BLECAUTE

postado por O Santo Ofício | fevereiro 6, 2012

Um ícone da literatura potiguar nos anos 80

Por Chumbo Pinheiro

A década de oitenta despontou em Natal, uma multifacetada e eclética produção lítero-cultural, revelando talentos que fazem parte da nossa história e que merecem além de homenagens um estudo minucioso sobre suas contribuições para literatura potiguar.

Um símbolo daquela época, marcado pelos rescaldos do autoritarismo, foi Edgar Borges. Filho de Severino Borges e Maria Felícia. Morador do bairro de Mãe Luiza, Blackout, como era mais conhecido, foi poeta, artista plástico e radialista, que sofreu o preconceito em sua própria carne. Sua “produção”, como definia seu estilo em vestir-se, incomodava a polícia que quase todas as vezes que o encontrava na rua abordava-o, revistava, prendia e torturava, levando-o a uma situação tal, que precisou de tratamento psiquiátrico, tendo sido internado no Hospital Colônia.

Preso injustamente várias vezes, quando estava em liberdade, o Pássaro de Ébano, como o chamou o escritor Franklin Jorge, trabalhava para sobreviver, realizando as mais diferentes atividades. Foi em um destes serviços que prestava que Blackout faleceu, vítima de um choque elétrico fulminante em 1999.

O poeta, artista plástico e radialista deixou escrito o livro Duas cabeças, publicado pela Cooperativa dos Jornalistas de Natal (Coojornat), em 1981. Deixou também naquele período vários fragmentos poéticos registrados, além de ter sido incluído na “Antilogia Poética Potiguar”, anos 70/80, organizada por J. Medeiros no ano de 1997.

PELOS BOTECOS DA VIDA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 6, 2012

Por Carlos Lúcio Gontijo

Recebemos centenas de e-mails diariamente propagando-nos uma ira desmedida contra tudo e contra todos, jogando as opiniões na vala rasa da partidarização. Ou seja, tudo se resume no posicionamento favorável ou desfavorável ao governo, enquanto temos uma realidade pouco focada pelos articulistas, que é o fato de a gente brasileira, independentemente de atos burocráticos governamentais, estar seguindo em frente, tanto assim que há um sem número de negócios informais que não se deixa atrair pelas propostas de legalização feitas pelo governo, uma vez que tem absoluta certeza de que será beneficiado com uma mão e castigado com a outra, como sempre costuma acontecer com toda e qualquer administração pública, onde a sanha arrecadatória acompanha os crescentes gastos da voraz máquina gestora.

Pelos botecos da vida ouço frequentes demonstrações de algum avanço na mobilidade social. São operários, pedreiros e faxineiras que vão de moto ou carro próprio para o trabalho, que são donos das casas em que moram, têm filhos cursando ensino profissionalizante, técnico ou até faculdade. Já andam de avião, provando que o medo de voar era, na maioria das vezes, desculpa de quem não contava com recurso disponível para arcar com o alto preço da passagem aérea.

Há violência a ser combatida, muita desigualdade social, a esperada implantação de uma educação democratizada de mais qualidade e muitos problemas no atendimento médico-hospitalar público, mas não é só isso. Nem tanto ao mar nem tanto ao céu, nos ensina velho adágio popular.

O tempo cuidou de fortificar a ideia de que, ao contrário do que proclamava a filosofia neoliberal – um dia prazerosamente acolhida pela elite dirigente brasileira –, não há como o Estado deixar de se prover de instrumentos capazes de proteger as camadas mais pobres da população, estacionadas na chamada linha de miséria constatado em todas as nações, mesmo nas apontadas como desenvolvidas. Talvez como subproduto derivado do próprio funcionamento da engrenagem capitalista que, por ser movida a competição, termina por descartar os cidadãos menos competitivos, geralmente os desprovidos de grau de educação compatível com as exigências de uma produção baseada em estrutura altamente informatizada.

Assistimos com preocupação a visão atávica da sociedade brasileira no tocante aos escândalos em torno do mau uso do dinheiro público, que é muitas vezes consumido em casos escabrosos de corrupção, em que mesmo quando os protagonistas do escândalo são descobertos acabam levando vantagem, pois raramente a totalidade do dinheiro surrupiado retorna aos cofres públicos. Ou seja, faltam leis mais severas e que desfaçam o sentimento de que o crime compensa.

Por fim, recomendamos aos que se entregam amorfos às telas de tevê ou às páginas das revistas semanais a atitude de sair às ruas e manter contato com a realidade promissora de um Brasil que está acima do imbróglio político-partidário e da luta ferrenha por cargos, recursos e verbas, que é travada no ambiente refrigerado em que vivem as elites dirigentes, que turvam as águas para fingir profundidade e que disseminam o mais completo caos, cientes de que a balbúrdia é o melhor pano de fundo para tramar seus desmandos e falcatruas, constantemente anunciados como tempo novo, mas para os mesmos de sempre, que se sentem donos até dos horizontes e do sol nosso de cada dia.

.Carlos Lúcio Gontijo é poeta, escritor e jornalista

.www.carlosluciogontijo.jor.br

REFLEXÃO SÍGNICA DE FERNANDO PESSOA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 6, 2012

Compreensão da teoria sígnica proporciona um olhar diferenciado e aprofundado a quem se dedica à fotografia, profissionalmente ou não

Por Eliane Tarraca*

Há alguns anos atrás, enquanto eu realizava pesquisas pelo site Domínio Público, deparei-me com um texto muito interessante de Fernando Pessoa. Confesso que fiquei surpresa por encontrar uma reflexão do autor a respeito da teoria sígnica (e não estou falando de astrologia!). Gostei tanto que guardei o texto comigo e, hoje, escolhi para inaugurar o espaço que ganhei aqui.

Trata-se de uma reflexão sobre o processo de interpretação que as pessoas têm ao observar um símbolo. O texto é uma introdução de uma série de poesias que Fernando Pessoa escreveu sobre Portugal. Não é nada fácil compreender esta teoria, mas ele fez algo complexo parecer simples!

Acho importante que qualquer pessoa que se dedique à fotografia (profissionalmente ou não) alimente o pensamento crítico sobre a imagem. Resumindo, a fotografia é um símbolo, uma coleção de signos, que possibilita infinitas interpretações a cada pessoa que a observe. Leia e reflita:

“O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.

A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.

A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.

A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.

A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”

*Eliane Tarraca, jornalista, é autora do blog Fós Grafê.

POLÍTICA DO CAFÉ COM LEITE

postado por O Santo Ofício | fevereiro 6, 2012

    De Marketing na Cozinha

A rede de cafeterias Kofein, de Moscou, resolveu fazer uma “prévia” diferente das eleições presidenciais da Rússia, desenhando com canela os rostos dos candidatos no café com leite que serve.

Inovadora em suas ações de marketing, a Kofein sugere que seus clientes participem de uma “eleição simbólica”, escolhendo seus candidatos preferidos.

À medida que os clientes vão “votando” – entre Vladimir Putin, Gennady Zyuganov, Vladimir Zhirinovsky, Sergei Mironov e Mikhail Prokhorov – os resultados vão sendo mostrados em uma tela.

SE DEUS É BRASILEIRO, QUE NOS ACUDA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 5, 2012

Por Laurence Bittencourt Leite

Nunca houve uma revolução capitalista no Brasil. Nunca. O que temos (sempre tivemos) é uma economia de Estado, concentradora, em que o poder público obriga o cidadão a recolher (pagar) 40% de tudo o que compra, fora o imposto de renda que é mais 27,5% da pessoa física, descontado do assalariado em folha. Para quê? Para que se paga essa fortuna ao governo?

No Brasil ainda se acredita em socialismo (que Brizola – o maior responsável pela corrupção e tráfico de drogas nos morros do Rio – um dia chamou de “moreno”) mesmo diante de toda a evidência do desastre do comunismo no mundo.

Só no Brasil se tem 1 Ministério da Saúde, 27 secretarias estaduais de saúde e mais de 5.500 secretarias municipais de saúde, todas com o único objetivo de resolver os problemas da saúde pública do país e não se resolve, ou seja, a cada dia só piora.

