MP ELEITORAL REAGE AO PT

Por O Santo Ofício | 20 julho, 2010

Por Isabel Braga e
Carolina Brígido,
de O Globo

Procurador-geral da República critica tentativa de intimidação do PT ao trabalho do MP eleitoral; partido estaria ‘investigando’ Sandra Cureau

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reagiu nesta segunda-feira à ameaça feita pelo PT de entrar com representação contra a vice-procuradora eleitoral, Sandra Cureau, no Conselho Nacional do Ministério Público.

A procuradora pediu cópias das fitas de vídeo do evento em que Lula afirmou que Dilma foi a grande responsável pelo projeto do trem-bala , que ligará o Rio a São Paulo. A procuradora disse que analisará as fitas para decidir se entra ou não com ação de investigação eleitoral contra presidente por uso da máquina pública em favor da candidata, o que é proibido por lei.

Na nota, o procurador diz que o Ministério Público Eleitoral (MPE) vem exercendo, de maneira correta, sua função de fiscalizar o cumprimento da lei, e lamenta o que considerou uma tentativa de intimidação da atuação da instituição. Gurgel acumula as funções de procurador-geral e procurador-geral Eleitoral.

“É lamentável que qualquer partido político tente intimidar a atuação legitima da Instituição”

O Ministério Público tem exercido corretamente suas funções eleitorais, atuando adequadamente para o fiel cumprimento da lei eleitoral. É lamentável que qualquer partido político, que deveria estar preocupado em cumprir a lei, tente de forma equivocada intimidar a atuação legítima da Instituição. O Ministério Público Eleitoral continuará a atuar com a firmeza que a sua missão constitucional impõe – diz a nota de Gurgel.

Presidente do PT diz que não se trata de perseguição ao MP
O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, assumiu nesta segunda-feira um tom mais cauteloso em relação à intenção de processar a subprocuradora. Na véspera, Dutra havia sido enfático e, em seu twitter afirmou que o partido estava coletando material sobre a atuação de Cureau.

Agora, disse que o caso da procuradora ainda está sendo analisado com a área jurídica do partido. Os dirigentes estavam inicialmente dispostos a enfrentar o desgaste político, mas estão sendo aconselhados por assessores jurídicos a não fazê-lo. O que mais irritou o comando do PT foi a declaração da procuradora de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria “fechar a boca”.

Dutra e o secretário geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), assumiram o discurso de que não se trata de uma “perseguição” ao Ministério Público.

- Continuamos estudando. Neste momento, não temos elementos para nos manifestarmos sobre o assunto – desconversou Dutra. – Isso não significa nenhuma afronta à instituição.


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