PADRE, JORNALISTA E POLÍTICO
Por O Santo Ofício | 4 setembro, 2009
Por Franklin Jorge
O padre João Manuel de Carvalho, norte-rio-grandense e patrono de importante logradouro em Natal, notabilizou-se durante a monarquia e inícios da República, sobretudo, por seu temperamento e jornalismo desabrido à serviço da política partidária, pois era homem de opinião e ação que nunca ficou em cima do muro vendo as coisas acontecerem…. Pároco da Candelária, no Rio de Janeiro, representou o nosso estado em duas legislaturas tumultuosas.
Tinha a justa fama de ter a língua de prata. Seu texto, embebido de puro vitríolo, era nitroglicerina pura. Corajoso e independente, colocava as idéias acima de seus interesses, deixando disso testemunhos públicos e privados. Como jornalista militante, era sempre do contra, por entender o jornalismo como uma advocacia popular à serviço dos cidadãos e não daqueles que se refestelam no poder, desfrutando as benesses do servilismo interesseiro. Costumava dizer o padre João Manuel, esse anti-Aretino por índole e temperamento, apostrofando o jornalismo que se vende: “Repórter é sempre parente do governo”, e estava conversado.
Ninguém, melhor do que ele, para dar esse diagnóstico, após ter dirigido dois combativos jornais cariocas, o “15 de Julho” [1870] e “A Nação” [1872-76], que deram eco à sua implacável campanha contra a sociedade política e burguesa de sua época, aliás, tão parecida com a atual.
Colaborador do “Jornal do Commércio” e, posteriormente, quando radicado em São Paulo, redator-chefe do “Correio Amparense”, já na República tornou-se um critico implacável do Governo Provisório, jogado em massa na fogueira, na figura de seus ministros, parlamentares, generais e anatematizados com as tintas da sátira e do ridículo.
Embora padre, nada tinha de piedoso, esse João Manuel de Carvalho, autor, também, de um livro de memórias ainda capaz de nos despertar o prazer do riso. Sobre o Marechal Floriano Peixoto, nascido antes do tempo na cidade alagoana de Porto Calvo, portanto conterrâneo do traidor Calabar, destilou: “Monstruoso na ordem política, esse homem foi fenomenal na ordem da natureza. Ninguém se admire do que fez ele ao visconde de Ouro Preto, nem ao Marechal Deodoro, nem aos congressistas, nem à nação, nem à Republica, nem à Federação, nem a si mesmo. O senhor Floriano Peixoto traiu a própria mãe que o pariu, a ele, porque fez-lhe a torpeza de nascer de sete meses e em Porto Calvo. Ora, procedente de porto calvo e tendo tanta pressa em vir ao mundo devia tornar-se um verdadeiro prodígio… na traição”.
E, não satisfeito com as estocadas, acrescentava sem perder o fôlego: “Pela pressa com que quis nascer, saiu completamente torto, tanto no corpo como na alma. “Pé torto, alma torta”, disse dele Pardal Mallet. De perfeito acordo”. Diante do cenário político que temos diante dos nossos olhos perplexos, só nos resta lamentar que a não tenhamos em Mossoró outros padres como esse, para detonar figuras ridículas e venais, quando não destrambelhadas e manipuladoras como grande parte dos nossos politicos de plantão.




3 Comentários
Fernando Coutinho on 4 de setembro de 2009 at 14:09.
Ô padre porreta! Tá faltando aqui um padre assim…Só temos rola-bostas, como esses padres Fábio e Nunes.
Boy Manero on 5 de setembro de 2009 at 7:37.
Bota padre porreta! Kaaaaaaralho!
César Augusto, Fortaleza on 5 de setembro de 2009 at 12:14.
Escreva mais sobre este padre, por favor. Que figura!