O REI DE NATAL
Por O Santo Ofício | 21 março, 2010

Transcrito do NOVO JORNAL
Por Franklin Jorge
Navarro, Newton Bilro Navarro (1929-1992) terá sido o primeiro homem célebre que conheci e que deu-me a noção do que era ser famoso e ter o seu nome solto no mundo.
E não se tratava de nenhum político, mas de um artista, ou seja, de um individuo dotado de uma extraordinária personalidade que o distinguia e fazia dele uma pessoa notável. A confirmação do que me diria o mestre Cascudo alguns anos depois, o artista começa pela personalidade.
Reinou Navarro sobre a cidade do Natal durante duas ou três décadas, exercitando de maneira perdulária e impenitente a pluralidade do seu talento, na literatura, no jornalismo – onde se fez um mestre inconteste da crônica, ao lado de Berilo Wanderley e Sanderson Negreiros, o último remanescente dessa geração que deu projeção à cultura literária e jornalistica local.
Navarro era referência para todos os jovens da minha geração. Adolescente no Açu, onde não chegavam os jornais exceto com muitos dias de atraso, falava-se em Navarro como de um artista completo; como alguém que dominava todas as linguagens e ainda tinha o charme de se fazer ouvir pelas massas, sobre palanques eleitorais. Era, como se sabe, um notável orador e Aluízio Alves o prestigiou e dele tirou proveito.
Poucos de nós, porém, o conhecia a não ser pelo brilho de seu nome que se irradiava para além de Natal, onde vivia, segundo sabíamos, na companhia de sua velha mãe, Dona Celina, professora aposentada. Eu me lembro que ao visitar Vicente Vitoriano pela primeira vez, à rua Juvenal Lamartine, Doze Anos, em Mossoró, em algum momento da conversa o nome de Navarro veio inexoravelmente à tona como uma fatalidade. Noticiara-se, por aqueles dias, que ele estampara o vestido com que a Miss Rio Grande do Norte 1969 se apresentara ou se apresentaria numa grande festa no América, o clube do grand monde natalense.
No Açu, quando depois das aulas nos reuníamos na praça, meus colegas e eu, sempre Navarro era evocado como um dos nomes que encarnavam o mistério mesmo da arte. Curioso era que poucos, pouquíssimos de nós, algum dia, tivéramos até então o prazer de estarmos diante de uma obra sua, artística ou literária. Contudo, havia o prestígio do nome. Afinal, diz-seque a fama precede o talento…
Era Navarro, aonde quer que chegasse o seu nome e a notícia do seu talento, um dos grandes mitos da minha geração. Nem Cascudo, em sendo essa grande figura patriarcal das letras, gozava do mesmo prestígio, até porque Navarro contava ainda com um talento a mais – o fato de ser, também, um temperamento, alguém enfim de quem não se esperava que fosse convencional e rotineiro, pois praticava a baudelairiana arte de desagradar.
A ostensiva pluralidade do seu talento, sua impenitente boemia, o jeito guache de ser na vida, sua cartografia de Natal, despertavam a nossa deslumbrada curiosidade, ao contrário de Dorian Gray, sempre visto por quase todos como um artista burguês, segundo a incipiente contracultura provinciana daquela época. Era visto, ademais, como um outsider.
Artista que urdiu sua arte a partir de uma cultura visual consistente, inspirada no figurativismo construtivo-cubista, no melhor espírito legeriano, mostrou-se Navarro, sempre, um criador capaz de pensar sobre a pintura.
Foi, no entanto, um desenhista e não um pintor. Um grande desenhista que transfigurou em sua obra elementos portinarescos e soluções que clarificam a impressão deixada por Aldemir Martins, de quem foi aluno por um breve período, sobre a sua sensibilidade ímpar, que, juntamente com Picasso, forma as suas grandes referências plásticas.
Aqui, foi tudo e foi nada.
Escritor marcado pela angústia existencialista, descreveu em sua prosa de ficção o mundo rural da sua infância em Santana do Matos e Angicos, onde viveu e teve os seus primeiros contatos com a expressão artística, ao desenhar intuitivamente com carvões sobre a calçada da casa grande.

Nathália de Souza, vulgo Nei Leandro de Castro
Adepto da maledicência e barraqueiro temido pelas pessoas educadas e de boa índole, o pornógrafo Nei Leandro de Castro fugiu do debate civilizado ameaçando, ainda, não ler mais o meu blogue… D. Juan no limite da libido senil, o fauno da terceira idade é, além de um velhote frustrado e carente, uma verdadeira anomalia em matéria de tesão.
