TAPIOCA DE MACONHA

Por O Santo Ofício | 2 novembro, 2009

Por Franklin Jorge

 

Quando morei em Mossoró pela primeira vez, na época dirigindo a Sucursal dos Diários Associados, fui procurado uma tarde por um homem que se apresentou como   morador da vila de Tibau, hoje município, praia de veraneio predileta dos mossoroenses, embora o jornalista Canindé Queiroz a apodasse de “favelona”… Dizia ter uma “matéria quente”, que só podia ser tratada por um jornalista de gabarito.

Chamava-se Giovani, de pele curtida de sol e de ventos, o cabelo já inteiramente grisalho e um pouco acima do peso. Nosso fotógrafo, Marcos Sueldo, disse-me tratar-se de uma figura bastante popular e inofensiva, que curtia a vida despreocupadamente; o tipo que eu gostaria de entrevistar, reforçou, enquanto ia pegar a máquina para fazer uma boa fotografia.

Giovani conhecia todo mundo e todo mundo o conhecia. Se mal me recordo, fora comerciante e, indiferente às transações e dores de cabeça de que se queixavam comerciantes e empresários, contou-me que não renunciara de todo aos negócios, mas preferia investir noutras área, e era por este motivo que me procurava, por achar que eu entenderia melhor seus propósitos que fugiam um pouco aos padrões, segundo admitia, por ser eu de Natal e por escrever, na época, num grande jornal. Queria meu apoio para divulgar suas idéias.

Visionário, poucos acompanhariam seus raciocínios e a expectativa que botava na comercialização de certos produtos que a seu ver tinham muito futuro ou que, como matéria-prima, eram mal ou sub utilizados. A maconha, por exemplo.

Confiante no futuro, Giovani contou-me que estava disposto a voltar a fazer negócios, sim, mas como fabricante de… Bem, também como você, leitor, a principio não entendi aonde ele queria chegar ao retomar sua vida de homem de negócios. Por isso me dispus a ouvi-lo.

Seu plano era, no entanto, muito simples, de baixo custo e, segundo ele, de retorno imediato, considerando-se que quase todo mundo aprecia uma boa tapioca. Mas, a tapioca tradicional, feita de goma e coco, já estaria muito banalizada, pois desde que se entendia por gente já era degustada por todo mundo… Era preciso inovar e conquistar novos segmentos de consumidores.

Pois bem, sua idéia lhe parecia uma coisa genial, algo capaz de engordar rapidamente a sua conta bancária e proporcionar-lhe uma velhice mansa e tranquila. O que ele queria mesmo era tornar-se o primeiro e o maior fabricante de “tapiocas de maconha”, as logo tornadas célebres – esperava com fé e raça — “Tapiocas do Giovani”. Produto fino, inteiramente feito dentro das normas… “Já imaginou, o sucesso?”


8 Comentários

Véscio Barroso (Fortaleza-CE) on 2 de novembro de 2009 at 18:16.

Muito criativo esse Giovani…Vale uma boa entrevista.

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Elione Mary, Santos Reis on 2 de novembro de 2009 at 18:53.

Se Franklin insistir nessa veia de memorialista, vai ter muito o que contar… Vai, Franklin, conta…

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Boy Sanguebom on 2 de novembro de 2009 at 19:04.

Eu já gostava de tapioca…

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Edileuza Façanha de Sousa - Fortaleza on 2 de novembro de 2009 at 19:48.

Franklin é mestre na arte de escrever: agrada, com o seu estilo, a quem tem cultura e a aqueles que não tem. Um artigo com sua assinatura é certeza de uma boa leitura.

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Boy Singapura on 2 de novembro de 2009 at 19:52.

Véi, nota 10!!!

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Boy Detonação on 2 de novembro de 2009 at 21:47.

Blz, véi!!

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João Felipe - Capim Macio on 3 de novembro de 2009 at 19:42.

Você tem um jeito só seu de conversar com o povo e de cativar o leitor com suas histórias. Leio tudo o que escreve com muito prazer e fico ansioso quando você demorar a publicar novos textos. Parabéns pelos acessos. O Blog está crescendo e projetando o nosso querido RN.

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Boy Fudêncio on 6 de novembro de 2009 at 19:36.

Só penso no sucesso que esta crônica fez entre a rapaziada do Beco da Lama! Ô lombra doida…

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