relação ao mensalão, mas também da PEC que liquida o Poder Judiciário e impõe uma fissura irreparável nos fundamentos da democracia, da segurança jurídica e, por fim, da liberdade.
Com o aparelhamento ideológico da Ordem dos Advogados do Brasil, das universidades, das escolas em todos os níveis, das organizações estudantis, dos sindicatos e centrais sindicais – inclusive as patronais como a Conferação Nacional da Indústria (CNI), constata-se que a Nação está assim como “enfeitiçada” pelo canto de sereia dos comunistas, agora travestidos de ecologistas e de pseudos libertários, na verdade autênticos liberticidas.
Finalmente, a grande mídia dá a contribuição definitiva para que toda a verdade seja substituída pela repetição da mentira até que esta se torne – pasmem – uma verdade incontestável. Prestam-se, como lacaios de Lula, do PT e seus sequazes, os jornalistas em sua maioria. Calculo que 99% dos jornalistas da grande imprensa brasileira fazem parte dessa legião de mentirosos e idiotas de todos os matizes.
Eu sei o que estou afirmando. Estou no jornalismo há mais de 40 anos e trabalhei em jornais diários. Também sou advogado inscrito na OAB, Mestre em Direito e também trabalhei durante vários anos na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarinsa (FIESC). Conheço muito bem o ambiente político e empresarial, bem como os empresários brasileiros em nível nacional.
Assim, acumulo um acervo de conhecimento e informação – sem qualquer modéstia – respeitável. Isto conjugado com a minha memória – sem modéstia também – estupenda, se transforma numa poderosa ferramenta para a produção de análises políticas, econômicas e sociológicas em níveis nacionais e internacionais.E, também sem qualquer falsa modéstia, escrevo sobre qualquer assunto.
Espero poder contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil. Se é que o lixo ocidental possa sofrer algum tipo de mudança positiva.
http://aluizioamorim.blogspot.com.br/
Terça-feira (01/05), a partir da 10h, vai ser desencadeado um ‘twitaço’ com a hastag #RosalbaVergonhaDoRN.
A iniciativa está se formando em redes sociais como Facebook e Twitter, “a fim de chamar a atenção da mídia para o descaso desse governo, que não atende as reivindicações trabalhistas dos servidores do nosso estado do RN, e que também não promove investimentos na sua única universidade estadual pública a Uern, e em todos os segmentos, de educação, saúde, segurança, entre outros”, prega a mobilização.
Esse movimento quer dar a dimensão do que foi feito em Natal contra o governo da prefeita Micarla de Sousa (PV), que ganhou repercussão nacional.
QUANDO A VEZ É DO MAR
postado por O Santo Ofício | abril 30, 2012
Por Carlos Lúcio Gontijo
Não podíamos deixar de registrar o lançamento de nosso 14º livro, o romance “Quando a vez é do mar”, que se deu em Belo Horizonte no dia 27 de abril de 2012, com a presença de grande público, numa comovente homenagem ao nosso trabalho literário, que vem desde 1977, quando lançamos o nosso primeiro livro.
Incrivelmente, assistimos ao avanço do desapreço pela literatura, tanto pela propagação da cultura do som e da imagem quanto pela inexistência de efetiva política de incentivo à leitura, que se nos apresenta com baixíssimos índices no Brasil, onde sequer chamadas bienais ou feiras de livro conseguem a amplitude desejável, uma vez que concedem espaços privilegiados (muitas vezes remunerados) a gente que não é do ramo e que não passam de figurões bafejados pelos holofotes da mídia ignara e carro chefe da exaltação ao grotesco e desprovido de valor, ao passo que autores independentes permanecem desembolsando recursos próprios até mesmo para a obtenção de prateleira nos pontuais eventos de apresentação de livros.
Ademais, o que se observa é que a maioria dos verdadeiros leitores não se encontra entre os abastados, mas sim nas camadas remediadas. Os que usam os (des)serviços de transporte público de passageiros sabem muito bem que, geralmente, se houver alguém lendo durante a incômoda viagem, é gente negra, mulata ou parda, que via de regra integra a camada mais pobre da população. Exemplo disso é a filha de pedreiro (presente ao evento) que há muito nos empresta seu braço em Contagem, que acaba de ser aprovada no Cefet, exatamente pelo cultivo do gosto pela leitura. Ou seja, a luta pela criação de hábito de leitura não é questão dependente ou afeita apenas à renda das famílias.
Confessamos que o panorama no mercado de livros é tão contraditório e esdrúxulo que enfrentar o lançamento de obra literária independente numa cidade como Belo Horizonte é assumir elevado risco de insucesso, com magnitude suficientemente capaz de provocar o total desânimo a qualquer autor, conduzindo-o até mesmo a abandono do exercício da arte da palavra escrita.
Dessa forma, sentimo-nos no dever de fazer agradecimento público a todos que optaram por prestigiar o nosso empenho literário, virando as costas aos vários apelos existentes numa capital, onde a violência desenfreada e o transporte caótico são um convite para o cidadão ficar quieto em casa. Assim, agradecemos profundamente a todos que nos deram a honra de sua presença. Foi uma enorme felicidade contarmos com apoio de vários escritores e poetas independentes, tais como Sônia Veneroso (presidente da Academia Santantoniense de Letras–ACADSAL), Ádlei Duarte de Carvalho, Regina Morelo, Luiz Cláudio Paulo, José Estanislau Filho, Antônio Carlos Dayrell, Fátima Oliveira, João Silva de Sousa. Além de Ieda Alkimim e Antônio Fonseca, que em nome da Academia Betinense de Letras nos outorgaram belo troféu de “Mérito Literário”, com gravação de expressivos versos extraídos de poema de autoria de Antônio Fonseca. “Dá para pressentir:/ Há um burburinho em cada esquina/ Em cada bairro da cidade/ Há um bêbado pensando ser sábio./ Há um mendigo saciado de fome” (…).
Voltamos para casa com certeza de que a literatura ainda possui atração e força, pois do contrário não contaríamos com presenças ilustres como as do jornalista Hélio Fraga; do ex-secretário do Estado de Minas Gerais José Ulisses; do Professor Irineu, presidente da Câmara Municipal de Contagem; do jornalista Jorge Faria; dos irmãos advogados Sônia e José Magela Couto; do casal Ana Maria e Adílson Batista, que jamais deixou de ir a lançamento de livros nossos em BH; Ângela Maria Sales, autora de “Carlos Lúcio Gontijo na bateia de uma leitora”; e dos leitores Fernando Maia e Ambrosina Castelar, que vieram de Campinas (SP), para nos conhecer pessoalmente. Premiou-nos também com sua presença o jornalista e professor universitário Magnus Martins Pinheiro, que se deslocou de Teresina (PI) e aproveitou para nos agendar lançamento na capital piauiense no mês de agosto próximo.
Indistintamente, derramamos com emoção o nosso mais profuso agradecimento a todos os amigos leitores presentes, que são uma espécie de coautores, uma vez que os que escrevem necessitam da sensibilidade e da intelectualidade de quem os lê. Sem isso, sem esse mar espiritual, as palavras grafadas no papel não têm onde desaguar.
