UERN: CONCURSO SOB SUSPEITA

Por O Santo Ofício | 15 julho, 2010

Por Roberto Guedes, jornalista

Motivo de notícias veiculadas por jornais de Mossoró, onde é sediada a instituição, e em blogues e portais, o concurso para contratação de pessoal promovido no último dia 4, domingo, pela Universidade Estadual (Uern) desembarcou na última segunda-feira, 12, no ministério público estadual, que examina a situação e cogita de promover investigação a respeito de irregularidades que teriam viciado o certame.

O desembarque foi promovido em Natal pela psicóloga Danusa Regina Filgueira Beserra Souza, uma mossoroense que reside na capital há alguns anos e deseja passar a trabalhar como psicóloga organizacional da instituição. Acompanhando o noticiário mossoroense a respeito das falhas detectadas no concurso, ela se preocupou ao ler reportagem em que o reitor da Uern, médico, empresário e professor Milton Marques de Medeiros, minimizou as críticas recebidas pelo certame, organizado pela Comissão Permanente do Vestibular (Comperve) da instituição. Nesta hora, Danusa chegou à conclusão de que só conseguiria contribuir para corrigir a situação recorrendo ao ministério público.

Fácil de identificar
Devidamente documentada, ela compareceu à sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Candelária, e pediu para que tomassem a termo sua declaração, que encerra com a formalização de pedido para que o “parquet” investigue o concurso a fim de identificar os vícios e ajudar a saná-los.

Entre situações estranhas que permearam a realização do concurso, ela citou o pedido de experiência formulado em edital pela Uern. A princípio, o candidato precisaria comprová-la com a apresentação de carteira do trabalho que demonstrasse contar no mínimo dois anos com registro na forma da lei. Posteriormente, sem qualquer explicação, a Uern reduziu o tempo exigido para um ano.

O mais grave, porém, foram falhas ocorridas no exame em si. No dia do concurso, as provas teriam sido entregues aos candidatos contendo nome e número de inscrição de cada um, “o que pode dar margem para identificação do candidato no momento da correção, proporcionando que o mesmo seja favorecido ou prejudicado”.

Sem papel
Ainda segundo Danusa, na prova de psicologia organizacional, área em que ela possui muita experiência, havia cinco questões discursivas e a Uern não forneceu aos candidatos usarem como rascunho. Diante desta situação, o coordenador do concurso informou que os candidatos deveriam usar as duas últimas folhas da prova para rascunho, pois não haveria mais papel disponível. Vinte minutos depois, outro coordenador lhes transmitiu outra orientação, dizendo que usassem o verso das folhas que já haviam sido entregues. Após reclamações, foram providenciadas mais três folhas para cada candidato, as quais foram grampeadas às provas.

Em relação a outras disciplinas, como as de arquitetura e de serviço social, sobre as quais os candidatos enfrentaram questões objetivas, não havia cartões de resposta, sendo estas entregues na própria prova. Para piorar, candidatos constataram, ao abrir o envelope relativo à prova de arquitetura, que o lacre a protegê-lo era o do Sedex, serviço da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), e não o da Comperve.

Pressa na divulgação
Ainda por cima, a Uern não forneceu o espelho da prova nem o respectivo gabarito oficial no caso da parte objetiva do exame. E como ápice da sucessão de problemas criados pela comissão, a entidade não divulgou corretamente o resultado do concurso.

Segundo Danusa, as folhas com os resultados foram afixadas nos murais da instituição, no último dia 4, domingo, já à noite, quando a universidade se encontrava fechada. De acordo com o edital do concurso, o resultado deveria ser conhecido em até 72 horas após a realização das provas, com direito a recurso em até 24 horas após a publicação. A aposição das folhas com os nomes dos aprovados em plena noite do domingo fez com que este prazo se esgotasse na segunda-feira.

Quando o resultado saiu, a candidata já estava a caminho de Natal, deixando uma colega como sua procuradora para cuidar de seus interesses em face do concurso. Ao saber que a Uern havia afixado as folhas de papel em suas paredes, a procuradora da psicóloga se dirigiu à sede da instituição e na segunda-feira 5 compareceu duas vezes à sede da Comperve, solicitando cópia da prova, para recorrer nos termos do edital. A Comperve, porém, se negou a fornecê-la. De Natal, ela interpôs recurso na terça-feira, e a comissão respondeu apenas confirmando o recebimento da mensagem, sem, conduto, pronunciar-se sobre o mérito da questão.

Segundo Danusa, vários outros candidatos têm situações significativas a apresentar no sentido de mostrar que as falhas comprometeram seriamente o concurso. Uma cientista social com doutorado se chocou ao saber que seu título de quarto nível contava menos pontos do que a participação em cursos de extensão, de vinte horas-aulas, o que se choca com a necessidade enfrentada pela academia de procurar o pessoal mais qualificado.


6 Comentários

Rafael Pereira on 15 de julho de 2010 at 10:47.

Se não fosse o jornalista Franklin Jorge que denunciou as irregularidades da UERN neste seu blogue, tudo ainda estava na mesma!
Graças a sua coragem a UERN se transformou em objeto de discussão em todo o RN. Antes dele, Franklin, a imprensa de Mossoró nunca tinha dado uma virgula de denuncia contra a UERN e todo undo acreditava, até então, que o vice reitor Aércio Cândido era sério! Até seu doutorado é suspeitoso e o atual reitor tem sudo mero joguete nas maos desse petista sequidoso e famélico de poder e prestigio.

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Homero de Oliveira on 15 de julho de 2010 at 12:02.

Cachorrada mais do que esperada. Teve problema com o concurso de Ciências Sociais, no qual dois candidatos de Natal se sentiram prejudicados. Pt no poder é fogo, meu irmão!

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Tiago Costa on 16 de julho de 2010 at 10:16.

Concordo com o Rafael. Durante anos a iomprensa de Mossoró foi conivente com a corrupção na UERN. Foi o jornalista F. Jorge quem abriu a “caixa preta” da universidade estadual e mostrou seus bastidores execráveis.
Uma grande contriobuição desse combativo jornalista.
Tiago Costa

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Tony Nova Betânia on 16 de julho de 2010 at 10:22.

Franklin nos prestou um serviço enorme revelando os podres. O que um homem autêntico pode fazer, imaginem 5 ou 6….

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Maria Emilia Santos on 17 de julho de 2010 at 9:54.

Não sei como uma universidade – ou seja lá o que for, como parece ser o caso da UERN – se presta a um papel sujo desses. É uma vergonha: até parece que o reitor não tem descendencia, quero dizer, não tem motivo para dar bons exemplos aos seus e por isso nao teme ser mal avaliado no futuro por essa triste complicidade com o vice reitor e o PT que manda e desmanda na UERN em conluio com o governo do esatado (LEIA-SE “A EX-G0VERNADORA”).
Noa tenho nenhum vinculo ou parentes que tenham vinculo com a UERN, mas me confesso envergomnhada de ver uma universidade tão degradada!

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alvaro on 9 de novembro de 2010 at 11:43.

E afinal quais as conclusóes da justiça/ É QUE HÁ MAIS QUE ISSO. nÃO ENTENDO PQ NINGUÉM FOI PARA A JUSTIÇA. fALAR NÃO CHEGA.

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