UMA TARDE NO MARÉ MANSA

Por O Santo Ofício | 11 outubro, 2009

Por Franklin Jorge

Macau – Ir à ilha de Macau e não pousar no Maré Mansa - uma instituição local – seria o mesmo que ir à Roma e não visitar a basílica de São Pedro. Assim, na terra do grande escritor Aurélio Pinheiro, fui almoçar e jantar algumas vezes no Maré Mansa que há 40 anos é o endereço gastronomico mais importante da região.

Comida honesta e saborosa, o restaurante fundado por Sebastião Amâncio oferece-nos tambem, como impagável cortesia, uma belissima paisagem e, dependendo do horário, um inesquecivel por do sol com direito a barcos ancorados sobre o plácido rio Assu emoldurado de mangues verdissimos.

Seu Sebastião é o anfitrião discreto e amável com quem converso sobre a cronica da cidade que me pareceu bem outra após a calamitosa ingerencia do ex-prefeito José Antonio Menezes, aliás condenado por corrupção, que nada fez pela cidade que fedia, tamanha era a sujeira – a que se expunha aparatosamente aos olhos de todos e a secreta, desvelada por ações do Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado. – O Valadão, bairro construido sobre mangues e lamaçais, era a prova cabal dessa penúria gerencial do dr. Menezes…Hoje o Valadão está saneado e se tornou irreconhecivel. Espelha outra realidade.

Mas voltempos a Seu Sebastião, um patrimônio humano e imaterial vivo, decano em seu oficio de restauranteur, um dos homens bons de Macau. Entrevistei-o, há pouco, para a edição da “Folha de Macau”, comemorativa do aniversário da cidade que transcorreu em 9 de setembro, mensário que há mais de uma década registra os fastos e a história do Vale do Assu, sendo am publicação de maior credibilidade e circulação nessa área geográfica do estado.

Já octogenário, embora lucido e em plena atividade, administra Seu Sebastião o seu próprio negócio, ajudado pela filha Fátima Marcolino, que renunciou a uma carreira universitária para estar ao lado do pai, enfrentando e vivenciando desafios, como sobreviver em plena crise que, apesar do otimismo um tanto patológico do presidente Lula, contamina a atividade economica em todo o país.

Enquanto conversamos, no terraço do Maré Mansa, os pássaros meliantes vêm pousar a pouca distancia da nossa mesa, antes de encherem o papo e de se recolherem aos seus ninhos. Por fim, entre cafezinhos, o crepúsculo cinematográfico, súbito e pontual, ensaiado e apresentado por aquele que o poeta mineiro Murilo Mendes definiu como o melhor diretor de cena – Deus.


2 Comentários

Eli (Goiânia) on 11 de outubro de 2009 at 22:29.

Não existe em Macau crepúsculo mais lindo do que o que pode ser visto do Maré Mansa. Sempre que vou a Macau, dou um jeito de ver esse espetaculo maravilhoso.

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Marianne on 12 de outubro de 2009 at 15:27.

Uma paisagem encantadora a que nos oferece o restuarante Maré Mansa. Amei.

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