Segundo dizem por aí seus desafetos – que formam já uma legião – seu tesão “desceu”, como costuma ocorrer com alguns galãs em fim de carreira. Porém creio que tudo isto não passa de grosseria. De verdadeiro, em tudo isso, apenas a eclosão dessa tal poetisa Nathália de Souza com quem Nei, freudianamente, se confunde.
Ora, que espécie de macho se daria ao desplante de, mijando em pé, passar por uma fêmea? Pois em 2006, para a surpresa de todos, Nei adotou uma nova identidade – e uma identidade pouco viril –, entrando para a história da literatura provinciana como Nathália de Souza, a autora de uns Poemas Devassos produzidos por essa dupla personalidade que Caicó exportou para Natal ainda no século passado.
Ato falho ou confissão íntima?
Na história da literatura os pseudônimos e heterônimos são frequentes. Eu mesmo, de vez em quando, assino-me Jorge Antonio, em homenagem a antepassados meus. Infrequente é homem se passando por mulher, como faz o Nei Leandro de Castro, digo, Nathália de Souza, que ainda se apresenta como uma devassa curtidora de prepúcios e polidora de madeira…
Ademais, sua homofobia lembra-nos aquele recurso que o vulgo chama de “botar carta de seguro”, ou seja, prevenir-se, para não ser flagrado de calças curtas. Eu, sinceramente, não quero crer que seja Nei essa Nathália que ele declara ser, mas um engano. Pelo menos em matéria de literatura, sexo e moral.
A propósito, no próximo domingo, atendendo a vários pedidos, tenho toda uma gama de assuntos relacionados com a biografia de Nei a escolher como tema deste artigo. Eis uma amostragem sucinta: o ingrato que enganou o amigo que o acolheu em sua casa, ou, segundo Geraldo Caldas, o verdadeiro motivo de sua fuga para o Rio; sua malsucedida contratação para a Faculdade de Jornalismo da UFRN; sua derrota na Academia de Letras; seu histórico como funcionário fantasma do Fisco Estadual etc. Panos, portanto, para muitas calcinhas…
Aguardem!




14 Comentários
P. Sanderson on 21 de março de 2010 at 14:26.
Comparei o que escreveram Nathália de Souza (“nome de guerra” de Nei Leandro de Castro) e vi que não há termo de comparação. Franklin é às vezes contundente (não o nego), mas tem classe, cultura, elegancia, refinamento, espírito aristocrático. Nei é grosseiro, vulgar, picaresco, obsceno e estridente e completamente descontrolado. Chega a ser ridiculo, quando sabemos que ele já é um senhor idoso e pelo fato de ter netos, devia dar-se ao respeito. Franklin, nessa polêmica, até agora, está sempre por cima, fazendo a Nathália de Souza espernear e gemer. Enquanto nós, leitores, nos divertimos com estocadas tão hábeis e certeiras.
Sandra Merlo on 21 de março de 2010 at 16:47.
Nei (ou Nathália?) é uma piada de mau gosto. Só isso. Não tem nenhuma ilação com a literatura autentica.
Veronica Pedrosa on 21 de março de 2010 at 16:58.
Achei uma boa, uma coisa bem humorada e espirituosa mesmo, esse negocio de “curtidora de prepúcios e polidora de madeira”…
Marcelo Maia on 21 de março de 2010 at 18:16.
Nei devia devolver os salários que recebeu indevidamente do Bandern. Hoje é um marajá, sem nunca ter trabalhado aqui (pois morava no Rio), enquanto os que aqui davam duro no banco estatal acabaram na rua da amargura. Esse Nei é muito cara de pau.
Antenor S. da Cunha on 21 de março de 2010 at 18:28.
Lendo o que escreveu o Ney, percebi quanto ele é invejoso e arrogante, além de sexualmente mal resolvido. Eu já suspeitava disso, ao folhear uns poemas “eróticos” que ele escreveu. Minha mulher, para quem mostrei o livro (ela é psicóloga) comentou que era estranho, num homem já idoso, aquele tipo de coisa. Você fez bem desmascarando-o com esse artigo que lança luzes sobre o Ojuara.
Socorro Belomini - Brasilia on 21 de março de 2010 at 18:40.
Em seu doentio narcismo e carencia afetiva, o sr. Nei chega a ser patético. E como vc disse, essa “monomania” erótica nele assume caracteristicas de morbidez. Ele parece estar precisando de acompanhamento profissional adequado, ministrado por psicólogo ou psicanalista, a escolher.
Rino Sena on 21 de março de 2010 at 19:10.
