PADRE, JORNALISTA E POLÍTICO
Por O Santo Ofício | 24 março, 2010

Por Franklin Jorge
O padre João Manuel de Carvalho, norte-rio-grandense e patrono de importante logradouro em Natal, notabilizou-se durante a monarquia e inícios da República, sobretudo, por seu temperamento e jornalismo desabrido a serviço da política partidária, pois era homem de opinião e ação que nunca ficou em cima do muro vendo as coisas acontecerem. Pároco da Candelária, no Rio de Janeiro, representou o nosso estado em duas legislaturas tumultuosas.
Tinha a justa fama de ter a língua de prata. Seu texto, embebido de puro vitríolo, era nitroglicerina pura. Corajoso e independente, colocava as ideias acima de seus interesses, deixando disso testemunhos públicos e privados. Como jornalista militante, era sempre do contra, por entender o jornalismo como uma advocacia popular a serviço dos cidadãos e não daqueles que se refestelam no poder, desfrutando as benesses do servilismo interesseiro. Costumava dizer o padre João Manuel, esse anti-Aretino por índole e temperamento, apostrofando o jornalismo que se vende: “Repórter é sempre parente do governo”, e estava conversado.
Ninguém, melhor do que ele, para dar esse diagnóstico, após ter dirigido dois combativos jornais cariocas, o “15 de Julho” [1870] e “A Nação” [1872-76], que deram eco à sua implacável campanha contra a sociedade política e burguesa de sua época, aliás, tão parecida com a atual.
Colaborador do “Jornal do Commércio” e, posteriormente, quando radicado em São Paulo, redator-chefe do “Correio Amparense”, já na República tornou-se um critico implacável do Governo Provisório, jogado em massa na fogueira, na figura de seus ministros, parlamentares, generais, anatematizados todos com as tintas da sátira e do ridículo.
Embora padre, nada tinha de piedoso, esse João Manuel de Carvalho, autor, também, de um livro de memórias ainda capaz de nos despertar o prazer do riso. Sobre o Marechal Floriano Peixoto, nascido antes do tempo na cidade alagoana de Porto Calvo – portanto conterrâneo do traidor Calabar -, destilou: “Monstruoso na ordem política, esse homem foi fenomenal na ordem da natureza. Ninguém se admire do que fez ele ao visconde de Ouro Preto, nem ao Marechal Deodoro, nem aos congressistas, nem à Nação, nem à Republica, nem à Federação, nem a si mesmo. O senhor Floriano Peixoto traiu a própria mãe que o pariu, a ele, porque fez-lhe a torpeza de nascer de sete meses e em Porto Calvo. Ora, procedente de porto calvo e tendo tanta pressa em vir ao mundo devia tornar-se um verdadeiro prodígio… na traição”.
E, não satisfeito com as estocadas, acrescentava sem perder o fôlego: “Pela pressa com que quis nascer, saiu completamente torto, tanto no corpo como na alma. ‘Pé torto, alma torta’, disse dele Pardal Mallet. De perfeito acordo”.
Frente ao cenário político que temos diante dos nossos olhos perplexos, só nos resta lamentar que não tenhamos em Mossoró algum padre como esse, para detonar figuras ridículas e venais, quando não destrambelhadas e manipuladoras, como grande parte dos nossos politicos de plantão.




1 Comentário
Mauro Gaglietti on 18 de agosto de 2010 at 8:50.
Informação:
RATO DE REDAÇÃO: HOMENAGEM A TARSO DE CASTRO, UM JORNALISTA BRASILEIRO
Organizadores: MAURO GAGLIETTI; ALINE DO CARMO; OLMIRO SCHAEFFER
Prefácios e Apresentação: BÁRBARA ABRAMO; GILBERTO PERIN; LUÍS AUGUSTO FISCHER; TÂNIA CARVALHO
Capa: PAULO CARUSO
AUTORES DOS CAPÍTULOS: Silvia Brugnera; Marina Campos; João Vicente Ribas; Alessandro Batistella; Mauro Gaglietti; Carlos Alceu Machado; Roberta Scheibe; João Carlos Tiburski; Maria Isabel Bristott; Ivaldino Tasca; José Ernani de Almeida; Francisco Carlos dos Santos Filho; Sônia Bertol; Bibiana de Paula Friderichs; Roberto José Ramos; Carla Rodrigues; Melchíades Cunha Júnior; Sérgio Vaz; Aramis Millarch
Páginas: 166
Preço: R$20,00 – Preço no lançamento (Passo Fundo e Porto Alegre) Preço: R$39,00 (nas livrarias) *Editoras: EDITORA IMED & EDITORA PASSOGRAFIC
Passo Fundo, 2010
Sinopse O livro ‘Rato de redação: homenagem a Tarso de Castro, um jornalista brasileiro’, publicado pelas Editoras IMED e Passografic, será lançado no dia 11 de setembro (sábado), a partir das 20h30min, no Velvet em Passo Fundo e na Livraria Palmarinca em Porto Alegre no dia 16 de setembro (quinta). A obra apresenta e analisa a trajetória do jornalista passo-fundense Tarso de Castro: o rato de redação mais famoso dos círculos cariocas e paulistas, que ficou conhecido a partir do Pasquim, jornal brasileiro que combateu a Ditadura Militar com sarcasmo, criatividade e muito humor. A capa do livro foi idealizada pelo chargista e cartunista Paulo Caruso. Já o prefácio e a apresentação foram escritos por Bárbara Abramo; Gilberto Perin; Luís Augusto Fischer e Tânia Carvalho. De acordo com um dos organizadores da obra, o Prof. Dr. Mauro Gaglietti, o livro reúne vários textos de diferentes autores para marcar a polêmica passagem do autor de frases como: “Viver é fácil. A dor é apenas o intervalo para fumar”. “Perdi 25 milhas. Por sorte, não as tinha”. “Devo ter todos os defeitos possíveis, mas faço questão de exercer minhas virtudes”. “É preciso ter amigos, mas poucos”. Conforme Mauro, a obra também apresenta vários capítulos cuja autoria é de jornalistas e estudiosos da vida e da obra de Tarso de Castro. “Imperdível é, também, a entrevista que Tarso de Castro fez com Chico Buarque e Caetano Veloso”, frisa o professore. Durante sua trajetória, Tarso de Castro, tornou-se amigo de pessoas influentes como: Chico Buarque, João Ubaldo Ribeiro, Luiz Carlos Maciel, Hugo Carvana, José Lewgoy, Leila Diniz, Regina Rozemburgo, Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Ricardo Amaral, Julinho Rego, César Thedim, Leonel Brizola.