Vale a pena ler de novo

Por O Santo Ofício | 3 julho, 2010

A ARTE DA INVERDADE, OU: TALITA NÃO, FIALHO; THAÍSA
Publicado quarta-feira, 22/abril/2009, no Portal Diginet

Por Patricio Jr.
Em seu texto Como vencer na crise, Carlos Fialho fala das tramóias que alguns famosos natalenses usam para ganhar dinheiro. Mas meu querido amigo Fialho, movido por sua elegância, prefere usar pseudônimos, técnica que já virou sua marca registrada. Eu, deselegante e sem técnica, não tenho o mesmo escopo moral do meu amigo: assim, leia-se Thaísa Galvão onde vemos Talita Pavão.

Fiz esse preâmbulo para justificar uma coisa: faz tempo que sinto vontade de escrever umas palavrinhas sobre Thaísa Galvão. Por sua parcialidade disfarçada de imparcialidade; por seu talento em manipular a verdade; por sua maestria em conseguir anunciantes de peso pro seu blog (do qual não postarei o link por uma simples questão: não quero dar mais acessos a ela); e também porque apesar de não ser a única a fazer jornalismo tendencioso, se tornou um exemplo dessa prática detestável.

Ovacionada como comentarista política, sem lastro para tal, Galvão conquistou audiência na internet, grandes anunciantes e renome. Mas nem por isso sacramentou um compromisso com a verdade. A blogueira é um exemplo clássico do subproduto gerado da relação promíscua entre jornalismo e poder.

Afinal, qual a credibilidade de um blog sobre política no qual os principais anunciantes são Prefeitura do Natal, Governo do Estado e Câmara Municipal?

Mas ela não ataca de tendenciosa só na política. Pelo que se nota, basta oferecer uma contrapartida interessante para que Galvão fique do lado de alguém. Um exemplo: em nota publicada dia desses sobre Marina Elali, a jornalista enaltece o fato de a tentativa de artista supostamente estar numa lista de poderosos da indústria fonográfica mundial.

“Marina Elali é mesmo o poder”, inicia ela sua prestação de serviço. Mas em nenhum momento Galvão menciona que a tal lista é, na verdade, uma compilação dos clientes do produtor musical Dana Jon Chapelle. E que o único critério para estar ali é ter contratado o cara.

Terá sido um deslize do dia-a-dia? Uma falta de checagem de informação? Não. O link que ela disponibiliza leva direto a tal lista, no site do produtor. E está bem claro do que se trata pelo título da página: “Dana Jon Chappelle – Selected Discography”. Ou seja: jabá, amigos, jabá.

Já na eleição municipal de 2008, Galvão foi além de todos os conceitos de antijornalismo. Repercutia caminhadas felizes de Micarla enquanto dava destaque para acusações de abuso de poder da coligação de Fátima. Mas como uma boa antiprofissional da comunicação, não mentia. Porque pseudojornalista que se preze usa somente a verdade: manipulada, distorcida, filtrada, mas a verdade.

Me dei ao trabalho de ir ao blog de Thaísa Galvão e fazer uma busca por notícias referentes a Micarla e Fátima durante o período eleitoral. Coletei referências sobre os dois lados publicadas sempre no mesmo dia.

Compare:
02.10
- Micarla lembra voto de Fátima a favor de taxar os salários dos aposentados e inativos.
- Tribuna do Norte publica pesquisa que aponta vitória de Micarla no primeiro turno.
03.10
- Fátima é massacrada por todos os candidatos no debate.
- Micarla é aplaudida ao entrar na capela e ganha presentes de seminaristas.
04.10
- Fátima ultrapassa Miguel Mossoró e assume liderança entre os mais rejeitados.
- Pesquisa garante vitória de Micarla no primeiro turno.
05.10
- Fátima ignora lei eleitoral e visita seções de votação.
- Filhos de Micarla testemunham voto da mãe candidata.
Ninguém vive sem ganhar dinheiro. Nenhum veículo de comunicação sobrevive sem anunciantes. Por isso, em respeito aos seus leitores, muitos blogueiros sinalizam com “post pago” as notas que foram patrocinadas por alguma empresa. É uma questão de transparência. Outros, entretanto, preferem bancar os imparciais para ganhar credibilidade e, assim, conseguir mais benesses pessoais de seus, vá lá, patrocinadores. É a forma como essas relações entre imprensa e poder são tratadas (claramente ou de maneira obscura) que definem o caráter de um veículo. Ou, no caso do blog de Thaísa Galvão, a falta de.

