O DISCURSO DO RIDÍCULO
Por O Santo Ofício | 10 outubro, 2011
Transcrito do NOVO JORNAL [Natal, 9 de Outubro de 2011]
Por Franklin Jorge
m Touros, diante do mar imemorial e bafejado por uma brisa benigna, reli o discurso de renúncia do ex-prefeito de Luís Gomes. Dedezinho Fernandes renunciou na última sexta-feira em carta lida na Câmara Municipal pelo secretário de Educação.
Quis os céus que eu a relesse sob o terraço da atriz Socorro de Figueiredo, sua conterrânea e insuperável e perpétua marqueteira de sua terra natal, há muito transplantada para Carnaubinha, sob os céus que viram nascer o Brasil aqui, segundo a tese de alguns pesquisadores que reinterpretam a História, dotando-lhe de variantes.
Vale transcrever a tíitulo de aperitivo uma pungente declaração de Dedezinho, que Glória Magadan teria gostado de escrever, a que não falta sequer a grandiloquente retórica: “Digo um grande não a tudo isto em nome de minha dignidade e em nome do que resta dos bons sentimentos em minha mãe Julita e em meu pai”.
Carlos José Fernandes, o Dedezinho que renuncia um ano antes das eleições, com o seu incipiente discurso provocou coceiras na inteligência de seus conterrâneos. Entendemos – todos nós que não somos parvos e conhecemos de velhos tempos a cidade e o povo de Luís Gomes – que quis dizer o ex-prefeito que me parece inteiramente descompensado.
Se não for, que responda a questão proposta por Socorro sobre a matéria que ocupou blogues e jornais em seus cinco minutos de fama. A única coisa que desabonaria a imagem fantástica de Primo Fernandes, Condotieri dos destinos da cidade e do povo – como administrador de pouco tempo e larga visão, segundo alguns, expandindo a malha viária, com uma estrada que nascida no Sossego, ladeava a Casa de Pólvora datada do Império – da qual restam apenas algumas poucas ruínas, aproximando a fronteira com São Miguel. Bom amigo, bom dançarino, bom papo, bom comerciante, enfim – como reitera a atriz – um tipo humano especial.
A questão, aliás, vai mais além do que se pode supor numa leitura apressada. Socorro indaga e quer saber, fiando-se na circunstância de termos estado recentemente na aprazível cidadela surgida à sombra de sítios ensombrados e frescos sob um céu luminoso, algumas centenas de metros acima do mar.
Já fazia parte do plano de renúncia de Dedezinho deixar as ruas de Luís Gomes sujas e seus jardins abandonados, como vimos todos durante as comemorações do Mês de Sant´Ana que rege a alma do lugar? Dedezinho já dera assim os sinais incontestáveis de que já estava resolvido a consagrar esse repúdio à confiança dos luisgomenses, traindo o mandato com a sua omissão e inércia gerencial?
Sempre voltando de vez em quando a Luís Gomes, poucas vezes vimos cidade tão descurada; abandonada pelo prefeito, sempre em crise e prestes a enfrentar a falta d´água. Dedezinho foi imperito e se mostrou incapaz de administrar crises. Tirou o seu da seringa e ainda recorreu aos seus Lares para absolvê-lo dessa “traição” que outros acham oportunista e interesseira. Dedezinho estaria de olho no cargo de prefeito de Major Sales, de onde terá sido um bom prefeito.
Perdeu o fôlego administrativo ao subir a serra para eleger-se o primeiro prefeito de Luís Gomes a renunciar. E ainda mais dessa maneira ridícula. Com um discurso desconchavado, sem argumento, exageradamente abusivo, imperdoavelmente simplório.
SINAL DOS TEMPOS
Sexta-feira, na Cidade Alta, trombei com o ex-vereador Marlindo Pompeu que se fez mais notório não como político, “afilhado” da ex-governadora Wilma de Faria. Por falta de assunto, ao ser abraçado por seu cumprimento sempre efusivo, perguntei-lhe pela “Madrinha”, que noticias tinha dela? Sua resposta, saída em cima da bucha, surpreendeu-me e deixou-me sem ação. “Não tem quem aguente aquela mulher!” Confesso que fiquei pasmo e até pensei estar precisando de consultar um especialista, um otorrino juramentado. “Todos abandonaram ela!”
