PARAMIOLOGIA
Por O Santo Ofício | 27 junho, 2010
Por João da Mata Costa
São as mais aprovadas sentenças que a experiência achou as ações
humanas, ditas em breves e elegantes palavras. Padre Antonio Delicado
(citado por Cascudo no Dicionário do Folclore Brasileiro)
Parece-me, Sancho, que não há rifão que não seja verdadeiro, porque todos
eles contêm sentenças consagradas pela experiência, mãe de todo o saber.
(Dom Quixote de Miguel de Cervantes)
A paramiologia é um dos assuntos mais férteis da literatura popular. A
sabedoria do povo na forma de ditos seculares que remontam à idade média.
O Dom Quixote de la Mancha é um rico manancial de paramiologia, onde
abundam os rifões, provérbios, frases proverbiais, anexins e outros tipos
de parêmias. O Sancho Pança e sua mulher Tereza Pança falam muitos rifões.
O Quixote também, apesar de reclamar do Sancho sua proverbial sabedoria.
No prefácio à edição do Quixote em 5v pela José Olympio, Cascudo escreve
sobre esses provérbios que encantam gerações e estão muitos presentes na
nossa cultura e nas falas dos nossos pais e avós.
É lamentável a fala do senhor Ivan Lessa (BBC/ Estadão “Do infinito besteirol dos ditados
populares em 09/06/10) que conhecesse um pouco mais a cultura brasileira
não diria asneiras e receberia o conselho do Quixote ( parafraseando) : –
Nunca interpretes arbitrariamente o que a sabedoria popular diz como fazem
os ignorantes que têm presunção de ter grandeza.
Excertos de Paramiologia do Quixote:
1-As sentenças ou máximas contém uma sabedoria popular
Mas vale bom nome que muita riqueza (Sancho II, 33) Eclesiastes VII, 2
2-Provérbio
Sempre ouvi dizer: Quem canta seus males espanta (I, 22)
Virgílio – Georgica I, 293 (citado por Cascudo in obra cit.)
3- Adágio
[...] cumprindo-se o adágio de que às vezes paga o justo pelo pecador (I, 7)
Una golondrina sola não hace verano (I, 13),
Uma andorinha só não faz verão
Uma andorinha só não faz primavera
Em português e espanhol medieval e clássico é comum a sinonímia verão e
primavera.
Conselhos de Dom Quixote a Sancho Pança, antes que seu escudeiro fosse
governar a ilha Baratária:
-Nunca interpretes arbitrariamente a lei, como costumam fazer os
ignorantes que têm presunção de ter grandeza.
-Anda devagar, fala pausadamente, mas não de forma que pareça que te
escutas a ti mesmo, porque toda afetação é má.




1 Comentário
Bruno Latuggi on 27 de junho de 2010 at 18:33.
Morando aqui em Veneza a muitos anos, esse Site se tornou para mim uma leitura diária. É o meu laço com o Brasil pensante: um Brasil culto, independente, bem informado.