ARTISTAS COBRAM FUNCARTE NA JUSTIÇA
Por O Santo Ofício | 23 julho, 2010
Da Revista catorze
Calote no pagamento dos prêmio do XIII Salão de Artes Visuais teria motivado a ação
Os 15 artistas selecionados para o XIII Salão de Artes Visuais ainda não receberam o valor de R$ 1350,00 referente à premiação do evento.
A quantia deveria ter sido paga no dia 30 de abril deste ano, mas a prefeitura não efetuou o depósito na conta de nenhum dos selecionados. De acordo com a artista plástica Sayonara Pinheiro a Fundação Capitania das Artes (Funacarte) sequer procurou esclarecer os motivos da falta de pagamento.
Sayonara revelou não saber o porquê a prefeitura, até o momento, não os procurou para dar uma satisfação. “A gente liga lá e ninguém sabe informar sobre a premiação”, disse. O descaso fez com que o grupo se unisse e ajuizasse em maio deste ano uma ação junto ao Ministério Público exigindo o pagamento dos valores devidos e expondo problemas que ocorreram durante o evento.
A artista plástica afirmou ainda que nem mesmo os curadores do Salão de Artes Visuais, grupo formado pelo paulista Márcio Harum, pelo cearense Solon Ribeiro e por Leandro Garcia, receberam os cachês devidos pela prefeitura. “Até onde eu sei, ninguém recebeu”, enfatiza.
O performer André Luiz Bezerra, premiado na categoria ensaio, outro prejudicado com a falta de pagamento disse que chegou a se reunir no núcleo de artes visuais da Funcarte para tentar resolver o problema. “Eles falaram que encaminharam o valor devido ao setor financeiro e estavam dependendo da liberação deles”, disse.
André afirmou ainda que os artistas procuraram o Ministério Público para investigar o real motivo da dívida. “O problema é que o promotor que cuida do caso saiu de férias e estamos sem saber o que fazer”, revela.
A Revista Catorze teve acesso a ação ajuizada pelos artistas no Ministério Público. Feita no nome do artista Pedro Costa, ela denuncia, além da falta de pagamentos, que algumas obras expostas no Museu da Cultura Popular Djalma Maranhão sofreram danos por conta de infiltrações no local e que a exposição ficou fechada em dias que deveria estar aberta.
Funcarte alega que depende da Sempla para pagamentos serem efetuados
A assessoria de imprensa da Capitania das Artes confirmou o problema e revelou que foram feitas reuniões para tentar resolver o caso. De acordo com a jornalista Tiana Costa, assessora do órgão, a Funcarte depende da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla) para efetuar os pagamentos. A reportagem tentou entrar em contato com Rodrigues Neto, presidente da Capitania das Artes, mas não obteve sucesso.
O chefe do núcleo de artes visuais do órgão, o jornalista Marcílio Amorim, disse que eles estão fazendo todos os esforços para o pagamento ser efetuado. “Os artistas precisam ser pagos o mais rápido possível, como coordenador tenho feito o que posso para que isso se resolva”. Ele falou que na sexta de manhã houve uma reunião com todos os chefes dos núcleos com o presidente Rodrigues Neto e esse foi um dos assuntos discutidos.
“Na reunião estava presente um representante da parte financeira. Ele disse que todo o processo dentro da Funcarte foi concluído, dependemos apenas Sempla para efetuar o pagamento”, afirma. Amorim ressaltou ainda que a Capitania das Artes é um órgão que depende de repasses da prefeitura para as suas ações. “Não temos nenhuma autonomia financeira”.