O primeiro passo para se melhorar a saúde pública no Brasil seria o saneamento básico (algo que os países civilizados resolveram entre os séculos XVIII e XIX), isto é, água tratada e esgoto, e no entanto, nós não temos. O incrível é que todas as estatísticas (mundiais) provam que para cada (no caso do Brasil) 1 real investido em saneamento básico, economiza-se 4 reais nos hospitais. E mais: 80% das crianças que chegam doentes nos hospitais, o motivo é devido a falta de saneamento básico.

Mas então por que não fazemos? Porque saneamento é obra enterrada (além do que, claro, é necessário e preciso usar os recursos do contribuinte para os políticos “alimentarem” suas bases. Pode isso?). E, claro, tem um ditado no Brasil que diz: “obra que não dá foto, não dá voto”.

Agora nas raras áreas em que o saneamento existe, são justamente as áreas em que os políticos moram. Não é incrível isso?

No Brasil atual se fala muito nos congestionamentos no trânsito. As explicações são as mais absurdas. Dizem que são as ruas estreitas, que há automóveis demais, quando na realidade o que não existe é o transporte de massa: o metrô. A única solução. Só para você leitor ter uma ideia, em São Paulo, a maior cidade do país, tem apenas 60 quilômetros de metrô. Enquanto isso, em Tóquio (muito menor que São Paulo) tem 1.000 quilômetros de metrô. Apesar dos japoneses terem os olhos apertados, eles sempre conseguiram enxergar muito mais do que nós.

Aliás, os japoneses um ano depois de sofrer com o tsunami recuperaram as áreas destruídas. Nós, aqui no Brasil, tivemos enchentes e caídas de morros no Rio de Janeiro com várias mortes, e o dinheiro destinado mais uma vez foi desviado, e quem desviou certamente deve estar passando as férias em Monte Carlo. O que significa dizer que roubar dinheiro público nesse país continua sempre sendo o maior negócio.

É preciso reconhecer: o nosso Congresso é de fato uma prisão de segurança mínima, onde os bandidos entram e saem a qualquer hora. Enquanto isso, a sociedade amedrontada sofre em silêncio com medo de novas represálias, com aumento de novos impostos. Que deus nos acuda. É o que nos resta.

FILÓSOFO PROPÕE ‘RELIGIÃO PARA ATEUS’

postado por O Santo Ofício | fevereiro 5, 2012

Por Paulo Roberto*

    “Então, ateus, deus não existe, nem fantasmas, nem coisas sobrenaturais? Ok, vamos seguir adiante. Isso não é o fim, mas simplesmente o começo de tudo.” – Alain de Bottom

A sociedade sempre foi dividida entre os que acreditam em uma entidade divina e aqueles que não. A proporção entre os dois grupos no Ocidente sempre foi muito grande, com o primeiro sendo a maioria esmagadora até meados do século XV. Com a chegada do Renascimento e sem o perigo de terminar na fogueira por conta da Inquisição, a elite pensante quis aplicar a racionalidade em todos os aspectos do homem, inclusive nas crenças religiosas. A partir daí, o número de ateus começou a crescer.

Contudo, a “crença” ateísta não evoluiu muito com o passar do tempo. Se ser ateu é não acreditar na existência de um deus, a maioria passa simplesmente a criticar as crenças daqueles que acreditam. Isso é fácil de fazer: pegar um sistema complexo, com milhares de anos de existência, encontrar uma falha na base do sistema (ou pensar que encontrou) e desmerecer todo o resto.

Se você parar para pensar, as religiões estão por aí há bastante tempo. Bastante mesmo. Nelas, há mais do que apenas crença num ser divino superior. É um conjunto de costumes e tradições que vêm se acumulando há muitas gerações. Simplesmente assumir que está tudo errado e não repousar um olhar mais atento à complexidade dessas crenças é cometer o crime do reducionismo.

Baseado nessa linha de pensamento, o filósofo Alain de Botton sugere, em uma palestra do TED, o nascimento de uma nova versão do ateísmo – o que ele chama de Ateu 2.0. Esse novo perfil de descrente vai além da mesmice de negar, negar, negar. Ele estuda as religiões e tenta entender o que tudo aquilo pode ensinar.

Abaixo, discuto quatro pontos que extraí do que ele falou.

1. A religião educa melhor
As instituições de ensino, principalmente as Universidades, partem do pressuposto que somos seres humanos adultos e independentes, que precisamos apenas de informação e dados. Isso se reflete no modo de ensino: geralmente um conceito é estudado uma vez na sala, cobrado uma vez na prova e pronto, o sistema acredita que os alunos vão saber aquilo para o resto da vida. Errado.

As religiões, por outro lado, partem de um pressuposto bem diferente: elas nos enxergam como seres humanos com fraquezas, necessidades, sofrimentos, dúvidas etc. Isso se reflete na forma como as coisas nos são ensinadas: repetição. Sim, você vai à Igreja e ouve o mesmo sermão várias e várias vezes. A religião nos vê como seres que precisam ser educados (e não como máquinas de aprendizado) e, para isso, a repetição é fundamental.

Note que, de fato, as pessoas que realmente se dedicam ao estudo religioso, padres, pastores, monges, aprendem muito bem. Eu fico me perguntando como não vi nenhuma pesquisa de grande porte para investigar esse aprendizado.

2. Nós não somos apenas cérebros, somos também corpos
Nossa sociedade é muito racional. Inspirada pela filosofia dos gregos antigos, há um culto muito forte da racionalidade. Mas, a verdade é que somos um conjunto formado por corpo e mente; focar em apenas uma das partes não nos leva muito longe. As religiões parecem entender isso.

Por exemplo, há a importância da pureza na cultura judaica. Eles não apenas citam isso em sermões ou em livros escritos, há rituais em torno da ideia. Se você for a uma comunidade judaica ortodoxa, toda sexta-feira haverá um mikveh, no qual as pessoas se submergem na água, relacionando a ideia de purificação.

Uma ação física reforça uma ideia filosófica.

3. O uso didático da arte
Há a ideia de que artistas são pessoas de “outro mundo”, que vivem em bolhas pessoais e cujo processo de criação artística é algo que foge à compreensão humana. Há um consentimento geral que obras de artes são feitas não para serem compreendidas, mas sim para abrir espaço a várias interpretações. Por isso, a sensação mais comum quando você entra em um museu é de incompreensão.

Com essa abordagem da arte, perdemos a possibilidade de utilizá-la para fins didáticos. E isso a religião faz muito bem. Ao entrar em um igreja ou catedral, por exemplo, você vê que as imagens são quase autoexplicativas.

Se você pensar, os grandes artistas cristão foram propagandistas de seus ideais, como Rembrandt. E não há nada de errado nisso. A arte, em todas as suas formas (pintura, escultura, escrita etc), deve também servir a objetivos humanos e não apesar considerar-se um fim em si mesma.

4. Nós precisamos nos unir
Em outras palavras, você não vai mudar o mundo sozinho. Não é publicando um livro sozinho, ou protestando sozinho, ou xingando no Twitter sozinho. Por mais que uma pessoa possa fazer só, nunca será o suficiente. É preciso arrastar massas para mudar o status quo. Disso a religião entende muito bem.

Você pode não concordar com o motivo que os juntou, mas ver, por exemplo, 5 milhões de pessoas juntas em uma marcha, só em São Paulo, é algo grandioso.

Se você não acredita em uma religão, você não precisa negar o “pacote inteiro”. Você não precisa escolher entre uma vida religiosa, ritualística e uma vida ateia e isolada. Você pode fazer uma mistura, pegar o que achar de melhor em cada crença.

Há muita gente que não acredita na doutrina, mas gosta dos rituais. Por exemplo, não é Cristão, mas gosta do feriado e do clima do Natal. Ou é budista, mas curte visitar um bar Mitzvah. Seu posicionamento como ateu não te restringe a negar todas as crenças, mas te dá a liberdade de visitar todas elas e colher (ou pelo menos absorver enquanto conhecimento) aquilo que curte e vê sentido.