8 comentários
José Luiz Coe: – 22/abril/2009 às 9:09 – Eu não vejo problema algum em ganhar dinheiro com o próprio trabalho, principalmente na Internet. Acessa quem quer, lê quem quer. A distância é um clique.Se for seguir a linha de raciocínio do texto, todos jornais, revistas, TVs, sites de notícias são corruptos, uma vez que fazem exatamente a mesma coisa. Basta acessar o Jornal de Hoje, Tribuna do Norte, Diário de Natal, Nominuto e companhia limitada e ver que se você substituir “Thaisa” por um deles, o texto não perde seu sentido. Politica e jornalismo são dependentes em qualquer lugar do mundo.Eu nem conhecia, mas agora passei a adimirar essa tal de Talita, Tahisa, seja lá quem for – só por causa deste texto. Ela consegue fazer isso tudo aí em Natal? Sozinha? E ainda faz sucesso? Palmas pra ela! Virei fã! Conheço gente que tenta isso há anos e não consegue.
leo seabra: – 22/abril/2009 às 10:28 – A defesa de interesses escusos, do privado em detrimento do publico, a manipulação de informação e obtenção da mesma de forma privilegiada…o patrocinio do governo do estado…e seja lá de que orgão publico for, não tem nada a ver com jornalismo e SERIEDADE.
Ela tem competência em saber articular coisas a seu favor, aí tudo bem, só que o preço é a inverdade, a bajulação…e coisas piores.
Aqui jornalista só chega a prosperidade se for da turminha do CC (CONTRA-CHEQUE, OK?). Mas isso só aconteceu porque ficaram mal acostumados e se sujeitam aos esquemas, adoram uma vida fácil…da uma notinha aqui e acolá, pra poder petiscar no abade ou tomar café num hotel 5 estrelas. Querem viver a vida dos outros com dinheiro alheio. O pior é que boa parte desses ‘jornalistas” são patrocinados com dinheiro publico..o NOSSO.
DAM: – 22/abril/2009 às 10:32 – Muito legal seu post, parabéns! me lembrou outro episódio bizarro protagonizado por Talita ehehehe na época das eleições de 2008.
Na campanha do segundo turno de SP(capital), a cadidata Marta apelou para os mesmos métodos toscos e preconceituosos da cadidata natalense “mãe, mulher…”, Talita deixou o seu protesto contra a tática da Marta(tudo bem, super váiida a crítica), mas em momento algum, ela lembrou que a mesma tática preconceituosa e porque não dizer homofóbica foi usada também por Micarla em toda campanha do primeiro turno… Na época eu fiz um comentário semelhante a esse em seu blog (Talita), não sei porque ele não foi aceito…
Felipe: – 22/abril/2009 às 11:29 – Pra mim jornalista que manipula fatos não passa nem pelo purgatório, vai direto pro inferno! É o maior exemplo profissional de corrupção! Fala sério cara! Tem muito jornalista sério vivendo bem! Isso vai acabar? claro que não! TOdos estudaram ética, mas segue quem quer!
jão: – 23/abril/2009 às 15:36 – José Luiz Coe, sua opinião é a mais brasileira que eu já ouvi.
José Luiz Coe: – 23/abril/2009 às 15:57 – “Jão”, pelo menos é uma opinião, né? Diferente de quem sequer usa o nome verdadeiro. Típico de jornalista político que tem rabo preso… e não estou falando da “Talita”, viu?)
Abraço!
• jão: – 23/abril/2009 às 16:43 – José Luiz Coe, meu nome verdadeiro é Jão. Meu sobrenome é Saraiva. Se você não fosse tão brasileiro te dizia meu CPF. Agora que já me identifiquei à moda americana, com nome e sobrenome, presumo que possa continuar: José Luiz Coe, sua opinião é a mais brasileira que eu já ouvi.
Civone: – 28/maio/2009 às 11:20 – Ducaaaa!Disse tudo e não tá prosa! A situação é essa: Crônica!!!


2 Comentários

J. Duarte on 4 de julho de 2010 at 11:34.

Ô cabra pra escrever bem!

Reply

marcus on 4 de julho de 2010 at 16:13.

E aquela estória do Bandern?

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