Acho estranho que um cara, na idade de Nei Leandro, perca o seu tempo fiscalizando a vida alheia. Tanta coisa útil para ele fazer, como prestar algum trabalho voluntário, e ele preocupado besbilhotando a intimidade dos outros. Acho isto muito feio num homem, ainda mais num homem velho que devia dar bons exemplos aos jovens. Leio a imprensa local e tenho minha oipinião formada sobre Nei Leandro e Franklin Jorge: o primeiro está sempre fazendo intrigas, piadas de mau gosto com um e outro, enquanto FJ escreve sobre grandes escritores e sobre o povo da nossa terra, como fez recentemente, enfocando aqui um sr. (Chico Batista) que o conheceu menino nos taboleiros do Açu. Se alguém se der ao trabalho de acessar a série que ele escreveu com o titulo geral de “paisagem humana”, perceberá não apenas o grande escritor que ele é, mas um homem seriamente comprometido com a verdadeira cultura e inteiramente alheio à bajulação dos poderosos. ele sabe tratar as pessoas mais humnildade com dignidade e sensibilidade. Ney, em minha modesta opinião,não passa de um vaidoso debochado que não respeita a honra de ninguém. É por isso, por essa grande diferença que há entre os dois, que FJ goza desse prestigio popular que jamais em época alguma Ney terá.
Boy Espada on 21 de março de 2010 at 20:44.
TÔ BEGE! NEY USANDO NOME DE MULHER??? ISSO É COISA DE MACHO? QUE CAICOENSE É ESSE?
Leila - Cidade Verde on 21 de março de 2010 at 20:52.
Franklin, muito obrigada por lembrar-se de homenagear o grande artista Newton Navarro. Sabemos que vocês não se davam bem, e isto que você tem feito pela sua memória é uma coisa digna de admiração. Já li outros artigos seus sobre ele, até bem melhores do que este, que me parece sem inspiração (desculpe-me a sinceridade). Faz tempo, acho que uns cinco ou seis anos, eu estava numa reunião e ouvi um sr., que me disseram ser o poeta Luis Carlos Guimarães ou Sanderson Negreiros (agora estou em dúvida) dizer que tendo sido amigo do artista durante tantos anos, gostaria de ter escrito aquele artigo que você acabava de publicar na Tribuna. Tenho acompanhado sua trajetória. Não sou nenhuma intelectual conterranea, mas gosto de ler (que fazer?) e procuro ler o que escreve. Tenho todos os seus livros e aqueles que se referem a você tambem procuro adquirir, como o de Marize Castro (“Além do Nome”), que já dei de presente a umas cinco ou seis pessoas, porque muito o admiro e sei que tem sido vitima de muita gente ordinária e invejosa que procura botar pedras no seu caminho. Mas você é forte. Forças poderosas o protegem. Tenha fé, meu caro. – Leila
Jorge Tarso de Castro on 21 de março de 2010 at 21:04.
Caro Franklin,
Estou me divertindo muito com a sua série sobre Nei Leandro de Castro, um cara brilhante mas também cheio de defeitos como todo ser humano. Conhecendo a sua verve, como conheço, sugiro – entre os tópicos que você nos ofereceu para escolha – um artigo sobre as agruras dele como cobrador de impostos. Nei Leandro aposentado como Auditor Fiscal é, guardada as devidas proporções, a mesma situação vexaminosa de Carlos Heitor Cony aposentado como ex-torturado da ditadura militar. Estou contando os dias.
Parabéns e um abraço,
Jorge
Talvani on 21 de março de 2010 at 21:45.
É asqueroso um homem fazendo esse papel de “fiscalizador da vida alheia”, coisa que antigamente era coisa de solteironas encruadas e casadas mal comidas. Ney é muito corajoso, seja dito isto em seu favor, fazendo esse papel abominável de mulher faledeira e linguaruda. E até adotou um pseudônimo, Nathália de Souza. Cruz credo! Que macho é esse?
Canindé Sousa on 22 de março de 2010 at 8:16.
Já ouvi alguma coisa, num sebo daqui, sobre essa história de Ney perseguido por um marido, correndo nu na avenida, para não morrer… Foi por isso que ele fugiu para o Rio, foi?
Medeiros on 22 de março de 2010 at 8:29.
Agora estamos começando a conhecer o verdadeiro Ojuara…Obg, FJ!
plinio sanderosn on 22 de março de 2010 at 15:53.
Franklin,
não é a primeira vez que alguém usa meu nome
no seu blog para tecer comentários,
claro se passando por mim.
Novamente, venho registrar meu repúdio
a tais pessoas sem escrúpulos,
que usam subterfúgios covardes
e que não têm coragem de assumir suas próprias opinões.
P.S
injuriado