SHAKESPEARE SE DIVERTE

Por O Santo Ofício | 15 agosto, 2010

Por Franklin Jorge

Uma feérie onírica repleta de magia e sortilégios, escrita para os festejos de um casamento nobre a que esteve presente a Rainha Elisabete, contemporânea de Shakespeare que pode assim mostrar-se em toda a magnificência da sua imaginação.

A peça evoca o mar contagioso, os fantasmagóricos bosques da Arcádia, o mundo sobrenatural dos elfos e dos elementos mitológico e assombroso que compõem o espírito buliçoso da alegria.

É a peça representada por colegiais no filme “A Sociedade dos poetas mortos”.

Conjetura-se que foi representada no casamento de Essex (1590), no do Conde de Derby (1595), ou no de Southampton (1598).Escrita como refinado divertissement, uma fabulosa fantasia, não importa de quem foi as bodas mas o ter ensejado a representação de “Sonho de uma noite de verão”.

É sabido que suas fontes provém de Plutarco, Ovidio, Spencer, Chaucer e Jorge de Montemor. Mistura Shakespeare num mesmo lance espaço e tempo, deturpa a geografia e empresta unidade a todos os elementos heterogêneos e disparatados que florescem dessa feérie em que, meio a dormir, ainda é mal desperto, enquanto a úmida lua espalha a claridade dessa festa.

Eis, antes que suba a cortina, as personas dramáticas, assim descritas pelo autor:

Perseu, Duque de Atenas;
Egeu, pai de Hérmia
Lisandro, Demétrio, apaixonados de Hérmia
Filostrato, diretor de festas na corte de Teseu
Quince, carpinteiro
Snug, marceneiro
Bottom, tecelão
Flauta, remnda-foles
Snout, caldereiro
Starveling, alfaiate
Hipólita, rainha das Amazonas, noiva de Teseu
Hérmia, filha de Egeu, apaixonada de Lisandro
Helena, apaixonada de Demétrio
Oberon, rei dos elfos
Titânia, rainha dos elfos
Flor de Ervilha, Teia de Aranha, Traça, Semente de Mostarda, elfos
Puck, o Bom Robim, gênio alegre e buliçoso.

“Sonho de uma noite de verão” celebra a esperança na vida. Através dela o olho do poeta, num delírio excelso,

Passa da terra ao céu, do céu à terra,
e como a fantasia dá relevo
a coisa até então desconhecidas,
a pena do poeta lhes dá forma,
e a coisa nenhuma, aérea e vácua,
empresta nome e fixa lugar certo.


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