3X4 DA REPÚBLICA PETISTA
Por O Santo Ofício | 1 novembro, 2009
Da redação de O Tempo (MG)
Entre o estilingue e o telhado de vidro, ninguém quer fiscalização
Fazer aniversário duas ou três vezes por ano, falar dos seus desejos ao soprar as velinhas, tocar trompete na Guarda Presidencial, visitar obras com uma comitiva enorme de ministros. São todas ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, para alguns, combinam muito com o perfil dele. Mas também é óbvio o objetivo eleitoral dessas atitudes. Exagero ou não, é a Justiça eleitoral que vai decidir.
Mas prometer obras para 2011, ainda que haja um reconhecimento de que a declaração foi um erro, é um abuso. Há erros que não podem ser cometidos. E há erros que são propositais, que têm como objetivo criar uma situação tal que, mesmo com um pedido oficial de desculpas, não é possível mais reparar seus estragos.
A pré-campanha da ministra Dilma Rousseff está repleta de pequenos enganos, atos falhos, questões de interpretação. Mas enquanto as polêmicas ocupam a mídia, o nome da ministra vai se tornando mais conhecido. E a oposição reforça o movimento ao fazer uma contestação ineficiente – para não dizer dúbia. Nesta semana o governador José Serra disse, por exemplo, que não vê ilegalidade na possibilidade de colher os frutos políticos de uma boa gestão.
Na verdade, quem é estilingue também tem telhado de vidro. Serra sabe que ele e Aécio Neves precisam também dos louros que poderão ser obtidos a partir de seus desempenhos nos governos estaduais. Então é prudente para o PSDB não pegar muito pesado em relação à campanha extemporânea e ao uso da máquina administrativa. Aliás, verdadeiramente a nenhum partido interessa uma fiscalização rigorosa.
A fiscalização deve ficar mesmo por conta dos atos mais graves. O problema é que eles estão se multiplicando.




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