O CENTENÁRIO DE NILO PEREIRA
Por O Santo Ofício | 1 outubro, 2009
Por Woden Madruga
Tribuna do Norte, Natal 01 de Outubro de 2009
Nilo Pereira, nascido em Ceará-Mirim, faria 100 anos no dia 19 de dezembro. Jornalista, escritor, professor de ensino superior, um intelectual perfeito, completo. Conferencista, fazia a delícia das plateias, auditórios lotados para ouvi-lo. Causeur sem igual. Viveu maior parte de sua vida no Recife onde, além de suas atividades intelectuais, múltiplas, foi também deputado estadual. Mas nunca esqueceu a terra onde nasceu. Poucos amaram tanto sua aldeia quanto Nilo amou Ceará-Mirim. Escreveu ele no prefácio da terceira edição de seu livro Imagens do Ceará-Mirim: “Sempre hei de voltar a Ceará-Mirim, para dizer à entrada da cidade, embora sem mais a companhia de Edgar Barbosa: Esta é a ditosa pátria minha amada.
Esta era a nossa saudação camoniana, que aqui repito, comovido, como se ele estivesse comigo, na hora litúrgica de rever o cenário encantado”.
Domingo passado Sanderson Negreiros, que assina as orelhas de Imagens do Ceará-Mirim e que também nasceu no verde vale, escreveu em seus Quadrantes, de Tribuna do Norte, sobre o centenário de Nilo dando conta de que a data começa a ser comemorada por instituições culturais de Pernambuco, ao mesmo tempo que chamava a atenção da gente daqui, mormente de sua terra, para que a data não desapareça na vala do esquecimento.
Será que o prefeito de lá tem acesso à leitura dos jornais? Bom, de Ceará-Mirim, se sabe que o Engenho Guaporé, onde Nilo Pereira foi criado (ele nasceu no Engenho Verde Nasce) e transformado em Museu Nilo Pereira, está fechado há vários anos, o prédio em processo de deterioração. O museu pertence à Fundação José Augusto, do governo do Estado.
Em Pernambuco (li na coluna de José de Souza Alencar, Alex, do Jornal do Commercio de Recife, de sábado, 26) a Secretaria de Educação do Estado, o Conselho Estadual de Cultura, a Academia Pernambucana de Letras e a Universidade Federal de Pernambuco “irão realizar grande homenagem comemorando o centenário do professor Nilo Pereira”. A homenagem aconteceu segunda-feira, 28, na sede da Academia Pernambucana de Letras.
A nota de Alex acrescenta ainda que Helicarla Nely, aluna de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, faria uma conferência sobre o livro Imagens do Ceará-Mirim, tema de sua tese de mestrado.
Aqui por estas ribeiras esquecidas não se tem notícia de nada. Nem da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, da qual fazia parte Nilo, nem do Conselho Estadual de Cultura, presidida pelo poeta Paulo de Tarso Correia de Melo, que tem raízes fincadas no mesmo chão de massapê de Ceará-Mirim.
Aliás, a Academia esqueceu os centenários de outros dois grandes nomes de nossa cultura, ambos de seus quadros: os escritores Manoel Rodrigues de Melo e Raimundo Nonato da Silva.




11 Comentários
Ailton on 1 de outubro de 2009 at 12:11.
Essas entidades não servem pra nada. Alguém já disse que são “clubes geriátricos”. Servem apenas para afagar o ego desses vaidosos improdutivos. Nada mais. Deixarem passar em brancas nuvens o centenário de um escritor como o Manuel Rodrigues de Melo, tenha santa paciencia! O danado é que o presidente do Conselho de Cultura também é da Academia de Letras! Também esqueceram o centenário de EdgarBarbosa, gente! Quanto ao prefeito do Ceará-Mirim (para tirar a duvida do Woden), não o sujeito não sabe ler. Não se sabe como chegou a delegado de policia!
Carlos Bento on 1 de outubro de 2009 at 12:34.
Quem chamou essas instituições de “clube geriátrico” foi o proprio FJ, lembra não? É por isso que essa gente odeia ele, porque ele sabe botar o dedo na ferida e como intelectual que é não tem coração. Grande Franklin!
