BOLSA FAMILIA, BUCHO, PREGUIÇA…

Por O Santo Ofício | 22 julho, 2010

Por José Maria Vasconcelos*
E-mail: josemaria001@hotmail.com

Meu morador, Zezinho, sacudindo-se de feminilidade, deu no pé, de volta a Bom Princípio-PI. Aporrinhado com as piadas de rua, levou a outra empregada consigo: ”Vamos casar, sou macho, vou provar, vamos ganhar Bolsa Maternidade.”

Seis meses depois, o improvável realizou-se: Zezinho abocanhou 1.200 pilas, incluindo atrasados. Zezinho, agora, vai curtir doce preguiça, assistindo a novelas, inúteis encantamentos, e, claro, produzindo meninos para o Governo criar.

Privilegiados do Bolsa Família não aceitam trabalhar com carteira assinada, mesmo em empregos sazonais, para não perder a raçãozinha federal.

Terminado o prazo de trabalho, vão ao sindicato patronal.

O presidente da entidade intima o patrão a rescindir o contrato com todas as garantias trabalhistas, menos a de assinar a carteira, exatamente para burlar apetitosa Bolsa. Engenheiro Brito, proprietário da construtora J. Brito, coleciona historinhas parecidas, logo ele, aos berros, exige os pingos nos is e na carteira.

A imensa rede de indústrias têxteis do Ceará contribui com expressiva participação na economia local e oferta de mão de obra formada e preparada.

O sindicato da classe laboral, Sinditêxtil, fechou acordo com o Governo para coordenar um curso de costura, em convênio com o SENAC, para 500 vagas de costureira.

O Governo exigiu que fossem oferecidas a mulheres beneficiadas pelo Bolsa Família. Terminado o curso, o sindicato têxtil enviaria os registros a diversas indústrias, para contrato de trabalho.

Ganha uma casa de adobe, na favela mais próxima, quem adivinhar quantas mulheres toparam empregar-se nas 500 vagas oferecidas.

Como não se constroi mais casa de adobe, igual à que meu pai ergueu quando veio do Ceará, fugindo à miséria, sem Bolsa, só a cara, suando na escalada social, você perdeu essa parada: nenhuma costureira aceitou trabalhar com carteira assinada e razoável bom emprego, para decepção do presidente do Sinditêxtil.

Segundo ele, nenhuma mulher gostaria de desgarrar-se do osso e ócio público do Bolsa. Se acha que é mentira, dirija-se ao prefeito mais próximo, chorando miséria: você ganhará uma casa de tijolo maciço, telhado, cesta básica, demais mimos da preguiça eleitoreira e das propostas irresponsáveis de políticos corruptos.

Se for negro, ou pintado de índio, ou invasor de terra, pode crer, receberá diploma de doutor, sem lá essas coisas de livro, mérito e saudável concorrência. Basta que sirvam de mascote para propaganda de ensino público de referência.

Quando ouço histórias de bolsas e porção de estímulos ao dolce far niente, de horror mórbido ao trabalho com pinta de miserável, dá-me vontade de bancar o Zezinho: sair por aí, com delicados requebros, pintando de macho, mas nenhuma coragem para trabalhar. Só fu…, produzir pitbuls para atacar a sociedade. O Governo garante.

*É cronista


1 Comentário

De um leitor on 23 de julho de 2010 at 17:48.

Uma delicia!

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