Se Pompeu diz… Principalmente esse Pompeu que é um dos donatários do Conjunto Pirangi, beneficiado por Wilma de Faria enquanto governadora do estado do Rio Grande do Norte, com uma “pensão especial” de dez salários mínimos. Teria sido um de seus últimos atos oficiais no governo. Quem sou eu, quem somos nós para colocarmos em descrédito áulico tão bem remunerado pela “Madrinha” má?




12 Comentários
Elves Alves on 11 de outubro de 2011 at 9:31.
Dizem que o velho Pompa é um tipo “alvoroçado”, mas na verdade é tudo puro cálculo dele. Não foi à toa que sua “Madrinha” contemplou-o com pensão especial vitalícia de 10 salários mínimos por mês…
Interlocutor privilegiado e onipresente nos bastidores e alcovas do poder, ele sabe como ninguém tudo quanto se passava por lá, das prosaicas puladas de cerca aos esquemas tenebrosos dignos da lupa da Polícia Federal.
Tido e havido por muitos como verdadeiro “bobo da corte”, Pompeu desempenhou magnificamente o seu papel, o que nos restou provado com o ato oficial de sua “Madrinha”. Já de nós, pobres contribuintes e incautos eleitores, não podemos dizer o mesmo.
Robson Botelho on 2 de fevereiro de 2012 at 0:06.
Franklin Jorge, ninguém sabe quem és, de onde vens ( se viste ) e para onde vais ( se fores ). Malgrado não conhecê-lo, nem tampouco deter tal pretensão, mas cabe aqui tecer algumas considerações acerca do texto esposado acima. Preliminarmente, as suas frases estão completamente dispersas no contexto, soa como devaneio, como se um andróide alucinado pousasse em terra firme e desenfreadamente vomitasse expressões de língua completamente desconhecida, fazendo com que somente ele as entendesse e sofrera muito por não haver nenhum tradutor ou intérprete para decifrar o seu esquisito vocábulo. Como é penoso assistir a um texto sem nexo causal, sem conhecimento de causa e sem um mínimo interpretativo coeso e coerente. Tão quão ser deselegante e covarde em aferir conotações do que não se conhece, os seres minimamente razoáveis, chamam a esse tipo de IGNORÂNCIA. Nesse tocante, percebe-se a distância entre a data do seu inepto texto e a RENÚNCIA, que, pasme, é um direito Constitucionalmente consolidado, amparado pela Carta Maior e a Codificação Eleitoral. Ninguém é obrigado a exercer nenhum cargo contra a sua própria vontade, a Lei coíbe qualquer tipo de coação, isso é inerente a Ditadura, nós vivemos num Estado Democrático de Direito. “Dedé”, nunca incorreu em nenhum crime em sua vida pública, nenhum trânsito em julgado, os portais de transparência estão aí, em consultas ao Egrégio TCE ou TCU, poderias constatar tal fato. No caso do respeitável, decente e elegante Primo Fernandes, quem o desonrou foi exatamente foram o(s) seu(s) parente(s), descendente de 1º grau, na linha vertical. “Dedé”, é sinônimo de HONRA, de CARÁTER, homem de PALAVRA e que cumpriu e cumpre os mandamentos da pessoa humana, se é que você ( F. Jorge ), as conhece ou tenha como princípios básicos. Acho difícil, pois a sua pessoa tem caracteres próprios dos COVARDES, além disso, profundo ignorante que envergonha a qualquer leitor, mostrando a banalização dos conteúdos postados na internet. Além de fraco, você é muito mal informado.
Cândido Sampaio on 2 de fevereiro de 2012 at 14:51.
Não costumais ler jornais, cara pálida? Por ignorais quem mais seja o jornalista Franklin Jorge, é por que nesses últimos 30 0u 40 anos ficastes isolado, perdido nos grotões de Luiz Gomes!
Também vosso artigo não tem nexo causal. Vossa sapientíssima pessoa não juntou coisa-com-coisa, só queria agredir mesmo. Sem argumento, perdeu o seu tempo. E para quem não saberia nada de Luiz Gomes, não lhe parece que foi dito tudo sobre esse desmiolado que acabou com a bela cidade serrana?
