<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Santo Ofício</title>
	<atom:link href="http://www.osantooficio.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.osantooficio.com</link>
	<description>O Santo Ofício ... Novo Blog  - Criado a partir do antigo blog: franklinjorge.com  O Santo Ofício continua com as publicações do seu criador e de novos colaboradores.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 18 May 2012 21:49:03 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.1</generator>
		<item>
		<title>OS 40 ANOS DE RODA VIVA</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/os-40-anos-de-roda-viva/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/os-40-anos-de-roda-viva/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 May 2012 21:49:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Santo Ofício]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27569</guid>
		<description><![CDATA[Por Franklin Jorge Tivemos hoje o café com Cassiano Arruda Câmara na sede do Novo Jornal, na Ribeira, numa rua que homenageia Frei Miguelinho, um bravo potiguar. Parte da ilustre Ribeira e de uma era heroica da velha cidade dos reyes. Estava emocionado. Todo o NJ reunido, os amigos do articulista arguto e liberal, atento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <strong>Franklin Jorge<</em>/strong></p>
<p>Tivemos hoje o café com Cassiano Arruda Câmara na sede do Novo Jornal, na Ribeira, numa rua que homenageia Frei Miguelinho, um bravo potiguar. Parte da ilustre Ribeira e de uma era heroica da velha cidade dos reyes.</p>
<p>Estava emocionado. Todo o NJ reunido, os amigos do articulista arguto e liberal, atento à pulsação de vida e a multidiversidade dos fatos, laboriosamente registrados e às vezes comentados etc.</p>
<p>Há 40 anos Cassiano começava Roda Viva. Coluna diária que tornou-se uma instituição do jornalismo norte-riograndense, baluarte da democracia militante, um cadinho da história contemporânea.</p>
<p>Revi amigos e colegas. Tendo chegado um pouco cedo demais, Naíza acomodou-me na sala mesma do café da manhã. Logo tornou-se pequena para tantos convivas. Fiquei por um tempo assistindo aos preparativos da festa, participando dos bastidores e da confraternização festiva.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/os-40-anos-de-roda-viva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>DJALMA MARANHÃO,O QUIXOTE POTIGUAR</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/27559/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/27559/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 May 2012 10:19:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Babélia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27559</guid>
		<description><![CDATA[Por Antenor Laurentino Ramos Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Antenor Laurentino Ramos<br />
</strong><br />
Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da cidade. A reunião teria lugar no Cinema Éden, de Paulo Bezerra Souto, simpatizante também esquerdista também, da época.</p>
<p>Tempos depois, iria reencontrá-lo no seu exílio em Montevidéu. Já o conhecia de vista no Jornal de natal de sua propriedade. Via-o sempre, em conversa animada com meu irmão Afonso e Luis Maranhão Filho. Eu trabalhava, nesse tempo, no Diário de Natal. Como revisor.</p>
<p>Na viagem ao Uruguai, comemorávamos a conclusão de nosso curso, os Bacharéis de Direito de 1971, o Planex. Fazia parte dessa excursão 13 alunos, 6 homens e 7 mulheres. Entre eles relembro Lúcio Teixeira dos Santos, Andrier Abreu, Molina, Mizael Barreto, Elias Maciel, Cléa Bacurau, Lúcia Barbosa, Méssia Feitosa, Jandira, Nadja Lopes Cardoso, Salete do Ó Pacheco&#8230;</p>
<p>Foi uma longa e estafante viagem via terrestre. Saíramos de Natal, pernoitando no Rio, para retomarmos nossa viagem rumo às terras gaúchas. Chegamos mesmo a assistir em Porto Alegre a um jogo no Estádio Beira-Rio, Internacional versus Atlético Mineiro.</p>
<p>Na capital do Uruguai ficamos hospedados no Hotel Campeotti, Calle General Artigas. Após um demorado repouso, saíramos para o primeiro encontro com a bela cidade. Era uma das que nos tempos de estudante do Ginásio Natal desejava conhecer e o responsável por esse desejo o era meu saudoso professor de geografia.</p>
<p>Djalma já nos procurara à noite com Dona Dária, sua esposa. Trazíamos uma carta de seu filho, Marcus, nosso contemporâneo de Faculdade. Não chegamos a vê-lo nesse primeiro contato, Mizael e eu. Fôramos convidados por um amigo que fizéramos em Montevidéu a um passeio noturno pelo lugar com direito a vinho e cerveja.</p>