Eu já fui o tipo de ateu chato, que gostava de debater por nada. Eu achava divertido. Hoje, vejo qual o ponto disso. Se o outro acredita ou não em um deus, qual o sentido? O que você realmente deveria estar procurando? O objetivo final é se conectar com as pessoas. Então, leia a Bíblia, o Alcorão, os Mandalas… quanto mais você souber, mais mundos você poderá visitar, e mais pessoas você poderá conhecer.

*Aspirante a engenheiro químico, Paulo Roberto escreve no blog Estrategistas e responde por @paulorrj no Twitter.

O BRASIL SEM POLÍTICA BANCÁRIA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Solidez e modernidade dos bancos parece apoiar-se na sangria dos clientes. Em alguns de seus aspectos, sistema financeiro nacional assemelha-se aos da Bolívia ou do Zimbábue

Por Luis Nassif, em seu blog

Ex-economista chefe da Febraban (Federação de Bancos do Brasil), Roberto Troster escreveu para o jornal Valor Econômico provavelmente o mais importante artigo sobre política monetária.

O título é “A “Copomização” do debate do sistema bancário” e se refere ao hábito entranhado de se discutir a política monetária somente através da taxa Selic (a taxa referencial de juros do Banco Central) sem analisar a ponta, isto é, a maneira como a taxa impacta a economia real.

A taxa Selic é mero instrumento para o BC atuar sobe o mercado de crédito. Ela é eficaz ou não dependendo da maneira como impacta o mercado. Sem essa análise, a taxa Selic torna-se quase uma abstração.

Constata Troster que uma Selic a 9% ou a 12% não faz a menor diferença para o tomador de empréstimo.

A consequência é que, apesar dos lucros enormes do sistema financeiro, “a oferta de crédito apresenta níveis de instabilidade e ineficiência incompatíveis com a sofisticação dos bancos”, diz ele. Em 2011, as taxas médias de crédito variaram mais de 20% entre as diversas instituições. Há uma medida de eficiência de um sistema bancário: a diferença entre as taxas de captação e de aplicação. No último Fórum Econômico Mundial, de Davos, essa diferença superou 300%, em alguns casos, tornando o sistema bancário brasileiro o segundo mais ineficiente do mundo, superado apenas pelo Zimbábue.

Disso resulta uma série de consequências:

1. Mesmo com o recorde de desemprego baixo, a inadimplência brasileira é mais que o dobro da média mundial.

2. Apesar dos avanços da bancarização, a demanda por crédito está diminuindo. Segundo pesquisa do IPEA, o número de famílias sem nenhuma dívida aumentou para 56%. Na mesma sondagem, mostra que 36% dos endiividados não teriam como saldar suas dívidas.

3. Levantamentos do Sebrae mostram que 71% das pequenas e médias empresas não recorrem a empréstimos bancários.

4. Apesar de bancos sólidos e bem geridos, a relação crédito/PIB é parecida com a da Bolívia. Pelas projeções atuais, levará dez anos para alcançar a do Chile.

O banqueiro brasileiro não é diferente de outros países, argumenta Troster. O problema está na redução do debate às reuniões do Copom. “Enquanto a taxa Selic, centro das atenções, aumentou 0,25% em 2011 e foi manchete em cada alteração, a de crédito pessoal (excluído o consignado) se elevou 11,40% (45 vezes mais!), e não foi notícia. Há taxas médias para pessoa jurídica que são mais de dez vezes maiores que a Selic. Para pessoa física, mais de 15 e há também financiamentos para o tomador final que estão a mais de trinta”.

O BC precisa avançar além da Selic. “Falta ao país uma política bancária que trate do custo do crédito, da cunha tributária, da transparência, da proteção ao consumidor bancário, do direcionamento de recursos, do desempenho dos bancos públicos, da estabilidade da oferta, dos compulsórios, do processo de precificação, da concorrência, do financiamento de longo prazo” diz ele.

“O crédito é a ponte entre o presente e o futuro e necessita de uma política consistente que alinhe interesses privados com sociais (…) Não são objetivos incompatíveis, pelo contrário. É possível, há uma janela de oportunidade e o governo quer fazer acontecer”, conclui ele.

MIAMI NÃO É MAIS AQUELA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Apesar do sol, das praias e das mansões, Miami conquistou a dúbia honraria de ser a cidade mais miserável dos Estados Unidos, segundo uma nova pesquisa.

Reuters

Playground dos ricos e famosos, a cidade da Flórida passa por uma paralisante crise habitacional, tem uma das mais elevadas taxas de criminalidade do país, e seus habitantes passam horas demais no transporte todos os dias – fatores que contribuíram para a liderança de Miami no ranking da Forbes.com.

“Miami tem sol e tempo bonito, mas outras coisas tornam a cidade intratável. Você tem essa sociedade de dois escalões: a reluzente South Beach atrai celebridades, mas a desigualdade de renda disparou nos últimos anos”, explicou Kurt Badenhausen, editor-sênior da Forbes.

Os rankings se baseiam em fatores como desemprego, criminalidade, despejos, renda e impostos sobre os imóveis, e também leva em consideração o clima, o tempo gasto nos transportes e a corrupção política.

Há décadas ressentindo-se do declínio da indústria automobilística dos EUA, a turbulenta dupla Detroit e Flint, em Michigan, ficou em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

West Palm Beach (Flórida) e Sacramento (Califórnia) completam a lista das cinco piores cidades dos EUA, que pode ser vista em http://tinyurl.com/75clrr9

Reportagem de Dorene Internicola

SEM SEGURANÇA, SEM CIDADANIA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Por Rinaldo Barros

No Brasil, mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano – isso já acontece há vários anos.

Quase todas as vítimas da violência urbana são jovens negros, jovens pobres, moradores de favelas e de periferias urbanas de cidades brasileiras. Os meninos pobres são vistos como se fossem suspeitos de serem criminosos.

E é preciso dizer que nunca foram suficientes os investimentos realizados em Segurança no Brasil. Ainda por cima, foram investimentos aplicados basicamente em viaturas, armas e equipamentos; esquecendo o capital humano, principal esteio de qualquer instituição. Vivenciamos, há décadas, a ideologia da “viaturização” das polícias.

Além disso, as forças de Segurança, principalmente as polícias, ainda não passaram por um processo profundo de democratização, de modernização. Continuam apartadas do povo.

Sabemos que a criminalidade tem ligações com o nosso problema social, cuja causa principal é a ausência do Estado em quase todos os aspectos da vida dos segmentos mais pobres da população.

É quase inexplicável o descaso que faz com que os governos invistam tão pouco em Segurança e na Escola pública, na educação do nosso povo. O Estado brasileiro ainda é ausente para a maioria da população.

A sociedade civil organizada não consegue mais aceitar essa situação, herdada de erros históricos cometidos pelo Estado em negar os Direitos Constitucionais de cada cidadão de bem. Equívocos cometidos, ainda que eivados de boas intenções, nos períodos de regimes autoritários: Estado Novo (1937/45) e Regime Militar (1964/85).

Hoje, em pleno regime democrático, no Brasil, ainda prepara-se a polícia com se fôssemos para uma guerra, para o combate ao crime. Não se faz a formação do homem voltada para prevenir, para evitar a ocorrência do crime; na polícia e na sociedade como um todo.

Esquecem-se os interesses do povo – que só quer viver, trabalhar, estudar e ser feliz.

Estou convicto de que há uma confusão conceitual, uma questão de fundo, um nó górdio a ser desatado. Vejamos como a questão é entendida pelo senso comum.

Ao policial foi confiado, pela sociedade e pelo Estado, o papel da Segurança pública; como se a sociedade não fosse co-responsável. Como se a segurança fosse possível de ser obtida a partir da força bruta contra os pobres.

Ou seja, historicamente, a Segurança pública, tem-se resumido ao combate à criminalidade. Uma desinteligência sistêmica, porquanto violência gera violência. Resultado: já vivemos em plena guerra civil sem quartel; com o crime se modernizando mais rapidamente do que o Estado.

Entendo que dar Segurança significa prevenir, por todos os modos permitidos e imagináveis, para que a infração penal não ocorra.

