FOLIADUTO: JUÍZA FAZIA ‘CORPO MOLE’

Por O Santo Ofício | 27 fevereiro, 2010

Por Franklin Jorge

Foliaduto, escândalo que resultou da contratação de bandas de axé music e orquestras de frevo para a realização de 31 shows que só aconteceriam no papel, tornou-se um tabu, pelo menos para a juíza Ada Maria da Cunha Galvão, que ‘esqueceu’ de fazer o processo andar, ao deixar de ouvir o principal implicado, o médico Carlos Alberto Faria – irmão da governadora Wilma de Faria-, segundo depoimentos, o mentor intelectual da organização criminosa.

Por este expediente, mais de R$ 2 milhões foram desviados através da Fundação José Augusto, para pagar “restos de campanha”, segundo ficou caracterizado no inquérito. Os criminosos agiram tão confiadamente a ponto de incluírem, entre as bandas ficticiamente contratadas, uma que já fora extinta havia vários anos.

Na última quinta-feira, porém, a juíza saiu da sua letargia e, depois de um ano, expediu uma segunda intimação contra o irmão da governadora, reabrindo um caso que dormia a sono solto nos escaninhos da 5ª Vara Criminal, sob a desculpa de que o acusado não fora localizado.

Dessa vez, porém, Carlos Faria foi imediatamente localizado, apesar da blindagem que o deixara durante todo esse tempo imune ao alcance do longo braço da lei. Agora, ele tem dez dias para explicar-se e, se não o fizer, a juíza nomeará um defensor público para atuar na defesa do irmão da governadora. Além da ação penal, a denúncia apresentada pelo Ministério Público deu ensejo a uma ação de improbidade administrativa que corre na 2a. Vara da Fazenda Pública, que não deu andamento ao processo que está parado desde 2009.

Passados quatro anos desde o estouro do Foliaduto, em 2006, Carlos Faria era o único dos envolvidos que ainda não tinha sido ouvido pela Justiça do Rio Grande do Norte. A alegação era a de que ele não fora encontrado, apesar de todo o Rio Grande do Norte saber que ele exercia, até pouco depois de estourar o escândalo o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do Governo; por outro lado, tratava-se de um médico conhecido e com atuação profissional e domicílio em Natal.

Somente o Ministério Público Estadual ignorava o fato, mas essa ignorância acabou quando o Conselho Nacional de Justiça instalou-se em Natal para fazer uma correição de rotina nas atividades dos nossos magistrados e verificar o andamento dos processos. Agora, este e outros processos envolvendo o desvio de recursos públicos, em curso no TJ, serão monitorados pelo plenário do CNJ.

O caso, que parecia fadado ao esquecimento, foi afinal “requentado” pelo Novo Jornal, que por esse meio chamou a atenção do juiz corregedor da CNJ, para este e outros casos que pareciam insolúveis, como a chamada Operação Hígia, que teria o único filho varão da governadora como o principal operador.Conforme consta dos depoimentos referentes a Operação Hígia, o advogado Lauro Maia embolsava mensalmente R$ 70 mil, propina oriunda dos recursos da Secretaria Estadual de Saúde, em cumplicidade com empresas terceirizadas. Este caso também parecia destinado ao arquivo morto do Tribunal de Justiça, como mais um escândalo sem punição.

Leia a continuação deste artigo a qualquer momento


16 Comentários

Sandoval Pereira on 27 de fevereiro de 2010 at 7:31.

Agora está explicado porque a governadora está aparecendo nas fotos de jornal com o ar de quem não tem dormido bem. Sua tradicional caratonha tem qualquer coisa de assustadora e desesperada: ela sabe que seu reinado está terminando da pior maneira possivel, com o RN destroçado, o filho e o irmão na mira da justiça e outros problemas que todos sabem. A impressão que dá é que ela está empapuçada de tranquilizantes. Também pudera: é uma carga pesada para uma mulher da sua idade, mesmo governadora e com as facilidades do cargo, preocupações dessa natureza acabam com qualquer um, princpalmente com uma “guerreira” de meia idade. Minha sogra, ao vê-la na televisão, disse: “essa mulher vai acabar mal”… E se pôs a rezar um Credo pelo sossego da sua alma.