Lindamar Alves on 1 de outubro de 2009 at 15:37.
Nunca soube da serventia do Conselho Estadual de Cultura. é uma elefante branco pilotado por uma camarilha de gagás e “oficialescos” que não produzem um parágrafo. É uma camarilha de vaidosos sem futuro, nada mais. A Academia já prestou quando teve intelectuais como Manuel Rodrigues, Américo de Oliveira Costa, Edgar Barbosa, Nilo Pereira, Newton Navarro, Aluizio Alves, Câmara Cascudo. Hoje até a mulher de João Faustino é academica, assim como Pedro Vicente, Abmael, o Bispo de Taipu e outros do mesmo nivel intelectual. O presidente é um posudo que nada faz, a não ser “aparecer”.
Manoel Benicio Neto on 1 de outubro de 2009 at 17:16.
O Conselho De Cultura e a Academia de Letras são mostruários da nossa pouca valia cultural. O RN não tem nenhuma expressão no país. Até os novos, aqui, já começam imitando os velhos.
Tadeu Câmara on 1 de outubro de 2009 at 20:44.
Tambem quero saber para que servem essas instituições que não cumprem suas obrigações?
Valeriano Pereira on 2 de outubro de 2009 at 6:24.
Esse “esquecimento” é a prova da inutilidade dessas instituições mantidas com os nossos impostos. A cultura aqui não é respeitada. Perlos tipos que ocupam atualmente a presidencia das fundações José Augusto e Capitania das Artes, sem nenhuma expressão ou qualidade, dá para se ter uma idéia de como os nossos politicos enxergam a cultura. Essa governadora Wilma é um “o” e a prefeita Micarla não fica atrás.
Sampaio on 2 de outubro de 2009 at 13:37.
Muitissimo esfarrapada a “explicação” do presidente da Academia de Letras, Diógenes da Cunha Lima, sobre a omissão relativa ao centenário do escritor Nilo Pereira., publicada hoje na coluna do jornalista Woden Madruga, que onde desce o cacete na incompetencia dos dirigentes culturais da terrinha… Esfarrapadissima, mas não falou das outras omissões (Manoel Rodrigues e um outro academico de Mossoró que nunca ouvi falar)! conte outra, dr. Diógenes…
Geraldo Pereira on 3 de outubro de 2009 at 15:46.
Na condição de filho de Nilo Pereira, venho articulando as homenagens no Recife, como forma de evitar que o seu nome seja esquecido na comunidade em que viveu. Falei na Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Regional), na Academia de Letras e Artes de Pernambuco e falarei no Museu do Estado. No dia 28 de setembro, Helicarla Batista de Morais, do Ceará-Mirim, aceitando um convite das três instituições referidas em comentário anterior, incluindo o Conselho Estadual de Cultura, ao qual pertenceu Nilo Pereira e eu pertenço agora, pronunciou excelente palestra. No final do ano, a Escola Municipal Prof. Nilo Pereira há de celebrar a data e a Universidade Federal de Pernambuco lançará um livro reunindo plaquetes (brochuras) de conferências e discursos (poucos) do ilustre norte-rio-grandense. A Profª Socorro Ferraz escreve o Prefácio, o Reitor Amaro Lins faz a Apresentação e Helicarla Morais redige as Orelhas. Assim, imagino, faço um esforço grande para perpetuar o nome de Nilo Pereira.
Geraldo Pereira – pereira@elogica.com.br
Inacio on 3 de outubro de 2009 at 16:00.
Que esperar dessa gente que está governando o nosso estado? O prefeito do Ceará-Mirim é um homem inculto, acostumado a conviver com marginais (é delegado de policia) não um intelectual nem um administrador. Ele está entre os piores prefeitos que um municipio do RN já teve. Numa avaliação recente teve apenas 11% de aprovação popular. É uma aberração.
Doralice Moura on 4 de outubro de 2009 at 9:54.
Pobre do Ceará-Mirim! Esta entregue as moscas com este prefeito despreparado.
Télescope on 2 de julho de 2010 at 12:13.
A moda atual, no Brasil, é ser analfabeto ….