Aliás, no Rio Grande do Norte, tem um excelente exemplo: o PROERD (http://www.proerd.rn.gov.br/).

Aprendi também que os gastos e os prejuízos materiais e humanos, em regra, são muito maiores com o combate do que com a verdadeira Segurança. A polícia deve continuar com viaturas, armas e equipamentos modernos, todavia, tendo como premissa que prevenir é melhor e mais barato. Deve-se usar a inteligência lato sensu.

Os cidadãos não necessitamos de uma polícia que nos encare como inimigos em potencial. Necessitamos de uma nova concepção da polícia e da organização policial, de suas finalidades, de seu treinamento e métodos de ação.
Como ensina o professor Ricardo Balestreri (ex-secretário nacional de segurança), “é preciso devolver a polícia ao povo”.

Cidadania é a competência histórica em termos de decidir e efetivar a oportunidade de desenvolvimento humano sustentado; é a capacidade de apreender a realidade e a partir desta consciência, intervir de forma crítica; fazer-se sujeito histórico e como tal intervir ativamente; buscando superar a manipulação da população enquanto massa de manobra.

Ou seja, a população precisa ser protagonista. É preciso participar, informar e contribuir.

Diante da perspectiva de priorizar os investimentos para capacitação e informação (ainda que o Governo Federal esteja alocando uma merreca para o tamanho do Brasil), é preciso agora mais e melhor articulação da polícia com a mídia, com a Justiça, sistema prisional, ministério público, administrações municipais, lideranças comunitárias, gestores da educação, esporte, cultura e lazer; tudo associado à urbanização e iluminação sistemática dos espaços degradados.

Com a polícia perto do povo, com o policial inteligente, investigando, pesquisando, conquistando a confiança das pessoas comuns, em convivência cotidiana; quase como se fossem líderes populares, representando a presença do Estado, um canal aberto para os bens da cidadania. Uma polícia comunitária, de todos.

Uma experiência de sucesso é a do Japão, um bom exemplo, a ser conhecido pelos nossos governantes.

Enfim, uma nova concepção de Segurança pública e, por conseguinte, novo papel do agente policial no seio da sociedade. Que possa ser a expressão da confiança, da cidadania, a ser vivenciada por toda a sociedade brasileira.
Resumo da ópera: sem Segurança pública não há Cidadania. Nem Democracia!

.Rinaldo Barros é professor rinaldo.barros@gmail.com Site:http://opiniaopolitica.com/

UM SER HUMANO DA MAIOR GRANDEZA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Por Carlos Roberto de Miranda Gomes

Mesmo sem ter alcançado a Academia de Letras do Rio Grande do Norte, DEÍFILO GURGEL já é considerado imortal no conceito da sociedade e no amor da população mais humilde.

Nascido em Areia Branca no dia 22 de outubro de 1926, mas residindo em Natal desde 1944, tornou-se de fato e de direito cidadão de todas as cidades.

Apesar de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Natal, e tendo exercido muitas atividades no campo público e privado, como funcionário do antigo Banespa, onde o conheci na Rua Frei Miguelinho, depois exerceu as funções de diretor do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), de Natal; diretor de Promoções Culturais da Fundação José Augusto (FJA); professor de Folclore Brasileiro na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na verdade, a cultura foi o motivo de sua vida.

Poeta, jornalista, pesquisador, folclorista, Deífilo Gurgel foi múltiplo em sua obra literária, com destaque para O Diabo a Quatro (inédito), Romanceiro de Alcaçus (Natal: UFRN, 1993), Romanceiro Potiguar (inédito), Manual do Boi Calemba (Natal: Nossa Editora, 1985), Danças Folclóricas do Rio Grande do Norte (Natal: EDUFRN, 1995, ed.5), João Redondo – Teatro de Bonecos do Nordeste (UFRN-Vozes-Petrópolis, 1986), Câmara Cascudo – um sábio jovial. Discurso de Posse na Academia Mossoroense de Letras (Coleção Mossoroense, série B, n.º 683, Mossoró, 1989), 7 Sonetos do Rio e Outros Poemas (Natal: EDUFRN, 1983), Os Dias e as Noites (Natal: Ed. Clima, 1.ed., 1979), Areia Branca – a terra e a gente, um documento onde Deífilo Gurgel resgata a história do município e que hoje é utilizado como fonte de pesquisa pelos estudantes.

Seu último livro “Romanceiro Potiguar”, está pronto para lançamento, patrocínio da Fundação José Augusto reúne 300 romances medievais, cantos de incelências que ele coletou durante 1985 e 1995, com algumas atualizações nos anos seguintes, e mais de 100 entrevistas realizadas.

Como pesquisador trilhou os caminhos do Rio Grande do Norte para levantar o acervo de romances ibéricos imortalizados por nomes como Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante. “Não imaginava que encontraria tanta coisa!”, frisou o autor durante uma de suas entrevistas concedidas à TRIBUNA DO NORTE no ano passado – sua pesquisa se contrapõe à constatação de Mário de Andrade, musicólogo e historiador que circulou pela região na década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. “Andrade reclamou de não ter encontrado romances por aqui, mas temos que ver ele passou um mês e meio no RN e andou pouco”.

Sua cátedra na nossa Universidade Federal, era o Folclore Brasileiro, tendo recebido todo o apoio para viabilizar a divulgação de suas pesquisas.

Descobriu romances que antes só havia registro de versões em espanhol como “Milagre do Trigo”, apresentado por Dona Militana. Outro destaque de seu trabalho foi o romance “Paulina e Don João”, recitado por Dona Maria de Aleixo em Nísia Floresta. A terceira descoberta destacada por Gurgel foi o romanceiro Pedro Ribeiro, de São Pedro do Potengi. “Seu Pedro conhecia cantigas antigas dos tempos áureos da pecuária potiguar. Cantou vários fragmentos de romances criados por Fabião das Queimadas (1848-1928)”, lembrou.

Retratado pelos amigos e biografado por nomes da intelectualidade brasileira, Deífilo Gurgel é reconhecido como um dos maiores folcloristas brasileiros, aptidão que somente descobriu aos 40 anos de idade, gênero que passou a ser o da sua preferência.

Registram os seus admiradores que existem algumas obras inéditas a publicar, como “Espaço e tempo do folclore potiguar”, “Romanceiro potiguar”, “No reino de Baltazar” e “O diabo a quatro” e há referência a outros trabalhos que pesquisou como o “Cavalo Moleque Fogoso”, de Fabião das Queimadas, sobre quem fez um filme divulgado em DVD.

Sobre sua trajetória intelectual toda a cidade conhece e reconhece o valor incomensurável, como se comprova com depoimento de Iaperi Araújo, poeta, escritor e da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras: “Eis o mérito do professor Deífilo Gurgel: buscou as fontes primárias. Palmilhou os caminhos do Rio Grande do Norte de máquina fotográfica e gravador a tiracolo, ouvindo gente, batendo em portas e sentando-se nos terreiros das casas humildes para ouvir contarem os fragmentos desbotados da tradição popular”. Recentemente o JH publicou expressivo trabalho de Ormuz Barbalho Simonetti, fora testemunhos incontáveis nos blogs e outros meios virtuais de comunicação ou entrevistas de intelectuais com divulgação em revistas e jornais.

No início desta semana surgiu uma notícia equivocada sobre o seu encantamento da vida terrena, motivando inúmeros pronunciamentos. Esclarecido o engano, a família passou a comandar as notícias oficiais, dando conta do seu precário estado de saúde.

O fato deve motivar que se reflita sobre este ser humano da maior grandeza e desperte o empenho da nossa Academia de Letras a apressar a ratificação do seu nome como novo imortal, no campo da formalidade, porquanto ele já é considerado uma bandeira de cultura, pois a sua obra impõe o registro na nossa história.

