AS RUÍNAS DO COLISEU
Por O Santo Ofício | 24 janeiro, 2010
Por Edgar Barbosa
Lê-se em Tácito que, mesmo depois das guerras sociais,a miséria e a depravação se exacerbaram em Roma.
Os cidadãos pobres vendiam o seu voto, o seu testemunho ou o seu punhal e as familias indigentes se apinhavam, como caranguejos, na lamacenta Suburra ou nos casebres que o Tibre afogava a cada inundação.
Essa plebe imunda e mal nascida era o caldo de cultura de onde começaram a sair, sob os Césares da decadência, os validos e favoritos de imperadores pervertidos.
A mania dos ricos era, naquele tempo, imitar os gregos, não nas suas virtudes mais homéricas, porém nos hábitos de moleza e volutuosidade. Por isso certo escritor, contemporâneo de Cícero, comparava os romanos aos bárbaros mercenários, tanto mais depravados quanto mais grego sabiam.
Todo o nobre romano que se prezava ia, realmente, acabar a sua educação na Grécia, no convivio dos filósofos e das escolas célebres de Atenas. Mas, se voltavam instruidos em literatura, eloquentes e desenvolvidos na arte do discurso, vinham muito mais conhecedores da parte prática da filosofia epicurista.
Estava em moda desprezar-se os deuses, negar-se a providência, fazer praça de uma espécie de existencialismo risonho e descuidado.
Os próprios mestres mais escutados e conhecidos recomendavam gozar o quanto possivel, para não seguir o exemplo da plebe que morria nos anfiteatros, que se inutilizava nas guerras, mais pelo prazer da morte do que pelo orgulho de servir à pátria.
Foi nesse estado que os germanos surpreenderam Roma no quinto século desta era, quando os palácios dos ricos, bem como a corte dos césares, eram pasto de aduladores, aventureiros e párias de toda procedência.
Eram os “clientes”, primeira safra mundial dos bajuladores, que enchiam o “atrium”, antes do romper do dia, para saber noticias do amigo e protetor, que só era isso enquanto rico e enquanto estava de cima.
A chusma invadia os aposentos mais íntimos, por vezes se arriscando aos golpes da vara do porteiro, a fim de chegar até ao dormitório do poderoso, que ainda se enroscava no torpor do sono.
E então, depois de assistir ao seu despertar, os desocupados iam esperar, lá fora, a primeira refeição do patrono, qual uma nuvem de moscas em torno de uma sobremesa abandonada.
Fragmento do livro Imagens do Tempo




1 Comentário
Boy Detonação on 24 de janeiro de 2010 at 11:14.
ESTAMOS VIVENDO NUMA ÈPOCA BÀRBARA>