<p>No dia seguinte, lá estava Djalma de novo. Oferecera-se para ser nosso guia turístico e não largamos mais. Relembro o nosso primeiro contato, os colegas nos apresentaram a ele e a Dona Dária. Foi quando eu disse: “- Djalma, a gente já se viu em Nova Cruz. Eu era bem jovem. Depois, acostumei-me a vê-lo conversar com o meu irmão”. “- Quem é seu irmão?” “- Afonso Laurentino Ramos”. “- Não acredito, disse-me ele.<br />
Desde ontem que eu pergunto a esses meninos se conhecem Afonso e deparo-me agora com o seu irmão!” “- Como vai ele? Namora ainda Lourdinha Alves, Diúda, irmã de Aluizio?” E notava em seu semblante, a alegria de saber notícias do Afonso! Maior surpresa, para mim, foi quando me perguntou: “- E Antonio Laurentino, seu pai?” “- E você conhece meu pai?” “- Ora, responde-me rindo: mas que a Afonso! Tomei muita cachaça e uísque com teu pai na praia da Redinha”. Sentia-me orgulhoso e emocionado por sabê-lo íntimo de meu pai e de meu querido irmão. Foi assim que vi Djalma Maranhão pela última vez.</p>
<p>Só falava em Natal; sentia-se nele a saudade do solo querido. Contou-nos muitas de suas peripécias após a prisão em Natal, a caminho do exílio. Que figura interessante e carismática, o Djalma! Um ano depois, voltava a Natal, não mais para retomar as suas atividades políticas que era a razão de ser de toda a sua história. Chegava morto e aplaudido pelo povo, com gritos de alegria e de lágrimas, ele que fora o maior prefeito de Natal de todos os tempos, o verdadeiro prefeito do povo!</p>
<p>Djalma era um político raro nos dias de hoje, uma espécie em extinção. Sentia Natal e o seu povo; confundia-se com ele, e a sua popularidade não era uma popularidade fabricada pela mídia, era natural, fruto da sua empatia com a gente potiguar. Tinha aquele que os franceses chamam de rapport, uma ligação afetiva que se estabelecia num primeiro momento com as massas. </p>
<p>Djalma merecia ser mais bem lembrado em Natal. O muito que se fizer em sua homenagem, é pouco pelo que para nós representou como líder e administrador. Revolucionou mesmo a administração da cidade. Foi, com Aluizio Alves, o exemplo maior, infelizmente não continuado, de excelência administrativa aliada a um idealismo sem par. Considero-me um privilegiado em ter com ele privado da sua convivência, do seu sonho de ser o redentor de sua terra. Grande Djalma, figura marcante, Dom Quixote mesmo, condestável de seu tempo em Natal! Salve!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/18/27559/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>40 ANOS DE RODA VIVA</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/17/40-anos-de-roda-viva/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/17/40-anos-de-roda-viva/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 May 2012 14:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Santo Ofício]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27555</guid>
		<description><![CDATA[Por Franklin Jorge Amigos e colegas de Cassiano Arruda Câmara cumprimentam-no pelos quarenta anos de Roda Viva, coluna que contém a alma e a política de Natal. Será às 9 horas no Novo Jornal, sua magna criação, praticando um jornalismo leve, como diria o Cardeal das Letras, Villaça. Moderno. sugestivo. Cassiano merece todas as honras. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Franklin Jorge<br />
</strong><br />
Amigos e colegas de Cassiano Arruda Câmara cumprimentam-no pelos quarenta anos de Roda Viva, coluna que contém a alma e a política de Natal. Será às 9 horas no Novo Jornal, sua magna criação, praticando um jornalismo leve, como diria o Cardeal das Letras, Villaça. Moderno. sugestivo. </p>
<p>Cassiano merece todas as honras. Sobretudo por seu empreendedorismo que nos deu um jornal que caiu no gosto do leitor.</p>
<p>Tive a honra de, mais uma vez, trabalhar com Cassiano, participando dos primeiros meses de vida do seu jornal novo em tudo. No conceito e na meta.</p>
<p>Os 40 anos de um colunismo antenado com o Rio Grande do Norte, que agora se comemora, dá a medida da argúcia do repórter que, como as moscas, tem a visão multifacetada. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/17/40-anos-de-roda-viva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E-MAIL RECUPERADO</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/e-mail-recuperado/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/e-mail-recuperado/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:41:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Santo Ofício]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27551</guid>
