CÂMARA CASCUDO E A XIFOPAGIA
Por O Santo Ofício | 5 julho, 2010
Por João da Mata Costa
A paixão gilbertiana pelo mestre da cultura popular Câmara Cascudo é comovente porquê, com conhecimento de causa e leituras criteriosas do vasto e profundo universo cascudiano.
Na revista “Caros Amigos” a primeira coisa que leio é o Pequeno Folhetim do Folclore do Gilberto Vasconcellos que acaba de lançar um belo livro “A questão do Folclore do Brasil do sincretismo à xifopagia” pela EDUFRN no selo da coleção Estudos Norte-Riograndenses.“Tudo que é importante no Brasil vem de Machado de Assis e Euclides da Cunha”, concordo.
Gilberto visitou Cascudo mouco e veio morar no nordeste para escrever sobre o seu xará de Apipucos. Escreveu um livro comovente sobre o autor de uma das bíblias da cultura brasileira Casa Grande & Senzala. O ensaio Xará de Apipucos foi editado pela Casa Amarela e é um hino de amor ao escritor e homem Gilberto Freyre.
Na “Caros Amigos” a maioria dos artigos falam de cascudo com um certa devoção “ Nunca tive em minha vida respeito religioso por ninguém a não ser quando fui visitar Luis da Câmara Cascudo”.
Pra falar do seu xará de Apipucos, Gilberto não consegue deixar de falar de Euclides da Cunha e Câmara Cascudo com num tríbio amor intelectual por esses três grandes fazedores da cultura que se complementam numa xifopagia.
Gilberto lê Cascudo e destaca o importante conceito da xifopagia encontrado principalmente no livro Sociologia do Açúcar, de 1971. O açúcar que é tudo pra o Brasileiro. Cachaça, açúcar para adoçar a vida e energia.
A bagaceira de engenho é vista por Cascudo como um laboratório de aculturação. Foi aí que o negro africano tornou-se brasileiro. Nesse parlatório os bantos deixaram Zambi por Xangô e Quianda por Yemanjá (Sociologia do Açúcar 1971).O negro brasileiro, o santo guerreiro na Bahia, São Jorge esse siegfried católico, converteu-se em Ogum.
Citando o pesquisador Roger Bastide Cascudo constata que não há contradição entre a cruz e a figa, entre a missa e o terreiro, entre o Padre Eterno e Olorum. O homem do candomblé no Brasil vive nos dois mundo sem nenhum problema (G. Vasconcellos p. 35 obra citada).
Mas o que é xifopagia? Consulto o dicionário do folclore de Cascudo e não encontro esse verbete. A xifopagia seria algo assim: uma miscigenação mantendo as individualidades. As etnias Européias, Americana e Africana se misturaram mantendo sua identidade. Uma mistura sem mistura. Com a palavra meu querido Gilberto de Vasconcellos:
A trajetória do sincretismo à xifopagia detectada na disciplina do folclore com Luis da Câmara Cascudo, mostra a influencia ibérica predominante na cultura popular, e a inexistência de fusão propriamente dita de santos e orixás nos cultos afro-católicos.
Assim, o procedimento sincrético, em termos de crença ritual, é substituído pela urdidura xifopágica em que a mistura não se diferencia do resultado, permanecendo uma estrutura mental com elementos distintos e paralelos. (A Questão do Folclore no Brasil p. 93).Ler Cascudo é uma delícia. Vasconcellos sabe disso e se apaixonou por seu objeto de estudo.
Cascudo é uma enciclopédia que dialoga com os grandes estudiosos da cultura brasileira: Gustavo Barroso, Roger Bastide, Henry Koster, Dante Laytano, Arthur Ramos e Silvio Romero. Todos referenciados pelo grande escritor Gilberto Felisberto Vasconcellos em mais um belo livro. Belo livro. Os cascudianos agradecem.




17 Comentários
Marise Fontes de Godoy on 5 de julho de 2010 at 10:50.
Franklin, seu blogue tem conquistado cada vez mais leitores. Ótimas colaborações, colaboradores de prestigio e cultura, v. tem mostrado em todos os momentos o bom editor que é. Sem falar no grande escritor e jornalista, culto, inteligente, corajoso e senhor de um estilo – o seu estilo -que faz de v. um autor excepcional.
Uma das coisas que gosto nesta página é o cuidado q v. tem de manter a qualidade, sem dar vez a pseudo-poetas e a “literatos provincianos” que não tem cultura nem respeitam a inteligencia dos leitores.
