A CARNAVALIZAÇÃO DA CULTURA

Por O Santo Ofício | 29 julho, 2010

Transcrito do NOVO JORNAL, Natal 29/07/2010

Por Franklin Jorge,
Editor de Cultura e Opinião do NJ

Um critico complacente diria, benevolamente, que se trata de uma lista equivocada. Contudo, prefiro ver como um desserviço à cultura norte-riograndense a “Expo lítero-iconográfica Potyguar” elaborada pelo autodenominado bibliófilo João da Mata Costa, que se integra assim ao conjunto de eventos comemorativos da 62ª. Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), em curso no Campus Universitário.

Pretensiosamente, lançou-se Da Mata ao desafio de estabelecer um cânone potiguar, tarefa para a qual mostrou que não está qualificado, já de entrada, ao ignorar soberbamente que uma tal tarefa não pode ser atribuída a um único individuo, mas ao trabalho de gerações e à consagração que o tempo outorga.

Marcada pela falta de critérios, essa reunião atabalhoada de cinqüenta títulos mostra um curador confuso e desinformado; uma espécie de Gumercindo Saraiva redivivo, que, aliás, consta como autor dessa mostra de “livros fundamentais da cultura potyguarriograndensedonorte” (sic), segundo o seu mentor e organizador, literato e professor da Universidade Federal do RN que mistura alho com bugalho e acende a suspeita de que tem a inteligência alheia em baixa conta.

A colaboração de João da Mata Costa ao SBPC contribui para a criação de um grande equivoco e delata a falta de rigor da organização do evento que condescendeu com tamanho disparate.

Essa mostra mal-alinhavada promove uma idéia equivocada da nossa produção literária, sobretudo para os que nos visitam neste momento. Contudo é preciso reconhecer a bossa inovadora do curador da mostra ao ignorar que livros canônicos são aqueles que servem de referencia, o que por seu natural subjetivismo exclui a poesia.

Essa mostra que se intitula de “Potyguarana” parece-me mais o fruto de um delírio narcísico de alguém que, embora amando os livros, o faz de maneira aleatória e sem critério, confundindo escritores autênticos com meros escrevinhadores – falta que se faz inadmissível quando chancelada por uma instituição – a universidade – que tem o dever primário de difundir o conhecimento, não o equivoco ou manifestações vaidosas de egos inchados, como se ocorre no presente caso.

Não há, nessa salada mal temperada, nem mesmo compatibilidade entre a maneira de grafar o conhecidíssimo vocábulo “potiguar”, já assimilado por todos que não são ágrafos. A não ser que o bibliófilo tenha desejado prestar homenagem ao concretismo ou ao joycianismo tão acarinhados por vanguardistas avelhantados.

Acautelando-se de eventuais criticas do público bem informado, bota o autor dessa performance “carta de seguro”, ao declarar que se trata de uma “seleção pessoal e parcial que não pretende abarcar toda cultura do RN”, mostra-se Da Mata um curador incapaz de pensar criticamente sobre suas leituras, uma falta imperdoável num professor universitário que tem como missão transmitir o conhecimento de maneira clara e inequívoca. Uma análise dos titulos que reuniu com o açodamento de um primário revela essa incapacidade de avaliação inerante ao exercicio intelectual sério e construtivo.

João da Mata Costa corre assim po risco de tornar-se folclórico como o seu mestre Gumercindo Saraiva – de quem se pode dizer que morreu sem jamais experimentar o prazer de ter sido apresentado à gramática -, ficando cada vez mais parecido com uma anedota muito conhecido pelos eruditos, na qual um poeta catalão pediu ao seu rei que lhe permitisse desmanchar em represália as sandálioas feitas por um sapateiro metido a cantor que lhe desmanchara a canção, estropiando-lhe a música e os versos, como o famigerado bibliófilo do Alecrim acaba de desmanchar o conceito de cânone e literatura.


20 Comentários

Leonardo Bezerra de Castro on 29 de julho de 2010 at 20:47.