		<description><![CDATA[Por Franklin Jorge Na última segunda-feira tive problemas com o meu e-mail franklinjorge@yahoo.com.br, que ficou inacessível até esta quarta-feira. Perdi minha agenda e algumas pastas, entre as quais, a de escritores baianos, cearenses, pernambucanos, goianos, fluminenses, mineiros, gaúchos, paraibanos etc, sobre os quais trabalhava, até recentemente, em projeto de consolidação dos livros (ainda inéditos) que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Franklin Jorge</strong></p>
<p>Na última segunda-feira tive problemas com o meu e-mail franklinjorge@yahoo.com.br, que ficou inacessível até esta quarta-feira.</p>
<p>Perdi minha agenda e algumas pastas, entre as quais, a de escritores baianos, cearenses, pernambucanos, goianos, fluminenses, mineiros, gaúchos, paraibanos etc, sobre os quais trabalhava, até recentemente, em projeto de consolidação dos livros (ainda inéditos) que escrevi sobre a cultura desses territórios.</p>
<p>Rogo a todos que me enviem cópias das informações que gentilmente me prestaram.</p>
<p>A todos, meus agradecimentos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/e-mail-recuperado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>PARAFUSO GERAL</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/parafuso-geral/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/parafuso-geral/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:10:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Babélia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27546</guid>
		<description><![CDATA[Por Carlos Lúcio Gontijo Normalmente, nossos folclores político, literário e musical acabam por nos mostrar a face psicológica e cultural da sociedade. Há no povo brasileiro uma forte determinação de driblar as leis. Até aqueles que têm o comando da economia e do capital nacional se acercam de assessores para estudar possíveis brechas, então chamadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Carlos Lúcio Gontijo </strong></p>
<p>Normalmente, nossos folclores político, literário e musical acabam por nos mostrar a face psicológica e cultural da sociedade. Há no povo brasileiro uma forte determinação de driblar as leis. Até aqueles que têm o comando da economia e do capital nacional se acercam de assessores para estudar possíveis brechas, então chamadas legais, a fim de se beneficiar em seus negócios.</p>
<p>Há anos, assistimos ao governo brasileiro se utilizando das medidas provisórias, admitidas pela Constituição em caso de relevância e urgência. Mas, pelo visto, nunca vivemos tantas relevâncias nem tamanhas situações urgentíssimas, com o governo exagerando no uso do instrumento das medidas provisórias, visualizado por ele como tábua de salvação capaz de lhe proporcionar algum espaço de governabilidade, diante de um Congresso dividido, onde a base aliada age como se tivesse licença para fazer do fisiologismo político uma moeda de troca. Ou seja, no final das contas, o governo não pode contar nem com a oposição nem com os próprios aliados, criando a imagem surrealista em que o rabo abana o cachorro.</p>
<p>Há no folclore político mineiro um caso que bem situa nosso menosprezo, ou mesmo um inegável relacionamento de disputa com as leis. Contam que Raul Soares, à época presidente estadual de Minas Gerais (1922-1924 – morreu no exercício da função) e que foi o único civil a ocupar o cargo de ministro da Marinha no Brasil, viu-se obrigado a chamar até a capital mineira um de seus compadres, correligionário e coronel político, para uma acanhada advertência.</p>
<p>Olha compadre, dizia de forma estudada o governador, você está excedendo-se na região. Chegam-me constantes reclamações e vamos acabar usando os rigores da lei contra você, a fim de não prejudicar nossa imagem diante das pessoas e demais autoridades do Estado e do país.</p>
<p>Sem pestanejar nem vacilar, o simplório coronel do interior saiu-nos com essa pérola: “Uai, compadre Raul, usar a lei bem que você pode. Mas lei pra nós não é prego fixo na parede como você imagina na sua boa intenção de homem público. Lei pra nós é um parafuso: a gente torce pra lá, pra cá&#8230; como bem entender”. Despediu-se, foi embora e deixou Raul Soares perplexo com aquela maneira singela e até mesmo filosófica, mas irrefutável, de expor a realidade cultural e psicológica do relacionamento de nossa sociedade com as leis, sempre mais dependentes do senso comum (e moral) dos cidadãos que da capacidade e competência do legislador.</p>
