FESTIVAL JEAN ROUCH NO SEBRAE-NATAL
Por O Santo Ofício | 26 junho, 2010
Por João da Mata
O grande ciclo dos ritos sigui, entre os Dogon do Mali
Maravilhoso filme documentário num ritual que só acontece a cada sessenta anos.
Para conseguir filmar teve que ter a autorização da Raposa Pálida.
A bebida é feita de milho.
Longo ritual cosmogônico para liberar a palavra e a morte.
Toda história é registrada nas paredes das cavernas e lajedos. Os homens/eremitas dormem em buracos no chão.
Os meninos são fantasiados e participam do grande ritual.
Longas tomadas em caminhadas de leste a oeste. Grande elenco num filme inprescindível e dificil de ver novamente.
Cansativo e importante.
O filme todo tem mais mais de três horas. O que vimos tem 128 minutos.
O ciclo dos ritos Yenendi, entre os Songhay do Niger
Três filmes separados por vinte e cinco anos. Belos filmes
Yenendi significa refrescar. A aldeia é seca e é feito um longo ritual para chover.
Para isso é preciso negociar com os Deuses. Dongon é o temido deus do trovão.
Rouch resolveu fazer esse filme e entrar definitivamente no mundo do cinema depois que um raio matou muitas pessoas na região do Niger.
A música ritual tocada em cabaças e a preparação do líquido que será derramado na terra para fazer chuva é fielmente documentado num filme maravilhoso e raro.
O Espírito do mal baixa na mulher. A sereia é domada. A arvore recebe água e a chuva se faz num dos grandes filmes de Rouch.
A caça ao leão com arco
Uma obra prima do cinema etnográfico. Talvez a obra prima do Jean Rouch.
Melhor filme do festival de Veneza 1965. Foram precisos sete anos para realizar o filme. Belo roteiro, música e ritual.
O americano (leão) foi o último da família a ser capturado.
A longa preparação do veneno que vai ser colocado na flecha. A preparação dos caçadores e a reza que ajudará a matar o leão.
Desgraça Boto!
O veneno da mulher é mais forte.
Não se deve matar o leão zangado.
Ao matar o leão é preciso liberar sua alma e o caçador alisa a cabeça da fera para concluir o ritual longamente preparado com armadilhas e flechas que não serão reutilizadas.
Gawey- Gawey
Belo filme da mostra Rouch que continua até sábado.
Do Transe ao Funeral
Três grandes filmes num crescendo da minha admiração por esse cineasta múltiplo.
O primeiro filme “A invenção do cine- transe junto aos Songhay- Niger” narra de forma muito fiel a uma seção de transe de mulheres/ cavalos que recebem o espírito ao som dos tambores (cabaças) monocórdios tocados repetidamente acompanhados por violinos de arco. Filme longo e bastante cansativo podia ser reduzido.
O segundo filme do dia foi o “Niger- França, ida evolta, ou a etno– ficção ao avesso”.
Petit à Petit. Uma deliciosa comedia de um africano que vem a Paris para olhar os prédios e encomendar um projeto que vai ser levado á sua cidade. O prédio será o mais alto e abrigará suas várias esposas.
Em Paris ele aproveita para fazer etnografia de campo em cenas muito bem urdidas e hilárias. Em Paris o rio é preso e as pessoas são feias.
Ao voltar à sua Niger junto com o amigo na companhia de duas mulheres e um malandro de rua para tocar a sua fábrica não mais se adapta ao capitalismo que compra barato e vende caro. As mulheres trazidas de Paris não se adaptam e o malandro vai embora. Belo filme com os mesmos atores do excelente “Jaguar” (exibido na terça feira)
O ultimo filme foi o melhor de todos. Ritos funerários dos Dogon, no Mali. O primeiro filme narra um funeral com muita festa e lutas.
O segundo Funeral “A dama de Ambara” é deslumbrante.
Um cortejo de mascaras e danças encomendam o morto num rito que representa todas as etapas da vida e a não possibilidade da união do casal Raposa Pálida (entidade muito forte entre os povos Mali) e sua gêmea.
A dança pulando a vagina é empolgante.
O texto é um lindo poema.




2 Comentários
Bruno Mendes on 26 de junho de 2010 at 15:23.
Sayonara tá certa. O autor mistura as coisas: acabamos sem saber sobre qual dos tres filmes ele tá falando…
João da Mata on 26 de junho de 2010 at 23:24.
Saudades do Festival Rouch
Terminou a mostra Jean Rouch com um belo filme do Jean- André Fieschi em Jean homenagem a Jean Rouch. Um belo filme com a participação do Tallou e Damouré.
O Lam que fazia parte da grande trilogia de atores que trabalhou com Rouch já havia falecido quando Fieschi fez o filme em 1998.
Foi um belíssimo festival de cinema pouco freqüentado pelos natalenses.
O Rouch tinha uma filosofia que deixo para a nossa reflexão. “O fazer de conta”. Vamos fazer de conta que é real. Que faço filme, que você me ama, que a gente acredita no que faz….
Momentaneamente podemos suspender a descrença.
Uma grande filosofia de um semana plena.