A prefeitura deve, segundo Marcílio Amorim, a apenas um dos curadores do Salão. “Até onde eu sei, ele não foi por problema na documentação”, afirma. Ele não soube informar qual dos curadores foi pago. Sobre o processo no Ministério Público, Marcílio afirmou desconhecer a ação. “Até agora não recebemos nenhum comunicado oficial”0
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Ação dos artistas contra a prefeitura
Termo de declaração no. 005/2010
Aos 14 (quatorze) dias do mês de maio de 2010, pelas 14h:00min, compareceu perante esta Promotoria de Justiça o Sr. Pedro Vieira da Costa Filho, brasileiro, solteiro, artista, portador de RG ? , residente em ? , tel. ? , e formulou a seguinte declaração: que se inscreveu e foi selecionado para o XIII salão de artes visuais da cidade do natal; que o evento deu direito a uma premiação em dinheiro no valor de R$ 1.350,00 a cada um dos artistas selecionados; que o prazo para a entrega da premiação foi até o dia 30/04/2010, sendo que até a presente data a mesma não aconteceu; que todos os artistas comtemplados (quinze ao todo) precisam saber o motivo da não entrega dos prêmios; também vem denunciar descaso da funcarte e do museu de cultura popular djalma maranhão pois as obras selecionadas para o evento acima citado ficaram expostos nesses locais, sendo que os mesmos encontravam- se fechados à visitação pública em vários dos dias em que deveriam estar abertos; que no museu de cultura popular djalma maranhão houve dano a uma das obras devido a infiltração causada pelas chuvas no local da exposição. Nada mais foi dito, nem lhe foi perguntado, pelo que se encerra o presente termo.




5 Comentários
Teresinha de Paiva on 23 de julho de 2010 at 16:12.
O prof. Carlos Reis, de Portugal, já está de volta para SBPC, convidado da FUNCARTE, com certeza pagaram a ele. Será que virá com antecedência, ficando em hotel, como da outra vez?
De um leitor on 23 de julho de 2010 at 17:47.
A MARCHA FÚNEBRE DA PREFEITURA
Por Fábio Farias, da Revista catorze
A maledicência da internet já apregoa: “Micarla, jogue na Mega Sena, talvez assim você consiga pagar as dívidas da prefeitura”. É estarrecedor notar a situação atual da nossa cidade, seja na parte financeira, seja na própria administração. Em Natal, elevadores parados porque não pagaram o aluguel dos prédios, eventos culturais cancelados por conta de calotes passados e, agora, para completar, artistas sem receber a premiação do Salão de Artes Visuais. A situação está num nível tão baixo que já se tornou banal.
A gestão atual parece jogar a favor dos maledicentes. Mesmo quando não se quer criticar Micarla, ela dá motivos para tal. Nos bastidores da imprensa, fala-se de uma tendência ao masoquismo da nossa prefeita-borboleta. Ela parece gostar que batam na prefeitura. O descontrole, a gestão sem um mínimo de planejamento, os absurdos – como a brilhante iniciativa de cortar a árvore da cidade – levam a situações extremas como a atual, onde se opera no jargão “devo, não nego, pago quando puder”.
A grande questão disso tudo é saber para aonde, de fato, vão os suados reais que cada um de nós paga de imposto. Já que o dinheiro, aparentemente, não está onde deveria. Tributos esses, aliás, que estão presentes praticamente em todos os momentos de nossa vidas, seja quando vamos comprar um pãozinho na padaria, seja quando precisamos pegar um ônibus para chegar ao trabalho. Não é de se imaginar que, a qualquer momento, inicie-se um jogo, semelhante ao famigerado “Onde Está Wally”, fazendo, essa mesma pergunta, sobre o dinheiro dos nossos impostos que nunca vemos ser aplicados.
Preferências político-partidárias a parte, há de se concordar que a situação atual do nosso executivo é fúnebre. O secretariado de Micarla, onde – por incrível que pareça – existe sim gente boa, tem que arrancar os cabelos, se virar nos 30, fazer das tripas coração – com o perdão do clichê – para tentar arrumar uma justificativa para tamanho desgoverno. Artistas, profissionais, credores não são pagos, as ruas, esburacadas, o ensino municipal indo de mal a pior, o trânsito, sem a devida fiscalização, caótico e as questões ambientais solenemente ignoradas. É lamentável.