<p>Dessa verdade cultural não fogem as pessoas mais humildes, as autoridades constituídas e presidentes. Pode-se dizer que a descoberta da ilegalidade nada mais é que pôr às claras a tentativa frustrada da tradição de se procurarem lacunas nos textos legais. Não foi à toa que a nossa Constituição desceu a níveis descritivos e terminou ostentando toda aquela extensão, pois sabiam os constituintes que a nossa sociedade é mestre em sair pela tangente e ludibriar títulos, artigos, parágrafos, incisos etc.. Todavia, quando pegos com a boca na botija, em plena prática de corrupção ou do famigerado levar vantagem em tudo, posamo-nos como inimputáveis e fazemos cara de menor de idade ou simplesmente não responsáveis por nossos atos e até desconhecedores da lei que ousamos desparafusar e torcer (e distorcer) segundo o nosso inconfessável desejo.</p>
<p>.<strong>CLG </strong>é poeta, escritor e jornalista e publica aqui aos sábados e quartas-feiras<br />
 www.carlosluciogontijo.jor.br</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/16/parafuso-geral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>OS IMORAIS</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/os-imorais/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/os-imorais/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 01:04:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bandidos de toga]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27542</guid>
		<description><![CDATA[Por Tertuliano Pereira,de Parelhas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Tertuliano Pereira,de Parelhas</strong </p>
<p>O que podemos dizer aos nossos jovens, crianças e estudantes, quando perguntarem se é mesmo verdade que dois desembargadores, dirigentes do Tribunal de Justiça do nosso Estado estão agindo como ladrões vagabundos, caras de pau e formaram uma quadrilha de marginais dentro da instituição, roubando milhões de reais misturados com papeis de processos, como se fosse dinheiro escondido na cueca ?</p>
<p>Haja educação para explicar isto!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/os-imorais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>VERDADE VERSUS ANÁLISE</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/verdade-versus-analise/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/verdade-versus-analise/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 00:39:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27538</guid>
		<description><![CDATA[Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética Por Alexandre Pilati Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética</em></p>
<p>Por <strong>Alexandre Pilati</strong></p>
<p>Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos com um saudável bafejo de polêmica, embora esta não tenha nem duração e nem aprofundamento garantidos, pois, nesses tempos pra lá de pós-modernos, de pauperização encefálica da grande imprensa, polemizar a sério é algo desconectado da fruição irrestrita do “curti/não-curti”, cada vez mais arraigada nos “melhores talentos” intelectuais brasileiros. </p>
<p>De qualquer forma, a polêmica se justificou basicamente por dois motivos: 1) pela análise cerrada do ambíguo livro Verdade Tropical de Caetano Veloso e 2) pela, segundo alguns, injustificada insistência do crítico em interpretar a experiência histórica brasileira a partir de suas experiências culturais, especialmente aquelas provindas do campo da literatura, atualmente muito combalida como atividade estética de escavação do real. Se desde o título o livro de Schwarz carrega a marca do acirramento do debate, em chave dialética, não haveríamos de esperar outra coisa. Talvez esteja aí um pouco do seu mérito.</p>
<p>Para além do inquietar do Narciso pop tropical (Caetano deu entrevistas e aproveitou o espaço na mídia como sói acontecer desde a Tropicália) e dos narcisos da intelligentsia conservadora tropicaleira (que usaram a imprensa para esbravejar contra o vitupério que é um crítico literário ousar pensar sobre o país de um ângulo diferente do dos proprietários), o livro carrega o desafio de manter em dia e em boa forma o olhar dialético e prenhe de negatividade de Schwarz, após uma década ou duas que o tornaram quase um clássico da crítica literária acadêmica no Brasil. Diga-se, aliás, que nada poderia ser mais contrário à sua disposição antimetódica do que tornar-se jargão universitário. </p>