Considerado um “provinciano incurável”, como Luís da Câmara Cascudo, passou toda a sua vida proclamando as nossas raízes históricas e populares, seguindo a trilha dos imortais Cascudinho e Vivi, revelando ao grande público a criatividade de dançadores de folguedos populares como Manoel Marinheiro, do Mestre Pedro Guajiru, a romanceira D. Militina, os rabequeiros André e Cícero Joaquim, os pelos três Chicos, o coquista Chico Antônio, o mamulengueiro Chico Daniel, o entalhador Chico Santeiro e o cantador Fabião das Queimadas, e tantos outros que ele soube respeitar e engrandecer na sua simplicidade imortal.
Surpreendido com a falsa notícia, também me apressei em homenageá-lo, depois suspendi a divulgação do meu modesto trabalho, quando fui incentivado pelo amigo Marcos Guerra a prestar a homenagem a Deífilo, quando vivo, o que agora faço, rogando a Deus pelo seu restabelecimento para que nos seja permitido assistir a sua solenidade de colocação do pelerine e do colar da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

.Carlos Roberto de Miranda Gomes é escritor e advogado

IMPÉRIO DE SÍLVIO SANTOS EM PERIGO

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Por Patrícia Cançado, Marili Ribeiro, estadao.com.br

O Grupo Silvio Santos pode vender o controle do Banco Panamericano para honrar arte do empréstimo de R$ 2,5 bilhões concedido à holding do apresentador pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A instituição ainda não foi colocada à venda oficialmente, segundo fontes próximas à companhia. Mas essa pode ser a primeira – e a mais rápida – solução para começar a arrecadar o dinheiro.

Silvio Santos deu como garantia do empréstimo todas as 44 empresas da holding. O banco, na visão do grupo, é um bom negócio. Seu problema era contábil. Com a capitalização anunciada ontem, voltaria a atrair compradores. Silvio Santos estaria disposto a se desfazer do Panamericano, segundo o Estado apurou. Desde que o Banco Central apurou a fraude contábil, há cinco semanas, o empresário tem adotado uma postura bastante pragmática. Todas as opções de venda de patrimônio serão analisadas.

Quando uma participação minoritária foi vendida para a Caixa, há um ano, o Panamericano foi avaliado em cerca de R$ 2 bilhões. A venda do banco provocaria um forte impacto em todo o grupo, pois é, de longe, o negócio mais importante e rentável.

No início de 2008, um executivo de um banco americano procurou Silvio Santos para fazer uma oferta pelo Panamericano. Foi recebido na casa do apresentador. Silvio não quis vender e teria dito algo como: ‘Trabalho todos os dias na televisão. Chego de manhã e saio tarde da noite. No fim do ano, a TV me rende, no máximo, R$ 40 milhões. Quanto ao banco, nunca fui lá. Mas todo ano me dá até R$ 120 milhões. Não quero vender.

E posso correr risco de até uns R$ 2 bilhões no banco’. Na mesma conversa, o banqueiro perguntou por que não vendia um pedaço do SBT para a Televisa. Silvio disse que havia tentado, mas não havia encontrado interessados.

No ano passado, o grupo teve uma receita de R$ 4,7 bilhões e um prejuízo de R$ 8 milhões. O SBT é a divisão mais conhecida, mas não é mais importante. Em 2009, seu faturamento foi de R$ 734,7 milhões e o lucro, de R$ 44 milhões. Neste ano, a previsão do mercado é que ela feche no vermelho.

O grupo tem ainda outros vários negócios, como a empresa de cosméticos Jequiti, a Sisan, de empreendimentos imobiliários e a rede de varejo Lojas do Baú Crediário – em 2009, após 50 anos de operação, o Carnê do Baú foi encerrado e os serviços migraram para o varejo.

Problema familiar

A pessoas próximas, Silvio Santos tem dito que está angustiado e que quer resolver a questão da dívida rapidamente. O apresentador disse a essas fontes que estuda soluções como venda de participação no SBT.

A liquidação do banco foi cogitada no mercado. Mas Silvio Santos preferiu garantir o empréstimo na pessoa física a ver sua imagem manchada pelo episódio. Aos 79 anos e uma das figuras mais populares do País, Silvio Santos não ficou confortável em ter de ir para Brasília passar o pires. Além do rombo, teve de lidar também com um problema familiar. O Panamericano era comandado por um primo da sua mulher, Rafael Palladino, que está no banco desde a sua criação e tem sido apontado como um dos responsáveis pela fraude.

Formado em Educação Física, Palladino já trabalhou como personal trainer, foi professor na Universidade de São Paulo (USP) por 12 anos, gerenciou academias de ginástica e montou uma rede de postos de gasolina. Segundo entrevista dada ao portal da Catho há seis anos, ele foi convidado em 1990 por Silvio Santos para fazer uma assessoria na área imobiliária e acabou contratado como prestador de serviços de uma de suas empresas. Um ano depois, passou a atuar na área financeira do grupo, sendo responsável pelo Banco Financeiro, que passou a se chamar Panamericano.

Procurado pelo Estado, Palladino disse que está ‘tranquilo’ e que ‘vai ter gente para apurar o que houve’ (leia entrevista ao lado). Colocar familiares e parentes nas empresas do grupo era mais uma das idiossincrasias do empresário. Isso sempre contribuiu para a construção da figura mítica de Silvio Santos. Mas o que era só uma peculiaridade do apresentador agora pode ter efeitos desastrosos.

ENTREVISTA
Rafael Palladino, ex-presidente do Panamericani: ‘Integridade é o meu máximo’


Primo da mulher de Silvio Santos, Rafael Palladino foi demitido após a descoberta do rombo de R$ 2,5 bilhões no Panamericano. Ontem, ele conversou com o Estado por telefone
:
O sr é apontado como um dos responsáveis pela fraude. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Eu tenho 20 anos de banco, integridade moral sempre foi o meu máximo. Eu estou super tranquilo. Ontem (terça-feira), quando começaram a sair notas na internet sobre o assunto, minha filha veio me perguntar: papai, que fraude você fez?

E o que o sr. respondeu?

Você não me conhece. Infelizmente não… Mas ela me conhece.

O que houve, então, no banco?

Não posso falar. Estou acabado. Vai ter gente para apurar.

O sr é primo de Íris Abravanel?

Família não tem nada a ver com negócios.

No mercado, dizem que o senhor não tinha a sofisticação que o mercado financeiro exige.

Se você acha que é isso, então escreve. Estou em período de silêncio, não poderia falar com você, mas anote o meu e-mail. Você vai me perguntar por que o e-mail é do Panamericano.Mas eu combinei de ficar com esse e-mail pelo menos dois meses. Senão eu perco contato com o mundo.

30 AUTORES FALAM SOBRE DEUS E ATEÍSMO

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

Por Fabio Bracht*

    “[O cristianismo] é um sistema totalitário. Se houvesse um deus, que pudesse fazer essas coisas, e exigir essas coisas, e que fosse eterno e imutável, nós estaríamos vivendo sob uma ditadura, sem direito de apelação.” – Christopher Hitchens

Esta é apenas uma das frases proferidas pelos 30 autores mais do que renomados presentes no vídeo abaixo. Gênios do naipe e da diversidade de Isaac Asimov, José Saramago e Douglas Adams. Sir Arthur Clarke, Sir Terry Pratchett e Sir Salman Rushdie.

O vídeo está todo em inglês, e obviamente o vocabulário não é dos mais simples. Hoje em dia tem que ser bilíngue, filhão. Mesmo assim, transcrevi e traduzi as minhas três falas favoritas entre as 30, abaixo do vídeo.

Mas nada como ouvir esses grandes homens falando: link YouTube.

A primeira fala que eu gostaria de destacar vem do escritor britânico Ian McEwan, que foge de argumentos complicados em favor de um pensamento simples e singelo a respeito da Terra onde a gente pisa todos os dias:

    “Se você tem um texto sagrado que te diz como o mundo começou, ou qual a relação entre este deus no céu e você, isso corta toda a sua curiosidade, e o senso de querer descobrir todos esses mistérios. Você simplesmente diz ‘ah, isso é mistério’ ou ‘a mente de Deus ninguém consegue ler’ ou ‘Deus escreve certo por linhas tortas’. Isso corta uma fonte de admiração.

