O VERDE AMARELOU EM NATAL
Por O Santo Ofício | 8 fevereiro, 2010
Por Franklin jorge
Concedo que o ruim, de escrevermos uma crônica semanal, é que às vezes somos atropelados pelos fatos.
Foi o que me aconteceu no último domingo, ao escrever no Novo Jornal sobre o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo e os espigões de Ponta Negra, uma polemica que fez a prefeita Micarla de Sousa recuar do seu vil propósito de agachar-se diante de especuladores em detrimento da coletividade e de Natal, uma cidade que tem sido escorchada pelo apetite de políticos e gestores que só pensam somente em se “arrumar”.
É verdade que a licença permitia a construção de um espigão de 19 andares em Ponta Negra, mas, apesar da cassação da mesma pela prefeita – medida adotada in extremis em decorrencia da pressão da opinião pública -, persiste o fato que delata o despreparo do secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Kalazans Bezerra, que tomou decisões unilateralmente, sem discutir a questão com a sociedade. Seu pedido de desculpas não desfaz o erro.
Agora, depois desse imbróglio, vem Kalazans prometendo plantar, em cinco anos, 800 mil árvores pelas ruas de Natal. Uma promessa, em tudo, inverossímel. Kalazans esquece que dos quatro anos de mandato de Micarla, um já se passou em brancas nuvens, sem nenhuma produção relevante em qualquer área administrativa, e, em especial, no meio ambiente, uma das bandeiras eleitorais da prefeita que se acha mais perdida do que cego em meio a tiroteio.
Kalazans, não resta dúvida, é audacioso. Melhor dizendo, temerário, pois somente um especulador teria a coragem de fazer semelhante promessa, após um ano inteiro de inércia e dessa tremenda trapalhada de Ponta Negra. Ora, 800 mil árvores é um número tão absurdo quanto as 50 obras prometidas pela governadora Wilma de Faria ao apagar das luzes do seu governo que extertora há sete anos, ao deus-dará, sem lenço nem documento, ao embalo de pagodes e trios elétricos.
Kalazans seria mais convincente se pedisse o boné e se recolhesse à sua mediocridade, arrastando atrás de si todo essa cauda inútil e aparatosa, o COMPLAN, um órgão que já deu provas da sua insignificância como instancia consultiva. Considerando-se alguns nomes que o compõe, está na cara que não tem competência para avaliar e propor numa área de tamanha complexidade. E, ressalto aqui o nome do representante do Instituto Histórico e Geográfico, o pesquisador Gutemberg Costa, que, até onde sabemos, não está qualificado para compor esse colegiado que, no caso dos espigões de Ponta Negra, comportou-se como uma “vaquinha de presépio”, concordando docilmente com os caprichos do secretário que o ex-prefeito apodou, não sem algum espírito, de “corretor”…




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