<p>Esse é um dos motivos fortes para saudarmos a obra; motivo este que, é claro, o polemismo atacanhado dos últimos dias não captou nem de longe. Martinha versus Lucrécia dá ao leitor o velho crítico adorniano, em uma prosa amadurecida nos melhores exercícios da reflexão dialética. A sintaxe está elegante, irônica e alimentada impiedosamente pelas contradições, como se fosse uma chave que se adequa aos problemas novos que se impõem. A escolha dos textos contempla tanto a crítica literária, como entrevistas e “textos de intervenção” (prefácios, saudações, arguições). O painel é vário, mas a sua força está na unidade de disposição, que poderíamos resumir recorrendo a um meio de parágrafo do autor, em que se trata da tomada de partido histórica na análise da forma estética, a qual “seria um princípio ordenador individual, que tanto regula um universo imaginário como um aspecto da realidade exterior”.</p>
<p>No que se refere à crítica especificamente literária, o volume nos reconcilia com velhas “ideias fixas do crítico”, por meio da leitura de Machado de Assis em tratamento adensado noutro plano, pois que armado para o debate literário cosmopolita, como nos ensaios “Leituras em competição” e “A viravolta machadiana”. É basilar nesses dois textos a disposição para debater internacionalmente sobre a validade da obra machadiana, tentando fazer ver, em que medida radicalmente política, “os rearranjos em matéria e forma operados por Machado faziam que um universo ficcional modesto e de segunda mão subisse à complexidade da arte contemporânea mais avançada”. Com esses dois textos, Schwarz revisa Machado para o leitor de fora, escarafunchando um pouco os motivos falsos e frágeis de sua bela e recente aceitação no exterior. Mas revisando-o para o leitor estrangeiro, o crítico acaba por revisá-lo também para o leitor brasileiro, às vezes estranho ao Brasil, de tão emaranhado que está na mais nova moda crítica exógena.</p>
<p>É, todavia, o conjunto de textos que se segue à entrevista “Sobre Adorno” que esconde o detonador da polêmica que cercou saudação do livro. São três textos sobre literatura brasileira contemporânea, entre os quais o violento ensaio inédito sobre Verdade tropical. Por si só, o texto sobre o narrador volúvel de Caetano vale o ingresso e se sustenta sozinho. Contudo, bem pensado o seu lugar na economia do livro, ele funciona bem melhor quando se leem os dois ensaios que lhe fazem fila. Seria um despropósito pensar que os ensaios sobre O elefante, de Chico Alvim (“Um minimalismo enorme”), e sobre Leite derramado, de Chico Buarque (“Cetim laranja sobre fundo escuro”), estão colocados em sequencia como complementos críticos da análise sobre Verdade tropical? Creio que não, se pensarmos que nesses dois Chicos, Alvim e Buarque, paradigmas de um realismo vigente e furioso na literatura brasileira contemporânea, encontra-se uma correção em acorde negativo da mimese do contemporâneo diagnosticada por Schwarz na forma narrativa de Caetano. Se, no narrador deste, a posição de privilégio de classe atua em favor de uma postura narrativa que mescla diretrizes contrárias, em prejuízo da pesquisa estética das contradições da experiência (ou da verdade) tropical, naqueles, segundo o crítico, esta mesma posição se remonta, para ouvir e rearranjar, em ritmo derrisório e desencantado, as contradições brasileiras. Tudo engendrado a partir de uma perspectiva literária capaz de fender o sorriso ignóbil da farsa proprietária, tornando-o irremediavelmente escandaloso no país miserável do século XXI. Diria Chico Alvim: “Quer ver/ escuta”.</p>
<p>Com isso, estão ligadas “as duas pontas do novelo”: Machado e as letras do Brasil contemporâneo. A análise de Schwarz acerca do fenômeno machadiano baseia-se fortemente na capacidade que a viravolta formal dos romances de segunda-fase apresenta de dramatizar as contradições da perspectiva proprietária da história brasileira (e todas as suas implicações que tanto conhecemos intimamente). Não é difícil aproximar as leituras de Verdade tropical, O elefante e Leite derramado pois elas são faces da tendência do crítico a analisar a comédia de classes no Brasil a partir da equação literária da voz narrativa ou lírica dos protagonistas. Em Caetano, temos o bom e velho narrador conciliador, desejoso de ativar as potências e riquezas que jazem no Brasil atrasado, desde que isso não implique em democratização e socialização da cultura, pois seu ponto de vista dúbio caminha sempre a depender do sucesso de instauração de mecanismos intensificadores da indústria do espetáculo em terra periférica. De defensor da liberdade individual destinado a contar uma verdade (tropical?) a porta-voz refinado do neoliberalismo (é bom lembrar que