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Fátima Cunha on 27 de fevereiro de 2010 at 7:42.

Eu logo vi que tinha alguma coisa errada no andamento desse processo…

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Safira Corcino on 27 de fevereiro de 2010 at 7:46.

Parece piada! O Ministério Público não saber o endereço de uma pessoa conhecida como o dr. Carlos Faria, irmão da governadora e ex-chefe da Casa Civil! Me engana que eu gosto.

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Mário Mendonça on 27 de fevereiro de 2010 at 7:53.

Todos vão tirar uma grande lição deste triste episódio que macula as esferas do poder! Bendita correição do CNJ, que veio para botar tudo em pratos limpos!

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Mardônio Torquato on 27 de fevereiro de 2010 at 8:46.

Muita coisa ainda vai pipocar. Essa coisa de determinadas ações cairem sempre nas mãos de determinados juizes dá margem a muita especulação desagradável.

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Arlindo Matias on 27 de fevereiro de 2010 at 18:28.

Tenho lembrança que falaram de um filho ou filha da juíza ‘nomeado nessa época para a prefeitura de Parnamirim. Melhor checarem, não precisa publicar meu comentário. Rodei aqui o Google mas nada achei. Cassiano deve lembrar. Falaram que era um ‘premio’ pela lentidão da juiza. Averigue aí meu caro Jornalista, conto com sua discrição.

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Enilda Taveira on 27 de fevereiro de 2010 at 19:21.

O Brasil está mudando, por pressão da sociedade e não dos politicos… Não vai ser diferente no RN.

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Silvio Ramos on 27 de fevereiro de 2010 at 20:22.

Essa passagem da comissão do CNJ por Natal foi um grande acontecimento. Um divisor de águas. De repente a juiza Ada Galvão resolveu mostrar serviço. Beleza!

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Alexandre Veras on 27 de fevereiro de 2010 at 22:46.

Tem razão, Sílvio. Depois da passagem do CNJ por aqui, a coisa mudou de figura. A juiza Ada Galvão, depois de fazer “hibernar” o processo do Foliaduto durante um tempão, mostrou serviço e ‘requentou’ o caso, intimando (e encontrando finalmente!) o irmão da governadora, o médico Carlos Faria, mentor intelectual do crime. Bendita correição!

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Marli Melo on 27 de fevereiro de 2010 at 23:14.

É muita coincidencia, vocês não acham??????

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Edith Gomes on 28 de fevereiro de 2010 at 8:43.

Essa juíza, heim????? Deve ser muito querida de alguns politicos…

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Maria Helena on 28 de fevereiro de 2010 at 9:07.

A juiza Ada não é exceção…Outros andam a passos de tartaruga.

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Josino Lopes on 28 de fevereiro de 2010 at 9:33.

Depois da passagem dp CNJ por aqui, as coisas mudaram de figura: a “juiza-tartaruga” começou a se movimentar e o ex-secretário Carlos Faria, irmão da governadora e operador no desvio de R$ 2 milhões da FJA, tornou-se mais humilde…Uma beleza, o trabalho do CNJ, fiscalizando o Judiciário local.

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Severino Gadelha on 28 de fevereiro de 2010 at 10:10.

Mas agora, finalmente, o CNJ botou a juiza pra andar e fazer seu serviço da maneira correta e esperada por todos. Agora só quero ver a sentença dela…

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Vinicius - Capim Macio on 28 de fevereiro de 2010 at 10:39.

A juiza foi rápida ao “requentar” o famigerado “Foliaduto”. Dra. Ada, estamos de olho!!!

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O Santo Ofício on 3 de janeiro de 2012 at 18:43.

Gracias

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