O ANÃO DA SELEÇÃO
Por O Santo Ofício | 11 maio, 2010
Por Josias de Souza
Dunga anunciou os nomes dos jogadores que irão à Copa.
Novidade? Grafite no lugar de Adriano. Neymar e Ganso? Esqueça.
A lista do técnico ateou fogo ao meio-fio.
Em meio às labaredas, o noticiário mandou para escanteio um lote de declarações esquisitas.
Em sua entrevista, Dunga invadiu a grande área da historiografia.
A horas tantas, disse que só quem vivenciou determinado episódio pode avaliá-lo com acuidade.
“Quem não viveu a época da escravidão não pode falar se era boa ou não!…”
“…Do mesmo modo que a ditadura, quem não viveu a época não pode saber se era boa ou ruim”.
Raciocínios pobres, reagirão os brasileiros de bom senso. Só Dunga sabe, porém, o trabalho que dá empobrecê-los.
Se máquina do tempo não fosse coisa só de cinema, a CBF poderia enviar Dunga ao passado.
Umas boas chibatadas e uns poucos choques elétricos talvez o acordassem.
Na impossibilidade de prover ao técnico o retorno físico à era da escravidão e ao ciclo ditatorial, Ricardo Teixeira faria um favor a Dunga se lhe presenteasse com um par de livros.
Lula avisa: os servidores não terão reajuste em 2010
Lula convocou para uma reunião, na noite desta segunda (10), 15 ministros. No encontro, o presidente deu um aviso:
O governo não concederá reajustes salariais aos servidores públicos neste ano da graça de 2010.
Sem dar nome aos bois, Lula admoestou os ministros que fazem média com o funcionalismo, parte dele pintado para a greve.
Coube ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento) trocar a encrenca em miúdos para os repórteres:
“A reunião foi para dizer que ministro e dirigente de autarquia não é sindicalista. Não tem que defender reivindicação de servidor. Não tem reajuste em 2010″.
Tomado pelas palavras do petista Bernardo, o governo não hesitará em recorrer à Justiça contra as greves. Já o fez, aliás, num caso de paralisação no Ibama.
Noves fora o Ibama, ameaçam cruzar os braços servidores do Judiciário e de universidades federais. Haverá, segundo Bernardo, corte do ponto.
As eleições como que anteciparam o calendário sindical. Antecipou-se para o primeiro semestre uma pauta que só costuma ser vir à tona no segundo.
Por quê? A lei eleitoral proíbe o governo de conceder aumentos salariais à sua tropa depois do mês de julho.
Segundo explicou o ministro Bernardo, o governo decidiu levar o pé à porta do cofre em homenagem à responsabilidade fiscal.
Em reforço à idéia de que não os pedidos de benesses ultrapassam a capacidade da Viúva de atendê-las, Bernardo levou à alça de mira o Congresso.
Disse que, embalados pelo iminente encontro com as urnas, os congressistas embrulham uma série de pacotes de “bondades”.
Citou propostas que prevêem aumentos salariais para o funcionalismo do Judiciário e para policiais militares de todo país.
Mencionou também o tônico de 7,7% servido aos aposentados que recebem da Previdência pensões acima de um salário mínimo.
O governo sugerira, em medida provisória que o aumento aos aposentados fosse de 6,14%. Os líderes governistas articularam 7%. E os deputados cravaram 7,7%.
Bernardo voltou a informar que, mantido esse percentual no Senado, Lula vai vetar. Disse que, se mantido, o aumento custará R$ 30 bilhões em cinco anos.
“Estamos vivendo um verdadeiro surto de aprovação de projetos que evidentemente não têm sustentabilidade do ponto de vista do Orçamento…”
“…Não achamos responsável que se vote o volume de projetos que estão sendo preparados sem dizer de onde vem o dinheiro”.
No caso dos aposentados, disse o ministro, o governo se bate para manter os 6,14%. Alega que o percentual foi negociado com as centrais sindicais.
Curiosamente, a emenda dos 7,7% é de autoria do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical.