Robson Botelho on 2 de fevereiro de 2012 at 16:04.
É, realmente chega-se a conclusão que, de fato, a sua pessoa ( F. Jorge ) é acometido de deficiência mental ou tem o discernimento reduzido para a prática dos atos civis, de encontro a tais preceitos, deparamo-nos com a literal dicção do artigo 3º, II, do Código Civil Brasileiro e com escopo neste dispositivo, os ditos comportamentos inatos a vossa pessoa ( F. Jorge ), referem-se e refletem os ABSOLUTAMENTE INCAPAZES. Porque o homem médio, gozando de plena saúde mental, jamais falaria tais barbáries. Como diria o Eminente Min. Gilmar Mendes em suas averbações televisivas : “Estamos cada vez mais vulneráveis à insinuações caluniosas, principalmente na internet, são os denominados ANALFABETOS FUNCIONAIS”!
Sampaio on 2 de fevereiro de 2012 at 16:58.
Agora vou defender FJ, mesmo ele não precisando disto: tudo foi dito. O Dedezinho é incompetente mesmo e renunciou porque não tinha mais como enganar o povo de Luiz Gomes.
Teobaldo Mesquita on 2 de fevereiro de 2012 at 19:32.
Dedezinho precisa achar melhor defensor de sua ingrisia a frente da prefeitura de Luis Gomes
Ranieri on 2 de fevereiro de 2012 at 20:32.
O sr. Botelho falou dificil e nao disse nada.
Sinara leal on 2 de fevereiro de 2012 at 23:19.
É impressionante o mau caratismo desse blogueiro irresponsável aí. Isso é um “analfabeto funcional” mesmo, como disse o Robson, muito bem apropriado e preciso para o ensejo. Procure se interar dos fatos, antes de falar bobagens seu burro. “Dedezinho” renunciou, pois sofria perseguição político-administrativa e ao contrário da sua colocação infeliz, ele não renunciou para se candidatar em Major Sales não, ele foi prefeito de lá já, durante 8 anos e foi muito bem avaliado pela população, de sorte que se você falasse essa besteira para um popular daquela localidade, seria radicalmente repelido, embora ele não seja candidato lá, ele é muito bem quisto. No entanto, se ele voltar se elege. Mas, para o seu governo, do alto da sua ignorância sub urbana e selvagem, caro “Franklin Jorge”( é isso mesmo?) Franklin Jorge não é? ele não será candidato não, se isso cala a sua boca suja e podre. Ele tem formação em Direito, é devidamente inscrito nos quadros da OAB e existiram e existem centenas pessoas atrás dele para ocupar suas funções político-jurídico-administrativa. Você não sabe disso, aliás, não sabe de nada, a não ser falar do que não sabe, suas fontes são péssimas. Engraçado que esse ignorante fala como se a renúncia fosse em decorrência de improbidade administrativa ou coisa do tipo, não há denúncia, nem processo, nem nenhum litígio que envolva “Dedezinho”, a sua ficha é cristalina e transparente, assim como a sua vida. Agora você seu Ignorante blogueiro, é um zé ruela e reconhecidamente BURRO perante os leitores e os blogueiros pares, que dizem que você é INCOMPETENTE. De fato, corroboro com o entendimento deles!
Renard Pérez on 3 de fevereiro de 2012 at 18:39.
O ESCRITOR DE UMA CIDADE
Renard Pérez
Um belíssimo livro, a começar pelo titulo [e subtítulo] magnificamente adequado. Franklin Jorge nos dá um retrato tão expressivo da capital do Rio Grande do Norte, um retrato tão sensível. Seu microcosmo, sua atmosfera.
“O Spleen de Natal” [--Romance de uma Cidade, vol. I, Edições Amarela, 1ª edição, 1996] tem um tom a bem dizer proustiano nessa sucessão de depoimentos de vidas de figuras deste ou daquele meio e situação social – sobretudo artistas, escritores de outras gerações, gente simples do povo, tipos pitorescos, através dos quais a cidade vais e entremostrando, se apresentando.