Sua volta ao jornalismo tem contribuido para melhorar o nivel cultural da cidade. Este ano caiu significamente o número de lançamentos de livros, já ouvi dizer que pelo temor que esses falsos literatos tem da sua critica independente e lúcida. Quem não se lembra que o ano passado, antes da estréia do Novo Jornal, fomos bombardeados por lançamentos semanais, geralmente de péssima qualidade?
É inegável que esta queda se deve à presença no jornalismo diário e neste publicação virtual de grande prestigio e conceito.
O que escreve sobre o professor João da Mata é a pura verdade! Como literato ele não é capaz, como aquela famosa personagem de Molière, de separar a prosa do verso.
Duvido que ele tenha lido todos os titulos de Cascudo que relacionou em seu “cânone” que contempla, até, o bufão de Caicó que o sr. classificou corretamente de “pornógrafo”.
Quero dar-lhe os meus parabéns por este artigo que hoje bem cedo li no Novo Jornal.

Reply

Vandyr Sena on 30 de julho de 2010 at 7:22.

Fazia algum tempo q nao acessava este Blog. Hoje, ao abri-lo, tive a satisfação de ler este artigo e o comentário acima de Leonardo de Castro que me chamou a atenção para um fato: os escassos lançamentos de livros deste ano em relação aos do ano passado, quase nada, uma besteirinha, não tem pesado no bolso. O ano passado não, foi preciso verba adicional para dar conta de tanta tardes e noites de autografos. Até crianças mal saídas dos cueiros lançaram livros.
Não tinha pensado que a secura deste ano tem a ver com a volta do nosso querido Franklin Jorge ao jornalismo. Dá para ver somente por isto a falta que ele estava fazendo à vida cultural da cidade.
Vida longa a Franklin Jorge! Que ele continue amparando o leitor potiguar, pois o Cão e sua matilha já protege os escritores (digo os pseudos escritores)!

Reply

Milena Sampaio on 30 de julho de 2010 at 8:13.

É mais uma figura folclórica da cidade, que quer entrar no céu à força, dando pitaco sobre tudo e todos. Nada se pode esperar de quem nem domina a gramática normativa.

Reply

Aldir on 30 de julho de 2010 at 10:38.

Da Mata é um mero mamulengo de pessoas mais perigosas.
Para sarjar o imenso e túmido abcesso que existe aqui, é necessário lancetar quem lucra com esse abcesso: O rato encardido, é um dos principais. O resto é consequência, sequelas que se findarão naturalmente.
Malandro de Castro já vai embora. Umas bordunadas no quengo da ratazana e voilá: teremos, no mínimo, mais saudabilidade nas nossas letras.

Reply

Bethânia on 30 de julho de 2010 at 11:25.

Por que vocês se espantam com caretas, gente? Ele é a nossa cara, o espelho da cultura e da literatura no RN. E vai longe.

Reply

Francisco Vitoriano on 30 de julho de 2010 at 16:43.

Prezado, jornalista Franklin Jorge!
Gostaria, primeiramente, parabenizar o seu blog e dizer que a figura
de João da Mata é tão patética quanto a sua própria arrogância a nível intelectual.

João da Mata é um “metido”, um bajulador conhecidíssimo nos meios acadêmicos. Quando resolve escrever sobre literatura aí vc descobre a sua mediocridade. Eu o vi recentemente na Cooperativa Cultural falando horrores de sua pessoa, Franklin! Não se deve confiar em João da Mata, que o diga o jornalista Alex Medeiros o qual, já faz algum tempo, achincalhou a figura desse Doutor Idiota no próprio Substantivo Plural.

Longa Vida ao Blog!!

Francisco Vitoriano

Reply

Tição on 30 de julho de 2010 at 18:49.

João da Mata é um linguareiro ou linguarudo que vive de fazer xafurdo com o seu nome na Cooperativa Cultural.
Não merece a minina confiança: é um invejoso de ego inchado que quer entrar a força no Parnaso.

Reply

Sávio on 30 de julho de 2010 at 19:25.

Da Mata nao lhe poupa: sempre que tem alguem por perto, desce-lhe a lenha sem dó nem piedade…
Não sei como pode se meter com um individuo de tão baixa extração.
Mesmo qdo v. publica as tolices dele, não pense que ele poupava-o.
É um invejoso, como disse alguem.
Um sujeitro periugoso, maledicente, que tem prazer em denegrir a honra alheia.
É piolho de cobra de um sebo sebosíssimo.

Reply

Tuca Araújo on 30 de julho de 2010 at 20:49.

Deram muito gás a joão da Mata e aí está o resultado…

Reply

José Aleixo on 31 de julho de 2010 at 8:01.

