UM CAPÍTULO DA HISTÓRIA DE PATU
Por O Santo Ofício | 11 março, 2010
Por Misherlany Gouthier
“História do Município de Patu” é o titulo do livro do pesquisador e historiador conterrâneo Petronilo Hemetério Filho, um dos homens de cultura daquela cidade, preocupado com o saber e a educação de seus patrícios.
O livro que aborda temas os mais diversos [configura-se numa geografia dos assuntos relacionados com aquele município] é um testemunho dos que fizeram [e dos que continuam a fazer] a História do lugar onde nasceu o famoso cangaceiro Jesuíno Brilhante. Mas, o que pretendo abordar nestas linhas é a figura ímpar do fazendeiro, político e intelectual Etelvino Fernandes Leite, um dos nomes de relevância daquela comunidade, ausente da literatura citadina.
Etelvino Fernandes Leite nasceu em Mossoró aos 26 de agosto de 1883 [considerava-se patuense convicto], época em que estava no auge a campanha abolicionista em todo o Rio Grande do Norte. Teve uma vida bastante ativa no seio da sociedade patriarcal de seu tempo, ora agindo como médico-prático [desenvolvendo atividades homeopáticas], ora advogando causas naquela comuna, pois tornara-se rábula prestimoso naquelas paragens, ou nas lides do campo.
Filho único do segundo casamento de Herculano Victor de Lima e de Liberalina Leite Lima [falecida aos 102 anos]. Em Fortaleza iniciou seus primeiros estudos no Ateneu.
Mais tarde transferiu-se com seus pais para a fazenda Paulista, propriedade esta encravada no município oestano. No ano de 1901 continuou seus estudos em Itabaiana-PB, onde conheceu Ana de Melo Andrade, com quem se casaria. Mais tarde Ingressa na Faculdade de Direito, mas motivado pelo casamento não concluiu seus estudos, regressando a sua terra [Patu]. Desse consócio houve uma prole de 13 filhos: Osvaldo, cc/ Adalzira Alves; Olavo, cc/ Maria Porcina; Maria cc/ José Farias; Otavio cc/ Alzira Alves; Oscar cc/ Maria Angela; Olga cc/ Severino Cortez; Olivia, Odete [solteiras]; Odília, Ovidio, Manuel, Mariana e Olga Maria.
Escrevia, ensaiava seus debates, medicava os familiares de seus moradores. Simples, inteligente, modesto, Etelvino Leite nunca esboçou qualquer tipo de orgulho pelo muito que sabia, enquanto muitos andam por aí afora arrotando grandeza e cuspindo desaforos medíocres de uma cultura insignificante e medíocre.
Leitor perspicaz gostava dos clássicos da grande literatura, bem como os escritores brasileiros de seu tempo, a exemplo de Machado de Assis e José de Alencar. Nas horas de banzo corria os olhos pelos jornais e revistas que comprava na praça de Mossoró.
Durante a Revolução de 30 impetrada por Getúlio Vargas foi nomeado para o cargo de conselheiro do Conselho da Vila de Patu, pelo interventor estadual. Nessa mesma época, chefe da Aliança Liberal, ganhou a chefia do município patuense, mas renunciou o cargo em favor de seu correligionário Ascendino Almeida.
Sua vida foi pautada por generosos serviços que prestou a sua gente, sendo reconhecido por seu patrícios como um gentleman. Honrado, sensato, prudente, nunca titubeou em ajudar alguém que precisasse de seus préstimos.
Dentre os seus irmãos paternos constam: José Costa Lima e Canuto Costa Lima [este último exerceu o cargo de escrivão em Patu].
Em segundas núpcias Casou-se com Maria Clara Ferreira, tiveram: Francisca Leny, Maria de Lourdes, Djalma; Idelzuite cc/ Tarcilio Viana Dutra; Dinorá cc/ Francisco Rocha; Luis cc/ Heloisa Moreira Lima; Expedito cc/ Vandir Câmara; Elza cc/ Geraldo Benevides; Maristela cc/ Francisco Cordeiro de Oliveira; Dorinha [solteira].
Após uma vida intensa de atividades as mais diversas quer como fazendeiro, político, homeopata, o patuense Etelvino Fernandes Leite, faleceu em Recife, para onde tinha ido a tratamento de saúde, no dia 8 de fevereiro de 1953, aos 89 anos de idade.
A edilidade patuense, numa lembrança vaga, deu-lhe o nome a uma rua. Etelvino figura de escol merece muito mais daquela cidade oestana onde serviu com tamanha grandeza, dedicação e amor.




3 Comentários
Cida Campelo - Parnamirim on 13 de março de 2010 at 8:36.
Achei muito bom v. abrir espaço para essas pessoas que muitas vezes tiveram uma grande impoortancia em suas coimunidades. É uma maneira de valorizar as pessoas. Parabens a Misherlany.
misherlany on 7 de abril de 2010 at 17:55.
muito obrigado Cida. Estou às ordens.
heloisa on 20 de abril de 2010 at 16:27.
Adorei o depoimento