A “compreensão” de Natal. E a forma em que o livro é vazado: os diversificados blocos de entrevistas sem os títulos que seriam de esperar e que dão à leitura uma continuidade [assim como uma nova técnica] de romance. E que começando em Palmira e sua temática e terminando por Jorge Fernandes traz, de certo modo, sua linha e seu nível.
Não há dúvida de que era Franklin Jorge, repórter experimentado, a pessoa indicada para fazê-lo. O entrevistado, seja ele qual for, é apresentado em suas características, seu “espírito” – a linguagem captada, o detalhe do gesto, do traje. O mesmo feito em relação aos ambientes – local, interiores –, torna a obra, por este lado, altamente visual.
Depoimentos que se lêem com um sorriso, uma emoção [os desses moradores das Rocas, favela do Maruim], Redinha e outros bairros, cada figura e local escolhidos sabiamente. E a palavra certa, uma poesia contida, que sensibiliza. Tipos e assuntos que se vão sucedendo e se superpondo, e que, através do material tratado, a Natal de hoje se une a de ontem [no depoimento de veteranos, conhecedores ou participantes desse passado, com ênfase no campo cultural], dando em seu conjunto a história, a alma da cidade. Uma Natal intemporal. É o livro a que ela fazia jus.
Nada parece ser esquecido. A cidade com o seu sol, seu rio, seu mar, seu mistério. Seu folclore. Os comentários dos visitantes, ou dos que a escolheram como lugar de adoção. A mais diversificada humanidade. A presença latente de Câmara Cascudo. Pequenas jóias de humor, de filosofia, pinçadas nos respectivos meios, do cultural ao bas fond. A cidade a nu. A nata e a escória, a beleza e a sordidez apanhadas no próprio ambiente.
Em realce, os bastidores do meio artístico, da juventude de ontem e de hoje. De pintores e fotógrafos a compositores, cantores de rádio, atores. Seus depoimentos. A frase que vale uma vida: “Desde criança eu era louca para morar na cidade grande”; “Teatro é uma coisa do meu próprio eu” [Águeda Ferreira]; “Político tem sempre interesse escondido” [Raimundo Rabelo, presidente da Colônia de Maruim]; “É o meu traje a rigor que incomoda eles” [os policiais], Blecaute, 27 anos, poeta e artista plástico ambulante, suspeito por sua aparência {“produções”, como ele prefere dizer}; “Conheci Cascudo dormindo e não perdi tempo: roubei um bom livro de sua biblioteca. Afinal, eram tantos…” [Odosvaldo Portugal Neiva, jornalista e andarilho]. As admirações numa bizarra onomástica filial {de Marcelus Bob, pintor, 39 anos, potiguar]: Radharani, Augusto Cézanne, Narayama, estes bisnetos de Isabel da Transfiguração do Senhor [nome Do dia da folhinha]. Um microcosmo que extrapolando de uma cidade em si, alcança uma dimensão mágica.
O Romance de uma Cidade. O sentimento de que, em termos não ficcionais, seu autor encontrou a forma ideal para fazê-lo. E a nossa alegria de ver que esse autor é Franklin Jorge.
Prefácio da 2ª edição revista e ampliada de “O Spleen de Natal” [v. 1-3, Edufrn, Natal, 2002, esg.]
Carlos on 3 de fevereiro de 2012 at 18:56.
Se “Dedezinho” é tão competente advogado como foi prefeito de Luiz Gomes, santo Deus! Vai acabar com o Direito e desacreditar a OAB… Estive lá na ultima festa da padroeira, de passagem, e nunca vi ruas tão sujas, o povo lavando panelas usando a torneira da praça, um coisa medieval, de cidade atrasada, coisa de grotões mesmo.
Vá em frente Franklin Jorge. você tem credibilidade e o apoio dos leitores.
Sílvia Canti de Paula on 3 de fevereiro de 2012 at 21:29.
Liga não, Franklin. Pela (má) qualidade dos “defensores”, dá para a gente ter um a ideia perfeita da competência desse Dedezinho que deixou a cidade suja. São despreparados e grosseiros, indignos da sua atenção de grande jornalista e escritor.
Rodrigo on 3 de fevereiro de 2012 at 22:16.
Esse blogueiro é sem noção, IRRESPONSÁVEL!