PATÉTICA OU PATETA?
Por O Santo Ofício | 6 fevereiro, 2010
Transcrito do NOVO JORNAL
Por Franklin Jorge, editor
de Opinião, Cultura e Midway
Blogs e jornais impressos registraram o inusitado desabafo da prefeita Micarla de Sousa, decepcionada porque a empresa privada não mostrou interesse em bancar o carnaval natalense.
Disse a simplória alcaidessa em estado de atordoamento:
“Não apareceu um filho de Deus para nos ajudar”.
Repito, leitor, o que disse a prefeita de Natal e o faço porque, como você que lê estas mal traçadas linhas, também não acreditei no que lia:
“Não apareceu um filho de Deus para nos ajudar”.
Isto mesmo, meu caro. Foi o que disse a despreparada prefeita dessa infeliz cidade, onde todos têm o rei na barriga, e não uma comadre qualquer, dessas que botam as mãos nas cadeiras, batem o tamanco no chão duro e reclamam da falta de solidariedade de amigos e vizinhos, incapazes de se comoverem com tais desventuras.
Confesso que ao ler estas palavras o meu primeiro impulso foi de incredulidade, por saber que as mesmas haviam saído da boca de alguém que tem sob o seu comando uma cidade de quase 1 milhão de habitantes, a capital do estado do Rio Grande do Norte, que já teve a sorte de ser administrada por gente do naipe de um Omar O´Grady, que promoveu a primeira grande reforma urbana da cidade e, mais recentemente, por Carlos Eduardo, que, pensando no futuro e no presente, empreendeu o ordenamento legal da cidade, cujo desmanche está sendo feito paulatinamente pela própria Micarla, como bem o prova o que tem sido tramado com reconhecida contumácia contra Ponta Negra, que terá a sua paisagem desfigurada pela construção de espigões, numa ação mercenária que atropelou inclusive o Ministério Público em sua defesa do patrimônio.
Mas, voltemos às palavras de Comadre Micarla, que certamente entrará para a história por seu despreparo, índole rancorosa e alienação à toda prova.
“Não apareceu um filho de Deus para nos ajudar”…
Como disse, ao lê-las – essas palavras -, minha primeira reação foi de incredulidade, mas devo acrescentar que em seguida, apesar de todo o meu estarrecimento, tive um frouxo de riso que quase me tira o fôlego. Ri, sim (mea culpa, mea culpa, mea culpa…), embora devesse ter chorado como qualquer natalense decente ao ver a nossa pobre cidade entregue nas mãos dessa despreparada e simplória criatura que, por um desses inexplicáveis golpes de sorte, ascendeu a uma posição que estava muito além da sua competência e merecimento. Mas, diz-se que os deuses gostam às vezes de brincar com os humanos e lhes pregam tais peças, apenas para se divertirem…
“Não apareceu nenhum filho de Deus para nos ajudar”.
Ora, tais palavras são como que um caldo frio despejado sobre as migalhas que restavam da expectativa criada com a eleição da filha de Carlos Alberto, por algum tempo, vista e encarada como uma expressão nova capaz de escrever um capítulo mais promissor da nossa história velha de quatro séculos. Foram – tais palavras – como que um toque de finados sobre este governo sem rumo e sem diretriz, que não consegue sequer recolher o lixo urbano e que tem produzido uma cagada atrás da outra, como diria um dos seus mais notórios representantes.
Um governo populista e demagógico, que quer entregar a solução dos seus problemas – dos problemas que decorrem da alienação e da falta de planejamento – à empresa privada, que já vive escorchada por inúmeros impostos e taxas e não pode ou não tem interesse em bancar o carnaval, uma festa que faz parte de um calendário fixo.
Atentem para este detalhe: se o carnaval faz parte de um calendário fixo, ou seja, que se repete todos os anos mais ou menos no mesmo período, Micarla não pode sequer alegar em sua defesa que foi surpreendida por esse evento, ao anunciar três semanas antes do carnaval a situação de penúria dos cofres da prefeitura, que, por isso, não podia dispor de 3 milhões para o evento, vendo-se assim na contingencia de recorrer ao empresariado de pires na mão. O que faltou, na verdade, repito, foi planejamento e competência, pois do contrário a prefeitura não estaria agora implorando patrocínio aos empresários que já investem, por exemplo, em cultura através das leis de incentivo.
“Não apareceu nenhum filho de Deus para nos ajudar”.
Mais que um desabafo, uma assinatura desse governo intelectual e moralmente indigente, que já nos deu, além da simplória filha de Carlos Alberto e Miriam, um super-secretário – Carlos Augusto Viveiros – que entende de bicicletas e que prefere os tubarões às cândidas e nobres tainhas e, além desse arrogante de nome sujo, um presidente de instituição cultural que se jacta de “cagar e andar” para a opinião pública.
Queres conhecer o vilão…
Durante anos ouvi o nome do engenheiro Kalazans Bezerra relacionado à defesa do meio ambiente. Devo dizer que, nas ocasiões em que o ouvi ou li declarações suas, meu sexto sentido me advertia para dar um desconto à sinceridade da sua militância; à militância de alguém, por assim dizer, surgido do nada, impulsionado com fé de noviço na defesa de uma causa simpática a todos, ou, pelo menos, à maioria. Em todo caso, lamento confessar aqui, Kalazans sempre me pareceu um mero falastrão e, por isso, nunca fui com o seu ecologismo de plantão.
