A PAISAGEM HUMANA DE SERRA CAIADA (2-2)
Por O Santo Ofício | 5 setembro, 2009
Á SOMBRA DOS CAJUEIROS
Por Franklin Jorge
Em 1996 uma representação da fraternidade do Café São Luiz foi a Serra Caiada dar o seu apoio à candidatura de José Lins a prefeito do município.
Motivava-nos, além daquela fraternidade da Calçada do Café, a promessa de que, ao tomar posse, José Lins restauraria a antiga denominação do município, mudada para Senador Eloy de Souza, num ato leviano de parlamentareso que não respeitaram a tradição. Bajulação pura e simples, pois afinal o senador Eloy de Souza apenas lucrou com a politica; não consta que tenha feito alguma coisa por Serra Caiada.
Assim, numa manhã de sábado em que o Café reúne tanta gente espirituosa, seguimos para Serra Caiada, onde conheci uma gente interessantíssima que me levo a pensar no ex-governador Antonio de Souza (1867 – 1955) e no seu apego por aquela terra.
O slogan da campanha, criado de repente pelo poeta Jarbas Martins, num daqueles esplêndidos e bem humorados encontros, ao sabor dos cafezinhos, fez sucesso em Serra Caiada. O povo comentava sob as árvores: Feio é não votar em José Lins.
Conversei com uns velhos amáveis, bibliotecas vivas e falantes que imprimiram àquele dia o encanto difuso de uma lenda.
Passeando à sombra dos cajueiros ,numa celebração amistosa ao nome de José Lins, referência vital no afeto daquela gente alegre e novidadeira, as conversas, o entusiasmo do povo numa longa confidência de exclamações, riso e interpolações gentis, como recorrências da memória hospitaleira.
Converso com tanta gente. Francisco de Assis Jacob, pouco mais de vinte anos, morador no sítio Carnaúba, diz que essa festa é uma revivescência da época do pai de Zelins e de sua irmã — uma senhora boníssima em cuja casa tivemos um almoço delicioso — quando o povo ainda seguia fielmente a orientação dos chefes.
Rosendo, Joaquim Rosendo de Lima, maior de oitenta anos, agricultor na lagoa da Ema, veio de longe prestigiar o velho amigo e dar apoio a José Lins, que conheceu há mais de trinta anos. Diz que é gente boa demais. Merece ser prefeito com a graça de Deus.
Quando estou doente — conta –, Zelins corre em riba da hora e me leva para o hospital. É mesmo que ser um pai quando a gente se vê na precisão de ocupá-lo.
Já Maria Selma Valdevino, de dezenove anos, moradora na lagoa do Xavier, com quem converso por muito tempo sobre as aspirações dos jovens da zona rural, vota em José Lins porque ele é um homem sem besteira. Voto nele, apesar da feiúra, afirma e sinto firmeza em suas palavras ditas debaixo de um cajueiro. Aqui há quem diga que ele é mais feio até do que Lavoisier Maia, enfatiza a moça bem humorada, mas não voto em boniteza; voto nele porque se trata de um homem bom. Não por que seja um galã…




4 Comentários
Isaura Almeida on 6 de setembro de 2009 at 0:07.
quer dizer que o avô da jornalista rejane cardoso serejo não e toda essa beleza não? então por que vicente fica gabando o senador eloy de souza como se ele fosse digno do reconhecimento da nossa gente??? é muita cara de pau! vender gato por lebre aos leitores.
Cícero Ramos on 6 de setembro de 2009 at 10:43.
É preciso acabar com essas bajulações, Franklin, e fazer a cidade a voltar a ter o nome de antigamente. Cadê o povo de Serra Caiada, que não se movimenta???
Boy Manero on 6 de setembro de 2009 at 10:47.
Falow!!!
Pablo Thiago Lins on 3 de fevereiro de 2011 at 2:19.
Caro Franklin, fico feliz em ler narrativas sobre as fartas histórias políticas do meu avô (sou Neto de Dr. Zé Lins) e agradeço em nome dele e toda Família, por reviver parte das histórias que marcam a vida dele.