A RABEIRA HIGH-TECH*
Por O Santo Ofício | 26 agosto, 2010
Transcrito do NOVO JORNAL
Por Franklin Jorge
Está aberto à visitação pública até o próximo dia 2 mais uma edição do Salão de Arte Tecnológica, de dupla identidade pois também pode ser chamado de Salão de Artes Visuais Abraham Palatnik: um verdadeiro samba do crioulo doido?
Desculpe-me, leitor: escrevi propositadamente um parágrafo confuso para dar idéia da falta de senso dos que fazem a Fapern (ou fizeram, já que essa dupla aberração saiu da cabecinha confusa da professora aposentada Isaura Amélia Rosado, que teve a faca e o queijo na mão para acontecer, ao ocupar todos os cargos da cultura em Natal, e acabou depois de muitos anos e de muito recurso desperdiçado sem fazer absolutamente nada de relevante).
Enquanto o acervo de artes plásticas pertencente à Fundação José Augusto sofre os desgastes descorrentes da falta de cuidados técnicos, a Fapern desperdiça recursos com a realização de um salão que não tem nenhuma representatividade e que foi criado apenas para a satisfação da vaidade de gestores alienados da realidade.
Nem mesmo em São Paulo, o mais importante centro cultural de vanguarda do país, uma instituição bancada com dinheiro público se dá ao luxo de manter um evento voltado para a arte baseada no uso da tecnologia.
Num estado pobre, como o Rio Grande do Norte, onde os artistas que fazem uso de recursos tradicionais não conseguem deslanchar, por falta de investimentos do governo, vem a Fapern com uma idéia que só não é inteiramente absurda porque serve para dar a medida do nível de despreparo dos nossos dirigentes culturais, escolhidos à esmo e sem critério, para acomodar interesses de grupos políticos.
Contando com uma participação restrita, o pretensioso Salão de Arte Tecnológica da Fapern serve apenas para evidenciar a nossa falta de senso critico e a coragem de afrontar o ridículo.
*Com acréscimos posteriores




3 Comentários
Bernardo on 26 de agosto de 2010 at 19:26.
É a pura verdade: nada foi feito por este governo pelos artistas e pela nossa cultura. Encheram Natal de gente de Mossoró e aí está: um desastre completo.
Miraceli Fialho on 26 de agosto de 2010 at 20:05.
Seu Blog deslanchou! É acesso que não acaba mais. Sucesso, v. merece, Franklin, por sua luta, por tudo o que tem feito por nossa cultura, por seu caráter e idealismo.
Ricardo e Magda on 29 de agosto de 2010 at 18:21.
Estimulados pelo que escreveu aqui e no Novo Jornal fomos ao Palácio da Cultura.
Você acertou: o salão é um fracasso de obras e de público (os únicos visitantes éramos minha mulher e eu). Somos de Barueri (SP). Não faz sentido, algo sem propósito (o governo do RN deve ter muito dinheiro para jogar fora numa promoção dessas: alguém deve ter tirado algum proveito, mas não a cultura).
Adoramos Natal, mas lamentamos a inexistência de museus e de uma politica cultural séria.
Admiramos suas opiniões: todas procedentes, produzidas por quem sabe.
“O Santo Oficio” é um Blog de ponta. O melhor, no gênero.
Magda e Ricardo