WILMA DE FARIA NO INFERNO

Por O Santo Ofício | 6 março, 2010

Por Franklin Jorge

Em fins do ano passado fomos agradavelmente surpreendidos certa manhã, na redação do Novo Jornal, com a inesperada visita da prefeita Micarla de Souza que, fazendo-se acompanhar de seu staff, fora desejar-nos um Feliz Natal e Ano-Novo.

Lá para tantas, dirigindo-se aos que ali se encontravam em pleno expediente, encareceu a importância da Imprensa e pediu-nos que deixássemos as coisas ruins de lado e escrevêssemos sobre as boas, porém ao fazê-lo ela, como jornalista que é, parece ter caido na real e, imediatamente, quase sem transição, reconheceu que dissera um disparate e voltou atrás, admitindo que havia muito mais coisas ruins do que boas para noticiarmos.

Penso em nossa jovem e açodada prefeita ao deter-me em comentários sobre o atual governo do Rio Grande do Norte, que já vários meses fornece combustível a péssimas notícias, a maioria de corrupção envolvendo pessoas do seu real sangue, a começar pelo primeiro-filho Lauro Maia, candidato a deputado estadual que já esteve preso o ano passado pela Polícia Federal, sob a suspeita de chefiar uma organização criminosa que molhava a sua mão todos os meses com uma propina de R$ 70 mil oriunda dos recursos da Secretaria de Estado da Saúde. Um dinheiro subtraído da população que depende do estado em suas vicissitudes.

Ontem mesmo, aqui, confessava o meu desânimo diante dessa como que fatalidade de escrever quase sempre sobre o mesmo assunto, ou seja, sobre as denúncias de corrupção que se tornaram rotineiras no curso dos dois mandatos da governadora Wilma de Faria, algumas ocorridas já há muito tempo e agora requentadas pelo Judiciário que responde assim ao clamor popular que, reanimado pela recente prisão do governador de Brasília, levou-nos a acreditar que a lei foi feita para todos, até, para os chamados “colarinhos brancos” ou aqueles contraventores que parecem ter as “costas largas” e que o vulgo, usando do insofismável direito de espernear, chama, jocosamente, de “picas grossas” (com perdão da má palavra…). Como o filho e os irmãos da sra. Wilma de Faria, nossa primeira mandatária, também chamada respeitosamente por todos de “a Gove”…

A poucas semanas do término do seu governo que entra para a história como um dos mais desastrosos e ineptos, a governadora Wilma de Faria tem experimentado o desgosto de ver o seu castelo ruir fragorosamente, por pressão de seus antigos aliados, do julgamento da opinião pública e da ação do Judiciário que resolveu, de uma só vez, fazer andar vários processos que dormiam nas gavetas envolvendo familiares seus que já se consideravam fora do alcance da lei.

O caso de seus irmãos gêmeos, Newton Nelson e Nelson Newton é sintomático. Já pareciam inocentados pelo silêncio do Ministério Público, até que o juiz Raimundo Carlyle aceitou a denúncia apresentada contra eles, fazendo o processo andar. Os dois vão responder por envolvimento em negócios escusos com a Secretaria da Educação e gráficas que lhe prestavam serviços e fornecia-lhe material superfaturado de uso nas escolas. Suspeita-se que a “diferença” paga pelo estado ia para o bolso deles. Já o médico Carlos Faria, também irmão da governadora, está atolado no lamaçal do Foliaduto, escandalo referente ao desvio de mais de R$ 2 milhões usados para a contratação de shows de axé music e forró que nunca se realizaram.

Para a governadora, que quer ser senadora, tudo isto representa dificuldade, ainda mais em ano eleitoral, quando a roupa suja é lavada com a mesma crueza com que o açougueiro esquerteja a rês. Desses “esquartejadores”, os deputados já deram provas que a governadora que não obedecem mais ao seu comando e não se mostram dispostos, mesmo seus tradicionais aliados, a ampliar seu aboio sobre o rebanho pacifico de eleitores encurralados. O presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria, por muitos anos seucprincipal colaborador na esfera legislativa, está agora “do outro lado”, como candidato a vice na chapa ao governo do estado escabeçada pela senadora Rosalba Ciarline.

Mas, o grande obstáculo é o Judiciário. Uma verdadeira pedra no sapato da governadora, até a Justiça Eleitoral começa a desmanchar-lhe todo um trabalho de financiamento de campanha disfarçado de ação administrativa. O “cheque-reforma”, uma forma sutil de compra de voto, teve a sua distribuição suspensa pelo procurador eleitoral Flávio Venzon, do Tribunal de Justiça Eleitoral. De junho a outubro está suspenso. Também não era para menos: em ano eleitoral, o “cheque-reforma” teve reajuste superior a 700% em relação ao ano de 2008, uma generosidade que deixou os agentes da lei de orelhas em pé. em 2008, por exemplo, a governadora aplicou no sistema R$ 592.750 e, este ano, a “bagatela” de R$ 4,5 milhões! Esmola grande demais, o santo desconfia, D. Wilma!

Mas tem mais…


Leia acréscimos a este artigo no decorrer do dia.


8 Comentários

José Nicácio Neto on 6 de março de 2010 at 19:24.

É um governo de pessima qualidade.

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Graça Ferreira on 6 de março de 2010 at 20:36.

Ela está começando a pagar o mal que fez a tanta gente…

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Margot on 6 de março de 2010 at 22:48.

O tiro lhe saiu pela culatra.

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Beto Fragoso -MG on 6 de março de 2010 at 22:50.

Parabéns pela qualidade e numero de acessos.

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Graça Cordeiro on 7 de março de 2010 at 14:29.

Wilma pensava que ia morrer enganando o nosso povo sem receber o troco. Agora ela está vendo quanto custam a falsidade, a traição e o mau caratismo caracteristico da sua personalidade malsã.

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Rodney Garcia on 7 de março de 2010 at 14:33.

tem razão, Franklin. Cada vez mais a governadora aparece mal nas fotos. e vai piorar…

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J. Duarte on 7 de março de 2010 at 23:10.

Aqui em Baraúna não se fala noutra coisa: o envolvimento dos irmãos e do filho da governadora em tanta falcatrua.

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Tales on 8 de março de 2010 at 7:42.

Franklin, você é um danado. Rapidamente se alinhou com a Rosa, não é danadinho?

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