o livro é de 1997) e da regressão artística, apresentada sempre em chave cínica de avanço e emancipação da arte tornada artigo pop: eis uma possível interpretação do caminho do narrador de Verdade tropical na perspectiva de Schwarz. O trocadilho é infame, mas irresistível – a verdade tropical é no fundo a verdade do-capital. Embora seja cáustico, não deixa de ser revelador da experiência brasileira pós-golpe. Assim se dá também no caso de Alvim e Buarque. Entretanto, as formas literárias aqui estão fazendo pouco do refinamento intelectual da nossa elite e reagindo à miséria periférica (aparatada com pseudomodernização), tornando problemáticas as próprias possibilidades de representação da história universal sob os mecanismos miméticos que essa mesma história legitimou e consolidou ao longo da formação brasileira. Sem verdade disponível, pois que ela está apropriada pelos impropérios da classe dominante, Buarque e Alvim buscam um mínimo, que no caso é enorme: como representar o irremediável da modernização à brasileira.</p>
<p>Monta-se assim o poliedro do duro problema da leitura do país a partir da literatura e vice-versa, com o selo da crítica dialética, comprometida com a materialidade das formas e da história, malgrado o pouco apreço de algumas “estrelas-alfa” (Bandeira em “Nova poética”) da nossa crítica. No ritmo da arenga criada por sua vinda a lume, a verdade dos proprietários literatizada vis-à-vis a análise da cultura brasileira interessada no conflito de classes, Martinha versus Lucrécia deve ser acolhido como ponto a favor desta; e com júbilo, por reativar, em diversos campos, algumas pulsões obscuras latentes no tropicalíssimo “legado de nossa miséria”.</p>
<p>.<strong>AP</strong> é professor de literatura brasileira da Universidade de Brasília, autor, entre outros, de A nação drummondiana (7Letras, 2009).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/verdade-versus-analise/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/27533/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/27533/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 May 2012 23:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Evento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27533</guid>
		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.osantooficio.com/wp-content/uploads/2012/05/image0013.jpg"><img src="http://www.osantooficio.com/wp-content/uploads/2012/05/image0013.jpg" alt="" title="image001(3)" width="531" height="756" class="aligncenter size-full wp-image-27536" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/27533/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A ROSA NA RODA</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/a-rosa-na-roda/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/a-rosa-na-roda/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 May 2012 22:47:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Babélia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27529</guid>
		<description><![CDATA[Por Stella Galvão A Rosa anda onipresente. Desde que assumiu, está na boca dos potiguares conectados, gente que lê habitualmente blogs editados por jornalistas de toda espécie, e que usa as redes sociais. Na noite do domingo das mães, ao embarcar de volta à terra natalis no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, fiquei pasma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Stella Galvão</strong></p>
<p>A Rosa anda onipresente.  Desde que assumiu, está na boca dos potiguares conectados, gente que lê habitualmente blogs editados por jornalistas de toda espécie, e que usa as redes sociais. Na noite do domingo das mães, ao embarcar de volta à terra natalis no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, fiquei  pasma com a constância da presença de tal personagem, inclusive fora do noticiário, ao topar com ao menos duas sósias da governadora eleita do RN. A primeira era tão idêntica à detentora do cargo que quase fiz uma mesura para cumprimentá-la. Os óculos e o cabelo cortado curto, escovado e penteado para um lado, certa complacência no olhar e um sorriso aberto em face de um grupo de pessoas, o que termina por expor uma dentição frontal ligeiramente saliente. Estas as características comuns. </p>
<p>Mas, naturalmente, todas aquelas mulheres se diriam pseudo rosas, ou se diriam rosas no sentido mais literal, sem o apelo do preâmbulo do nome próprio. Elas, claro, não protagonizaram a chamada batalha das rosas. Aquele episódio protagonizado, ao redor do Dia do Trabalho e via Twitter, por partidários e críticos ou desafetos do esquema político que elegeu a titular do governo. </p>