Franklin, leia o q foi publiucado no Substantivo Plural sobre o João da Mata, que diz horrores a seu respeito:

Por Alex Medeiros

Na cena cultural natalense, ainda prisioneira de baboseiras ideologizadas que aleijam as artes, há poucos garrinchas para os tantos joões, os pernas de pau das letras que não conseguem um centímetro de notoriedade além dos botecos do udigrudi atemporal que teima em se manter respirando. O senhorzinho João da Mata, alimentando seu ódio gratuíto a quem jamais lhe deu importância ou mérito intelectual, atirou no que leu sem acertar no que não viu. O alegre acadêmico que vomita teses anti-jornalismo impresso e que parece nutrir gozo quando seus rabiscos circulam nos jornais da taba, jamais deve ter visto o Festival de Artes do Forte dos Reis Magos. Se tivesse, teria presenciado o poeta Paulo Bruscky batendo punheta num velho canhão lusitano e assistido a bad trip de Macalé, cheio de maconha e álcool, embrulhado numa bandeira do Brasil que ele dizia ser presente do Glauber Rocha. Somente para o registro histórico da cena que transportei para a crônica sobre André da Rabeca, no claro intuito de dizer que naqueles dias o som do pobre artista foi melhor que as loucuras das figuras famosas. Não fosse por isso, não ocuparia um espaço substantivo com figuras do tipo João da Mata. Natal sabe que tenho aversão a esses bichos.

Reply

José Aleixo on 31 de julho de 2010 at 8:02.

Comneçou assim:

20 de janeiro de 2010 às 18:15
Por Alex Medeiros

Caro Tácito, Volto a incomodá-lo por causa de um academicuzinho porque um amigo me disse que João da Mata teria dito cobras e lagartos de mim. Vejo agora que ele só disse lagartos, já que as cobras é para seu consumo interno.

Reply

Plínio on 31 de julho de 2010 at 15:23.

Agora só tá faltando Micarla nomear Crispim para a Funcarte!

Reply

Fabiano Luna on 31 de julho de 2010 at 19:29.

Isto é jornalismo cultural autentico.

Reply

João da Mata on 1 de agosto de 2010 at 10:18.

Direito de Resposta

Sem critério e sem escrúpulos

Caro Editor,

Por ocasião da 62ª Reunião Anual da SBPC, ocorrida em Natal no período de 26 a 30 de Julho de 2010, organizei uma exposição em homenagem aos fazedores da cultura do RN. A exposição denominada Potyguarana homenageava escritores e artistas plásticos da rica e pouca conhecida cultura norte-rio-grandense.
Foram selecionados cinqüenta títulos representativos da nossa cultura e alguns artistas plásticos do estado, com base num critério pessoal, de leitor contumaz e amante dessa cultura, deixando claro que essa seleção era parcial e não pretendia abarcar toda a cultura do estado. Tinha limitação de espaço e, por isso mesmo, limitei a minha seleção “pessoal” a 50 títulos de obras representativas da cultura do estado. Qualquer lista é excludente e quando me propus a fazer essa mostra tinha certeza e clareza que alguns títulos importantes não seriam contemplados.
Enviei o release da exposição para a imprensa e alguns blogs de cultura do estado. O editor de cultura do Novo Jornal entrou em contato com a minha pessoa- curador da exposição- e enviou um jornalista para me entrevistar. A entrevista feita pelo jornalista Aléxis Peixoto foi muito boa e o conteúdo parcialmente reproduzido na edição do Novo Jornal do dia 29 de Julho de 2010. Digo, parcialmente, pelas agressões a que foi submetido publicamente pelo editor de cultura do Novo Jornal.
Sou professor da UFRN há 35 anos e já montei inúmeras exposições. Numa presenciei algo semelhante por um jornalista que se propõem a informar e não distorcer os fatos. O senhor Franklin Jorge publica a matéria com chamadas que distorcem a boa entrevista do jornalista Aléxis. Logo no início ele escreve em letras garrafais: SEM CRITÉRIO.

Depois, nos comentários intitulado “Alhos e Bugalhos” escreve que eu prestei um desserviço à cultura norte-rio-grandesnse e, ao final, diz que João da Mata corre o risco de se tornar uma figura folclórica (sic). Quem é o jornalista para julgar as pessoas e fatos?

