UMA VISITA INCONVENIENTE
Por O Santo Ofício | 24 novembro, 2009
Por Ricardo Galuppo*
Em seus sete anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumulou um capital político invejável – que encontra sua melhor tradução na popularidade elevada junto ao eleitorado brasileiro e no prestígio internacional sempre crescente.
Onde quer que vá, é recebido com honras superiores às que são devidas a um chefe de Estado.
O estilo descontraído, a tranquilidade com que aborda temas delicados, a autoridade com que cobra dos países ricos soluções para problemas que sempre pesaram sobre as costas da parte mais pobre do mundo transformaram Lula, sem a menor sombra de dúvida, em um dos principais líderes internacionais do século 21.
Na definição precisa de seu colega americano, Barack Obama, o presidente do Brasil “é o cara”.
Pois bem… Parte do capital que Lula acumulou nos últimos anos está sendo descartada esta semana, com a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
É uma parte pequena, deve-se reconhecer, e não deverá alterar de forma substancial e repentina o prestígio internacional de Lula.
Mas, daqui por diante, sempre que Lula defender uma tese mais delicada, poderá surgir alguém para lhe apontar o dedo e lembrar que ele escolheu seu lado ao receber uma figura controvertida como Ahmadinejad.
Em outras palavras, esse é o tipo do encontro em que o visitante ganha tudo e o anfitrião só tem a perder.
Nem mesmo o apoio do iraniano à antiga pretensão de Lula a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU deve ser vista como vantagem.
Por tudo o que ele representa no mundo, com certeza, o apoio de Ahmadinejad mais tira do que confere votos no plenário das Nações Unidas.
Só terá a aliança de Ahmadinejad aquele que fizer exatamente aquilo que ele deseja.
É o tipo do político que dá a impressão de não querer aliados; e sim, cúmplices.
Tanto assim que, dos líderes que merecem ser levados a sério no mundo, apenas Lula aceitou recebê-lo.
Lula continua em alta. Mas, certamente, ele é, hoje, um pouco menos “o cara” do que antes.
(*) Diretor de Redação do jornal Brasil Econômico




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