.Carlos Lúcio Gontijo é poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br
BRASÍLIA FAZ 50 ANOS
postado por O Santo Ofício | abril 30, 2012
Por Nivaldo Cordeiro em seu blog
“O diabo na rua, no meio do redemoinho“. Guimarães Rosa
O cinquentenário de Brasília, em 2012, é um marco importante da nossa história e merece uma reflexão. A nova capital foi projeto antigo, desde os tempos de Colônia. Com a Proclamação da República a ideia virou obsessão. Foi realizada por um governante saído de Minas Gerais, o mais central dos estados brasileiros, algo carregado de grande simbolismo. Jucelino Kubitschek de Oliveira encarnou o homem fáustico à brasileira, o construtor de cidades, o colonizador do sertão.
O Brasil, enquanto nação, foi produto de duas crenças que são a própria face da modernidade europeia: o mito fáustico, do Estado construtor e colonizador, tão belamente cantado por Goethe; e o mito fundado por Rousseau em torno da igualdade e da representação democrática por voto universal. Se no inicio o Brasil era apenas objeto da ânsia fáustica dos europeus, desde a Independência a ideia do Brasil “grande”, desenvolvido e afirmativo no concerto das nações jamais saiu do campo de visão de sua elite governante. Essa elite internalizou ela própria o mito do Fausto e Brasília é a máxima expressão da realização desse mito. A cidade, que é o coração da “Fortaleza Brasil”, nascida contra a Europa, contra a Igreja Católica e contra a potência dominante, Estados Unidos da América.
Esse sentimento ficou muito bem expresso pelo presidente João Batista Figueiredo, quando da Guerra das Malvinas. O Brasil ainda tolerou um conflito bélico com potência europeia no Atlântico Sul, mas fez chegar ao Presidente Reagan (e, por tabela, ao governo britânico) que não toleraria desembarque de tropas alienígenas na América do Sul e que interviria militarmente para impedir. Importante o fato porque delimitou que a América do Sul é dos sul-americanos e aqui a voz imperante é a brasileira, contra a Europa, os EUA e qualquer potência de fora do continente.
Da mesma forma, os fatos recentes da diplomacia nacional demonstram que esse élan fáustico está mais ativo do que nunca. A busca quase impertinente por um assento no Conselho de Segurança da ONU chega a ser folclórica. O tom arrogante da participação do ministro Guido Mantega, na última reunião geral do FMI, mostrou que a nação adolescente quer ser adulta. O recente surto protecionista, a pretexto de proteger a indústria, é o mais um movimento nessa direção.
No âmbito interno, o século XX foi o momento do triunfo das ideias de Rousseau. A Revolução de 30 deu o pontapé inicial para a construção da democracia de massas e o longo governo de Getúlio Vargas caminhou para isso. É bem verdade que ele deu combate ao comunismo, a máxima materialização do delírio de Rousseau, mas por circunstâncias táticas. O comunismo, naquele momento, fazia guerra ao Ocidente, desde a Rússia, sendo uma forma de imperialismo interventor. Pari passu, tivemos a aceleração do processo de industrialização, muito bem sucedida.
O cinquentenário de Brasília ocorreu quando forças políticas de esquerda governam, com apoio de toda a sociedade. O projeto fáustico, vê-se, não é de uma facção isolada, mas é bandeira de toda a elite dirigente. Ele une toda a gente.
Importante notar que a transferência de poder das elites tradicionais para as novas elites forjadas pelo voto universal foi suave. Não tivemos aqui guerra civil. Se houve guerrilha, não era por conta dessa ideia, que é aceita por todos, mas porque as elites esquerdistas estavam alinhadas com uma forma agressiva de imperialismo, inaceitável dentro do projeto político de grande nação. A esquerda percebeu isso e forjou o Foro de São Paulo, liderado e administrado pelo PT, partido ora governante. Ao dar esse passo, legitimou-se para assumir o poder.
O grande cantor desse processo foi sem dúvida Guimarães Rosa, autor do épico Grande Sertão, Veredas. A obra é a expressão artística acabada desse processo histórico, tendo sido publicada no ano do início das obras da nova capital. O autor nela contemplou toda a tradição literária e filosófica ocidental. Deu voz ao amálgama de raças que forma a gente brasileira. Fez do português sertanejo língua literária, o desejo expresso pelas elites intelectuais pelo menos desde 1922.
Romper com Portugal, sobretudo na língua, era meta antiga. Mas Guimarães Rosa limitou-se ao registro dessa ruptura, foi buscar no fundo das Gerais a realidade do Brasil profundo, que deixou de ser litoral, provisório, para ser o agente permanente da afirmação do poder nacional.
Guimarães Rosa tinha como projeto escrever a continuação do seu épico. Seria o Grande Sertão: Cidades. Uma obra que ainda precisa ser escrita, para fechar o ciclo de ouro do mito fáustico no Brasil, no campo literário
EMILIO DO VALE
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Transcrito do jornal DE FATO [Mossoró, 28 de abril de 2012]
Por José Nicodemos
Andei relendo essa noite algumas páginas de “O spleen de Natal”, do apreciado escritor Franklin Jorge, com maior interesse o perfil do fotógrafo Emílio de Vale, meu conterrâneo de Areia Branca. Se ainda vivesse, teria quase cem anos, pois nasceu em 1913. Viveu a maior parte da vida em Natal, mais precisamente na Redinha, e onde fixou residência definitiva com o fim da guerra da Alemanha.
Fotógrafo de profissão e músico diletante, bandolim e violino, Emílio logrou, no tempo, ter a preferência dos natalenses, retratos de formatura e de casamento. Obteve o segundo lugar em concurso nacional de fotografia, trabalho publicado na revista O Malho. Em tempos vinha a Areia Branca, em visita à família, e eu tive a honra de ser-lhe apresentado pelo sobrinho João de Souza, também fotógrafo.
Não profissional, no entanto dono de uma técnica apreciável, decerto adquirida com o tio Emílio do Vale. Em seguida à apresentação, tive diversos contatos pessoais com Emílio do Vale, que sabia receber com grande finura de espírito, aliás, devo dizer, pura característica dos Vale. Um excelente papo, marcado pela agudeza da inteligência. Depois perdi-o de vista, até a morte dele, começos de 1960, se não me engano.
João de Souza, bom colecionador de antiguidades, guardava-lhe muitos registros da Areia Branca antiga, coisas e pessoas, e eu não sei que fim terão levado, com sua morte. Infelizmente, não temos lá um museu da imagem, apesar dos constantes esforços do conterrâneo Vicente Cirilo, morador do Rio de Janeiro, e que, no caso, se prestou a doar ao município o velho casarão do espólio paterno.
Ali na Rua da Frente. Hoje servindo, parece, de agência a uma companhia de navegação. Teria sido salvo, para as gerações, todo esse material fotográfico de Emílio do Vale, não só para glória de um artista da terra, mas também como registro histórico, pela imagem, da cidade antiga, desde vila de Mossoró. Vicente Cirilo ainda conserva, entre os seus guardados sentimentais, boa parte desses retratos.