O que nos resta é concordar com os maledicentes, fazer coro com os indignados, tentar mudar esse triste cenário nos manifestando. Citar Alex de Souza também faz bem, afinal, num instante de sabedoria, declamou no Twitter que hoje, os dois piores empregos no RN são: treinador do América e secretário de Micarla. Ele está certo, afinal fazer parte de um governo com tamanha incompetência é o mesmo que optar por torturar-se. A não ser, é claro, que o indivíduo também seja incompetente.
É nesse cenário de luto que a Revista Catorze volta do seu longo e tenebroso inverno sem atualizações. Retornamos ao som de marcha fúnebre em homenagem a nossa prefeitura e aguardado o seu triste enterro que, pelo visto, não vai demorar muito para chegar.
LEIA TAMBÉM ESTE ARTIGO DO JORNALISTA FÁBIO FARIAS on 23 de julho de 2010 at 18:56.
O FRUTO DA DESORGANIZAÇÃO
Por Fábio Farias,
Da Revista catorze
A principal marca do governo de Micarla de Sousa em Natal é a desorganização. Fruto da falta de planejamento em questões cruciais e da ausência de um bom plano de governo, a impressão comum é de uma gestão perdida, sem quês, nem porquês, e que age mais como uma forma de aparecer bem frente à opinião pública e apagar resquícios das gestões anteriores, do que com objetividade e eficiência.
Uma das marcas que exemplificam esse modo cambaleante de atuar é a forma como o I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP) foi feito. Realizado depois de uma sequência de lambanças dentro da Capitania das Artes que vão desde o adiamento – por ordem da prefeita – do Encontro Natalense de Escritores (ENE) com todo o evento já formulado e os convites enviados, até o afastamento polêmico do ex-presidente da entidade César Revoredo, o EELP começa hoje em meio a uma série de desconfianças.
O encontro, prometido para março deste ano, não tem os ares esperado pela população local. Batizado depois de uma desnecessária mudança de nomes, o EELP acontece sem o lançamento prometido da revista Ginga, muito menos os editais Câmara Cascudo de prosa e Othoniel Menezes de poesia e no meio de um descaso sem tamanho junto à classe literária local. Além disso, as discussões foram programadas para o meio da semana, no horário da tarde – momento em que a maioria dos mortais trabalha.
A programação do evento, em geral, está fraca e foi montada da mesma forma atabalhoada que rege a maior parte das ações da prefeitura, seja na cultura, seja em outras pastas da cidade. A lista de convidados, com poucas exceções, não animou a classe literária local e o encontro, diferente do antigo Encontro Natalense de Escritores, talvez não sirva, sequer, para formar novos leitores. Ficou claro que a realização do EELP está sendo feita, unicamente, como fruto da pressão da imprensa em cima da prefeitura – que, afinal, teve de “se virar nos 30″ para cumprir o prometido.
Agora, depois de todo o auê, de todos os cancelamentos e de todas as desconfianças, Micarla anuncia na segunda-feira, no dia do lançamento oficial do EELP, que o Encontro Natalense de Escritores – renegado pela própria borboleta – vai voltar e deverá ser realizado em novembro deste ano, no mesmo molde em que eram feito os encontros idealizados pela gestão passada.
Ou seja, tentou apagar uma coisa boa, recebeu uma enxurrada de críticas, realiza um encontro bem mais fraco e depois, acuada, recua para tentar desfazer a besteira. É o sinal de um governo despreparado e fraco, e que não dispensa o clichê de ser mais perdido do que cego em tiroteio.
Martino on 23 de julho de 2010 at 19:57.
Ô “era” triste e pauperrima! um governo de cafuçus.
Diana on 23 de julho de 2010 at 22:54.
Foi uma grande bobeira do povo de Natal ter elegido a filha de Carlos Alberto.
Agora, todos estão pagando pelos que erraram, ao faze-la prefeita de Natal.
Graças a Deus ela já está no meio do seu mandato. Outro. nunca mais!