SONHOS SONHADOS PARA NATAL
Por O Santo Ofício | 4 julho, 2010
Transcrito da Gazeta do Oeste
Por Ney Lopes,
jornalista, advogado
e ex-deputado federal
A propósito da realização das convenções partidárias neste final de semana recordei alguns sonhos da minha vida pública. Aliás, a política – como a vida – é feita de sonhos. Comecei a fazer política na época em que menino, usava calça curta.
Fui presidente da SIAN (seção infantil da Arcádia Natalense), um grêmio estudantil no Colégio Marista. Até hoje, não desencarnei. Aqui acolá dou palpites, uso a experiência acumulada e tento ajudar, mesmo sem ter mandato Afinal, este é um direito da cidadania, por mais que os palpites dados possam ser rotulados de chatice e incomodem os chatos e auto-suficientes. Coisas da vida!
A propósito da última visita de Bill Clinton, lembrei um sonho sonhado em 2006, quando fui candidato a prefeito de Natal. Defendia a realização na cidade de um encontro dos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Seria Conferência de integração da América Latina e Caribe para o lançamento do “Merconorte” – uma área de livre comércio, que reuniria os países latino-americanos, limítrofes no norte do país.
Tal evento consolidaria Natal como local ideal nas Américas para eventos internacionais pela proximidade geográfica com a Europa, África e Estados Unidos.
Quando presidi o Parlatino incentivei vários estudos de viabilização do “Merconorte”, que movimentaria mercado consumidor de cerca de 100 milhões de pessoas, gerando emprego, renda, além de meio eficaz de combate ao narcotráfico na fronteira. Falei várias vezes sobre o tema na Câmara dos Deputados.
Ninguém deu prosseguimento.
O encontro dos presidentes brasileiro e americano teria o precedente histórico da “Conferencia do Potengi”, realizada em 1943, no Pátio da Rampa, durante a II Guerra. À época, o presidente Roosevelt se encontrara com Churchill em Casablanca, no Marrocos. Voou direto para o encontro com o Presidente Getúlio Vargas, em Natal.
Até hoje, o nosso turismo praticamente desconhece fato de tamanha relevância.
Na mesma campanha de prefeito sonhei outro sonho. Foi a proposta de construção em Natal da “cidade olímpica”, próxima ao Parque dos Coqueiros, composta de estádios, escolas, áreas de treinamento esportivo, tudo que colaborasse na formação do atleta potiguar.
Imagine-se o alcance da idéia com o Brasil agora sediando as próximas Olimpíadas. O dinheiro viria do incentivo fiscal concedido para aplicação no esporte. A Petrobrás, que há anos extrai o nosso petróleo, poderia colaborar, além de outras empresas. Como a mediocridade não tem limites, cheguei a ser gozado e acusado de tentar “desmembrar” o município de Natal.
Que má fé!
A “cidade olímpica” seria apenas mais um bairro, idêntica a Cidade da Esperança, Cidade Nova, Cidade Jardim…
Na semana passada, li na imprensa que Andre Rieu – o famoso violinista holandês – se prepara para um grande show na América Latina, a ser transformado em DVD internacional e comercializado no mundo. Escolheu o Brasil como palco. Por que não trabalhar a idéia do espetáculo ser realizado no Forte dos Reis Magos, uma das maiores edificações da Holanda na América Latina?
Em 2004, o Parlatino trouxe a Natal uma delegação de deputados do Parlamento Europeu. Dois deles eram holandeses e me sugeriram cooperação com o governo da Holanda para instalar no Forte dos Reis Magos uma concha acústica para concertos e shows.
Sugeri aos governantes e nada se fez.
Aliás, no RN é pecado mortal ter propostas. A regra é nivelar-se por baixo. Tenta-se levar até ao ridículo. Sei disto pela minha luta, a favor de uma área de livre comércio!
Bem, são apenas sonhos. Victor Hugo já escreveu que “não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”. Por isto sempre sonho…




5 Comentários
Paulino on 4 de julho de 2010 at 11:18.
O ex-deputado Ney Lopes devia, como jornalista que diz que é, ser mais bem informado. O Forte dos Reis Magos não é obra dos holandeses, mas dos portugueses. Quando eles (os halandeses, é bom frisar) dominaram o RN, o forte já existia ali, no mesmo lugar onde se encontra hoje. Os holandeses, deputado, nunca botaram uma pá de cal no RN. Este é um assunto indiscutivel. Seria bom se o sr. se informasse melhor para não dizer asneiras.
Divanira Fonseca on 4 de julho de 2010 at 11:22.
Continue dando palpites, não há crime nisso… Mas se informe, ‘hômi’! Se informe!
Selene Sousa on 4 de julho de 2010 at 12:14.
Como Ney conhece mal a nossa cidade… E teve a pretensão de ser prefeito de Natal! Era só o que flatava!!!
Maria Elisa Moura on 4 de julho de 2010 at 12:27.
Ainda bem q ele foi só politico a vida inteira… Pense se um cara desses tivesse sido professor alguma vez! Que teria ‘ensinado’ aos seus alunos???
Milena Sampaio on 5 de julho de 2010 at 7:14.
A Capitania do Rio Grande só interessava aos holandedeses porque era a maior fornecedora de carne e outros bens para o Pernambuco batavo. Quanta desinformação, quanta negligência com o conhecimento!