Lá venho eu, de novo, com essa história de nome de rua em Areia Branca. Paciência. Apesar do que representa Emílio do Vale, para a nossa cultura artística, a cidade nunca se lembrou de dar-lhe o nome a uma rua, a um logradouro público, a melhor forma de reconhecimento a esse artista da fotografia. Como se dá com o nosso músico Tico da Costa, que fez nome na Europa. .Se isto não for ingratidão, já não sei que outro nome a isto se possa dar.
BLECAUTE TÁ VIVO
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Transcrito do NOVO JORNAL [Natal, 29 de abril de 2012]
Por Franklin Jorge
O crescente interesse que desperta a vida de Blecaute entre os jovens de hoje merece reflexão e análise ou, simplesmente, alguma espécie de questionamento necessário. Começou com a sua morte trágica, súbita, brutal, quando fazia um biscate, consertando a fiação de uma residência, sem nenhuma precaução ou equipamento. Morreu eletrocutado. Agora, pintam-no como um herói. Um herói literário que assombra o oficialismo de Natal. Já quiseram até degluti-lo, entronizando-o, post-mortem, num Dia da Poesia, mas se engasgaram.
Imolado pela arte, Edgar Borges – seu nome civil – vem se tornando o símbolo de algo que nos incomoda. – É, sobretudo, o símbolo da contracultura militante entre nós. Um ícone, enfim, contracultural, por excelência; alheio a privilégios, nadando contra a corrente, em permanente corpo a corpo com a vida mesquinha, foi sobrevivendo na província hostil e canibalesca, curtindo internações psiquiátricas e sevícias, até o choque final. Um ser inusitado, esse Blecaute, que nasceu e viveu em Natal, vacinado contra o convencionalismo, contra a regra, contra o reducionismo pseudo-burguês que afligiu em seus versos desconexos ou surreais. A bem da verdade, em matéria de produção, só produziu efetivamente uma espécie de mal-estar moral, ao externar a sua confiança na vida e seu desejo de viver.
Não é, como escritor, relevante. Porém possuía múltiplos talentos em estado selvagem, entre os quais a poesia, a pintura, a comunicação e, por fim, nas quais se realizou integralmente, as performances que deram notoriedade ao seu jeito gauche e excêntrico de ser, mal assimilado pelas forças de segurança, ás vezes apenas para gozo da perversidade de alguns policiais, ou, por idiossincrasia, discordarem do seu gosto por “modelitos” compostos segundo um viés estético personalíssimo, algo assim como uma grife by Blecaute.
Eternamente flâneur, terá sido o ultimo dandi de Natal. Presente em toda a parte, sempre estiloso e elegante made in Blecaute; fazedor de surpreendentes modelitos, fazendo-se notar por sua maneira ousada e nada convencional de se vestir, ao combinar com inteligência e ousadia elementos, padronagens, cores, texturas e adereços capazes de chamar a atenção, inclusive da policia que fazia-lhe o buillyng moral, na época, ainda não reconhecido como tal nem criminalizado. A escolha dos adereços, óculos, colares, cintos, chapéus, bonés, pulseiras, anéis, lenços, sapatos. Essa profusão de detalhes deixavam a policia em alerta. Queriam sempre saber como, vivendo de biscates, vestia-se tão bem e ostensivamente exibia a sua personalidade gritante. Nunca a mesma combinação todos os dias, rezava a cartilha do esteta e estilista Blecaute. O mundo era, para Blecaute, uma permanente novidade.
Um verdadeiro horror, recordava-se, conversando em minha sala no Solar Bela Vista. Uma vez chorou contando-me o que de humilhações e sevícias sofrera nas mãos de um delegado que o prendera por destoar da moda e estar tão bem vestido quando aparentava ser um duro contumaz.
Recebia-o toda vez que me procurava e, das nossas conversas e de suas pungentes confissões extraí um capitulo do “Spleen de Natal” [1996, livro reeditado em 2001 pela Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e inspirador, desde então, de uma rica e crescente "fortuna crítica", teve apenas o seu primeiro vvolumm publicado ate agora...], que se tornou muito lido entre os novos iconoclastas. Blecaute, se me perguntam, era um negro bem apessoado, magro, elegante, expressando-se bem, viveu uns tempos com Gardenia, que dizia ser nome de mulher e de flor.
Apresentou um programa de rádio que dava conta das atividades culturais da cidade, comentava e criticava. Por algum tempo, teve audiência cativa nas noites de sábado.
Quando morreu, ninguém lhe reclamou o corpo, exceto o jornalista Flávio Rezende, e ele ficou na geladeira do necrotério por vários dias, morto insepulto. Foi ele, Flávio Rezende, que levou a peito a tarefa de organizar-lhe funerais cristãos dignos. E o fez, movendo céu e terra em Natal, para homenagear esse rei vagabundo que por algum tempo reinou sobre a cidade, curiosamente, no entanto, sempre em busca de trabalho e ocupação. Sobrevivendo numa cidade que o teria deixado “pirandélico”, transitando entre a sua casa, em Mãe Luiza, e as celas do hospital psiquiátrico. Porem sem perder o estilo jamais.
CARDÁPIO DE IMPRENSA
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Por Heraldo Palmeira
.O italiano Salvatore Alberto Cacciola, ex-dono do Banco Marka, foi um dos protagonistas de um escândalo financeiro que sangrou US$ 4 bilhões do Tesouro brasileiro. Fugiu para a Itália, cumpriu quatro anos de uma pena de 13 em Bangu I, foi beneficiado por liberdade condicional, até finalmente receber indulto da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, assinado pela juíza Roberta Barrouin de Souza. Tudo dentro da lei, como ressaltou a magistrada, que também extinguiu a punibilidade do crime. Resumo: Cacciola está livre para, enfim, gozar seus milhões. E o Brasil prova sua paixão por italianos più encrencados, como também é o caso de Cesare Battisti.
.Cristina Kirchner, expoente da incompetência política latino-americana, leva a Argentina para a beira do abismo econômico cavalgando o populismo que sempre sufocou o país. A nova suíte de sua ópera-bufa é a expropriação da Repsol, um verdadeiro assalto ao patrimônio alheio e perigoso ataque à segurança jurídica internacional. De lambuja, essa manobra pode prejudicar diversos interesses da Petrobras nas águas marinhas do Cone Sul, apesar do espantoso silêncio do governo brasileiro a respeito.
.A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos tem uma escrita que começa a virar maldição. Basta receber seu título de “Homem do Ano” para o sujeito enfrentar problemas logo em seguida. Desta vez é o banqueiro André Esteves, do Pactual: dias após ganhar a comenda foi multado em € 350 mil pela CVM da Itália, acusado de utilizar informações privilegiadas. Antes de Esteves, já provaram desse amargo Ângelo Calmon de Sá (Banco Econômico), Jorge Atalla (Copersucar), Luís Eulálio Bueno Vidigal (Cobrasma), Luiz Furlan (Sadia), Mario Garnero (Brasilinvest) e Roger Agnelli (Vale).