    Eu gostaria de atribuir aos ateístas um senso muito maior e mais vivo de interesse e conexão com o mundo. Um senso das suas maravilhas, das maravilhas que estão acessíveis à nossa curiosidade e podem ser descobertas por ela, com deleite. Como admirar o trabalho de outra pessoa, descobrir mais um aspecto do quanto é curioso e complexo e amável é o mundo.

    Essa amabilidade do mundo, em todas as suas maravilhas, não é aparente para mim no islã ou no cristianismo ou nas outras principais religiões. Me parece como se, mentalmente, você ficasse de mãos atadas. Você se fecha, você fecha o espírito livre e questionador.”

O lendário Isaac Asimov, praticamente o inventor da robótica e um dos imortais autores da ficção científica mundial, preza muito pela praticidade:

    “Ao menos no que diz respeito à razão, há um sistema de transferência. Um sistema de argumento racional, seguindo as leis da lógica, um conjunto [de leis] com o qual um grande número de pessoas concorda. Então, na racionalidade, nós temos o que chamamos de evidências convincentes. Ou seja, se eu localizar certos tipos de evidências, mesmo pessoas que discordam de mim desde o início podem se sentir convencidas a concordar comigo tendo por base estas evidências.

    Mas sempre que vamos além da razão e entramos na fé, não há nada parecido com evidências convincentes. Mesmo que você tenha uma Revelação – você teve uma Revelação; como pode transferir essa revelação para os outros? Através de qual sistema?”

Para fechar, a poderosíssima – ainda que longa – fala do escritor, ensaísta e jornalista Christopher Hitchens, falecido em novembro do ano passado, que se autodenominava “antiteísta”, em vez de simplesmente ateísta:

    “Para ser um cristão você precisa acreditar que por 98 mil anos a nossa espécie sofreu e morreu, a maioria das crianças morrendo no parto, a maioria das pessoas com uma expectativa de vida de 25 anos, com fome, batalhando, guerreando, sofrendo, tudo isso por 98 mil anos, enquanto os céus observavam com completa indiferença. Então, há 2 mil anos, os céus decidiram ‘já chega disso, acho que é hora de fazermos alguma coisa’, e a melhor maneira de fazer isso seria condenar alguém a um sacrifício humano em algum lugar da região menos instruída do Oriente Médio. Não vamos aparecer para os chineses, por exemplo, onde as pessoas sabem ler e estudar evidências e ser civilizadas. Vamos ao deserto e façamos outra revelação lá.

    Isso não faz sentido. Não é algo que não pode ser acreditado por alguém que pensa.

    Por que eu fico feliz que este é o caso? Para chegar ao ponto do que há de errado no outro lado do cristianismo, porque eu acredito que os ensinamentos do cristianismo são imorais.

    O [ensinamento] central é o mais imoral de todos, o da redenção vicária. Você poder jogar os seus pecados em outra pessoa, o que é vulgarmente conhecido como ter um bode expiatório.

    Eu posso pagar a sua dívida se eu te amo. Eu posso ir para a prisão no seu lugar se eu te amar muito. Eu posso me voluntariar a isso. Mas eu não posso te redimir dos seus pecados, porque eu não posso abolir a sua responsabilidade, e eu não deveria me oferecer para fazer isso. A sua responsabilidade precisa permanecer com você. Não existe redenção vicária.

    Muito provavelmente não existe sequer redenção. Isso é apenas wishful thinking (NT.: Pensar que algo é verdadeiro só porque queremos que seja), e eu também não penso que wishful thinking seja bom para as pessoas. Isso consegue até poluir a questão central, a palavra que eu acabei de usar, a palavra mais importante de todas: a palavra amor, ao tornar o amor compulsório, ao dizer que você tem que amar. Você tem que amar ao seu vizinho como a ti mesmo, algo que você na verdade não consegue fazer. Você sempre acabará falhando, então sempre poderá ser considerado culpado.

    Ao dizer que você tem que amar alguém a quem você também precisa temer. Um ser supremo, um pai eterno, alguém de quem você deve ter medo, mas também deve amar. E se você falhar nessa tarefa, novamente é um pecador imundo. Isso não é mentalmente, moralmente ou intelectualmente sadio.

    E isso me traz à objeção final, que é: esse é um sistema totalitário. Se houvesse um deus, que pudesse fazer essas coisas, e exigir essas coisas, e que fosse eterno e imutável, nós estaríamos vivendo sob uma ditadura sem direito de apelação. Uma que jamais poderia mudar. Uma que sabe o que pensamos e pode nos condenar por crimes de pensamento. Nos condenar a uma punição eterna por ações que nós estamos fadados desde o início a tomar.

    Por tudo isso – resumindo; eu poderia dizer bem mais – eu digo que é algo excelente que não exista absolutamente nenhum motivo para acreditar que nada disso seja verdadeiro.”

Os 30 autores, na ordem, que aparecem no vídeo
1. Sir Arthur C. Clarke, Escritor de Ficção Científica
2. Nadine Gordimer, Ganhadora do Nobel em Literatura
3. Professor Isaac Asimov, Autor e Bioquímico
4. Arthur Miller, Dramaturgo Ganhador de um Prêmio Pulitzer
5. Wole Soyinka, Ganhador do Nobel em Literatura
6. Gore Vidal, Novelista Premiado e Ativista Político
7. Douglas Adams, Escritor Best-Seller de Ficção Científica
8. Professor Germaine Greer, Escritora e Feminista
9. Iain Banks, Autor Best-Seller de Ficção
10. José Saramago, Ganhador do Nobel em Literatura
11. Sir Terry Pratchett, Novelista Best-Seller
12. Ken Follett, Autor Best-Seller
13. Ian McEwan, Novelista Ganhador do Prêmio Man Booker
14. Andrew Motion, Poeta Premiado (1999-2009)
15. Professor Martin Amis, Novelista Premiado
16. Michel Houellebecq, Novelista Francês Ganhador do Prêmio Goncourt
17. Philip Roth, Novelista Ganhador do Prêmio Man Booker
18. Margaret Atwood, Autora e Poetisa Ganhadora do Prêmio Booker
19. Sir Salman Rushdie, Novelista Ganhador do Prêmio Booker
20. Norman MacCaig, Poeta Escocês Renomado
21. Phillip Pullman, Autor Britânico Best-Seller
22. Dr Matt Ridley, Escritor Científico Premiado
23. Harold Pinter, Ganhador do Nobel em Literatura
24. Howard Brenton, Novelista Premiado
25. Tariq Ali, Cineasta e Escritor Premiado
26. Theodore Dalrymple, Escritor e Psiquiatra
27. Roddy Doyle, Novelista Ganhador do Prêmio Booker
28. Redmond O’Hanlon FRSL, Estudioso e Escritor Britânico
29. Diana Athill, Editora Literária e Autora Premiada
30. Christopher Hitchens, Autor Best-Seller e Colunista Premiado

*Fábio Bracht toca guitarra e bateria, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, é redator e tradutor.

TJs NÃO EXPLICAM SUMIÇO DE R$ 6,4 MI

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

O Conselho nacional de Justiça ainda está esperando a explicação para o destino dado aos R$ 6,4 milhões em bens doados pelo órgão aos Tribunais de Justiça estaduais, que desapareceram.

O relatório inédito do órgão revela que as cortes regionais não sabem explicar onde foram parar 5.426 equipamentos, entre computadores, notebooks, impressoras e estabilizadores, entregues pelo CNJ para aumentar a eficiência do Judiciário.

A auditoria mostra ainda que os tribunais mantêm parados R$ 2,3 milhões em bens repassados. Esse material foi considerado “ocioso” pelo conselho na apuração, encerrada em novembro de 2011.

De todos os estados investigados, apenas o Espírito Santo e Rio Grande do Sul encontraram todos os bens. Os demais têm até maio para mostrar as providências que estão tomando para localizar os equipamentos.

O tribunal da Paraíba foi o campeão de equipamentos desaparecidos. A investigação do conselho abrangeu um universo de R$ 65 milhões em bens doados entre 2010 e 2011.