Infelizmente não estava enganado. O cara é um arrivista que se deu bem sob as saias de Micarla, defendendo medidas que ferem princípios antes aguerridamente defendidos, ao tempo em que Kalazans Bezerra era – lembram-se? – coordenador do Movimento Pró-Pitimbu e merecia a atenção e a consideração dos natalenses. Em verdade, estávamos completamente mal informados sobre a verdadeira natureza de seus interesses. Sua bandeira era apenas uma fachada que se apresenta, atualmente, aos olhos de todos, inteiramente puída e esmolambada. Não admira, pois, que o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves o tenha chamado de “corretor” e não de ambientalista, como faria uma pessoa mais desinformada.
Secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Kalazans defende agora o indefensável, contrariando princípios que em nossa inadvertência acreditamos nascidos de uma sincera dedicação à defesa de Natal. Agora, em vez de defender o meio ambiente, ele o agride de maneira descarada, referendando a construção de um espigão de 19 andares em Ponta Negra, o que tem contrariado os moradores do bairro e as pessoas de bom senso. É só o começo, podem crer, de uma devastação urbana sem precedentes na história da cidade.
É interessante notar que ele tomou essa decisão sem discuti-la com a sociedade e, para isso, escolheu o momento certo: quando a Câmara Municipal e o Ministério Público Estadual estavam em recesso de ano novo. Ora, nada mais conveniente e, ao mesmo tempo, suspeitoso. Além do mais, Kalazans se aproveita de um erro de Carlos Eduardo para justificar a construção de espigões em Ponta Negra, quando, se estivesse bem intencionado, lutaria para corrigi-lo e fechar essa brecha deixada pelo ex-prefeito de Natal.
Diz um velho ditado quinhentista que, se queres conhecer o vilão, dê-lhe o poder na mão… E, aí, teremos – no caso em questão – um feroz corretor devorando impiedosamente o direito que todos temos à paisagem e ao verde. E, de cambulhada, estraçalhando a boa fé daqueles que acreditaram, algum dia, no caolho secretário de Micarla.




7 Comentários
marcus on 6 de fevereiro de 2010 at 23:41.
Micarla de Souza está conseguindo santificar o ex-prefeito Carlos Eduardo.
Vampiro Vegetariano on 9 de fevereiro de 2010 at 17:43.
Pois é, o doutor Kalazans é protagonista da mais ousada e meteórica ascensão jamais vista nesta taba de Poti. Saltou de coordenador do Movimento Pró-Pitimbu para comandante-geral do neo Movimento Pró-Pit bull. Pense num camaleão das folhagens!
porfírio.macieira on 9 de fevereiro de 2010 at 17:55.
Bravissimo, Nobre Jornalista, a resposta(?) iracunda e vazia, além de truculenta do Carlos Augusto Viveiros mostra que você lancetou um tumor ainda não cicatrizado no ex-auxiliar do governo Collor.
Marcelo Pegado on 11 de fevereiro de 2010 at 14:39.
Como vociferou o jornalista Franklin Jorge contra tudo e quase contra todos! Suas palavras pareceram balas “cuspindo fogo de uma metralhadora ponto cinquenta”, sem dó, como diria um amigo, ferindo e matando; às vezes, mutilando… O vi logo o Novo Jornal ser lançado, tomando café, num dos shoppings da cidade. Sabia muito bem quem ele era, talvez por ser uma figurinha carimbada e um tanto pública, talvez. Seu ar, porém, era pesado e combativo, como se espreitasse algo, como “cobra que vai dar o bote”. Logo saiu em passos rápidos , como se digladiar fosse, pelo corredor afora e não tive dúvidas, passaria por cima de seus “desafetos” se encontrasse algum no seu caminho (mas que caminho teria o pobre coitado?) sem piedade, pensei. Agora, lendo essa nota, atesto o que senti: que ao “invés”, esse senhor sempre “preferiu a truculência”. Lamentável.
Teresa Monte on 12 de fevereiro de 2010 at 17:27.
Por acaso, fazendo uma pesquisa na internet, descubro este ótimo artigo, e lamentavelmente, por todas às vezes que vou a Natal, fazendo o trajeto do aeroporto-cidade e vice-versa, para minha grande tristeza e decepção vejo o quanto a cidade está mal cuidada, suja, lixo espalhado pelos 4 cantos, sem falar em outras mazelas que observo, e questiono e concluo: Será que não tem um filho de Deus para dar uma varrida neste lixo? Senhora Prefeita, que aliás agora, sei quem é, primeiro aprenda a varrer uma casa e depois vá aprender como se organiza uma festa. E depois, a Senhora verá que não precisa convocar nenhum filho de Deus para fazer o evento. Meu conselho: trabalhe, trabalhe e trabalhe!!!
Rofran Villa on 16 de fevereiro de 2010 at 22:24.
Franklin, não ligue não. Esse Marcelo Pegado é um invejoso do seu talento. Ele escreve mal e sem o estilo, que todo escritor de verdade deve ter. Descobri, por acaso, que ele tem um blog onde publica seus delírios. Ele quis pegar uma carona, só.
Cassio Pena on 24 de outubro de 2010 at 8:13.
Lendo o que escreveu sobre o apoio da prefeita de Natal a Dilma Rousseff, resolvi passar uma vista d´olhos nos arquivos desta publicação para reler artigos já antológicos como este em que vc satiriza a prefeita de Natal sem dó nem piedade.
Mais uma vez vc mostra o grande jornalista que é.
Parabéns e muito obrigado por sua colaboração à democracia.
Cassio Pena