.Dos 63 congressistas, deputados e senadores (titulares e suplentes) que compõem os conselhos de ética da Câmara e do Senado, nada menos do que 20 estão enrolados com a Justiça, respondendo a inquéritos ou ações penais do STF. É a essa gente que supostamente cabe julgar colegas encrencados antes de enviá-los a julgamento nos plenários das casas legislativas.
.O presidente do Supremo Carlos Ayres Britto tem patrocinado uma notícia alentadora: o julgamento do mensalão petista deve ocorrer ainda no primeiro semestre. Ele garante que não haverá qualquer problema se a agenda mensaleira se misturar com o calendário eleitoral municipal. Cada vez mais a patota com reserva garantida para o banco dos réus anda sentindo falta de ar e palpitações. Algumas vozes do petismo começam a ficar trêmulas ao perceber que a ideia – atribuída a Zé Dirceu – de criar a CPI do Cachoeira como cortina de fumaça poderá virar um grande incêndio e inflamar ainda mais a pressão da sociedade nos dois casos.
.A CPI do Cachoeira promete emoções fortes. Enquanto um grupo de parlamentares da oposição e dissidentes da base alugada se une para atuar em parceria com Ministério Público Federal, Receita Federal e Tribunal de Contas da União no intuito de revelar pontos que não constam nas investigações da Polícia Federal, há quem aposte que surgirá um vídeo em que um figurão petista aparece recebendo R$ 1,5 milhão para a campanha de Dilma Rousseff. Das mãos do próprio Carlinhos Cachoeira.
.Começa a circular no meio político a impressão de que Carlinhos Cachoeira seria o verdadeiro dono da construtora Delta, que, num silêncio ensurdecedor, acaba de abandonar o consórcio que toca as obras do Maracanã.
.Na verdade, o que foi revelado até aqui pode significar apenas os momentos iniciais do escândalo, com seus primeiros alvos conhecidos: o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres, o governador tucano Marconi Perillo (GO), o governador petista Agnelo Queiroz (DF) e a empreiteira Delta, líder de faturamento (R$ 12 bilhões) na boca do caixa do governo federal e também presente em 23 estados e no Distrito Federal. Quem circula nos círculos do poder tem certeza de que muito mais lama poderá jorrar no decorrer dos trabalhos da CPI, a ponto de lambuzar geral.
.A ministra Ideli Salvatti já sabe que o caminhão de mudanças anda rondando e sobram motoristas do PMDB, PT e outros partidos aliados para levá-la embora do Planalto. Há quem garanta que a desgraça de Ideli começou exatamente no dia em que ela fez ironias com Zé Sarney, sem perceber que o marimbondo de fogo estava zanzando ao redor e ouviu tudo.
.Ao elogiar um tal “padrão mundial anticorrupção” que possivelmente inventou para bajular Dilma Rousseff, Hillary Clinton virou piada instantânea no Twitter.
.Jérôme Valcke foi novamente aceito como interlocutor da Fifa junto ao governo brasileiro – como se houvesse deixado de ser algum dia. O indignado Aldo Rebelo estará na Suíça no início de maio, onde terá reuniões exatamente com Jérôme Valcke. Deve estar levando o traseiro para mais uma sessão de pontapés. País de opinião, este nosso.
.Junto com os três prédios que desabaram no Centro do Rio de Janeiro, 30 empresas de pequeno porte e seus 350 empregados beijaram a lona. Agora, o governo do Estado pretende abrir linha de crédito de R$ 10 milhões para ajudar na recuperação desses empreendimentos.
.Segundo The Art Newspaper, publicação internacional especializada em arte contemporânea, as três unidades do Centro Cultural Banco do Brasil [Brasília (45º), Rio de Janeiro (22º) e São Paulo (50º)] estão entre os cem museus mais visitados do mundo. O CCBB-Rio teve três das suas exposições entre as dez mais visitadas do mundo, em 2011. O campeão foi o Louvre (Paris), seguido pelo Metropolitan (Nova York) e British Museum (Londres).
.A que ponto chegou o debate cultural brasileiro: fora de qualquer propósito, Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, com base no depoimento de uma pessoa que lhe “afirmou categoricamente”, resolveu revelar, no livro Desde que o samba é samba, que o grande Ismael Silva era gay. Eu prefiro continuar reverenciando Ismael como o bamba que criou a primeira escola de samba da história e que compôs os monumentos musicais Se você jurar e Antonico. Diante de um legado desse porte, o que o sujeito fazia na hora do sexo não cabe na partitura.
.Na falta de boa música ou qualquer coisa interessante para vender, Lady Gaga inventou que chupar cristais serve para um monte de coisas. Inclusive para chamar atenção. Tanto que mandou fazer um bocado de chupetas de cristal e distribuiu com seus músicos e bailarinos. Agora, esse bando de papangus de vazante anda por aí chupando vidro.
“Em resposta à estatização da Repsol, os espanhóis estudam retaliar a Argentina privatizando o Messi.” Zé Prativai, impressionado com as maluquices de Cristina Krichner.
A.L.A.R.I.D.O
“Estão usando a língua como sempre. Mas cada vez usam menos o idioma.” (Millôr Fernandes, gênio da raça)
“Há uns olhos especiais pra ver a música.” (Dorival Caymmi, no documentário Um certo Dorival)
“Agora o Brasil parece aquela menina sem graça do colégio, que virou mulherão aos 22 anos.” (Felipe Oliveira, carioca da gema, velho amigo da coluna, observador privilegiado da cena em que arquitetos do mundo inteiro, para fugir da crise internacional, não param de desembarcar no Brasil em busca de obras)
“Os tempos mudaram, as mulheres descobriram que são muito gostosas e passaram a experimentar umas às outras. Ficou difícil pra gente.”
(Luiz Carlos Miéle, durante seu novo show ao lado de Chico Caruso e Rogéria)
“Agora é só enfiar o dedo e rasgar.”
(José Eduardo Dutra, diretor Corporativo da Petrobras, num rasgo de elegância para festejar a pesquisa que apontou os 77% de aprovação de Dilma Rousseff)
“Dilma gaba-se de que não temos homem-bomba. Pudera, não precisa. A saúde é uma bomba, o transporte é uma bomba, os políticos são uma bomba.” (Chico Anysio)
“Nota fria, orçamentos descabidos e outras ‘práticas abusivas’ só são repulsivas quando praticadas por seres idem, como os Barbalhos, Canalheiros e Ribamares de sempre. Quando são os Dirceus, os ‘movimentos sociais’ (quase todos em direção ao caixa), a sidicatocracia, as ONGs (Organizações Não Gratuitas), aí é tudo complô da mídia. Vida boa, né?” (Claudio Manoel, humorista do Casseta & Planeta)
“Se o mensalão foi uma farsa, como ensina o Grande Pastor e repete o rebanho, por que Lula e Dilma não reconduziram ao ministério José Dirceu, o acusado de comandar a quadrilha?” (Augusto Nunes, jornalista)
“O rio de bandidos na política brasileira é tamanho que até Cachoeira já formou.” (Guilherme Miranda, estudante de 16 anos, que vive em Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul)
“Nunca, em momentos de ebulição política no país, como o de agora, ouviu-se esse ensurdecedor silêncio dos governadores de uma CPI.”
