INDISPENSÁVEL NO KIT DA COPA 2010
Por O Santo Ofício | 20 maio, 2010
Por Kinha Costa
Alfred Baloyi é o criador do Makarapa, um capacete de trabalhador da construção civil enfeitado de forma extravagante, que certamente deixaria Carmem Miranda com água na boca.
As vuvuzelas já estão famosas no Brasil e no mundo, mas o MAKARAPA ainda precisa ser incorporado como peça fundamental à indumentária do torcedor que vai à Copa do Mundo na África do Sul, que quer se divertir pra valer e chamar
atenção.
Tudo começou há 30 anos, em 1979, quando o, então, empregado da prefeitura de Pretória, como lavador de ônibus, curtia um jogo do seu time predileto e presenciou, horrorizado, um outro torcedor ser atingido por uma garrafa jogada da arquibancada de cima.
- Poxa, esse lugar é perigoso! Exclamou. Alfred trabalhava uniformizado de macacão e capacete.
Apaixonado por futebol, não desistiu. E no jogo seguinte, foi ao estádio protegido por seu capacete de trabalho. Enfeitá-lo com as cores do Keizer Chiefs, seu amado time, foi o primeiro passo.
Apesar de não ter ido além do ensino primário, sempre foi um artista nato e passou a caprichar na decoração do seu protetor de torcedor fanático.
Sem perder um jogo do seu dileto time, começou a chamar atenção por exibir um capacete único e chifroso. De tanto receber ofertas de compra, resolveu aceitar encomendas do seu extravagante adereço. O batizou de makarapa, que na língua isiXhosa, significa operário imigrante. A grande massa de trabalhador das minas de ouro de Johanesburgo oriunda de todas as regiões do país e da Ásia.
Alfred vendia seus makarapas nos sinais de trânsito, nas paradas das kombis e no estádio, em dia de clássico. O negócio foi tomando conta da sua vida e transformou-se no seu ganha pão. Mas a produção artesanal rendia somente dois capacetes por dia. O ritmo não acompanhava a demanda e também não possibilitava lucro.
Arrumou um sócio, o vendedor de artigos esportivos, Grant Nicholls, criaram a Papadi e passaram a produzir numa escala industrial, sem o produto final perder as suas características de peça de arte única.
Os makarapas imigraram pra esportes como rúgbi e críquete e a pequena fábrica começou a receber encomendas de empresas e grandes quantidades. Os desenhos foram ficando mais sofisticados e hoje os capacetes exibem chifres, emblemas de times internacionais, figuras famosas dos esportes e pra Copa do Mundo, as cores e os símbolos dos 32 países participantes entre outras inspirações.
Alfred Baloyi, 57 anos, pai de cinco filhos, não ficou rico, mas construiu uma casa bacana pra sua família e a filha, de 20 anos, frequenta a faculdade de graphic design. Sonhos realizados, mas impossíveis de acontecer se ainda fosse lavador de ônibus. Graças ao makarapa!
Até o Makarapa ser apresentado na Suíça, como parte do kit do torcedor na batalha pra sediar a Copa que se aproxima, foi uma longa caminhada. Porém, hoje sua marca se tornou imprescindível na festa do futebol sul-africano e vai, com certeza, conquistar os corações dos torcedores internacionais, com a vantagem de não fazer o som barulhento da vuvuzela e ainda atrair, como abelhas, as câmeras de televisão.
O preço, pra Copa, varia entre 25 e 40 euros e pode ser encomendado via internet: www.makarapa.com




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