MUDAR PARA QUE NADA MUDE
Por O Santo Ofício | 13 julho, 2010
Publicado em The Washington Post – O Estado de S.Paulo
Promessa dos dirigentes cubanos pode não passar de mera manobra para dar sobrevida ao regime antidemocrático instaurado por Fidel Castro
Cuba prometeu libertar 52 de seus presos políticos. Torcemos para que a libertação se concretize, mas não devemos cair na ilusão de que esse gesto seja algum indício de uma mudança política fundamental na ilha que os irmãos Fidel e Raúl Castro governam com mão de ferro desde 1959.
O regime castrista possui uma longa história de concessões táticas na questão dos direitos humanos – com o objetivo de ganhar tempo para o regime, e não de reformá-lo.
Sempre empobrecida e desprovida de liberdade, a Cuba revolucionária encontra-se numa situação ruim. O cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, alertou para a existência de “uma situação difícil” que exige “rápidas” mudanças por parte do governo para evitar que a “impaciência e o descontentamento” se disseminem.
A economia está ruindo: o turismo está em baixa, a dívida externa tem aumentado e a Venezuela se vê cada vez mais incapacitada de ajudar por causa de seus próprios problemas. Enquanto isso, os dissidentes cubanos tornam-se cada vez mais ousados e prestigiados, tanto do ponto de vista doméstico quanto do internacional.
Qual deve ser a resposta dos EUA? Pelo fato de as exportações americanas de comida pagas com dinheiro fazerem dos americanos o quinto maior parceiro comercial de Cuba, o termo “embargo” não serve mais para descrever a principal política de Washington em relação à ilha.
Barack Obama foi sábio ao associar grandes mudanças nas sanções americanas a um avanço significativo no respeito à democracia e à liberdade em Havana. Mas ainda falta muito para que tal condição seja cumprida.
Tradução de Augusto Calil




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