(Jorge Bastos Moreno, jornalista)
“MITirada deslavada!” (Evelyn Lamoglia, carioca exilada em Natal, velha amiga da coluna, a respeito da mentira do ministro Aloizio Mercadante de que o MIT-Instituto de Tecnologia de Massachusetts se instalaria no Brasil)
“Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.” (Barão de Itararé)
Moleskine
Um dia, houve uma pequena notável. Portuguesa, tornou-se a mais brasileira das nossas artistas, copiada à exaustão até hoje. Foi embora para os Estados Unidos, talvez para ser acusada de se ter americanizado. Confinada sob um turbante de frutas tropicais, virou uma triste caricatura. Terminou sufocada por uma agenda cruel, um casamento desastrado e pelos comprimidos ingeridos em doses industriais. Uma história comovente e distante da alegria forjada, que se revela no documentário Carmem Miranda: Banana is my business.
MAZELAS DE POVO QUE NAO LE
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Por Carlos Lúcio Gontijo
Lançamos neste dia 27 de abril de 2012 o romance “Quando a vez é do mar”, nosso 14º livro. Confessamos que o fazemos movidos apenas pelo dom divino que nos guia e que se coloca bem acima da razão humana.
Não há estímulo algum para despender esforço na edição de obra literária em país de tão baixos índices de leitura, ainda que se incluam na apuração os livros didáticos e a Bíblia. Sem dúvida alguma, se os levantamentos se baseassem somente em obras de literatura e poesia os números se nos revelariam muito mais desanimadores.
Residimos hoje em Santo Antônio do Monte, onde mantemos o hábito de conversar com as pessoas, que são a fonte e a matéria-prima de qualquer autor. Pois bem, por aqui encontramos (como acontece em praticamente todos os municípios brasileiros) gente com curso médio completo que nunca leu uma obra de poesia ou ficção na vida, ocorrência que se daria se ele tivesse feito vestibular. Contatamos até jovem empresário que jamais havia ouvido o nome de Bueno de Rivera, um dos maiores poetas do Brasil, nascido em solo santo-antoniense.
É por essas e outras que a conscientização da população é meta de difícil alcance, uma vez que ainda carecemos de escolas públicas de qualidade estendidas democraticamente a todos, fator indispensável à consolidação de uma democracia de fato, na qual o povo verdadeiramente poderá controlar o governo: primeiro não votando em candidatos espertos ou simplesmente enganadores. E depois fiscalizando as ações de governo através de mecanismos apropriados.
Contudo, enquanto não conseguimos melhorar o grau educacional de nossa população, somos obrigados a conviver com uma grande imprensa que, ao invés de noticiar os fatos, tem o costume de usá-los como enredo, editando-os segundo seus interesses, que ganham o status de verdade, por intermédio de repetidas manchetes.
Publicamos livros desde 1977, passamos 32 anos dentro de redação de jornal e há anos produzimos artigos que sempre tiveram o objetivo de construir ou alertar, quando a moda é desconstruir e desancar alguém ou alguma coisa, sabe-se lá com quais intenções ou propósitos.
O Congresso está aí com os andamentos de mais uma famigerada CPI que, ao final, após a análise de uma “cachoeira” de denúncias, servirá tão-somente para o redimensionamento das falcatruas, mesmo com a punição de alguns parlamentares e autoridades pegos com a boca na botija, pois pouco tempo depois nos depararemos com novos escândalos perpetrados contra os cofres públicos sob a égide de outra forma mais aprimorada de se apropriar da coisa pública.
Vamos dar um tempo em relação aos artigos, ficaremos assistindo aos laureados escribas articulistas e suas festejadas penas de aluguel (com louvor às raras exceções de praxe), que tudo fazem em defesa dos pendores políticos de seus patrões. Nosso pensamento se acha exposto em nosso site, através de nossos livros e alguns artigos de opinião ali inseridos e que foram extraídos entre mais de 600 publicações em jornais.
Durante toda a nossa trajetória estudantil jamais contamos com a presença de algum figurão do mundo das letras em nossa escola, o que implica o distanciamento entre o autor e o leitor de primeiras leituras, quando é tão importante a proximidade como materialização da palavra e do indispensável estímulo.
Enfim é isto: escolas ruins, professores desestimulados e intelectuais descompromissados ou entregues aos holofotes da mídia e seus nobres espaços gráficos, onde se nos apresentam como incontestáveis donos da opinião, ainda que não sejam sequer exatamente as suas e nem expressem os anseios das ruas, nas quais ecoam as roucas vozes que não chegam aos ouvidos dos iluminados colunistas e articulistas, cidadãos detentores de poder para comentar, criticar e reivindicar em nome da sociedade.
.Carlos Lúcio Gontijo é poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br
BRASIL: TEMPOS DE SANGUE E FARSA
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Por Francisco Miguel de Moura
Entendam, meus leitores, que a palavra “sangue” não está apenas no seu sentido primeiro, mas com as conotações de violência natural e/ou moral: mentiras, desvios, roubos, furtos, crimes de toda natureza… E junto a esta inicial dissertação, apontamos um fato concreto e sua a análise: – A “Revolução de 1964”, como atraso moral e substancial da nossa frágil democracia; e a análise da publicação de meu livro “A®fogo”, nas palavras da mestra amiga e poeta Teresinka Pereira, em carta de 26 de março deste 2012, resumida em três palavras: – “LIVRO DE SANGUE E MEDO”. E Teresinka me diz não ter entendido bem a obra, não obstante a tenha lido toda. O livro trata daquele período: de 1964, como foi dito, até a edição da anistia. É minha amiga e mestra Teresinka Pereira, presidente da IWA – “International Writers and Artists Association”, com sede nos Estados Unidos: Não entendemos os Estados Unidos, nem o Brasil e, consequentemente o livro-poema “A®fogo – poema da revolução”?
Tratemos do Brasil de hoje: Rios de dinheiro gastos na construção estrutural de grandes eventos mundiais que acontecerão no Brasil: Copa do Mundo, em 2014, e Jogos Olímpicos, em 2016. Milhões!… Construção (ou reconstrução?) de estádios suntuosos, hotéis de luxo, tudo de forma gigantesca – isto é o que nos aparece à vista por serem monumentais. E outros enormes gastos que completam a estrutura para receber milhares de torcedores e turistas. Ninguém sabe quanto eles vão deixar de riqueza aqui.
Agora vejamos em que acredito, porque vejo e ouço todas as noites nos jornais televisivos e, de manhã, nos jornais escritos: – Primeiro: – Que foi que os dois últimos governos construíram de útil, necessário e urgente, através do PAC – esse “grandioso plano de obras sonhado, ou apenas feito para enganar o povo brasileiro com projetos maravilhosos”? Segundo: – Cadê a transposição das águas do São Francisco para as regiões secas, áridas, do Nordeste, que continuam a sofrer as calamidades das secas? Terceiro: – Por onde andam essas construtoras tipo “Deca”, aliadas com Paulinho Cachoeira, que só deixaram buracos no chão e no erário público?
