DEGRADAÇÃO
Por O Santo Ofício | 24 janeiro, 2010
Por Edgar Barbosa
A causa mais funesta da degradação de uma magistratura é a submissão passiva ou procurada aos galanteios da política e às instâncias palacianas.
Não se pede ao juiz que seja um anacoreta, uma vestal trancada em seu templo, um fetiche envolvido no véu fatal de Tanit.
Mas se exige que guarde nas relações pessoais com representantes dos outros poderes, na convivência com os políticos, no intercambio protocolar com o governo, a discrição e a sobriedade que são complementos da toga e sem as quais esta passará a ser uma túnica de Nessus, um labéu de irrisão e fraqueza.
A justiça sofre por toda a parte com a crise constitucional que afeta os poderes da Democracia. Porque, como o apuízeiro amazônico, o regime enleia, parasita e constrange o cerne de todas as suas instituições e tenta, em sua agonia prolongada, não morrer sozinho.
Esta é, pois, a hora do sacrifício e da coragem, aquela vigésima quinta hora a que se referia, em livro recente, um escritor romeno.
Quem aceitou a missão da Justiça e não assinou com algum dos Mefistofeles que nos rodeiam, o pacto mortal, deve viver preparado para todas as decepções.
Não transigir, não renunciar.
E sim permanecer Juiz sem temer o espírito daquele grande déspota asiático que mandava arrancar a pele dos juízes fracos que, como tributários de um deus bárbaro, acendem velas nas escadarias dos palácios, entre genuflexões e louvores equívocos.
Fragmento do livro Imagens do Tempo.




1 Comentário
Josué on 24 de janeiro de 2010 at 16:50.
De grande atualidade. Cai como uma luva na situação atual.