O EXEMPLO QUE VEM DE LUIS GOMES
Por O Santo Ofício | 21 novembro, 2009
Por Franklin Jorge
Luis Gomes, no alto da serra de mesmo nome, tem uma história quase secreta que vem sendo aos poucos revelada, graças à abnegação e persistência de um grupo de jovens liderados por Luciano Pinheiro, que é a alma e o espírito de uma instituição inspirada pelo padre Pedro Lapo, redentorista atualmente exercendo o seu ministério em Areia Branca e Serra do Mel, nesse velho e depauperado Rio Grande sem sorte, depois de ter vivido durante vários anos na periferia do Recife, cuja passagem pela cidade, nos anos noventa do século passado, resultou em lições e prática de vida para muitos luisgomenses, como o próprio Luciano, que começavam então essa travessia.
Tendo aprendido a lição, Luciano tornou-se o líder de um grupo que está mudando a história de Luis Gomes, através de ações que fortalecem a auto-estima da população e lança as sementes de uma nova visão do mundo, construída através da educação e da cultura, de que o “Centro Cultural Escravo Jacó” é o fruto mais recente de uma árvore que se enraíza solidamente, crescendo para o alto e para os lados, oferecendo sombra e alimento para a fome de saber de todos os que buscam através de uma pratica cultural a verdade e a vida.
Instalado num espaço construído para ser uma delegacia, na rua que dá acesso à cidade, uma encantadora cidade com ares de vila, luminosa e fresca, homenageia o escravo que acompanhava Luis Gomes, quando a serra foi descoberta, em fins do século dezoito. A escolha do nome, mais que uma homenagem convencional, exprime toda uma filosofia de trabalho e de vida – o respeito pelos valores permanentes de uma cultura não imposta, autêntica e fecundante, construída por gerações e gerações de luisgomenses.
Poucas cidades do Rio Grande do Norte podem orgulhar-se de ter uma casa como esta. Um centro de cultura construído pela abnegação e mantido pela perseverança de alguns jovens capazes de enxergar o futuro com clareza, através de um voluntariado que nos enche de orgulho e satisfação, como testemunho de que nem tudo está perdido e ainda há lugar neste mundo para a esperança, o bem mais precioso num mundo que menospreza o idealismo e a virtude do desprendimento.
Visitando recentemente esse “Centro Cultural Escravo Jacó”, pude apreciar mais uma vez o registro de toda a riqueza da história de Luis Gomes, que continuaria no anonimato não fosse o trabalho do Grupo Mutirão, criador e mantenedor de um projeto de inclusão digital, de uma rádio comunitária, de uma pequena e sortida biblioteca e, agora, de um museu que reúne e preserva costumes e história do município que faz fronteira com o estado da Paraíba. Prestam esses jovens idealistas um grande serviço não apenas ao município de Luis Gomes, mas ao futuro mesmo de sua terra e de sua gente.




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