<p>Os contendores dedicaram-se a enaltecer a própria capacidade de levar o sim ou não à titular do cargo para o topo dos assuntos mais comentados. Inclusive mundialmente, ainda que por breves instantes. Uma sandice eletrônica que não alterou nem um milímetro, por exemplo, a situação de crônica penúria do Hospital Walfredo Gurgel, palco de um número de mortes no pronto socorro digno de um conflito em área conturbada no Oriente Médio. Por obra da batalha das rosas, no entanto, nenhum pacote de gaze ou um lote de seringa descartável foi acrescido ao estoque precário.</p>
<p>O episódio também rendeu desdobramentos práticos, ao menos para a dança das cadeiras, como a queda do secretário da Saúde e do responsável pela área de Comunicação do governo. No ar, ficaram as suspeitas de incúria e dificuldade para enfrentamento de crises institucionais. Uma culpa certamente a ser partilhada com o corpus do poder estadual.  </p>
<p>Este é, aliás, outro aspecto do destaque sistemático obtido pela Rosa, cuja trajetória política em cargo executivo sugere que ela bebeu em algum momento uma porção que lhe confere invisibilidade. Culpam-lhe por ceder o poder ao marido, cujo papel nos governos daquela que desposou lhe conferiu a alcunha de Ravengar. Para os que desconhecem semelhante personagem, é uma mistura de bruxo, médico, astrólogo e hipnotizador, com influência sem limites na Corte, visto nas telas na novela  &#8220;Que Rei Sou Eu?&#8221;, de 1989, que será agora reexibida pelo canal Viva (TV por assinatura). Ravengar, que deitava e rolava nas hostes do poder. Era quem mandava, realmente. Todos o temiam. </p>
<p>O marido da governadora é o mais assíduo cônjuge de mandatário de poder, na atualidade, a frequentar os gabinetes de Brasília, segundo registros do noticiário político da capital federal.  Lá, há não muito tempo, diante do casal, o presidente recém-empossado da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marín, dirigiu-se à governadora, saudando-a como primeira dama. Nesse momento terão os estômagos dele e dela revirado por razões antagônicas? Ele intimamente exultante pelo reconhecimento público dos esforços para gerir o Estado que a esposa abocanhou nas urnas, esta envergonhada pela exposição de um fato já cantado em verso e prosa. Às favas, ou melhor, às pesquisas.</p>
<p>Pois não é que pouco mais de um ano de gestão assim compartilhada, conforme se ouve e lê amiúde, a Rosa foi tremendamente reprovada em pesquisa realizada pela Consult, sob encomenda de intituição privada? Reprovação que conseguiu o feito de superar os históricos índices negativos da alcaide Borboleta. A aproximação de ambas nesse quesito faz sentido inclusive se recorrermos aos apelidos que as identificam. A borboleta, afinal, se acerca das flores, rosas incluídas, até por questões de equilíbrio do ecossistema. Uma espécie animal contagiando um vegetal e vice-versa.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/a-rosa-na-roda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>DE MEDALHAS, DITADORES E SAMBISTAS</title>
		<link>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/de-medalhas-ditadores-e-sambistas/</link>
		<comments>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/de-medalhas-ditadores-e-sambistas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 May 2012 19:55:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Santo Ofício</dc:creator>
				<category><![CDATA[Babélia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.osantooficio.com/?p=27525</guid>
		<description><![CDATA[Por Carlos Lúcio Gontijo Já confessei em meus artigos que fico surpreso com a quantidade de medalhas e diplomas que são distribuídos Brasil afora, gerando uma situação antagônica com tudo o que nos rodeia, onde a realidade cobra a presença de homens (e mulheres) capazes de imprimir trabalho administrativo dinâmico, progressista e sem a nódoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Carlos Lúcio Gontijo<br />
</strong><br />
Já confessei em meus artigos que fico surpreso com a quantidade de medalhas e diplomas que são distribuídos Brasil afora, gerando uma situação antagônica com tudo o que nos rodeia, onde a realidade cobra a presença de homens (e mulheres) capazes de imprimir trabalho administrativo dinâmico, progressista e sem a nódoa da corrupção e dos famosos 10/15% da famigerada propina, da qual se origina a simplista propagação do inaceitável “rouba, mas faz”.</p>
