O QUE É A GERAÇÃO Y?

Por O Santo Ofício | 28 junho, 2010

Por Luis Soares,
de Obvius

O livro “Geração X” de Douglas Coupland marcou-me quando o li e levou-me a ler compulsivamente a maior parte das obras do autor. Embora situado noutro universo social e cultural, a vida e as preocupações das personagens eram as minhas e diziam-me muito. Descubro agora que existe já uma Geração Y e tento descobrir se, discretamente, consigo chegar lá.

Primeiro que tudo acho assustadora a escolha de letras. O facto de já irmos na Geração Y quer dizer que o fim do mundo se aproxima? Vamos dar a volta por cima (ou por baixo) e teremos uma nova Geração A? Não sei. Sei que os estudiosos do mercado definem a Geração Y como tendo entre 18 e 27 anos, com três características principais: estão continuamente ligados; falam a sua própria língua; são influenciados pelos seus pares. (Acho que há esperança para mim).

Mais uma nota, que não é de rodapé: a Geração X foi descrita por um escritor e definida com subtileza pelas suas palavras, uma história, um conjunto de personagens. A Geração Y é definida pelo pessoal do Marketing. E é um sonho para o marketing.

Estão sempre ligados, o que quer dizer que estão susceptíveis a ser permanentemente bombardeados por mensagens. Emocionalmente são inseguros, em busca permanente de reconhecimento e fama, emocionalmente numa adolescência perene que um dia lhes há-de formar a personalidade (mesmo que seja à base de iPods).

Num segundo nível, a coisa é mais complexa. A sua atenção é mais difícil de agarrar, aborrecem-se com facilidade, exigem imediatismo e a mudança está à distância de um clique. Agora estão aqui. Daqui a um segundo já não.

A sua linguagem é difícil de imitar e exige uma pertença difícil para quem está de fora, é muitas vezes dominada por um nonsense e por uma rede de referências culturais que se espalha como um fogo na savana.

Num terceiro nível, a coisa piora definitivamente para o pessoal do Marketing. A Geração Y tem opinião. Pior que isso, tem muitas opiniões. E muda muito de opiniões. É fiel à opinião dos amigos e pouco fiel às marcas.

Hoje é Nike, amanhã é Adidas, depois é Element e para a semana Carhartt. As suas tribos estão em constante mutação e interacção: Emos, Gamers, Punks, Alternativos, já nem sei quantos são… E ainda por cima… são criativos. Não criativos de uma maneira ordenada e fácil de compreender, mas numa lógica de nonsense sem limites.

Este é o público de parte significativa da Internet. Em Portugal e no Brasil como no resto do mundo. Repararam como comecei a escrever frases curtas? É para não vos aborrecer. Paz.


2 Comentários

Zilda Mers on 3 de julho de 2010 at 19:49.

Então é isso?????

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Zilda Mers on 3 de julho de 2010 at 19:49.

Brincadeirinha….

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