A NOVA REALIDADE MIDIÁTICA

Por O Santo Ofício | 21 agosto, 2010

JORNALISMO FALIDO X JORNALISMO ON LINE

Por Ipojuca Pontes

Ipojuca Pontes compara a decadência dos grandes jornais impressos de esquerda, tomando como exemplo o Jornal do Brasil, o New York Times e o Le Monde, com a ascensão do jornalismo on line e dos blogs, livres, independentes, ágeis e com poucas despesas.

“O jornalismo é a segunda mais antiga profissão do mundo.
” Bernard Shaw

[...] A falência do jornal impresso atinge em especial a chamada grande imprensa e, com efeito, para analistas da matéria a extinção de sua supremacia parece estar cada vez mais próxima.

Na França, por exemplo, os diários “Libération” e “Le Monde”, ambos de esquerda, ainda que contando com subsídios governamentais, andam pelas tabelas. De fato, vão devagar quase parando: “Libération”, fundado por Jean Paul Sartre (em 1973), sobrevive apelando para o jornalismo digital e o “Le Monde”, mal das pernas, cambaleia amparado na grana suja de esperma do gangster Xavier Niel, sujeito que começou a vida explorando casas de show em que mulheres nuas podiam ser vistas através de vitrines contorcendo-se em movimentos eróticos.

A falência do jornalismo à esquerda não fica restrita a França de Sarkozy: na Inglaterra, segundo a “Economist”, nada menos de 70 jornais fecharam suas portas, sem choro nem vela, no biênio 2008/2009.

O próprio “New York Times”, o templo mundial do jornalismo “politicamente correto”, perdendo assinantes e receitas publicitárias em cascata, enfrenta no momento uma dívida em torno de US$ 1 bilhão – o que o obrigou a abrir mão do controle de vários jornais da cadeia em todo país, salvando-se apenas o “Boston Globe” (ninguém sabe até quando).

Sim, é fato: para continuar circulando, a The New York Times Co teve de vender a W. C. Carey & Company o prédio sede de 52 andares, situado na 8ª Avenida, no coração de Manhattan, passando a pagar o aluguel dos 19 andares onde outrora reinou como Deus desaconselha e o diabo manda: pedante e mentiroso.

Pior: para não pedir concordata, a família Sulzerberg Ochs, que controla The New York Times com 19% das suas ações, viu, sem poder pestanejar, o empresário mexicano Carlos Slim Helú (dono no Brasil das empresas telefônicas Claro e Embratel) aumentar para 17% o controle acionário do jornalão sabe-tudo.

Pior ainda: para salvar o volumoso investimento avaliado em US$ 267 milhões, o mexicano Slim – gordo, ensebado e bigodudo como o Sargento Garcia, de “O Zorro” – começou por impor cortes nos gastos com um exército de correspondentes e fechar sucursais no exterior.

Em 2009, The New York Times tinha registrado um prejuízo de US$ 74, 5 milhões.

Muita gente boa aponta o jornalismo eletrônico como o principal responsável pela ruína dos jornalões. Os motivos não são nada desprezíveis: blogs e sites não gastam com papel nem mantêm grandes redações, nem tampouco sofrem com perdas de receitas publicitárias – embora hoje, como se tornou evidente, o jornalismo on line comece a morder firme nas contas das grandes e pequenas agências de propaganda.

Por outro lado, graças ao avanço da tecnologia digital, o jornalismo eletrônico conta com um dispositivo excepcional: sua dinâmica permite acompanhar e refazer a notícia a cada segundo, sempre em cima do fato, possibilitando até mesmo a transmissão de imagens ao vivo, usando, para tal fim, o vasto acervo imagístico exposto no YouTube.

No entanto, não é apenas no plano da operacionalidade que o jornalismo on line causa rebuliço. Se a imprensa é, em essência, notícia e análise, o jornalismo eletrônico permite as duas coisas – o que o torna mais ágil, denso e promissor, cumprindo, em qualidade e quantidade, um papel sem paralelo no jornalismo de todos os tempos.

Ademais, para fazer a análise qualificada, o jornalismo de site dispõe de tempo, espaço e liberdade (inimagináveis nas folhas de hoje em dia), conjunto de privilégios só entrevisto nos primórdios do bom jornalismo inglês, quando tipos como Samuel Johnson, Bernard Shaw, Addison e Hazlitt faziam da notícia “essays” generosos, férteis de conhecimento e objetividade crítica.

Por sua vez, o jornalismo eletrônico, quando exercido à vera, sem a inibição dos códigos de redação e intermediários de praxe, cria uma ambiência especial, feita de independência, pesquisa e ousadia que só encontra paralelo no extraordinário clima de parceria que se estabelece entre quem escreve e quem lê.

Não é por outro motivo, penso, que há quem passe entre 10 e 12 horas por dia navegando (termo preciso) na internet, transformando-se o navegador num potencial repassador de matérias, ou seja, num internauta.

