“AILTON ESTÁ ÓTIMO”

Por O Santo Ofício | 25 setembro, 2009

Por Franklin Jorge

 

Um leitor escreveu-me, recomendando-me a leitura do blog do jornalista Ailton Medeiros. “Ailton está ótimo”, disse. Aliás, se não fossem os blogues, que teríamos para ler?

 

Bem, está pintando uma nova polemica na praça. É o que swe depreende da leitura do Blog do Ailton. Dessa vez envolvendo um escritor que achei por demais esnobe e pretensioso, ao ouvi-lo, certa vez, na Sulanca do Livro, aqui mesmo em Mossoró, e o próprio Ailton, que sempre se mete em confusões.

E olhem que, para todos os efeitos, estava ao seu lado — ao lado do autor de “Lítio” – , na referida Sulanca do Livro,  nada menos do que o Rodrigo Levino, também publicado pelo selo Jovens Escribas e, apesar de grande escritor, modestissimo e desafetado. O oposto de contraste desse nada humilde jovem escritor cheio de si.

 

Vale transcrever o primeiro e o segundo rounds desse arranca-rabo, no qual, a meu ver, saiu vitorioso o tarimbadissimo escriba de Caicó contra o escritor e publicitário das Rocas — bairro de gente aguerrida que já nos deu até um presidente da República — com nome de ex-deputado, Patricio Júnior. 

 

Uma delicia, transcrita do Blog do Ailton:

 

O BRUXO DAS ROCASPATRÍCIO JR.

Por Ailton Medeiros

 

O blog teve a honra de receber comentário do “escritor” Patrício Jr., uma espécie de Machado de Assis do Mangue. O rapaz que sabe ler, mas não sabe escrever, exige respeito deste escriba. É que indaguei quem era o dito cujo que sempre aparecia nos eventos literários  da Taba. O rapaz não gostou.

Abaixo, o email do Bruxo das Rocas que acaba de criar uma nova versão de um bordão muito conhecido em Brasília: Você sabe com quem está falando? Este escriba, coitado, nunca sabe.

Prezado Aílton,
eu sou Patrício Júnior, escritor com dois livros publicados. Um deles, editado pelo selo Jovens Escribas. Sou jornalista e publicitário. Respeite-me! Qual foi o livro que o senhor escreveu? Nenhum. Eu sou autor de “Lítio” e “A cega natureza do amor”.

COMENTÁRIO DE AILTON


Sou escritor, me respeite! Quanta arrogância! Será que ele acredita mesmo ou é delírio? 

Em 1885, o crítico sergipano Sílvio Romero desancou Machado de Assis. Chamou-o de frívolo, caquético, opilado, sem idéias, um simples “burilador de frases banais”. Machado, que eu saiba, nunca pediu a Romero que o respeitasse por ser escritor.

James Joyce, ao lançar “Ulisses”, levou uma estocada de Virginia Woolf que acusou a obra-prima de Joyce de desagradável, pretensioso e inculto. Em suma, um fracasso. Ele, porém, nunca reclamou à escritora inglesa de sua falta de respeito.

Mas o que esperar de um bocó?

Minha mãe não era inglesa (nem meu pai pernambucano), mas deles aprendi a sempre dizer o que penso das pessoas. Existe uma cordialidade genuinamente natalense que supõe que preferimos nunca ser corrigidos de nossa ignorância e continuar ignorantes para sempre.

Não é o caso deste escriba, finaliza Ailton.

Agora, meu comentário, pois não me furto a esse prazer:

Menino, escute os mais velhos. Ailton é cobra criada.

Uma pessoa verdadeiramente inteligente não briga com quem sabe escrever. Ouvi isto há muitos anos da boca um grande escritor, homem de notável cultura, o humanista paraibano Ascendino Leite, que está beirando atualmente os 100 anos.

Não é por ser jovem e ter publicado nos Jovens Escribas que você é um Machado de Assis. Escrever é uma cultura. É preciso laborar e ter paciência. Se você tiver tanto talento quanto pensa, será reconhecido algum dia como escritor. Doa a quem doer.

 


8 Comentários

NABUCO on 25 de setembro de 2009 at 21:08.

Jornalista,

Uma polêmica sempre é ótima, nos mostra que ainda existe vida pulsando aqui nessa terra tão pacata. Aguardei ansioso e expectante o prosseguimento de vossa polêmica com François Silvestre, e para minha frustração, não teve seguimento. O senhor já leu o último livro de François? prato cheio para qualquer revisor primário, apenas para aludir ao aspecto mais superficial da obra, até jerimum o cidadão grafa com g, além de macaxeira com ch, isso contando com os préstimos de um revisor, conforme está escrito nos créditos do referido livro.

Seu admirador,

Nabuco

Reply

Talita de Melo e Sousa São José de Mipibu on 26 de setembro de 2009 at 8:02.

Desde quando esse Patrício é escritor? Não é um publicitário – todo escritor e poeta no RN – tem sua boquinha na publicidade, pra faturar alto. Ridicularizam a direita nos livros e poemas e nas festas, mas trabalham para botar no poder os sanguessugas do dinheiro público, quanta contadição!

Reply

Toni Roeiter on 26 de setembro de 2009 at 14:18.

Patrício é um vendido que só serve à direita, sem talento, fogo de palha, como todos os Escribas.

Reply

Rivaldo Fialho on 26 de setembro de 2009 at 14:30.

Eu pensava que Patrício fosse apenas um performático, que fala muito e gesticula outro tanto, é o da revista VERSAILLES?

Reply

Margot - Ponta Negra on 26 de setembro de 2009 at 15:36.

Ailton, como sempre você botou pra quebrar nesses mediocres de plantão.

Reply

Tarcísio Rodrigues Nova Natal on 26 de setembro de 2009 at 19:28.

Patrício engole muita gorda de mediocridade local, que nada lê nem conhece coisa alguma do que seja a verdadeira literatura de qualidade, como não temos crítica militante, sobram essas porcarias. O rapaz sabe mesmo é redigir para ganhar dinheiro, num lugar onde os poetas ganham a vida fazendo campanhas eleitorais para políticos envolvidos em escândalos; ele se dão bem, o resto que se lasque….

Reply

Vampiro Vegetariano on 28 de setembro de 2009 at 11:19.

Não sou nenhum iBest, mas ouso classificar os três melhores blogs deste RN meio sem graça: “Blog do Ailton”, “O Santo Ofício” e “Coluna do Herzog”. Três trabalhos que se relevam pela versatilidade, caráter analítico e atuação independente. O resto é jornalismo (?) mundano vinculado a interesses pessoais e inconfessáveis. Ora, se é.

Reply

Patrício Jr. on 3 de agosto de 2010 at 19:04.

Com certo atraso, vi esta nota sobre o falso imbróglio com Ailton Medeiros. Só pra deixar registrado aqui, conforme já foi no blog dele (neste link: http://migre.me/123HN), não fui eu o autor dessas desaforadas linhas. Quisera eu ter tanta segurança assim neste ofício de escritor! Obrigado pelo espaço aberto, Franklin.

Reply

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>