EM MAXARANGUAPE

Por O Santo Ofício | 28 fevereiro, 2012

Por Franklin Jorge

Estou voltando de Maxaranguape, o vale das cobras [v. Cascudo], onde passei o fim de semana na barra, a foz no Atlântico.

Os leitores que honram este espaço e ás vezes se comunicam através de comentários e opiniões, hão de notar que tenho deambulado pela terra norte-riograndense e intentado cronicar sobre a história e os costumes, parafraseando Chisquito, Francisco Augusto Caldas de Amorim, um dos numes tutelares da cultura do Assu.

Fiquei diante do mar, lendo e escrevendo, num recanto encantado perto do Farol, um lugar próximo da Ponta Gorda], com Aldorisse e a sra. Celi, nossa anfitriã. Depois juntou-se Márcia ao grupo.

Porém, como não há virtude sem porém, a pouca distancia dali, daquele paraíso sobre o mar sempre recomeçado, um fato que degrada o meio ambiente e deixa a cidadania indignada – a prefeita de Maxaranguape transformou o mar em cagadouro da cidade, despejando na praia resíduos indesejáveis.

A cidade tornou oficial e rotineira a construção e manutenção de esgotos a céu aberto.

Os detritos navegam em canaletas cimentadas ao longo do meio-fio. Tem sorte a prefeita de não estar na mira do IBAMA…

Maxaranguape, é uma área urbana que se adensa e requer ações que parecem não fazer parte das preocupações e obrigações da administração municipal.

Distritos importantes como a praia de Caraúbas – onde estive recentemente – não tem nenhuma infra-estrutura; considerando-se a população da vila, que tem uma bela capela construída em 1910 e uma praça surrealista, inteira e totalmente fora dos padrões de respeito á norma e aos códigos de postura.

Cheia de patamares e sem rampas de acesso, faz-se necessário um excelente preparo físico para ousar desfrutar os riscos e abismos desse equipamento urbano disfuncional. Não tem nenhuma serventia. Como em Natal, sob os saltos altos de Micarla de Souza, a prefeita de Maxaranguape não cuida da orla nem se movimento em socorro da praia que se desmancha ao embate das marés. Também, como Micarla, não considera a potencialidade turística do lugar nem investe em obras estruturais necessárias. O cemitério e o centro de velório municipal seriam uma dessas obras. A cidade carece de arborização e de praças.

O mar está avançando famelicamente sobre a orla de Maxaranguape, tem comido alguns imóveis e colocado muitos outros em situações de risco. Várias casas, na praia, estão abandonadas ou expostas á venda. Poucos veranistas.

Toponímia: Boixunumguape. Nome antigo do rio e vale do Maxaranguape, sua grafia inicial. De mboi-cinung-gua-pe, no vale ou na baixa da cascavel. [Luís da Cãmara Cascudo, "Nomes da Terra".]

ESCRITO DEPOIS: Eliminei do texto acima parágrafo sobre a falta de ambulancia na praia de Caraúbas; equivoquei-me. Tem, de plantão. Tem também distribuição de medicamentos. Peço desculpas ao leitor. [FJ.]


3 Comentários

Tacima on 28 de fevereiro de 2012 at 10:11.

Só assim eu lia uma coisa interessante sobre Maxaranguape.

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Francisco oliveira on 17 de abril de 2012 at 11:57.

Gostei muito do quê pude ver nesse caso obrigado…
Já´morrei ai em Dom Marcolino. Valeu…

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Michelly on 19 de abril de 2012 at 1:59.

Sou leitora de Franklin e acompanho seus escritos sobre o povo humilde e os lugares que visita. Uma vez assisti no campus central da Uern, aqui em Mossoró, ele falando sobre jornalismo. Meu avô era seu admirador e guardava numa pasta seus artigos.

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