POTIGÁS PROMOVE CONCURSO PÚBLICO

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

A Companhia Potiguar de Gás (Potigás), sediada em Natal, publicou edital de abertura para concurso público visando o provimento de 16 oportunidades, mais formação de cadastro reserva, em diversos cargos e níveis de escolaridade.

Quem possui ensino médio técnico poderá concorrer aos cargos de técnico em administração júnior, em contabilidade júnior, de suporte e informática júnior, de segurança do trabalho júnior, de projetos júnior e técnico em processos júnior. A remuneração varia entre R$ e R$ 2.748,14.

Já os postos abertos para profissionais de nível superior são de advogado júnior, analista comercial júnior, analista de comunicação júnior, analista de planejamento júnior, analista de recursos humanos júnior, analista de suprimentos júnior, analista de tecnologia da informação júnior, contador júnior, engenheiro júnior e secretária executiva. Os salários oscilam entre R$ 3.272,81 e R$ 6.330,91.

Para todos os cargos é necessário registro profissional no órgão ou conselho responsável da classe. Serão reservadas 5% das oportunidades para candidatos com deficiência.

As provas objetivas serão aplicadas no dia 15 de abril em locais e horários a serem divulgados oportunamente.

Interessados devem efetuar sua inscrição no período de 30 de janeiro a 9 de março, no site www.potigas.ieses.org. O valor da taxa de participação é de R$ 60 para candidatos de nível médio e R$ 75 para interessados em cargos de nível superior.

ANGICOS: FRAUDE PODE CASSAR PREFEITO

postado por O Santo Ofício | fevereiro 4, 2012

O promotor de justiça de Angicos, Márcio Cardoso Santos, ajuizou uma Ação Civil Pública contra o prefeito Ronaldo de Oliveira Teixeira por improbidade administrativa.

Segundo as investigações, o prefeito teria forjado a demissão de sua sogra do cargo comissionado de pedagoga do CREAS-Angicos, após recomendação do Ministério Público que visava combater o nepotismo.

Para despistar a recomendação do MP, o prefeito chegou a exonerar sua sogra e contratar outra pessoa o cargo. No entanto, ela continuou a exercer as funções no CREAS sob a alegação de que se tratava de trabalho voluntário e não remunerado. Mas uma simples consulta aos extratos comprovou a fraude.

O ardil é tão flagrante que a remuneração pelos serviços supostamente prestados pela nova servidora contratada era depositada em conta corrente de titularidade da sogra do prefeito, explica o promotor de justiça na ação.

Entre os pedidos do Ministério Público estão a condenação do prefeito à perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos; pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Clique aqui e veja a íntegra da Ação Civil Pública.

Fonte: Assessoria de imprensa do MPRN.

PENDÊNCIAS É O CAOS

postado por O Santo Ofício | fevereiro 3, 2012

Vereadores reprovam as contas deixando Ivan Padilha inelegível por 6 anos.

Hoje pela manhã (03), os veredores realizaram uma sessão extraordinária para colocar em votação as aprovação ou reprovação das contas do prefeito Ivan de Souza Padilha. Dos nove vereadores, ausência confirmada apenas do vereador Fernandinho.

Depois que os vereadores analisaram vários documentos, comprovaram diversas irregularidades e apontaram pela reprovação das contas

Nas contas de 2009, a maioria dos vereadores votaram contra as contas do prefeito. De acordo com a assessoria da Casa, assim votaram os vereadores

Isac Carlos (relator), Tácia Castro, João do Leite, Carlos Montenegro, Januncio Freitas e Franklin Teixeira, votaram contra as contas de Ivan Padilha.

O vereador Egrinaldo Leonez, se absteve de votar e o vereador Luiz do Porto, votou favorável às contas de Ivan.

No processo referente as contas de 2010, sete vereadores votaram contra as contas de Ivan Padilha, acompanhando o voto do relator: Isac, Carlos Montenegro, Tácia Castro, João do Leite, Franklin Teixeira, Egrinaldo Leonez, além do relator, vereador Januncio Freitas. Só o vereador Luiz do Porto votou favorável as contas do prefeito Ivan Padilha.

O Tribunal de Contas do Estado aprovou com ressalvas as contas de 2009 a 2010 da atual gestão, mas como a função do TCE é de apenas dá um parecer, deixando responsável as Câmaras Municipais, o direito de julgar, aprovando ou reprovando as contas do gestor.

Com a reprovação da prestação de contas de 2009 e 2010, o prefeito Ivan Padilha está impedido de disputar a reeleição, ficando inelegível por pelo menos seis anos. Se a Ficha Limpa for aprovada, o tempo aumenta de 8 para 16 anos.

JORNAIS FECHADOS, IMPRENSA DE LUTO

postado por O Santo Ofício | fevereiro 3, 2012

A data de 1º de fevereiro de 2012 ficará marcada na história da imprensa paraibana como um dia de luto. O grupo Diários Associados decidiu fechar sumariamente os jornais O Norte e Diário da Borborema, deixando que o fato fosse comunicado através das frias páginas dos próprios veículos, sem sequer ter convocado anteriormente uma reunião com seus funcionários.

Na nota oficial, o grupo agradece aos seus leitores, mas esquece de seus funcionários, principais responsáveis pelos anos de glória vividos em décadas passadas e, que, nos últimos anos, realizavam um dedicado trabalho, mesmo sem as condições necessárias, e ainda recebendo o menor salário da Paraíba.

Esta foi uma morte premeditada. Há alguns anos, ambos os jornais foram reduzidos ao tamanho tabloide e não recebiam mais investimentos estruturais nas redações, na renovação dos equipamentos e automóveis, e, muito menos, na contratação e valorização de profissionais.

Some-se a isso o fato de que toda a administração foi centralizada em Recife-PE, deixando as empresas do grupo na Paraíba completamente dependentes, sem gerência nem capacidade de solucionar simples problemas do dia a dia.

Lamentamos o fechamento de O Norte e Diário da Borborema porque isto significará uma concentração ainda maior da propriedade dos meios de comunicação no Estado, e lamentamos ainda mais pelo fechamento de tantos postos de trabalho, pelo futuro incerto dos agora demitidos.

Nosso compromisso com a categoria dos jornalistas permanece e se renova em mais este momento crítico para a vida pessoal e profissional de tantos colegas. Estamos à disposição de todos para encampar as lutas necessárias e garantir que nenhum direito trabalhista seja ferido.

.Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba
.Associação Paraibana de Imprensa

GIGOLÔS DE TAXISTAS SEGUEM IMPUNES

postado por O Santo Ofício | fevereiro 3, 2012

Por Roberto Guedes

Entrando na reta final para descer as escadarias do palácio Felipe Camarão, a jornalista Micarla de Souza ainda não moveu uma palha com o objetivo de enfrentar os “gigolôs de taxistas” que bancam abutres em Natal. Quando disputava a prefeitura, no segundo semestre de 2.008, e foi informada a respeito da existência desses exploradores, ela, a exemplo do advogado e ex-deputado estadual Wober Júnior, presidente regional do PPS, que então também era candidato a burgomestre, garantiu que se tomasse posse liquidaria o privilégio de ilegalidades de que desfrutam os gigolôs em questão.

São gigolôs não motoristas de táxi que se tornaram donos dos veículos ou das “placas”, como são mencionadas as licenças de exploração do serviço concedidas pela secretaria municipal de Mobilidade Urbana, a antiga STTU.

Para se ter idéia do quanto abutram esses gigolôs, um motorista que não logrou receber uma placa da prefeitura e trabalha com táxi alheio é obrigado a pagar diariamente até 130 reais ao proprietário do veículo, havendo quem pague até menos de oitenta, na medida em que o amadurecimento da relação bilateral com o proprietário faculta este tipo de “conquista”.

Quando consegue comprar o automóvel mas, infelizmente, não obtém a licença diretamente do governo municipal, o taxista explorado paga todo mês de novecentos a 1,2 mil reais ao proprietário do veículo.

Aqui há gigolôs que possuem mais de trinta táxis, alguns têm quase cem placas.