Quantos empresários que nunca tinham sido bons empresários, quantos políticos que não sabiam o que era uma administração pública não se “lavaram”, não se locupletaram do dinheiro dos impostos dos que pagaram honestamente ou mesmo porque se viram obrigados pela lei e pela justiça? Quantos colégios, universidade, bibliotecas, campos esportivos para educação de jovens (através dos esportes) foram criados, equipados, inclusive elevando o nível do ensino público através de professores bem treinados, bem pagos, com material adequado para levar avante uma boa educação? Quantos inventos foram patrocinados pelo governo?
Por último, quantos hospitais, quando centros de recuperação motora, de olhos, tanto adultos quando infantis, foram inaugurado com toda a estrutura necessária para uma saúde de boa qualidade? E o SUS? E o INSS, em estado de petição de miséria? As instituições públicas todas falidas, podres, algumas transformadas em covis de ladrões e politiqueiros, vindos dos sindicatos e associações falidas, agora florescentes?
Tudo isto é suor e sangue derramado, desaparecido.
O Brasil é um “Titanic” à deriva, à mercê de marinheiros e comandantes (políticos) da pior espécie. Todos eles poderiam e deveriam ser cassados e jogados fora do Congresso e dos Palácios. Que o poder menos desacreditado, o Supremo Tribunal Federal, tomasse as rédeas e reorganizasse nova eleição, com voto não obrigatório, modificando a Constituição, para conter apenas dois artigos como propôs o grande historiador brasileiro Capistrano de Abreu, já falecido: Artigo 1º – É proibido ser desonesto ); Artigo 2º Revogam-se todas as disposições em contrário.
.Francisco Miguel de Moura é escritor
CULTURAS EM CONTAS SATÉLITE
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Por Bruno Peron Loureiro em seu site
Acadêmicos, burocratas e tomadores de decisão na área de cultura concordam com a dificuldade de mensurá-la, ainda que já tenha sido convertida nalguma indústria e se suponha, destarte, mais fácil a tarefa. O primeiro desafio que encontram é o de responder à pergunta sobre o que devem considerar cultura. O segundo – e não menos importante – é de que instância do processo deve ser medida: produção, circulação ou consumo cultural.
Até hoje se debate sobre qual é o método mais eficaz para compilar e organizar dados culturais a fim de que se convertam em indicadores de processos sociais dignos de consideração para o desenho de políticas. Dados brutos sobre a cultura representam tão pouco quanto um pacote de cartas embaralhadas. Desta forma, não bastaria reunir estatísticas copiosas do setor cultural sem uma finalidade, como a de acompanhar tendências de transformação dos hábitos culturais numa sociedade.
Embora o tema tenha-se tornado mais frequente na pauta sobre cultura, as discussões em torno da coleta e organização de dados culturais por ministros latino-americanos datam pelo menos desde meados dos anos 1990, quando se realizaram as primeiras reuniões especializadas em Cultura do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). O tema voltou a discutir-se com base em informação recolhida de vários países latino-americanos durante o “Seminário sobre Sistemas de Informação Cultural”, organizado pelo MERCOSUL Cultural, em 17 e 18 de maio de 2006.
Um conceito surgiu para esta finalidade: “conta satélite de cultura”, que se define como um sistema de medição econômica de atividades, bens e serviços do setor cultural, ou um mecanismo para quantificar e qualificar a importância da cultura para a economia. O termo “satélite” refere-se à construção de um método de medir a cultura que gira em torno de conceitos, definições, classificações e regras oriundos de um Sistema de Contas Nacionais (SCN) publicado pela Organização das Nações Unidas em 1993 e adotado pela maioria dos países para medir suas economias.
Desde dezembro de 1997, o Brasil segue este Sistema através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Secretaria da Economia Criativa, recém-criada no Ministério da Cultura, desenvolve uma metodologia para coletar dados sobre a cultura, em parceria com o IBGE. A proposta é a de reunir acadêmicos e profissionais da cultura para ajudar no desenvolvimento de uma Conta Satélite da Cultura no Brasil.
Sheila Rezende, do setor de Comunicação do Ministério da Cultura no Brasil, afirmou que “as contas-satélites são uma extensão do Sistema de Contas Nacionais (SCN). Elas foram criadas para expandir a capacidade de análise das Contas Nacionais sobre determinadas áreas, como a cultura, por exemplo.” Noutras palavras, o Sistema de Contas Nacionais é uma ferramenta da Economia que também serve para calcular com precisão os impactos econômicos da atividade cultural ou das indústrias culturais num país. De maneira similar, há Contas Satélites que se empregam noutras áreas, como a previsão de que o turismo receba esta metodologia em Moçambique a partir de 2014.
O setor chamado Economia da Cultura mobiliza a criação destas Contas Satélite de Cultura em vários países. Os tentáculos da Economia alongam-se a fim de alcançar áreas até então pouco exploradas. A economia brasileira ultrapassou a do Reino Unido em dezembro de 2011 e age como se tudo pudesse virar mercadoria a fim de engordar os números que a situam numa posição internacional privilegiada. No entanto, há o risco de ampliar demasiadamente a extensão do que pode ser comercializado dentro da categoria “cultura”, restando poucas opções para uma transformação social.
A audácia de gestores culturais tem sido tanta para enquadrar a cultura como sub-área da Economia que pouca alternativa institucional lhes sobra aos que esperam uma resposta menos utilitária daquilo que produzem, comunicam e assimilam sem fins lucrativos. Nem toda cultura, entretanto, é feita para gerar renda, exportação, emprego, e outros índices que se agregam às estatísticas da Economia.
Esperemos que os grupos historicamente desfavorecidos não se desloquem dos caminhos da Economia da cultura. Aguardemos as primeiras conclusões do desenvolvimento do sistema de Contas Satélite de Cultura no Brasil.
CARTA A FRANKLIN JORGE
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Publicada no blog de Carlos Santos em 12/11/2007
Por Vicente Vitoriano
Querido Franklin. Abri o Blog do Carlos Santos para ler sua crônica sobre a solidão. Alegrou-me ser estimulado por reflexões tão ricas em sentimento, qualidade literária e erudição. Isto não é coisa com que se esbarre todo dia.
Digo esbarrar porque a leitura de seu texto tem a força de um encontro contundente, mas muito prazeroso. Esta leitura me levou, para mim inevitavelmente, às “Cartas” de Rilke “a um jovem poeta”. Elas estão lá, na tradução de Paulo Rónai, num volume que me foi enviado por Paulo Augusto, quando o jornalista convivia com você no Rio de Janeiro.
Num vaticínio, Paulo diz em sua dedicatória: (este livro é) “um presente singular e que vai permanecer em você por toda sua vida”. Isto é um fato, pois, hoje, depois de 34 anos, estou de volta a Rilke, após a leitura de seu texto.
Também de fato, Rilke me levou a pensar sobre a solidão e ao exercício da educação dos sentimentos, no esforço para o auto-conhecimento e para a disiciplina da criação artística.
