PÃO E CIRCO

Por O Santo Ofício | 25 fevereiro, 2012

Por Nathália Boavista – Pedagoga

A política do pão e circo criada pelos antigos romanos, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o intuito de reduzir os índices de insatisfação popular contra a ação dos governantes, parece estar mais atual do que se imagina. O pão, na atualidade, é distribuído pelo Governo Federal, através do programa Bolsa Família, enquanto o circo fica a critério da criatividade de cada governante em seu Estado ou Município.

No município de Natal, por exemplo, a prefeita Micarla de Sousa que se encontrava viajando durante o Carnaval, deu mostras de que pode ser muito mais criativa do que possa imaginar a nossa vã filosofia. Quem passou o Carnaval/2012 na Capital Potiguar, testemunhou o esmero com o qual a Prefeitura Municipal utilizou os recursos públicos para financiar a Folia Momesca.

A prefeitura patrocinou Carnaval para todos os gostos, realizando folias em cinco pontos da Cidade do Natal: Ribeira, Alecrim, Ponta Negra, Redinha e Rocas, contando com um verdadeiro exército de pessoas trabalhando devidamente uniformizado, para servir bem ao folião. Cada um dos blocos, troças ou aglomerado de foliões recebeu atenção especial da prefeitura, que além de contratar a bandinha, não economizou na distribuição de água mineral, refrigerantes e sanduíches.

Nada contra o Carnaval e foliões. Contudo, chama a atenção o fato de a Prefeitura Municipal da Cidade do Natal dispor de recursos para financiar o reinado de Momo, quando os professores da Rede Municipal de Ensino ameaçam iniciar o ano letivo com uma greve motivada pelo descaso ao qual a Educação vive relegada.

Também chama a atenção, todo o aparato policial que o Estado disponibilizou para a segurança dos foliões, quando se esquece de dar segurança ao cidadão potiguar. Impossível contar o número de policiais destacados para guarnecer os foliões da Redinha, por exemplo, onde havia policiais a cavalo, em motocicletas e a pé.

Ora, se o Estado pode disponibilizar um contingente considerável de policiais para proteger foliões que exageraram na ingestão de álcool, por que não disponibiliza esses mesmos policiais para dar segurança ao trabalhador, a quem cabe a responsabilidade de pagar o salário desses servidores públicos? Afinal, a insegurança que impera na Capital Potiguar vem atingindo índices alarmantes, a ponto de termos um transporte coletivo assaltado por dia.

O circo armado pela Prefeitura do Natal parece ter um poder embriagador, de forma que a população acaba deixando de perceber alguns detalhes, como a iluminação que foi reforçada para o Reinado de Momo. Em cada um dos locais escolhidos como pólo de folia, a prefeitura teve o cuidado de colocar uma iluminação especial, com o objetivo de dar maior visibilidade e segurança ao folião.

Enquanto isso, a Cidade possui uma infinidade de ruas sem iluminação, colocando em risco a vida do cidadão pagador de impostos. No Conjunto Pirangi, vários pontos comerciais fecharam mais cedo durante o Carnaval, por causa da falta de iluminação em uma de suas praças. A escuridão que impera nas ruas e praças da Cidade facilita o consumo de drogas, bem como a ação de bandidos que assaltam e estupram pessoas, sem causar qualquer tipo de preocupação aos governantes.

É revoltante ver que o contribuinte potiguar faz a sua parte pagando os impostos que lhe são cobrados, e ver que esse valor não é revertido nos benefícios aos quais ele tem direito. Atrás de cada bloco ou troça, a prefeitura colocou um veículo com um amarelinho para dar segurança ao percurso do folião. Aliás, amarelinho foi justamente o que não faltou nesse Carnaval. Eles, porém, jamais aparecem nos congestionamentos formados quando há um semáforo desligado.


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