Numa cidade em que a concessão para a exploração do serviço de táxi, transporte individual de passageiros, em pequenos veículos, só contempla, pela lei, pessoas físicas, e onde muito frequentemente se fala na questão social dos taxista, os gigolôs contituem cerca de metade do número de condutores desses automóveis.

Se aqui trafegam, diária e autorizadamente, pouco mais de 1,1 táxis, o número de motoristas pode superar os dois mil, pois em muitos casos um automóvel é compartilhado, em expedientes alternados, por dois motoristas. Até aí, tudo bem. A questão é que mais de quinhentos outros natalenses são proprietários que exploram esses taxistas.

Imaginando-se que todos os prefeitos que concederam placas de táxi agiram de boa fé, tem-se que só as entregaram a quem comprovou ser motorista profissional, habilitado perante o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e necessitando explorar o serviço para nutrir-se e à família. Na prática, porém, a imensa maioria dos táxis que rodam em Natal pertencem a alguém que não assume seu volante, burlou os mecanismos de seleção adotados pela municipalidade e escravizam os verdadeiros motoristas.

Fontes do serviço suspeitam de que boa parte dos gigolôs estaria entre servidores da municipalidade que teriam conquistado placas antes que a oferta delas fosse liberada pelos governantes; outros dizem que há muito tempo esses servidores, os principais deles encastelados na secretaria de Mobilidade Urbana, se desfizeram desse patrimônio para não serem penalizados na hipótese de algum dia um Prefeito resolver enfrentar esta situação.

O melhor caminho que poderia ser adotado com o fim de coibir esta prática seria uma fiscalização discreta mas eficiente entrar em campo, identificar os motoristas explorados e transferir para estes as licenças em poder dos gigolôs. Complementarmente, uma interveniência da prefeitura junto à Caixa Econômica Federal e ao Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) poderia proporcionar a obtenção de financiamentos de sentido social para que os motoristas explorados comprassem seus próprios táxis.

REGIME CUBANO REPUDIADO NA VENEZUELA

postado por O Santo Ofício | fevereiro 3, 2012

Carta aberta de pré-candidata à presidência da Venezuela detona regime sanguinário de Fidel Castro e mostra como se faz oposição

Do Blog do Aloízio Amorim

A carta aberta ao tirano Fidel Castro, divulgada pela pré-candidata da oposição à Presidência da Venezuela, a deputada Maria Corina Machado, mostra que, ao contrário do Brasil, na Venezuela a oposição é oposição e fustiga de forma permanente o caudilho trapaceiro Hugo Chávez.

Quando Chávez no início do ano fez a sua costumeira preleção à Assembléia Nacional, Corina Machado levantou-se de dedo em riste e, para o assombro dos presentes, contestou a cantilena mentirosa de Hugo Chávez. Poucos dias depois quem saiu em socorro ao tiranete venezuelano foi o assassino Fidel Castro, num texto que consagra o caudilho bolivariano como “genial”.

Corina Machado, de forma completamente oposta à Dilma Rousseff que há pouco afagou o tirano cubano, divulgou uma Carta Aberta em que comprova que Fidel Castro, além de assassino, é um dos maiores mentirosos do planeta, como aliás são todos os comunistas.

Transcrevo o parágrafo inicial da Carta com link para leitura completa na coluna do combativo jornalista venezuelano Nelson Bocaranda. Sim, porque a grande imprensa da Venezuela também difere completamente da sua congênere brasileira, contumaz puxa-saco do governo dos comunistas botocudos. Falta à oposição brasileira e à grande imprensa nacional a honestidade mínima que requer o momento político latino-americano que leva todo o Continente a transformar-se numa grande Cuba. Aliás, já se noticiou que vencendo a eleição presidencial Chávez pretende criar um Estado transnacional associado à Cuba.

Leiam o que afirma Corina Machado:

“Me dirijo a você nesta oportunidade para responder às alusões que fez de mim em suas reflexões sobre “A Genialidade de Chávez”, no dia 26 de janeiro passado.

Reporto-me a dois aspectos de seu escrito: o que se refere à minha intervenção na Assembléia Nacional e o relativo a suas opiniões sobre a política venezuelana. O presidente Chávez tentou usar sua apresentação na Assembléia para dois propósitos muito evidentes. Em primeiro lugar para mostrar um país de paz e prosperidade que não existe. A Venezuela, com todos seus recursos humanos e naturais, vive os embates da pobreza, o crime e a humilhação; em segundo lugar quis utilizar os deputados da oposição para mostrar ao mundo um jogo democrático que tem sido trapaceado pelo seu governo mediante o controle abusivo de todas as instituições do Estado e a repressão contra a dissidência”. Leia AQUI o texto completo – en español.

F. JORGE: UM ANHANGUERA CULTURAL

postado por O Santo Ofício | fevereiro 3, 2012

Por Ubirajara Galli

Goiás, ao longo de sua história, desde a colonial, tem sido visitado por ilustres personalidades como Burchell, Saint-Hilaire e Carlos Pereira de Magalhães, entre tantos outros que registraram as belezas naturais, potencialidades econômicas, valores humanos e culturais goianos.

No final da década de 1970, o jornalista-escritor, Franklin Jorge, portando a sua bateia cultural, desembarcou em Goiânia e começou a lavrar as áureas águas da cultura goiana. Da sua colheita, nada se perdeu. Todas as suas impressões, experiências vividas, bem-materializadas deram vida a essa publicação, de nome sugestivo O Ouro de Goiás que tem tudo a ver com a gênese existencial do nosso Estado.

Esse Ouro tem cor, peso, valor inestimável, amalgamado por construtores da cultura brasileira em Goiás, muitos dos quais, em 2012, bateados por Deus. Da sua viagem goiana alongada no tempo, entre esses seres de luz visitados por Franklin Jorge e que Deus nos presenteia preservando a sua presença entre nós, está o escritor e gestor cultural, José Mendonça Teles, um dos nomes mais expressivos da cultura da nossa terra.

Há mais de trinta anos, José Mendonça Teles fora apresentado ao Franklin Jorge por uma amiga em comum, a escritora e crítica de arte, goianiense, Alcyone Abrahão, cuja amizade tivera início com Franklin, quando ela residiu em Natal. Alcyone e sua mãe, Jandyra Hermano de Paula, juntamente com sua tia, Amália Hermano Teixeira, foram as gentis cicerones de Franklin, em todos seus encontros culturais e humanos em Goiás.

José Mendonça Teles, ao publicar seu livro Crônicas de Pirenópolis presenteou Franklin Jorge com um exemplar da obra. Franklin agradeceu o autor através de um poético texto, revelador de quem fez a leitura do livro, página por página, por puro prazer.

Feliz com a acolhida de Franklin à sua obra, José Mendonça Teles, sabendo de outros guardados goianos reluzentes de Franklin Jorge ofertou-lhe a possibilidade de publicar O Ouro de Goiás. Para nossa alegria, motivada pelo enriquecimento da historiografia cultural goiana, que a obra publicada proporcionará, Franklin aceitou a oferta editorial.
Alguns goianos, como Zecchi Abrahão, pai de Alcyone Abrahão, primeiro editor da Revista Oeste, concebida para as comemorações do Batismo Cultural de Goiânia, ocorrido em 1942, e José Décio Filho, Franklin só conheceu através das suas pegadas culturais.

Porém, outra plêiade de talentosas personalidades, do mundo artístico e intelectual, como José Godoy Garcia, Bariani Ortencio, Frei Confaloni, Maximiliano da Mata Teixeira, Cora Coralina, Brasigóis Felício, Antônio Poteiro, Carmo Bernardes, Amália Hermano Teixeira, Luís Estevam, Antônio José de Moura, Goiandira do Couto, Jandyra Hermano de Paula e Regina Lacerda, com estes, sim, Franklin teve a oportunidade pessoal de vivê-los habitados entre nós.
José Mendonça Teles, cumpridor emérito de promessas, preservacionista do patrimônio artístico e histórico de Goiás, agora, por meio do Instituto Cultural que leva seu nome, publica e faz o tombamento de O Ouro de Goiás, lavras de um sensível talento. Méritos de Franklin Jorge, esse Anhanguera cultural.

.Ubirajara Galli é membro da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás.