DILMA NACIONALIZA CAMPANHA NO RN
Por O Santo Ofício | 29 julho, 2010
Por Roberto Guedes*
A candidata situacionista à presidência da república, economista Dilma Rousseff, a quem, aliás, nunca se cobrou o fato de apresentar-se como engenheira enquanto dirigia o ministério de Minas e Energia e a Casa Civil da presidência da República, sem nunca haver concluído curso nesta área, conseguiu nesta terça-feira, 27, anteontem, e ontem, o que seus aliados no Rio Grande do Norte não haviam logrado.
Ela colocou na ordem do dia da presente campanha eleitoral a nacionalização da disputa, ao conceder pelo telefone entrevista à rádio Difusora, de Mossoró, quando desceu o malho nos senadores José Agripino Maia, presidente regional e líder do Dem na sua casa congressual, e Rosalba Ciarlini, a candidata da legenda ao governo do Estado.
Há muito tempo sabia-se que o comando da campanha de Dilma recomendava em relação ao Rio Grande do Norte a nacionalização do discurso como divisor de águas, por acreditar que José Agripino e Rosalba cuidavam aqui de não se caracterizar como adversários do presidente Lula da Silva. Ontem, a propósito, um blogueiro natalense deixou claro que o pronunciamento de Dilma foi produzido a partir de novas orientações a respeito, face à necessidade de discriminar logo os adversários locais de Lula.
O governador Iberê Ferreira de Souza, candidato à reeleição pelo PSB; a ex-governadora Wilma de Faria, presidente regional da legenda e candidata ao Senado, e o advogado, ex-prefeito e ex-deputado Carlos Eduardo Alves, presidente regional do PDT e candidato a governador, vinham tentando sem sucesso fazer com que José Agripino e Rosalba fossem “carimbados” como o anti-Lula numa das unidades federativas em que é mais elevado o índice de aprovação ao presidente.
Até então, os dois e seus aliados vinham conduzindo sua campanha como fato eminentemente local, a despeito do discurso nacionalizado pelos adversários conterrâneos. Rosalba ontem e José Agripino na manhã desta quarta-feira, dia em que Dilma desembarca sua candidatura em Natal, responderam à candidata, verbalizando discursos claramente de oposição.
Resta saber que conseqüências advirão do processo. Para isto é necessário entender bem o papel que os sustentadores locais da campanha de Dilma desempenham e desempenharão na nacionalização do discurso, para se entender porque não vinham obtendo êxito e especular, no melhor sentido, sobre os proveitos que obterão desta ofensiva.
É possível que somente com intérpretes mais “colados” à imagem de Lula o discurso surta os efeitos almejados, seja por mérito ou simples associação de imagens no inconsciente coletivo.
Neste caso, esforços de atores locais podem ser inócuos, ou menos producentes, e será necessário contar mais com a presença na terra de valores nacionais que não podem se dedicar tanto à política local.
Dilma, por exemplo, procurou deixar claro nesta terça-feira que a de hoje seria sua única visita a Natal durante a campanha. Resta aos aliados locais torcer para que ela cumpra a promessa de visitar Mossoró até o fim da jornada.
*O jornalista Roberto Guedes escreve às quartas-feiras no NOVO JORNAL




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