QUANDO O CRIME COMPENSA

Por O Santo Ofício | 25 junho, 2010

Um colarinho branco de salto alto

No mundo do crime do colarinho branco, a maior celebridade entre os especialistas em lesar a Previdência nunca usou colarinho nenhum. Presa no fim do século passado, aos 47 anos, a advogada Jorgina Maria de Freitas ficou 13 na cadeia. Libertada na manhã do dia 12, saiu como entrou: sem dizer uma palavra sobre o paradeiro da fortuna que acumulou como integrante do comando da quadrilha formada por juízes, advogados e funcionários do INSS.

Entre 1988 e 1990, o bando desviou mais de U$ 500 milhões dos cofres da Previdência com a mesma metodologia: usando até nomes de pessoas mortas, os delinquentes forjaram centenas de processos de indenização milionários. A rede de corrupção começou a ser desmontada em março de 1991, quando uma investigação interna do INSS descobriu como haviam sido tungados R$ 90 milhões, supostamente pagos ao motorista de empilhadeira Alaíde Fernandes Ximenes.

Vítima de um acidente de trabalho, Alaíde processou a Previdência em conluio a quadrilha e conseguiu em pouco tempo a quantia astronômica. Intrigado com as dimensões das cifras, o procurador da Previdência Zander Martins de Azevedo incumbiu um grupo de trabalho da apuração das irregularidades. Logo se chegou ao pântano onde Jorgina e seus comparsas enriqueciam.

Condenada, a criminosa fugiu para o exterior em 1992, graças à ajuda de José Ramon Irribarra Moreno, mafioso chileno que prestava serviços a clientes como PC Farias, tesoureiro de Fernando Collor. Num jatinho, a advogada passou pelo Paraguai e pousou na Argentina. Em seguida, fez escalas nos Estados Unidos, em Portugal e na Espanha até estacionar, em 1994, na Costa Rica. Dali, só sairia algemada para o Brasil três anos mais tarde.

No fim de maio deste ano, Jorgina foi condenada a devolver R$ 200 milhões aos cofres públicos. Há menos de uma semana em liberdade, já recorreu da sentença. Para abater a dívida, serão leiloados 57 imóveis da ex-advogada – que teve seu registro profissional cassado pela OAB em 2001.

A ladroagem protagonizada por Jorgina foi um dos poucos casos de corrupção que não ficaram impunes. Mas só foram devolvidos R$ 69 milhões do total roubado pela quadrilha. O resto do dinheiro está em algum lugar que a polícia e a Justiça ignoram. Jorgina sabe qual é.


2 Comentários

Benicio Lima on 25 de junho de 2010 at 8:07.

Já nem me lembrava mais da Jorgina…Pensava até que tivesse morrido.
Agora, livre e solta, ela vai desfrutar da riqueza que roubou do INSS…

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vania cardoso lopes - ponta grossa on 27 de junho de 2010 at 18:13.

e comoi compensa, ainda mais aqui no brasil!

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