EX-FIEL SE REVOLTA E DESTRÓI IGREJA
Por O Santo Ofício | 16 julho, 2010

Demolidor da IURD: "É hoje que vou arrebentar aquela porcaria"
Por André Raboni, do
blog Acerto de Contas*
Um empresário da construção civil de Portugal se revoltou na última terça-feira contra a Igreja Universal do Reino de Deus, na cidade de Faro, em Portugal. Eleutério Cortes, 42 anos, pegou emprestada uma máquina empilhadeira e entrou pela porta da igreja, destruindo tudo o que via pela frente. Cortes só parou depois que um militar da Guarda Nacional lhe apontou uma arma à cabeça. Ninguém se feriu, mas a igreja ficou parcialmente destruída.
O empreiteiro alega que é ex-fiel da Universal, e disse que arrebentou a igreja porque se sentiu lesado depois de doar mais de 100 mil euros ao pastor, quando participava ativamente da “Campanha de Israel”. Ele diz ter chegado à falência financeira. Segundo o ex-fiel, ele caiu na conversa fiada do pastor, que lhe garantiu que tudo que ele doasse à igreja, deus lhe daria em triplo…
Para fazer as doações, o homem diz que teve de vender quase todo o seu patrimônio: “Vendi o barco, cavalos, ouro, material de trabalho e só não vendi mais porque a minha mulher não me deixou.”
Eleutério disse ainda que, depois das doações à IURD, ficou sem dinheiro pra comer, e passou a viver de caridade durante quatro anos. Na terça-feira, Cortes disse que saiu do trabalho com o seguinte pensamento na cabeça: “Já chega de enganar tantas pessoas, é hoje que vou rebentar aquela porcaria.” E foi então que pegou a máquina e “rebentou” o templo.
Depois de detido, Cortes foi levado à polícia de segurança pública (PSP), onde foi interrogado antes de ser levado ao hospital.
Pelos comentários que li nos sites portugueses e no Twitter, há muitas mensagens de apoio ao ex-fiel, postadas por pessoas que dizem que o Estado português deve ficar ao lado de seu cidadão, e contra a exploração da IURD no país.
Eleutério espera julgamento em liberdade.
A Igreja Universal diz que exigirá da justiça que ele seja responsabilizado civil e criminalmente por ato de vandalismo. A IURD também alega que não conhece o fiel. Um comerciante que trabalha ao lado da igreja afirmou que há seis anos o empreiteiro espera que a IURD pague as obras que ele fez no templo.
Quando me deparei com essa história pitoresca nos sites portugueses, a primeira frase que me bateu no juízo foi aquela escrita por Saramago no livro Caim: “O caminho do engano nasce estreito, mas sempre encontrará quem esteja disposto a alargá-lo.”
No caso da IURD, que a cada dia se prolifera em mais e mais países ao redor do mundo, parece que a fila dos que se dizem enganados é mais extensa do que a fila para entrar no céu.
(*) Com informações dos sites Diário de Notícias, Correio da Manhã e Público




1 Comentário
Ofélia on 18 de julho de 2010 at 22:04.
É como eu sempre digo: a igreja aliena, leva o fiel a transferir seu poder de escolha ao outro, no caso o pastor, o padre, a instituição religiosa, entre outros. A fé aliena porque promete o indizível, o paraíso na terra, a cura, o milagre, o sucesso financeiro e o fiel, por sua vez, vítima de uma educação da reprodução, da repetição, torna-se um incapaz diante da dificuldade terrena e abandona a lógica, apelando para a salvação. Depois, enlouquece, cai em si e se sente ludibriado.