Ora, pois, vamos aos fatos. A Expo Litero- Iconográfica Potyguarana foi vista e elogiada por centenas de participantes da SBPC de todo o Brasil. Cumpriu plenamente os objetivos da Cooperativa Cultural da UFRN de mostrar e divulgar a nossa cultura.
O Jornalista Franklin Jorge distorce fatos e entrevista. Como se não bastasse, reproduziu em seu blog somente os seus comentários “ Alhos e Bugalhos”, acompanhado de outros comentários de pessoas que não me conhecem. Esqueceu de reproduzir o conteúdo do folding distribuído aos visitantes da exposição. Agrediu a um professor que tem uma vida dedicada ao ensino e a cultura do estado do RN. Agrediu, inclusive, a um colega escritor morto, que escreveu – entre outros livros- “Trovadores Potiguares”, que faz parte da relação dos cinqüenta títulos expostos na Potyguarana.
Não é a primeira vez que o jornalista Franklin Jorge agride pessoas e escritores, fere reputações, e distorce fatos ampliados pelo seu blog e comentadores.
Um jornalista de cultura deve informar e cobrir os eventos culturais da cidade. O senhor Franklin Jorge agride levianamente as pessoas e presta um péssimo serviço à nossa cultura e convívio fraterno. Pratica um jornalismo de agressão e sem ética. Antes de opinar, ele precisa noticiar. Fui fortemente agredido pelo jornalista e peço gentilmente ao colega professor Cassiano Arruda Câmara, o direito de reposta, no cumprimento da lei.
Peço, também, que o jornalista Franklin Jorge, não utilize meu nome para se promover.

Atenciosamente,

Prof. Dr. João da Mata Costa – UFRN

Reply

JOÃO ANTONIO MAGALHÃES on 1 de agosto de 2010 at 13:00.

PELO QUE SE LE SOBRE AS ATIVIDADES DE JOÃO DA MATA, NÃO SEI QUANDO E COMO ELE ENCONTRA TEMPO PARA ATUAR TÃO ASSIDUA E COMPULSIVAMENTE NA BLOGOSFERA, ESCREVER SUA OBRA LITERARIA, COLECIONAR RARIDADES BIBLIOGRÁFICAS INVEJANDO AS HABILIDADES SE SEREJO, POLEMIZAR, PERTENCER AOS QUADROS DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA E INTEGRAL AO SERVIÇO DA UFRN, DE ONDE AINDA É PROFESSOR DE FISICA DO DEPARTAMENTO DE FISICA…
ESSE DA MATA É UM PAGODEIRO!
NÃO SEI A QUE HORAS ELE PESQUISA, ESTUDA E PREPARA AS SUAS AULAS.

Reply

Aldir on 1 de agosto de 2010 at 19:15.

Da Mata?
Estamos gastando vela com defunto ruim.
Não vale o que o gato enterra, mero moleque saltitante e trêmulo do cara do sebo vermelho, Amebael Silva.
Amnhã mesmo, cedinho, a rodinha estará formada no sebo imundo, maquinando formas de defender o confrade(rá rá rá!!!) atacado. Só me admiro ter gente que ainda presta atenção a esses ratos encardidos e sebosos.

Reply

Jarbas Martins on 2 de agosto de 2010 at 10:47.

Acho perfeitamente oportuna a discussão promovida por Franklin Jorge!

Por outro lado, vejo também o lado prepotente do professor João da Mata em não saber

saber lidar com as críticas feitas pelo referido jornalista.

Reply

HUMBERTO H. on 2 de agosto de 2010 at 10:53.

Percebe-se pela restrita lista do Prof. Dr. João da Mata

a sua incompetência para o Tema o qual requer um preparo intelectual,

conhecimento profundo das verdadeiras obras que cercam a historiografia literária do RN.

Reply

sílvio amorim de barros on 22 de janeiro de 2012 at 18:36.

Puxa, nunca vi unta tanta poeira no ventilador. Quanta amargura, agora entendo aquela lógica do Cassiano, quando falava que no RN o cara gasta 200 pro vizinho não ganhar 20. Pobre taba,, tão carente de cultura.

Reply

Moaça on 23 de janeiro de 2012 at 23:39.

Esse “professor doutor” é um grande malandro: um espertalhão que vive navegando na internet e como não trabalha, quer impingir sua falsa literatura como “produção acadêmica”. O Santo Ofício devia investigar essa mamata…

Reply

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>