Transcrevo a seguir algumas passagens das “minhas” “cartas”, devidamente sublinhadas à epoca:
“É bom estar só, porque a solidão é difícil. O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita” (p.55);
“[...] (confie) cada vez mais no que é difícil, entre outras coisas na (sua) solidão” (p. 72);
“[...] o futuro (que) entra em nós (dessa maneira) para se transformar em nós mesmos muito antes de vir a acontecer. Por isso é tão importante estar só e atento (quando se está triste)” (pp. 63-4).
É isto.
Um abraço do amigo Vicente Vitoriano
IGREJAS DE LONDRES [2-2]
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
Por Marcelo Alves Dias de Souza
Conforme prometido na semana passada, vai, com alguns comentários bem pessoais, uma lista das minhas igrejas preferidas em Londres. Para a elaboração dessa lista, levei em consideração apenas a Londres que frequento e, posso dizer, conheço um pouco. Não quero fazer ninguém se perder, sobretudo após minha experiência por esses dias nas igrejas do arquiteto Hawksmoor (coisa que, qualquer hora, já passado o trauma, contarei aqui. Prometo).
Em primeiro lugar, destaco a St Paul’s Cathedral, a obra-prima de Sir Christopher Wren (1632-1723), construída entre 1675 e 1710 e hoje sede do bispado (anglicano) de Londres. Como disse anteriormente, a sombra da grande catedral por muitos anos dominou – e de certa forma ainda domina – a vida londrina. Referida muitas vezes na literatura, alvo fácil durante os bombardeios da 2ª Guerra Mundial, ela sobreviveu, com poucas cicatrizes, às intempéries do tempo e dos homens. Gigantesca, em forma de cruz, é encimada por um domo (cúpula) que se enxerga de longe. O teto, por sobre o altar e o coro, é de embasbacar. A sua acústica é espetacular. Grandes homens do Reino, como o Almirante Nelson e o Duque de Wellington, estão ali enterrados. Lá também está o próprio Wren. Para ele, uma pequena placa diz: se você procura um monumento em homenagem ao grande arquiteto, basta olhar ao seu redor.
Empatada em primeiro lugar com St Paul’s, ponho a Westminster Abbey (Abadia). Conhecidíssima, ela fica na Parliament Square, bem pertinho do prédio/palácio do Parlamento e do Big Ben. Aliás, para os interessados em Direito, na mesma praça também está a novíssima Suprema Corte do Reino Unido. Construída ao longo dos séculos, o estilo predominante na Abadia é o gótico. Mas ela é, sobretudo, um testemunho em pedra da história do Reino Unido, desde os tempos de Eduardo – o Confessor (que teria iniciado a reconstrução da igreja entre os anos 1042-1052) até o casamento do Príncipe William e Kate no ano passado. Minha sugestão é pegar o aparelho de som que eles fornecem (com narração em português) e seguir as tumbas e os memoriais de reis e rainhas, de cientistas como Isaac Newton (1643-1727) e Charles Darwin (1809-1882), de políticos como Oliver Cromwell (1599-1658), indo até o “poets’ corner”, onde descansam gente do top de Geoffrey Chaucer (1343-1400), Samuel Johnson (1709-1784) e Charles Dickens (1812-1870).
Outra igreja que certamente vale a pena conhecer é St Martin in Fields, obra de James Gibbs (1682-1754). Fica na Trafalgar Square, disputando a atenção com a colunata da National Gallery. Para os amantes da música clássica, então, é um achado. St. Martin in Fields é conhecida pelos concertos de Bach (1685-1750), Handel (1685-1759) e outros menos votados. Indo lá, em dia de apresentação, você irá se emocionar. Que o diga um conhecidíssimo jurista da terrinha, amigo nosso, que restou aos prantos com a interpretação da “Aria na Corda Sol da Suíte Orquestral nº 3” do criador dos “Concertos de Brandenburgo” (e qualquer dia conto esse “causo” por aqui. Prometo).
Também recomendo uma passada na St Paul’s Church em Covent Garden (não confundir com a Catedral de mesmo nome), do arquiteto Inigo Jones (1573-1652). Essa igreja tem um apelo especial para os que gostam de literatura: sob seu pórtico, se passa a primeira cena da famosa peça “Pygmalion” (1913), de George Bernard Shaw (1856-1950). No mais, ela dá de frente para a mais animada praça-mercado de Londres (Covent Garden), com suas lojinhas, cafés e pubs de estilo. A ideia aqui é unir o sagrado e o profano (já que ninguém é de ferro).
Pertinho da biblioteca da minha universidade (a Maughan Library, a mais bela de Londres, valendo também uma visita), ainda destaco mais duas igrejas. A St Bride Fleet Street, pequena obra-prima de Wren, que visitei na sexta-feira santa. Dizem ser, desde o ano de 180 DC, a 8ª igreja construída naquele mesmo lugar. Pela sua localização nas imediações da Fleet Street, no passado a rua dos jornais e impressos londrinos, é oficialmente a igreja dos editores e jornalistas. Mas sua ligação com as letras não para por aí: o poeta John Milton (1608-1674) ali morou em um prédio adjacente da paróquia, o memorialista Samuel Pepys (1633-1703) foi lá foi batizado e por aí vai. A outra é a Temple Church ou Igreja dos Templários. Relacionada com os antigos cavaleiros templários e as cruzadas, foi erigida no Século XII. Talvez vocês se recordem dela em “O Código Da Vinci” (2003), de Dan Brown. Para os ligados ao Direito ela tem um apelo especial: é a igreja tanto do “Inner Temple” como do “Middle Temple”, duas das mais antigas sociedades de advogados inglesas (as chamadas “Inns of Court”). A ideia aqui é unir o sagrado ao, digamos, profissional/cultural.
Para os católicos (o que é o meu caso), ainda resta a Catedral de Westminster (não confundir com a Abadia de mesmo nome), sede principal da Igreja Romana em Londres. Fica bem pertinho da estação (de trens e metrô) Victoria. Embora não tão bela quanto a Catedral de St Paul, ela vale, por fé ou simples curiosidade, uma visita.
Bom, não custa nada, para aqueles que virão para as Olimpíadas, fazer uma fezinha de outra natureza. Minto: pode custar um pouquinho. Ao contrário da maioria dos museus, que são gratuitos, o acesso a algumas igrejas de Londres é pago. O inverso do que se dá em Paris, acho, onde as igrejas são gratuitas e os museus, pagos. Mas os arrecadadores da Igreja anglicana dão uma explicação para isso. Apenas a manutenção da St Paul’s Cathedral, que sobrevive exclusivamente do que é arrecado com as visitações, custa 7 milhões de libras ao ano. São cerca de 1,5 milhão de visitantes ao ano, custando 15 libras a entrada padrão de um adulto. Acho que, com os descontos para estudantes, idosos, crianças e assemelhados, a conta bate. Pelo menos, assim eu espero.
.Marcelo Alves Dias de Souza é Procurador Regional da República, Mestre em Direito pela PUC/SP e Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL
AINDA O TITANIC
postado por O Santo Ofício | abril 29, 2012
A Morte Épica No Titanic Do Inventor Do Jornalismo Investigativo
Por Paulo Nogueira
E mais uma vez o Titanic volta aos holofotes na Inglaterra. É o centenário do espetacular naufrágio do navio que não podia afundar. Até o filme de James Cameron volta aos cinemas, numa versão 3 D. Mais uma oportunidade, portanto, de ver Kate Winslet pelada no esplendor de sua beleza clara, rechonchuda, quase pura.
