O DIA EM QUE A TELEVISÃO DA SALA PIFOU

Por O Santo Ofício | 24 fevereiro, 2010

Profa. Maria Cristina Pavarini de Lima*

Sabia que isso iria acontecer. A danada já estava avisando fazia dias. Os chiados eram cada vez mais altos todas as vezes que nós a ligávamos. Até que do nada, nada de som ou de imagem. Foi um caos. Assim que eu cheguei em casa, o meu filho mais velho veio correndo me avisar. A empregada largou as panelas e tascou logo a notícia. De noite foi a vez do filho mais novo.

– E ai, mãe. Viu que a televisão quebrou?

- Que maravilha eu pensei, justo agora que começou o BBB 2010. Isso vai ser um sossego, a paz irá reinar em casa. Nada daqueles indivíduos interferirem no dia-a-dia da minha casa. Muito bom. Bendita seja a televisão quebrada. Nem por isso, deixamos de saber sobre as principais ocorrências no mundo.

A rotina de casa mudou, completamente. Não preciso dizer que a mudança foi para melhor. Uma noite dessas nós três ficamos conversando até mais de meia noite, sobre coisas que nunca havíamos conversado antes. Imaginem que nos distraímos horas, olhando a gaiola das hamsters e nos divertindo com as peripécias das duas.

Resolvi até fazer uma alteração no leiaute das salas de visita e de jantar. As energias foram renovadas. Sabemos que existem pessoas dentro de casa com as quais podemos conversar. Começamos a perceber que existem outras coisas possíveis de serem realizadas, ao invés de sentar em frente à tela da televisão.

Nada de soar contraditório por eu ser da área de Comunicação Social. Mesmo que a televisão seja um meio de sobrevivência do comunicólogo, não significa que devemos aceitar o processo de intoxicação. Quem sabe, nos próximos dias, além das conversas não sobre tempo para uns joguinhos de tômbola, dama, dominó, etc. E se a energia elétrica acabar ai então talvez possamos contar uns “causos” à luz de vela, como nos tempos da vovó.

(*) Coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda/Fatern Gama Filho


3 Comentários

Lula Simonetti on 24 de fevereiro de 2010 at 8:28.

Uma delicia de crônica.

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Afrodisio on 24 de fevereiro de 2010 at 17:50.

Texto leve, espirituoso,parece um bom vinho.

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Sheyla Faro - Rio on 25 de fevereiro de 2010 at 8:10.

Tem toda razão a autora deste feliz artigo. A televisão, na sala de visitas, roubou o convivio das familias. Hoje uma familia é uma reunião de pessoas estranhas que veem televisão juntas!

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