NO TERRITÓRIO DA ‘CURTURA’
Por O Santo Ofício | 31 julho, 2010
Por Franklin Jorge
Se me contassem, não acreditaria. Mas fui testemunha, afinal, do baixo nível cultural que impera na Fundação Capitania das Artes e do despreparo e indigência intelectual de uma equipe forjada segundo critérios que estão muito abaixo da critica. No mesmo nivel de indigencia intelectual e profissional do estado ‘verde’ empurrado pela barriga pela prefeita Micarla de Souza.
Se o presidente fosse despreparado mas a equipe qualificada e preparada para resolver problemas, propor ações e superar desafios, ainda haveria alguma chance de salvação para a instancia cultural dessa prefeitura ‘verde’ que vegeta em estado de indigencia e pauperismo em matéria de gestão e empreendimento. Mas a má qualidade, lá, é generalizada e dá a medida do que a prefeita Micarla de Souza entende por “cultura”.
Recentemente, na condição de mero particular interessado no financiamento de projetos culturais, estive lá, para obter informações sobre o Fundo de Incentivo à Cultura e me deparei com uma situação verdadeiramente esdrúxula.Absurda. Completamente surrealista.
A assessora, que me foi apresentada sob o nome de Ilana, embora prestativa e gentil, parece ser daquelas pessoas que não sabem aonde o galo canta ou sabe das coisas “por ouvir dizer”, sem conhecimento direto. E o que é mais grave, sem querer despojar-se de sua certezas, de suas convicções e sobretudo duma espécie de arrogante teimosia que não tira lições dos erros.
Sua missão – da funcionária que me recebeu naquela fatidica manhã de sexta-feira – pareceu-me ser uma só, a de justificar o injustificável e não me convenceu, sobretudo ao querer convencer-me de que os artistas deviam trabalhar de graça para a instituição que tem se notabilizado por lesar e ludibriar os produtores culturais, sendo até cobrada na justiça pelo pagamento de prêmios que foram criados sem o devido provimento de fundos.
Uma verdadeira aberração, a Funcarte, que tem um histórico de desrespeito contumaz aos artistas e à sociedade natalense, o que não é de hoje. Por lá já passaram figuras como Gileno Guanabara, Rejane Cardoso Serejo Gomes,Rinaldo Barros, Isaura Amélia Rosado, Dácio Galvão e Julio César Revoredo, substituído pelo atual, jornalista Rodrigues Neto. Nulidades ostentosas que cobriram as paredes da sede da Fundação Capitania das Artes de placas comemorativas de ações que resultaram em nada ou em prejuizo para a cultura a que diziam servir.
Mas, como se diz e se repete por toda a parte sem que a prefeita dê solução para o problema, a Funcarte decaiu a um tal nivel que chega a despertar em todos uma reação ambivalente de repulsa, piedade e indignação, ao constatarmos de maneira tão crua e indefensável o pouco caso que Micarla de Souza faz de um assunto sério, a cultura de um povo.




8 Comentários
Gina Dias on 31 de julho de 2010 at 9:17.
Fazia outra ideia da cultura da bela cidade de Natal…
Uma pena, senhora prefeita!
Diego Shaw on 31 de julho de 2010 at 9:56.
Suas análises da cultura são brilhantes.
Só não sei porquê perdeu tempo indo a Funcarte.
Isabel de Araújo Batista on 31 de julho de 2010 at 10:37.
O artista autentico é sempre um idealista e como tal acredita que sempre é possivel corrigir erros e progredir na direção do bem.
Acho que foi isso que moveu Franklin Jorge ao perder tempo com a Funcarte.
Geraldo Araújo on 31 de julho de 2010 at 11:23.
Franklin, esses seus dois ultimos artigos sobre cultura (abordando a FJA e a Funcarte) são simplesmente antológicos: v. falou por toda Natal e por todo o RN que se interessam pelo assunto, a cultura da nossa terra cada vez mais achincalhada por gestores de diversos matizes que tem em comum o despreparo, a incompetencia e a arrogancia, como v. tem colocado em seus artigos de maneira irrespondivel.
Por que essa gente não se cerca de pessoas capazes? Por que não tem a humildade de consultar quem é do ramo?
Até o Gustavo Wanderley, que pensava que ia se dar bem acumulando o cargo de vice-presidente da Funcarte com a de empresário da cultura (Casa da Ribeira), viu que ia se dar mal e abandonou o posto…
V. tem razão: tudo piora a cada novo governo!!!
Lilian Bastos on 31 de julho de 2010 at 11:26.
Quando tudo isso vai mudar, meu Deus?
Paulo Marcos on 31 de julho de 2010 at 11:37.
Acabei de ler: é a verdade verdadeira.
Plínio on 31 de julho de 2010 at 15:21.
Todos esses gestores aí citados, passados no liquidificador, não dão um caldo ralo de competencia.
Taciana Galvão on 31 de julho de 2010 at 19:07.
FJ tirou uma fotografia da realidade cultural de Natal e do RN.