Uma série de programas da BBC conta histórias do Titanic. Descendentes dos passageiros e da tripulação são encontrados. Como não ficar impressionado com o heroísmo dos músicos da orquestra, que tocaram até o fim? Ou não se indignar com a covardia extrema do magnata que arrumou um lugar num bote salva-vidas deixando para trás crianças e mulheres?
Mas o caso que mais de toca diz respeito a um jornalista. Não um jornalista qualquer, mas um dos maiores editores da história da imprensa, William Stead.
Ele era um dos passageiros.
Stead inventou o jornalismo investigativo. Se é verdade, como disse celebremente Keynes, que todo economista é escravo das ideias de um economista morto, somos – nós, jornalistas – escravos da obra de Stead.
Ele dirigiu, na segunda metade do século 19, a Pall Mall Gazette, um jornal de extrema influência na Inglaterra e, dada a importância britânica então, no mundo. Stead acreditava que os editores tinham mais condições de governar um país e mudá-lo para melhor que os políticos. Desde que, é claro, no topo da agenda dos editores estivesse o interesse público e não, como é tão comum, o interesse privado.
Kate Winslet no filme de Cameron
Stead, no seu maior momento como editor, terminou na cadeia. Três meses de detenção. Mas mudou a Inglaterra. Para mostrar como meninas estavam sendo usadas pelas gangues que viviam da prostituição, Stead escondeu a real identidade, se fez de gigolô e comprou uma garota mal saída da infância. O vendedor era o pai. Selada a compra, a história foi sensacionalmente contada na Pall Mall Gazette.
Foi um marco no jornalismo investigativo – pelo método, pela repercussão na sociedade e pelos resultados. A justiça inglesa elevou a idade do consentimento sexual entre as mulheres de 13 para 16 anos. Stead foi preso por ter ofendido a ordem pública, mas logo foi solto – e saiu da temporada de 90 dias na cadeia glorificado pelo triunfo jornalístico.
Era um homem absolutamente incomum. Foi um cruzado sincero e inabalável da paz. Combateu todas as guerras de seu tempo. Sua militância pacifista foi reconhecida. Ele estava indo para os Estados Unidos para um encontro pela paz, a convite do presidente americano William Taft. Rumores crescentes sussurravam que seria dele o Nobel da Paz do ano que em morreu no Titanic.
Sua morte, relatada por sobreviventes, é o maior testemunho do caráter de Stead. Ele jamais lutou por uma vaga nos botes salva-vidas, que sabia serem insuficientes para tantos passageiros. Era comum isso, naqueles dias: alguns anos antes, Stead escrevera um conto no qual narrava um naufrágio cheio de mortes. “É isso que pode acontecer enquanto os navios insistirem em partir com poucos salva-vidas”, escreveu no conto.
Enquanto o navio afundava, Stead passou seus últimos momentos na biblioteca do Titanic, lendo. Enfrentou o naufrágio como Sócrates a cicuta e morreu como o sábio que foi em vida. É uma pena que essa história tão inspiradora seja tão pouco lembrada nos filmes, nos documentários, nos artigos – em todas as recordações da saga do Titanic.
LULA QUER TAPAR SOL COM PENEIRA
postado por O Santo Ofício | abril 28, 2012
Depois de insuflar no PT o ânimo que levou o partido a aderir à CPI do Cachoeira, ex-presidente opera para direcionar a ação do petismo na investigação iniciada nesta semana. Sua principal obsessão é a de converter a ‘Veja’ em alvo
Por Josias de Souza – Notícias uol
Lula cobra de congressistas e dirigentes do PT que levem a revista à alça de mira. Declara-se convencido de que a publicação associou-se ao aparato de espionagem de Carlinhos Cachoeira para produzir reportagens contra o governo dele.
Cita, entre outras passagens, a filmagem que pilhou um funcionário dos Correios recebendo propina e levou Roberto Jefferson (PTB-RJ) a denunciar a existência do mensalão, cujo processo o STF está prestes a julgar.
Lula também menciona o grampo que captou conversa do senador Demóstenes Torres com o ministro Gilmar Mendes, do STF. Atribuída à Abin, a escuta clandestina forçou-o a afastar da direção da agência de inteligência o delegado federal Paulo Lacerda.
O diálogo veio à luz apenas em versão impressa. Demóstenes e Gilmar confirmaram o conteúdo. Mas o áudio jamais apareceu. Agora, Lula instila a suspeita de que é “a turma do Cachoeira” que está por trás da trama, não a Abin.
Nesta semana, Lula discutiu o assunto em reuniões com pelo menos duas lideranças do PT. Falou de ‘Veja’ como uma ideia fixa. Mesmo sem dispor de provas, disse não “engolir” a versão segundo a qual a revista serviu-se de Cachoeira e seus espiões apenas como fontes de informações.
Na versão do ex-soberano, ‘Veja’ teria ultrapassado as fronteiras da ética jornalística, ajudando a preparar as ações de espionagem. Uma versão que a revista já negou e que os grampos da Operação Monte Carlo veiculados até aqui desautorizaram.
Numa das escutas telefônicas captadas pela PF na investigação que levou Cachoeira à cadeia em 29 de fevereiro, o contraventor conversa com Jairo Martins, ex-espião da Abin.
No diálogo, diferentemente do que sustenta Lula, o jornalista que chefia a sucursal de ‘Veja’ em Brasília, Policarpo Júnior, é citado como personagem no qual a quadrilha não pode confiar. Recorde-se, por eloquente, um trecho:
- Cachoeira – O Policarpo, você conhece muito bem ele. Ele não faz favor pra ninguém e muito menos pra você. Não se iluda, não […] Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz […] Ele não vai fazer nada procê.
- Jairo – É, não, isso é verdade aí.
- Cachoeira – Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho por Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz? E tudo via Policarpo. Agora, não é bom você falar isso com o Policarpo, não, sabe? Você tem que afastar dele e a barriga dele doer, sabe? Tem que ter a troca, ô Jairo. Nunca cobramos a troca.
- Jairo – Isso é verdade.
Cachoeira – E fala pra ele […]: eu ganho algum centavo seu, Policarpo? Não ganho. […] Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo! Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso…
Jairo – É, não tem não, não tem não. Ele não tem mesmo não. Ele é foda!
Nesta quinta (26), os congressistas que representam o PT na CPI reuniram-se com a bancada de deputados do partido. Debateu-se no encontro a estratégia a ser seguida pelo petismo.
Concluiu-se o óbvio: no caso de ‘Veja’ e dos outros alvos do PT, a conversão dos desejos em prática depende da existência de provas –indícios pelo menos— que justifiquem a ação partidária na CPI.
Optou-se por priorizar a análise dos volumes e dos CDs colecionados pela Polícia Federal nas duas operações abertas contra Cachoeira e sua quadrilha: Vegas, concluída em 2009, e Monte Carlos, de 2012. Requisitados na quarta (25), os autos ainda não chegaram à CPI.





Viva voz