A HUMANIDADE IMAGÉTICA DE UM CERTO JOÃO
Por O Santo Ofício | 29 dezembro, 2009

Por Emanoel Barreto, do blog Coisas de Jornal
O olhar sensível do fotógrafo é indagador e perplexo. Ele busca na figuração das imagens o que nelas se oculta, sua essência. Como dizia Cartier Bresson, o fotógrafo busca o momento preciso, aquele instante mágico, às vezes terrível, grandioso ou patético em que de alguma forma a condição humana se revela inteira e grita.
João Maria Alves é aquele tipo de profissional em permanente estado de paixão pela vida, pois intimamente sabe que cada foto, como a do menino e seu cão, é uma espécie de biografia congelada pela lente exata. Veja bem essa imagem. Ela expressa um estado de ser: o menino e sua candura tímida; e um estado social: o menino à porta de sua casinha pobre.
A foto conta, lamenta, exalta e tragicamente chega a prever qual o seu futuro desse menino pobre. João Maria é um descobridor de chaplins. Talentoso, suas fotos, no silêncio das imagens aprisionadas, gritam. Mesmo sabendo ele que esse grito será apenas isso: um grito parado em nosso olhar.
(…)
Obrigado, Amigo. Vamos juntos falar de coisas que, sabemos, não são exatamente para ser compreendidas. Mesmo assim, vamos… Vamos falar de coisas que não são exatamente para ser compreendidas.
Mas, é isso João: eles não compreendem. Mas eles sabem o que fazem.




Viva voz