Torço sempre por v. e divulgo “O Santo Oficio” entre os meus amigos e conhecidos e sempre recebo um retorno favorável.
Todos o admiram.
Marise Fontes de Godoy – São Paulo
João da Mata on 5 de julho de 2010 at 10:56.
Caro Flanklin,
Minha visão me traiu mais uma vez. Em vez de xipofagia leia-se xifopagia, em alguns lugares.
Favor corrigir
Laélio Ferreira on 5 de julho de 2010 at 18:54.
Franklin:
Franklin, primo “véio”.
Já vi, notei, que João da Mata está migrando, celerimente, do Substantivo Plural de Tácito – que anda muito mal, acho, cheio de namoricos e serpentinas – para o seu respeitado Santo Ofício. O físico-Doutor é gente boa (nunca se zangou com minhas críticas aos seus “poemas”). Todavia, também acho, que para publicá-lo, vosmecê pode e deve exigir do portento cuidar melhor da ortografia e da sintaxe.
Senão a coisa vai pro brejo!
Seu fã de carteirinha, macaco de auditório todo,
Laélio
Bethânia on 5 de julho de 2010 at 19:45.
Ave Maria, que doutor pra escrever errado! Concordo com o post acima.
João da Mata on 5 de julho de 2010 at 22:32.
Bethania, quem é voce?
Existem muitas Bethanias em Natal.
Voce pode me mostrar onde estão os muitos erros. Não tenho problema em aprender e corrigir. Todo escritor comete erros.
Abraços
João Damata on 6 de julho de 2010 at 6:35.
Caro Laélio,
Mais uma vez voce me sacanea. Obrigado
Ai aparece uma besta fera como Bethania para dizer merda
Flanklin inventa comentários de supostos comentadores
Diga onde foi que errei que corrijo. Todo escritor erra e eu estou sempre
aprendendo
abç,
Joao da Mata
Laélio Ferreira on 6 de julho de 2010 at 6:36.
João da Mata.
Saúde e Paz!
Não lhe sacaneei. Critiquei o que você escreveu. Faço isto, quando, irritado com o que leio, com Deus e o mundo – você sabe!
Vossa Mercê, meu caro, como “intelectual conterrâneo” e como Professor universitário, TEM OBRIGAÇÃO de escrever com correção, seja lá o que for.
O seu mal, permita-me enfatizar, é que produz demais, escreve demais e tem o vício – acho eu – de mandar para frente, publicar, sem uma revisão do texto. Será que você, pelo menos para ajudar nas correções, não tem ainda um corretor ortográfico ? Não que isto resolva, mas, pelo menos, ajuda, indica alguma falha, um esquecimento – o que é comum com todos que escrevem.
Dizer onde você errou, não digo não! Já fui copidesque de muita gente, hoje não sou mais não!
O “pobrema” é seu, João! Minha avó, Dona Celsa, dizia: “quem pariu Mateu, que balance…”
Mas não fique zangado comigo, Doutor! Muito pior de escrita é o “metafísico”, “escritor”, “poeta”, “professor universitário” (é o cúmulo!) e “doutor em línguas ocultas” Pablo Capistrano. Esse, João, é de cortar o coração!
Saudação,
Laélio Ferreira
Bethânia on 6 de julho de 2010 at 7:05.
Damata não sabe nem escrever corretamente o nome de Franklin Jorge: substitui o “R” por “L”…
Uma Bethânia de Natal…
Bethânia on 6 de julho de 2010 at 7:39.
O que não se pode dizer de Franklin é que não tem espirito democrático…
Leiam com atenção o que está acima publicado e deduzam do respeito que ele tem à opinião alheia!
O interessante é que os seus “detratores” se desmoralizam sem que ele faça o minimo esforço, a não ser o de postar as suas opiniões…
Continue assim, Franklin.
VAUCLENES TINOCO on 6 de julho de 2010 at 7:54.
Baseado em quê o “professor doutor” João da Mata atribui a Franklin a autoria desses comentários? Que Ney Leandro o tenha feito, entende-se: o individuo é mentiroso e invejoso por natureza (e acabou sendo por isso mesmo desmoralizado em artigo do jornalista Cassiano Arruda Câmara, publicado no Novo Jornal), mas Da mata é professor universitário, um físico, alguém que devia ter mais rigor com o que afirma.
A universidade é mesmo uma instituição falida, gente!
Profa. Adalva on 6 de julho de 2010 at 8:09.