Em troca, o que nos dá os jornalões?
De início, uma soma de mistificações, distorções e mentiras de estontear qualquer Mike Tyson. Com efeito, salvo hiatos, o seu noticiário, editoriais e as “análises” dos seus “formadores de opinião” estão sempre, no seio da grande imprensa, sonegando a realidade em função de interesses ideológicos “politicamente corretos” – vale dizer, “utópicos”.

Querem um exemplo da perversão? Recentemente, o ex-candidato à presidência da Venezuela, Alejandro Peña Esclusa, um cidadão honrado e opositor pacífico, foi preso em sua residência pelos esbirros de Hugo Chávez, que usaram como pretexto, para tirá-lo de circulação, evidências falsas, afirmando possuir ele um arsenal de bombas num guarda-roupa. Peña Exclusa não é qualquer um: trata-se de um líder integro que provavelmente será, quando a nuvem negra do chavismo passar, o futuro presidente da Venezuela.

Pois bem: o que dizem os nossos jornalões sobre o lastimável atentado? Nada ou muito pouco, uma pequena notícia de pé de página, sem direito a chamada, foto ou perfil em box. Onde anda o departamento de pesquisa dos jornais brasileiros que nada nos contam sobre Peña Esclusa, um líder democrático trancafiado por um ditador delirante? Será por ser ele considerado de “direita”?

O jornalismo livre e consciente tornou-se uma impossibilidade na chamada grande imprensa nacional: o capachismo ideológico tomou conta de tudo. Mas ele é, ou deveria ser, soberano, visto repudiar qualquer vestígio de opressão ou despotismo, venha de onde vier.
Nesta perspectiva, a denúncia da brutalidade cometida por Chávez contra Peña Esclusa deveria ser matéria de primeira página, com direito a acompanhamento diário até a sua libertação.

Em suma, eis o que eu queria dizer: o papel do jornalista consciente, com o dom que Deus lhe deu, é o de apurar e dizer a verdade – custe o que custar. Se possível, de maneira clara, integra e objetiva.

Cumprir tal tarefa, no entanto, está ficando cada vez mais difícil no jornalismo tupiniquim, com suas alianças espúrias e seus interesses inconfessos. Os jornalões se esmeram, apuram a roupagem visual, contratam “vedetes” e abrem dezenas de colunas para roubar o tempo do leitor.

Tudo sem muita importância. Pois diante da grande imprensa um espectro se impõe e apavora: o do jornalismo on line, livre e altivo como um falcão em vôo pleno.


4 Comentários

Maristela on 21 de agosto de 2010 at 13:13.

Franklin, acompanho-o há muitos anos. Agora, diariamente nesta publicação que presta grande serviço aos leitores (sou um deles!). Sei que tem pago um preço alto por seu compromisso com o jornalismo sério, “livre e altivo como um falcão em pleno voo”. Muitos concordarão comigo: a prova está no elevado número de acessos de “O Santo Oficio”.
Queria ter escrito antes, quando foi tão violenta e grosseiramente atacado e denegrido por Nei Leandro de Castro em artigos publicados na Tribuna do Norte, ele que tem os pés de barro e acabou desmascarado pelos fatos ao vir à tona o processo irregular de sua aposentadoria milionária, muito distante da realidade de centenas de milhares de aposentados brasileiros que trabalharam durante anos para ter na velhice um ou dois salários mínimos.
Todos nós sabemos de uma forma ou de outra que você tem sido perseguido e caluniados (estou lembrando da perseguição que sofreu nas mãos de Valério Mesquita e agora por último por esse professor doutor “com jeito e fama de doidelo de filme B”, como você disse em algum lugar). Tudo isto você [tem] suportado com admirável dignidade, sem esmorecer e sem acovardar-se, levando a sério o jornalismo e servindo à sociedade.
Cassiano Arruda fez um ato de justiça ao levá-lo para o Novo Jornal. Passei a admirá-lo por isso.
Agradeço a Deus por termos no jornalismo potiguar alguém com o seu perfil. Deus o abençoe.
Maristela.
(Não escrevo meu nome por extenso porque também sou covarde).

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Anísia Leitão on 21 de agosto de 2010 at 14:45.

A ideia que tive do caráter de Nei, lendo o que ele escreveu contra Franklin Jorge, foi a de uma pessoa sórdida e invejosa.

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Talvani on 21 de agosto de 2010 at 19:54.

O pior, no caso dessa “aposentadoria milionária”, está num pequeno detalhe: durante 30 anos Ney não deu um dia de serviço, pois morava no Rio de Janeiro, a muitos quilometros de Natal…
Isso é que é mamata, não?

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Antonio Pedro on 22 de agosto de 2010 at 21:25.

A internet veio para nos libertar da informação controlada e manipulada. Que tenha vida longa!

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