A INCOERÊNCIA DA POLÍTICA
Por O Santo Ofício | 26 julho, 2010
Por Rafael Limberger
Época de eleição é algo, no mínimo, surpreendente. Ao invés de esclarecer o eleitor, as coligações, apoios, tempos de TV e toda sorte de “maquinações” dos partidos políticos deixa qualquer um zonzo. É uma hipocrisia deslavada que só serve para diminuir ainda mais a confiança que as pessoas, o cidadão comum, tem nas instituições políticas.
Durante quase dois anos, situação e oposição se atacam mutuamente, fazem dossiês, denunciam escândalos, ressaltam as diferenças partidárias e ideológicas entre si.
Daí vem a época das eleições, sejam elas para prefeitos e vereadores, ou as gerais, como é o caso deste ano.
Políticos que antes mal conseguiam permanecer no mesmo ambiente trocam juras de amor eterno, ressaltam a “democracia” que permeia as relações entre ambos e fazem de tudo para nos convencer que a coligação entre partidos de ideologias e atitudes completamente diversas é algo natural.
De outro lado, no Brasil não existem políticos de direita. Até mesmo o mais arraigado Democrata, que fez parte da “juventude do PFL”, que defende Keynes e Smith com unhas e dentes, se torna, de uma hora para outra, socialista. E, se ratear, é pego na Praça da Redenção usando uma camiseta com a estampa de Che Guevara.
E eles querem que a gente aceite isso como sendo parte do processo democrático. Mas não é. Está longe disso para ser verdade.
Durante as últimas décadas, temos aturado a hipocrisia, a ganância, a pouco vergonha dessa categoria de servidor público que se intitulam políticos. Sim, eles recebem em cima daquilo que nós, cidadãos, pagamos. E, dessa forma, eles trabalham para nós, e não o contrário.
Nestas eleições, cerca de 82% dos deputados federais irão tentar a reeleição. Que nós tenhamos a consciência de não votar neles. Vamos analisar este mandato: se falou em reformas estruturais, e nenhuma saiu. Porque não? Por fala de vontade política, apenas isso.
Se falou em mudar a constituição e o Código Penal. E o que foi feito neste sentido? Nada.
Está se debatendo intensamente a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e as consequentes mudanças na infra-estrutura que terão de ser feitas. Mas o que saiu do papel até hoje? Nada.
No dia 03 de outubro, nós todos teremos uma “arma” nas mãos. Vamos utilizá-la com inteligência, com vontade de mudar, pois o Brasil precisa disso. Nós precisamos de uma sociedade mais justa e igualitária, mas isso será impossível enquanto uma categoria de assalariados se achar acima do bem e do mal. Infelizmente, hoje, a nossa única maneira de alterar as coisas é através do voto. Então, vamos fazer aquilo que os políticos nos dizem para fazer: vamos votar com consciência. Nem que isso signifique anular o voto.




Viva voz