Concordo com o Sr. Tinoco. Basta ler com atenção o texto publicado para se atestar uma infinidade de erros crassos de sintaxe e coesão textual. É organizado por pura coordenação (via de regra, como as crianças escrevem), sem concatenação de idéias, com pausas bruscas que encerram o raciocínio que vem sendo desenvolvido, dentre outras coisas. Enfim: o discurso é truncado e fica difícil entender o que o autor quer passar como informação semântica, limitando-se em paronomásias (jogo de palavras). Todas as orações ou segmentos restritivos devem ser seguidos de vírgulas, só para ficar num exemplo, o que não acontece no texto publicado. Sou uma simples professora de português, mas, pelo menos, domino (o suficiente) o idioma de Camões. Parabéns pelo blog. Tenho divulgado com amigos.
Eliete Gomes on 6 de julho de 2010 at 14:44.
Profa. Adja, a senhora tem a minha admiração.
Tudo o que diz é bem aceito e aplicável no presente caso.
Eu tambem leio e divulgo este blog.
João da Mata Costa on 6 de julho de 2010 at 17:29.
Caro Franklin,
Laélio é maluco. Mandei uma mensagem pessoal para ele e ele postou no seu blog.
Muitas vezes escrevo rápido e pode passar algum erro.
Mas, o que eles reclamam é uma questão de estilo. Não vou mudar
Escrevo muitas vezes em stacatto.
abraços,
Joao da Mata
Ps Voce nao publicou o artigo Futebol: Nem arte nem ciencia
Maria Bethânia on 6 de julho de 2010 at 18:57.
João da Mata é um gênio Mal-compreendido. Lamentável que façam isso com uma pessoa tão ilustrada, tão culta. Não saber usar as vírgulas não desmerece um escritor, é isso que penso. O estilo dele parece muito com Guimarães Rosa, que, como todos sabem, fez outro uso da gramática das classses dominantes.
Laélio Ferreira on 6 de julho de 2010 at 19:31.
João da Mata.
Maluco é vosmecê, Doutor-Professor, que produz mais do que sabiá no fundo da gaiola, num português péssimo. Nem o verbo sacanear você sabe flexionar. Você não escreve em stacatto coisíssima nenhuma. Garatuja em ritmo de samba de crioulo doido, arrotando, coitado, apesar da ruma de livros na estante, uma aparente cultura literária – isso sim!
Por outro lado, não postei aqui, nos “Comentários” a reclamação que me dirigiu, a tal “mensagem pessoal”. Não fui aético, de forma nenhuma – não costumo sê-lo. EM E-MAIL PESSOAL, dirigido a Franklin, encaminhei a sua queixa e a sua resposta. Fí-lo (gostou?) porque julguei – e não pedi puiblicação – que você tinha sacaneado Franklin quando afirmou, ipsis litteris:”Flanklin inventa comentários de supostos comentadores”. Você ofendeu o jornalista e blogueiro que vem, caridosamente, publicando suas aberrações gramaticais.
Que fique bem claro, pois, que a responsabilidade pela divulgação da sua acusação rasteira não foi minha e sim do próprio Franklin Jorge – que, certamente, confirmará o fato. É o que espero!
Por último, perguntar não faz mal: produzindo tanto, diuturnamente, vosmecê tem um tempinho para ensinar física na UIFRN? Tem?
Laélio Ferreira de Melo
FRANKLIN JORGE, EDITOR DE 'O SANTO OFÍCIO', on 6 de julho de 2010 at 23:44.
INFELIZMENTE, AO CONCLUIR COMENTÁRIO AQUI POSTADO, ACABEI DELETANDO TUDO…
MAS VOU RECONSTITUIR O QUE ESCREVI, PARA ESCLARECIMENTO DOS LEITORES.
DE QUALQUER FORMA, AO TRANSCREVER E-MAIL DE JOÃO DA MATA ENDEREÇADO AO MEU PRIM O E AMIGO LAÉLIO FERREIRA, O FIZ POR SER PARTE INTERESSADA – EMBORA SEM PEDIR AUTORIZAÇÃO AO DESTINATÁRIO, NO QUE TEREI PECADO. MAS FOI EM NOME DE UMA BOA CAUSA – PARA COLOCAR OS FATOS NO DEVIDO LUGAR.
Rebeca Fonseca on 7 de julho de 2010 at 9:50.
Quem conhece Laélio de perto sabe o que é um homem: distinção, honestidade, fiel aos amigos, boa pessoa, além de espirituoso e respeitador do sofrimento humano. Todo que convive com ele, sabe. Eis a verdade.
De outra parte, o jornalista Frnklin Jorge, muitas vezes, pensa mais no outro do que nele, quando serve de agulha para linha ordinária…