A HORA DO FIM DO MUNDO

Por O Santo Ofício | 8 agosto, 2010

Por Franklin Jorge

Recentemente, folheando os jornais li em Carlos de Souza, ao apreciar a obra de autores locais dos quais jamais ouvira falar, mas despontavam na critica de seus livros como geniais, segundo o que eu lia – e não se tratava de uma dessas epifanias tão joyceanas. Ah, não.

Não sei em que se baseava o signatário de tais elogios para fazê-lo, mas o que de fato me chamou a atenção foi a declaração de que, se entendi bem o que li, seria um desperdício escrever bem numa época que faz pouco do talento e da cultura, pois já o mérito não conta…

Nem mesmo escapou a Carlos de Souza o fato irrisório e medonho de que quem manda é a indústria cultural, essa máquina que investe em escrevinhadores, profissionais de segunda ordem destituídos de cultura e estilo, mera força de trabalho à serviço da alta rotatividade que dá o tom e a embalgem das editorias de cultura que jamais praticam a critica e se conformam com o pré-cozido industrializado do mass media.

De fato, como é assim, não vale mais a pena escrever fora desse bordado que movimenta bilhões de dólares, produz em grande volume, entre outras coisas, livros descartáveis que obedecem à tendência, como explorar a recente onda vampirescas ou, um pouco antes, o mítico de laboratório que desova em séries do tipo Harry Potter e sua contaminante parentela.

Confesso que jamais um escrito de Carlão me despertou tanto sobrosso. Uma certa inquietação pelo que nos aguarda numa dessas encruzilhadas da vida, percebida e expressa com tamanha propriedade e pertinencia. A literatura acabou! Os que leem farão parte de irmandades e confrarias secretas, perseguidas pela policia de costumes. A boa literatura, reitere-se.

Realmente, Professor Carlão, estamos vivendo em um mundo em que tudo vale, melhor dizendo, em que o vale tudo domina e prevalece sobre a virtude do perfeccionismo que se agasta com as ‘obras de carregação’, com as peças mal cortadas, mal costuradas e mal chuleadas que produzem os nossos literatos cheios de títulos e ouropéis.


1 Comentário

Tetê on 8 de agosto de 2010 at 9:15.

Uma “cultura” que tem João da Mata e outras “excelencias”…

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