<p>Vivemos em tempo de democracia ajardinada por contornos ditatoriais, onde a intolerância, o preconceito e o ranço de autoritarismo podem ser detectados em praticamente todos os setores. Na política, por exemplo, as urnas do sufrágio eleitoral têm ungido administrações antidemocráticas e fechadas ao diálogo com a população, que ainda é vista como mera massa de manobra durante os períodos de eleição.</p>
<p>Não fosse assim, o governo mineiro não conviveria impassível com uma greve de professores estaduais dos ensinos fundamental e médio iniciada no dia 9 de junho de 2011. E, com toda a certeza, o governador do Ceará, Cid Gomes, irritado com o pedido de aumento de salário por parte dos professores de seu Estado, não cometeria o ousado desplante de dizer que “quem quer dar aula, faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”.</p>
<p>Entretanto, a bem da verdade, a aversão ao diálogo não reside apenas nos poderes de comando do país, pois a própria sociedade se encontra metida no exercício do gosto pelo “prendo e arrebento”, principalmente se o preso e o arrebentado for o outro, que se dane o próximo! Em busca de tal constatação, basta passarmos pelos blogs e sites postados na internet, nos quais o que impera é a opinião radical de uma nota só, impedindo a existência de qualquer contraponto e contracanto. A nação se acha sob o signo do monólogo, para o qual contribuem até os grandes veículos de comunicação, que há muito abandonaram o princípio da isenção ou de pelo menos alguma demonstração de imparcialidade, optando por fazer dos fatos uma espécie de matéria-prima para desenvolver a edição de notícias com versões segundo os seus interesses econômicos e políticos sempre superiores aos da própria população, que espera algum dia ser homenageada com uma imprensa de verdade e voltada à constituição de uma nação menos injusta e mais determinada a formar cidadãos devidamente instrumentalizados e, portanto, mais capazes de cuidarem de si mesmos.</p>
<p>Como estamos distantes de alcançar o desejado patamar socioeconômico, coloco-me indignado perante o grande número de autoridades condecoradas e premiadas. Em solenidades como a da Inconfidência Mineira, é enorme o número de medalhas “cunhadas” e, quando qualquer figura do mundo político parte dessa vida, os necrológios se nos apresentam embebidos em elogios desmedidos e endeusamentos descabidos, propensos a uma quase canonização, fenômenos que me levam a não entender o porquê de socialmente nos engatinharmos desde o desembarque de Cabral em solo brasileiro.<br />
Dito isso, a fim de quebrar o ambiente de amargor gráfico, recorro a duas histórias do mundo do samba: uma envolvendo Paulinho da Viola e a outra o também sambista Nelson Cavaquinho, mas que, no entanto, tiveram o mesmo desfecho. Ou seja, terminaram em samba e homenagem. Contam que Zé Keti e Helton Medeiros conheceram Paulinho da Viola ainda muito jovem e trabalhando como bancário. </p>
<p>Impressionados com o talento de Paulinho resolveram tramar contra a sua permanência como funcionário de banco. Decididos, eles iam todos os dias para a porta da agência bancária e ficavam gritando aos berros: “Vamos, Paulinho, sai daí. Isso não é serviço nem lugar para você!” E tanto atazanaram que o promissor sambista acabou demitido, para a sorte da música popular brasileira.</p>
<p>Mais ou menos a mesma coisa se deu com Nelson Cavaquinho, que era soldado do Batalhão de Cavalaria da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Certa feita, quando fazia habitual ronda policial pelas ruas cariocas, parou em aprazível boteco onde um grupo de conhecidos jogava baralho. Amarrou seu cavalo no tronco de uma árvore e se entregou às cartas. Já era tarde quando notou que o cavalo se havia soltado. Despediu-se apressadamente dos parceiros de jogatina e tomou a direção do quartel, ao qual o cavalo chegara primeiro, sem o relapso soldado cavaleiro à sela.</p>
<p>Em ambos os casos, os personagens foram demitidos. Mais tarde, experimentando as glórias da fama e do prestígio (cada um ao seu tempo) foram espontânea e merecidamente homenageados: Paulinho da Viola pelo banco; e Nelson Cavaquinho pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, logicamente não pelos bons serviços prestados à instituição, mas pela excelência do artesanato que teceu com a sonora crina do alazão dos acordes musicais.</p>
<p>.<strong>CLG</strong> é poeta, escritor e jornalista<br />
www.carlosluciogontijo.jor.br</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.osantooficio.com/2012/05/14/de-medalhas-ditadores-e-sambistas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

