DAS ARTES DA LEITURA

Por O Santo Ofício | 3 setembro, 2010

Transcrito do NOVO JORNAL

Por Franklin Jorge

Disse Émile Faguet em seu clássico que há uma arte de ler. Borges foi mais longe ainda ao propor-nos uma arte de reler. No entanto, os dois haveriam de concordar com o que me disse o velho Chico Batista, ao visitá-lo em sua casa nos altos do Panom, em 1994: “Ler ajuda a pensar”.

Creio que nessa afirmativa de um homem ágrafo e experiente, maior de oitenta anos, já está implícito o que antes disseram Faguet e o autor de “O Aleph”.

De fato, quem lê pensa melhor e acende sentinelas que exorcizam as trevas, dando passagem à luz e iluminando a consciência das coisas; quem lê e relê opõe-se à ignorância e cria novas perspectivas que aclaram, ampliam e aprofundam as ideias, próprias e alheias.

Há quem defina a leitura e a releitura como artes, como ficou dito acima, mas como escritor, creio que essa arte múltipla consiste antes num método e numa conquista intelectual daquela espécie de leitores que raciocinam sobre o que lê.

Como leitor simplesmente, diria ainda que se trata duma estratégia para alcançar a plenitude das obras feitas para durar. Com isto, quero afirmar que escrever é reler, ou seja, lançar sobre o papel palavras cheias de pensamento.

Ora, direis, tem razão o velho Chico Batista, mestre tão somente nas artes da agricultura e do pastoreio, que reencontrei mais de trinta anos depois do nosso último encontro, quando eu tinha apenas catorze anos. Ler (e reler) ajuda a pensar.


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