Além de presidir a segunda maior central sindical do país, Paulinho é do partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Para complicar o que já não parecia simples, o reajuste que Lula ameaça vetar foi aprovado com os votos das legendas associadas ao consórcio governista.
Ruralistas tentam tirar desmatamento do Ficha Limpa
A Câmara retoma na noite desta terça a votação do projeto que limita a participação de candidatos com fichas sujas nas eleições.
O texto principal foi aprovado na semana passada. Vão a voto agora as emendas que os deputados engancharam na proposta.
Há doze emendas. A maior parte visa flexibilizar o texto, facilitando a vida dos políticos com problemas na Justiça.
Levadas a voto na semana passada, três emendas foram rejeitadas. Há nove penduricalhos por votar. Seis sugerem o abrandamento do projeto.
Um deles, de autoria do PP, carrega um refresco para os congressistas que integram a bancada ruralista. Coisa de 140 parlamentares.
Essa emenda propõe que sejam excluídos do rol de crimes que sujeitam os autores à inelegibilidade de oito anos os delitos contra o meio ambiente e a saúde pública.
Significa dizer que, se aprovada, a novidade vai autorizar as candidaturas de políticos condenados por desmatamento de florestas.
Há mais: na rabeira dessa mesma emenda, sugere-se a exclusão também os crimes praticados contra a saúde pública. Assim mesmo, bem abrangente.
Para que uma emenda seja aprovada, é preciso que pelo menos 257 deputados votem a favor. Será um teste para o prestígio dos ruralistas.
Noutra emenda, o PP propõe a exclusão do projeto ficha limpa do crime de abuso de autoridade.
O texto original, redigido pelo deputado José Eduardo Cardozo, já prevê exceções. Anota o seguinte:
O crime de abuso de autoridade só impede a candidatura do infrator se a sentença determinar a “perda do cargo ou a inabilitação para o exercício de função pública”.
Aprovada a emenda do PP, vai prevalecer uma espécie de liberou geral. As autoridades-candidatas poderão abusar à vontade.
Deve-se ao PMDB a autoria de outra emenda de teor capcioso. Sugere que seja suprimida do texto já aprovado a expressão “proferida por órgão colegiado”.
Tenta-se aqui, adicionar açúcar no refresco. Em sua versão original, o projeto de iniciativa popular proibia a candidatura de todos os políticos condenados.
No moedor de projetos da Câmara, eliminou-se o inconveniente das sentenças de primeiro grau, proferidas monocraticamente por juízes.
Ficou entendido que só ficarão só ficarão impedidos de ir às urnas os políticos condenados por “órgãos colegiados”. Vale dizer: tribunais de segunda instância.
Caindo a expressão “proferida por órgão colegiado”, como deseja o PMDB, volta-se ao pior cenário. Nem juiz nem colegiado.
O político só seria considerado efetivamente condenado depois que se chegasse a algo que os advogados chamam de “trânsito em julgado”.
No português das ruas: a ficha do sujeito só ficaria suja depois que fossem julgados todos os recursos que a legislação brasileira faculta aos réus.
Combinando-se os recursos à morosidade do Judiciário, um político pouco asseado pode desfrutar de uma carreira longeva –duas, três décadas.
Considerando-se que o STF, foro de julgamento de congressistas, ministros e presidentes jamais condenou ninguém, a carreira dos sujos pode durar uma vida.
Em sentido oposto, o PSDB apresentou emenda na qual sugere a volta à fórmula que viera das ruas: inabilitação dos candidatos condenados em primeiro grau.
De zero a dez, as chances de que algo assim seja aprovado é de menos 11.
A platéia deve se dar por satisfeita se o plenário da Câmara rejeitar a esperteza do PMDB, mantendo a condenação proibitiva no nível da segunda instância.
Seja qual for o resultado o resultado das votações, o projeto ainda terá de passar pelo crivo do Senado. As novas regras não valerão para a eleição de 2010.




1 Comentário
Maciel Neto on 11 de maio de 2010 at 22:57.
O que esses corruptos querem é absurdo. É uma violação ao direito docidadão de serem reprsentados por politicos honestos.Essas emenddas não poderm passar!
fora, corruptos!